{"id":1278,"date":"2005-12-07T00:00:00","date_gmt":"2005-12-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1278"},"modified":"2005-12-07T00:00:00","modified_gmt":"2005-12-07T00:00:00","slug":"iraque-eua-se-negam-a-derrotar-zarqawi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/mundo\/iraque-eua-se-negam-a-derrotar-zarqawi\/","title":{"rendered":"Iraque: EUA se negam a derrotar Zarqawi"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 07\/12\/2005 &ndash; A negativa dos Estados Unidos de estabelecer data para a retirada de suas for&ccedil;as do Iraque sup&otilde;e a rejei&ccedil;&atilde;o de uma tentadora oferta da resist&ecirc;ncia sunita: eliminar os ref&uacute;gios da rede terrorista Al Qaeda nesse pa&iacute;s do Golfo. <!--more--> O Ex&eacute;rcito Isl&acirc;mico, o Bloco de Guerreiros Sagrados e a Revolu&ccedil;&atilde;o das Brigadas de 1920, tr&ecirc;s grupos armados sunitas, disseram a funcion&aacute;rios norte-americanos e &aacute;rabes que estavam dispostos encontrar o l&iacute;der dessa rede no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi, e entreg&aacute;-lo &agrave;s autoridades iraquianas. A oferta foi feita em uma reuni&atilde;o na cidade do Cairo, sobre a qual informou o jornal Al-Hayat, publicado em &aacute;rabe na cidade de Londres.            <\/p>\n<p>Por&eacute;m, o presidente George W. Bush descartou um acordo, ao recha&ccedil;ar qualquer negocia&ccedil;&atilde;o sobre datas para uma retirada. Em um discurso perante cadetes navais no dia 29 de novembro, Bush negou a possibilidade de &quot;estabelecer um prazo artificial&quot; para a retirada. Em uma entrevista &agrave; rede de televis&atilde;o ABC na semana passada, o embaixador norte-americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, se disse preparado para negociar com l&iacute;deres da insurg&ecirc;ncia sunita que n&atilde;o foram leais ao deposto presidente Saddam Hussein nem a Zarqawi. Mas sem nenhuma flexibilidade com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; retirada de militares, n&atilde;o h&aacute; possibilidade de negocia&ccedil;&otilde;es reais com os rebeldes.<\/p>\n<p>Um cronograma para a retirada foi a exig&ecirc;ncia central para a negocia&ccedil;&atilde;o por parte dos rebeldes sunitas, desde que no in&iacute;cio do ano come&ccedil;aram a comunicar suas condi&ccedil;&otilde;es para depor a resist&ecirc;ncia armada. A captura de Zarqawi por parte dos sunitas por si s&oacute; n&atilde;o acabaria com o problema de ref&uacute;gio de terroristas estrangeiros no Iraque, mas a proposta parece a vers&atilde;o reduzida de uma oferta mais ampla para atacar e eliminar seus centros de opera&ccedil;&atilde;o. Durante muito tempo, a intelig&ecirc;ncia norte-americana tinha conhecimento da grande rivalidade e, inclusive, de combates, entre organiza&ccedil;&otilde;es rebeldes sunitas e terroristas estrangeiros liderados por Zarqawi, embora os dois lados lutassem contra a ocupa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No passado, tanto rebeldes sunitas como seguidores iraquianos de Zarqawi trataram da possibilidade de se voltarem contra os estrangeiros &quot;jihadistas&quot; (partid&aacute;rios da guerra santa isl&acirc;mica) se chegassem a um acordo de paz com os Estados Unidos. &quot;Se Washington selar um acordo de paz com a resist&ecirc;ncia local n&atilde;o haver&aacute; espa&ccedil;o para combatentes estrangeiros&quot;, disse em agosto passado Saleh al-Mutlaq, do Conselho de Di&aacute;logo Nacional Sunita, movimento pol&iacute;tico afim da insurg&ecirc;ncia armada sunita. Depois que foram conhecidos os informes sobre contatos entre rebeldes sunitas e funcion&aacute;rios dos Estados Unidos em meados do ano, a Al Qaeda expressou s&eacute;ria preocupa&ccedil;&atilde;o sobre essa possibilidade.<\/p>\n<p>Um seguidor de Zarqawi advertiu pela Internet que se os rebelde sunitas puserem fim &agrave; sua resist&ecirc;ncia armada, os rebeldes explorariam &quot;seu conhecimento sobre os mujaidines (combatentes isl&acirc;micos), seus m&eacute;todos, suas rotas de abastecimento e seu modo de agir&quot;. Os mujaidines foram promovidos e financiados pelos Estados Unidos para expulsar as tropas sovi&eacute;ticas do Afeganist&atilde;o na d&eacute;cada de 80. Muitos desses combatentes se incorporaram depois a organiza&ccedil;&otilde;es extremistas com a Al Qaeda. Em 2005, os rebeldes sunitas e Zarqawi se enfrentaram a respeito de poss&iacute;veis negocia&ccedil;&otilde;es de paz e sobre a participa&ccedil;&atilde;o no referendo constitucional de outubro.<\/p>\n<p>Organiza&ccedil;&otilde;es ligadas a Zarqawi manifestaram j&aacute; no segundo trimestre do ano sua rejei&ccedil;&atilde;o a qualquer negocia&ccedil;&atilde;o com Washington e amea&ccedil;aram matar qualquer um que trabalhasse para conseguir eleitores para o referendo. Mas uma ampla coaliz&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es rebeldes convocou os eleitores a votar contra a reforma constitucional. Dirigentes sunitas disseram aos norte-americanos, com os quais se reuniram no Cairo, que n&atilde;o entregariam Zarqawi &agrave;s for&ccedil;as desse pa&iacute;s, posi&ccedil;&atilde;o consistente com a demanda de que a presen&ccedil;a militar dos Estados Unidos deve ser reduzida paulatinamente com base em um acordo negociado, segundo o jornal Al Hayat.