{"id":1276,"date":"2005-12-06T00:00:00","date_gmt":"2005-12-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1276"},"modified":"2005-12-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-12-06T00:00:00","slug":"energia-o-que-o-vento-pode-trazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/america-latina\/energia-o-que-o-vento-pode-trazer\/","title":{"rendered":"Energia: O que o vento pode trazer"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 06\/12\/2005 &ndash; O governo da Argentina anunciou investimento milion&aacute;rio no setor de energia e&oacute;lica para aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade e fabricar moinhos. Por&eacute;m, ambientalistas t&ecirc;m d&uacute;vidas sobre a efic&aacute;cia e transpar&ecirc;ncia do projeto. <!--more--> A&ccedil;oitada por ventos fortes e constantes, a austral regi&atilde;o da Patag&ocirc;nia &eacute; privilegiada para o desenvolvimento da energia e&oacute;lica. Entretanto, existem at&eacute; agora apenas 10 parques desse tipo de gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica que produzem, em conjunto, escassos 27 megawatts para um mercado que demanda 23.800 megawatts. <\/p>\n<p>Aproximadamente 90% do consumo de eletricidade na Argentina prov&ecirc;m da queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, como petr&oacute;leo e g&aacute;s natural, recursos n&atilde;o-renov&aacute;veis e de pre&ccedil;os ascendentes que tamb&eacute;m contribuem para o aquecimento do planeta com suas conseq&uuml;&ecirc;ncias na altera&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica. O restante da matriz energ&eacute;tica tem fonte hidr&aacute;ulica (4,7%), nuclear (1,3%) e, de maneira quase insignificante a lenha, o baga&ccedil;o, a e&oacute;lica e a solar. Desde meados dos anos 90, organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas procuram fazer com que o Estado e as empresas privadas aproveitem o inesgot&aacute;vel vento da Patag&ocirc;nia para tornar mais sustent&aacute;vel a matriz energ&eacute;tica. Mas suas demandas e propostas para um desenvolvimento paulatino foram quase sistematicamente ignoradas at&eacute; agora pelas autoridades.<\/p>\n<p>No entanto, o governo do presidente N&eacute;stor Kirchner se comprometeu no ano passado a aumentar at&eacute; 8% a contribui&ccedil;&atilde;o de eletricidade de fontes renov&aacute;veis antes de 2013. Essa meta tamb&eacute;m parecia uma mera declara&ccedil;&atilde;o de boa vontade at&eacute; que, por fim, o Estado voltou os olhos para o vento e anunciou um forte investimento. Por&eacute;m, o modo n&atilde;o convence os especialistas. O governo da prov&iacute;ncia de Santa Cruz, que integra a Patag&ocirc;nia e de onde prov&eacute;m Kirchner, assinou um acordo com a empresa estatal de tecnologia industrial Invap para destinar US$ 55 milh&otilde;es &agrave; fabrica&ccedil;&atilde;o de 34 aerogeradores de alta pot&ecirc;ncia para produzir energia para consumo local e para o mercado internacional.<\/p>\n<p>&quot;Primeiro vamos desenvolver o prot&oacute;tipo do moinho, depois ser&aacute; preciso homolog&aacute;-lo em cinco anos poderemos estar atendendo a demanda local e participando de leil&otilde;es internacionais com um produto pr&oacute;prio, que pode ser para instalar em condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas severas&quot;, disse &agrave; IPS Hugo Brensdrup, engenheiro da Invap. &quot;Para recuperar este investimento ser&aacute; preciso ir aumentando o componente de energia e&oacute;lica na demanda, de maneira a ir gerando um mercado&quot;, acrescentou. Nesse sentido, comemorou a decis&atilde;o governamental de completar as liga&ccedil;&otilde;es para somar a energia e&oacute;lica da Patag&ocirc;nia ao sistema el&eacute;trico nacional.<\/p>\n<p>Segundo Brendsrup, o desenvolvimento n&atilde;o s&oacute; permitir&aacute; substituir moinho importados e prover outros mercados, como tamb&eacute;m criar&aacute; uma ind&uacute;stria que utilizar&aacute; m&atilde;o-de-obra de maneira intensiva. &quot;Para fabricar cem aerogeradores ser&atilde;o necess&aacute;rios entre tr&ecirc;s mil e quatro mil trabalhadores em todas as fases do processo&quot;, afirmou. Isto, de produzir moinhos sem ter desenvolvido previamente o mercado da energia, provoca d&uacute;vidas e cr&iacute;ticas dos defensores desta energia. Laura Gianelli, da Associa&ccedil;&atilde;o Argentina de Energia E&oacute;lica, explicou &agrave; IPS que &quot;para desenvolver uma linha de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; preciso capacidade tecnol&oacute;gica e mercado&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Sempre &eacute; bom fomentar o desenvolvimento