{"id":1275,"date":"2005-12-06T00:00:00","date_gmt":"2005-12-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1275"},"modified":"2005-12-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-12-06T00:00:00","slug":"servios-liberao-e-comodidade-em-negociao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/mundo\/servios-liberao-e-comodidade-em-negociao\/","title":{"rendered":"Servi&ccedil;os: Libera&ccedil;&atilde;o e comodidade em negocia&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 06\/12\/2005 &ndash; &quot;Olhe como vivemos aqui: entre montanhas de desperd&iacute;cios, cloacas, sacos pl&aacute;sticos cheios de lixo jogados por todo lado. N&atilde;o tem &aacute;gua corrente. Tudo isto &eacute; prejudicial para nossos filhos&quot;, se queixa o queniano James Isaye. <!--more--> Ele vive em Kibera, uma &aacute;rea pobre de Nair&oacute;bi, capital do Qu&ecirc;nia, onde moram 700 mil pessoas. Costuma-se dizer que &eacute; o bairro mais extenso e populoso de toda a &Aacute;frica. Kibera &eacute; o oposto dos sal&otilde;es de confer&ecirc;ncias com ar-condicionado aonde se chegou, ap&oacute;s prolongadas negocia&ccedil;&otilde;es, ao Acordo Geral sobre Com&eacute;rcio de Servi&ccedil;os (Gats). Muito provavelmente, a maioria dos habitantes de Kibera n&atilde;o tenha a menor id&eacute;ia do que significa Gats.            <\/p>\n<p>Entretanto, esse acordo pode ser a &uacute;nica esperan&ccedil;a para que os servi&ccedil;os b&aacute;sicos cheguem &agrave; regi&atilde;o, e por isso t&ecirc;m seus simpatizantes. O Gats entrou em vigor h&aacute; uma d&eacute;cada em todos os pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, incluindo o Qu&ecirc;nia. O acordo rege o com&eacute;rcio internacional de todos os servi&ccedil;os (menos de transporte a&eacute;reo e algumas presta&ccedil;&otilde;es estatais) e prev&ecirc; a liberaliza&ccedil;&atilde;o de numerosos setores: &aacute;gua, energia, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, transporte, telefonia, servi&ccedil;os financeiros e turismo, entre outros. Os que o ap&oacute;iam, afirmam que esse acordo tem entre seus principais benef&iacute;cios baratear e tornar mais eficiente a provis&atilde;o de servi&ccedil;os. Os pa&iacute;ses industrializados pretendem maior acesso aos mercados do Sul em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Estas palavras seguramente soam como canto de sereia para Isaye, ativista da Organiza&ccedil;&atilde;o Nacional de Moradores de Bairros Pobres do Qu&ecirc;nia, dedicado a conseguir melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida para os assentamentos informais. &quot;Se o governo &eacute; incompetente, ent&atilde;o prefiro que usem companhias privadas, nacionais ou estrangeiras, para p&ocirc;r a casa em ordem e limpar toda esta sujeira?, disse &agrave; IPS. O subdiretor do Minist&eacute;rio de Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio, Elijah Manyara, adverte, entretanto, que &eacute; preciso refor&ccedil;ar o contexto legal do Qu&ecirc;nia para obrigar as companhias estrangeiras &#8211; que j&aacute; atuam no pa&iacute;s &#8211; a tratar os consumidores de maneira justa. &quot;Existe uma pol&iacute;tica de livre competi&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o creio que seja forte o suficiente&quot;, disse &agrave; IPS. &quot;Esta pol&iacute;tica, mais a cria&ccedil;&atilde;o de um organismos aut&ocirc;nomo que controle o pre&ccedil;o dos servi&ccedil;os, poderia remediar a situa&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>&Acirc;ngela Wauye, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Action Aid-Qu&ecirc;nia, adverte que &quot;aqui o que existe &eacute; a lei da selva, e, assim, as pessoas se v&ecirc;em obrigadas a aceitar pre&ccedil;os exorbitantes sem que haja alguma lei para proteg&ecirc;-la. A liberaliza&ccedil;&atilde;o (do mercado de servi&ccedil;os) deve ser feita tendo em mente as necessidades dos setores em condi&ccedil;&otilde;es de indig&ecirc;ncia&quot;, disse &agrave; IPS. &quot;N&atilde;o tem sentido que os pobres continuem sem acesso a servi&ccedil;os b&aacute;sicos. Os pre&ccedil;os devem estar ao alcance das pessoas comuns&quot;, acrescentou. O vice-presidente da C&acirc;mara Nacional de Com&eacute;rcio do Qu&ecirc;nia, Laban Onditi, tamb&eacute;m desejaria um regime impositivo mais severo para p&ocirc;r em seu lugar os empres&aacute;rios estrangeiros. Em um esfor&ccedil;o para atrair investimentos, o governo determinou isent&aacute;-los do pagamento de impostos pelos pr&oacute;ximos 15 anos. Para Onditi se trata de um excesso de generosidade.<\/p>\n<p>O setor de servi&ccedil;os representa 55% do produto interno bruto, segundo estat&iacute;sticas oficiais. Entre eles se destacam por sua import&acirc;ncia e dinamismo o setor do transporte, do turismo e das telecomunica&ccedil;&otilde;es. Segundo a OMC, o de servi&ccedil;os &quot;&eacute; o maior e com mais crescimento e explica os 60% da atividade econ&ocirc;mica mundial&quot;. O Gats proporciona aos pa&iacute;ses-membros da OMC a op&ccedil;&atilde;o de escolher os servi&ccedil;os que desejam liberalizar, bem como o grau de abertura destes mercados &agrave; competi&ccedil;&atilde;o com empresas multinacionais. No Qu&ecirc;nia, &quot;n&atilde;o abrimos o mercado da &aacute;gua &agrave;s companhias estrangeiras, e ningu&eacute;m pode nos crucificar por isso. Esse &eacute; o tipo de flexibiliza&ccedil;&atilde;o que permite o acordo&quot;, disse Manyara.<\/p>\n<p>Entretanto, os ativistas expressaram seu temor de que os pa&iacute;ses industrializados usem a confer&ecirc;ncia ministerial da OMC, que acontecer&aacute; este m&ecirc;s em Hong Kong, para pressionar os pa&iacute;ses em desenvolvimento a abrir e liberar ainda mais seus mercados de servi&ccedil;os em troca de concess&otilde;es na &aacute;rea agr&iacute;cola. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento advertem que seus agricultores est&atilde;o em desvantagem por causa das tarifas alfandeg&aacute;rias sobre a importa&ccedil;&atilde;o de seus produtos por parte das na&ccedil;&otilde;es industrializadas, que tamb&eacute;m criam obst&aacute;culo &agrave; corrente com os elevados subs&iacute;dios que pagam aos seus produtores. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 06\/12\/2005 &ndash; &quot;Olhe como vivemos aqui: entre montanhas de desperd&iacute;cios, cloacas, sacos pl&aacute;sticos cheios de lixo jogados por todo lado. N&atilde;o tem &aacute;gua corrente. 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