<\/p>\n<p>Uma fonte do Pent&aacute;gono comentou na semana passada na imprensa que &quot;tem perfeito sentido&quot; os rebeldes sunitas n&atilde;o quererem entregar as armas ou guerrilheiros isl&acirc;micos aos Estados Unidos, por raz&otilde;es de orgulho nacional. A coopera&ccedil;&atilde;o com o governo de dom&iacute;nio xiita em torno da presen&ccedil;a de terroristas estrangeiros no Iraque necessitaria dos sunitas, todavia, mais negocia&ccedil;&otilde;es sobre a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos das minorias e outros assuntos pol&iacute;ticos importantes. Negociar com as grandes organiza&ccedil;&otilde;es rebeldes sunitas, o que h&aacute; pouco tempo parecia imposs&iacute;vel, se tornou uma op&ccedil;&atilde;o real depois que intermedi&aacute;rios desse movimento religioso isl&acirc;mico come&ccedil;aram a tatear o terreno, no come&ccedil;o deste ano.<\/p>\n<p>Hoje se atribui capacidade de a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica unit&aacute;ria a grupos guerrilheiros os quais antes se acreditava que atuavam com independ&ecirc;ncia. O tenente-general da marinha de guerra dos Estados Unidos, James T. Conway, disse em julho &agrave; imprensa, em Washington, que militares norte-americanos haviam identificado entre oito e 10 dos principais l&iacute;deres rebeldes e que sabia que &quot;ocasionalmente&quot; haviam se reunido para &quot;falar de t&aacute;ticas de organiza&ccedil;&atilde;o&quot;. Algumas dessas reuni&otilde;es aconteceram na S&iacute;ria e na Jord&acirc;nia, segundo diversas fontes. O m&aacute;ximo comandante norte-americano no Iraque, general George Casey, disse que as &quot;conversa&ccedil;&otilde;es preliminares&quot; poderiam levar a negocia&ccedil;&otilde;es reais com as organiza&ccedil;&otilde;es guerrilheiras.<\/p>\n<p>A nova pol&iacute;tica de guerra de Bush, publicada no documento &quot;Estrat&eacute;gia nacional para a vit&oacute;ria no Iraque&quot;, reflete uma compreens&atilde;o muito mais detalhada do que no passado a respeito do v&iacute;nculo entre os rebeldes sunitas e a organiza&ccedil;&atilde;o de Zarqawi. Antes, Washington se referia ao seu inimigo com se tratasse, indistintamente, de &quot;terroristas&quot; e &quot;leais a Saddam&quot;. O documento identifica um terceiro grupo, os &quot;rejectionists&quot; (os que rejeitam), que representa a maioria dos rebeldes armados contra a ocupa&ccedil;&atilde;o e tem objetivos &quot;at&eacute; certo ponto incompat&iacute;veis&quot; com os dos terroristas. A estrat&eacute;gia tamb&eacute;m sugere que os sunitas t&ecirc;m preocupa&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas, como a falta de toda prote&ccedil;&atilde;o para os direitos das minorias na Constitui&ccedil;&atilde;o promovida por dirigentes xiitas.<\/p>\n<p>De todo modo, a nova estrat&eacute;gia da Casa Branca considera que n&atilde;o h&aacute; necessidade de fazer concess&otilde;es aos rebeldes, por entender que Washington e seus aliados iraquianos podem aproveitar suas divis&otilde;es para control&aacute;-los. Em seu discurso da semana passada, Bush declarou que a meta desta estrat&eacute;gia &eacute; &quot;marginalizar os saddamistas e os que rejeitam&quot;. Esta marginaliza&ccedil;&atilde;o requer que os l&iacute;deres xiitas prometam maior prote&ccedil;&atilde;o aos sunitas atrav&eacute;s de uma emenda constitucional, e fontes do governo pensam que isso acontecer&aacute;. Washington n&atilde;o far&aacute; mais nada para se aproximar dos sunitas, a menos que nas elei&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;ximo dia 15 surja uma nova dire&ccedil;&atilde;o mais disposta a ceder diante dos Estados Unidos, segundo os informantes. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*) Gareth Porter &eacute; historiador e especialista em pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a nacional dos Estados Unidos. &quot;Perigo de dom&iacute;nio: Desequil&iacute;brio de poder e o caminho para a guerra no Vietn&atilde;&quot;, seu &uacute;ltimo livro, foi publicado em junho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 07\/12\/2005 &ndash; A negativa dos Estados Unidos de estabelecer data para a retirada de suas for&ccedil;as do Iraque sup&otilde;e a rejei&ccedil;&atilde;o de uma tentadora oferta da resist&ecirc;ncia sunita: eliminar os ref&uacute;gios da rede terrorista Al Qaeda nesse pa&iacute;s do Golfo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/mundo\/iraque-eua-se-negam-a-derrotar-zarqawi\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":84,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-1278","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/84"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1278\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}