tecnol&oacute;gico local, mas &eacute; necess&aacute;rio avaliar em cada caso o custo-benef&iacute;cio de um investimento desta magnitude, porque o mercado de moinhos e&oacute;licos n&atilde;o est&aacute; desenvolvido em n&iacute;vel local, nem tampouco regional&quot;, alertou Gianelli, diretora de Norma e Regulamenta&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o. Do mesmo modo, Juan Carlos Villalonga, diretor do cap&iacute;tulo argentino da organiza&ccedil;&atilde;o Greenpeace, alertou que o t&atilde;o ansiado desenvolvimento e&oacute;lico comece mau neste pa&iacute;s por falta de transpar&ecirc;ncia. &quot;N&atilde;o se pode atar o projeto e&oacute;lico a uma &uacute;nica empresa, n&atilde;o &eacute; sadio, preferimos que haja regras claras para todas as companhias&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Tanto Gianelli quanto Villalonga destacam o modelo empregado pelo Brasil, que p&ocirc;s em marcha o Programa de Incentivo &agrave;s Fontes Alternativas (Proinfa) pelo qual o Estado garante um pre&ccedil;o m&iacute;nimo para a venda de 1.400 megawatts de eletricidade procedente de fonte e&oacute;lica, por uma determinada quantidade de anos. O Proinfa tamb&eacute;m prev&ecirc; financiamento oficial e estabelece uma porcentagem da fabrica&ccedil;&atilde;o local das pe&ccedil;as. Ao garantir a compra da energia com um pre&ccedil;o fixado de antem&atilde;o, o Brasil cria um mercado e permite a participa&ccedil;&atilde;o de todas as empresas do setor, n&atilde;o s&oacute; de uma que pode n&atilde;o ser a melhor, explicou Villalonga.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o quer dizer que se a Invap fabrica n&atilde;o serve&quot;, disse Gianelli. &quot;&Eacute; muito bom que se discuta sobre estes temas e que haja preocupa&ccedil;&atilde;o para fazer algo, mas eu tenho muito receio&quot;, confessou. &quot;A quem v&atilde;o vender esses moinhos? Em quanto sua qualidade ser&aacute; melhor em rela&ccedil;&atilde;o aos existentes no mercado?&quot;, se perguntou. Gianelli ressaltou que a tecnologia dos moinhos &eacute; muito sofisticada e ser&aacute; ainda mais conforme exigir a competi&ccedil;&atilde;o por resultados com a energia de fontes renov&aacute;veis. A esse respeito, Oscar Balestra, gerente local da Vestas, empresa holandesa que fabrica moinhos para o mercado mundial, apoiou as preocupa&ccedil;&otilde;es dos ecologistas e reclamou do Estado &quot;um jogo mais aberto&quot;, do qual possam participar em competi&ccedil;&atilde;o as diferentes empresas do setor.<\/p>\n<p>Ballestra disse &agrave; IPS que a id&eacute;ia de criar uma f&aacute;brica argentina &quot;&eacute; muito louv&aacute;vel&quot;, mais lembrou que as muitas d&uacute;vidas a respeito dos desafios que essa empresa dever&aacute; enfrentar se quiser entrar em um mercado muito exigente, que j&aacute; tem jogadores de longa trajet&oacute;ria. &quot;Que experi&ecirc;ncia tem a Invap para competir com a alem&atilde; Siemens, com a norte-americana General Electric ou com a Vestas, que tem planos de entrega j&aacute; para 2008?&quot;, perguntou o executivo. &quot;E se conseguirmos aqui um desenvolvimento competitivo, qual cliente ir&aacute; comprar um moinho de um pa&iacute;s sem experi&ecirc;ncia na instala&ccedil;&atilde;o?&quot;, alertou. Nesse sentido, o empres&aacute;rio advertiu que os grandes bancos de investimento, que financiam a incorpora&ccedil;&atilde;o deste tipo de equipamento, n&atilde;o v&atilde;o aceitar aerogeradores sem garantiras de que n&atilde;o haver&aacute; falhas no funcionamento no curto e m&eacute;dio prazos.<\/p>\n<p>Finalmente, Villalonga disse que, embora seja certo que a tecnologia &eacute; cara e dif&iacute;cil de ser incorporada, a fabrica&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria de moinhos n&atilde;o deveria ser um requisito para dar o salto para maior produ&ccedil;&atilde;o de energia e&oacute;lica. O caminho para avan&ccedil;ar est&aacute; no subs&iacute;dio &agrave; demanda, concordam os ecologistas. &quot;Se exige do e&oacute;lico o que n&atilde;o se exige de nenhuma outra ind&uacute;stria. Se h&aacute; competidores fortes no mercado, porque n&atilde;o estabelecer regras claras para que todos possam participar?&quot;, perguntou. As perguntas est&atilde;o apresentadas e os especialistas esperam que as respostas n&atilde;o sejam levadas pelo vento da Patag&ocirc;nia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 06\/12\/2005 &ndash; O governo da Argentina anunciou investimento milion&aacute;rio no setor de energia e&oacute;lica para aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade e fabricar moinhos. 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