{"id":128,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=128"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"clima-desiluso-com-mecanismos-de-reduo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/clima-desiluso-com-mecanismos-de-reduo\/","title":{"rendered":"Clima: Desilus&atilde;o com mecanismos de redu&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/01\/2005 &ndash; Em 1997, o Sul aceitou incentivar os pa&iacute;ses industrializados a reduzirem a emiss&atilde;o de gases causadores do efeito estufa atrav&eacute;s de projetos de desenvolvimento em na&ccedil;&otilde;es pobres, com a expectativa de atrair investimentos em tecnologias limpas. Uma esperan&ccedil;a frustrada. O embaixador argentino, Ra&uacute;l Estrada Oyuela admitiu na quarta-feira, na D&eacute;cima Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (COP-10), que acontece em Buenos Aires at&eacute; o pr&oacute;ximo dia 17, que os projetos que est&atilde;o sendo apresentados no contexto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (DML) n&atilde;o apontam para energias renov&aacute;veis e sua contribui&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica &eacute; menor. &quot;A id&eacute;ia n&atilde;o era esta&quot;, advertiu o diplomata, que em 1997 presidiu o comit&ecirc; para a elabora&ccedil;&atilde;o do Protocolo de Kyoto. <br \/> <!--more--> <br \/> Seu pronunciamento foi feito no plen&aacute;rio de delegados no qual se discutia o relat&oacute;rio 2003-2004 da Junta Executiva do MDL, integrada por representantes de 10 pa&iacute;ses, que apresentou resultados decepcionantes. O Protocolo de Kyoto, assinado nessa cidade japonesa e que entrar&aacute; em vigor no dia 16 de fevereiro com 129 pa&iacute;ses-membros, foi projetado para estabelecer compromissos quantitativos e avali&aacute;veis de na&ccedil;&otilde;es industrializadas na redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono, metano e outros gases que provocam o aquecimento da atmosfera terrestre.<\/p>\n<p> Para ajudar a atingir essas metas foi criado o MDL, que envolve pa&iacute;ses de diferentes graus de desenvolvimento, e outros mecanismos de facilita&ccedil;&atilde;o apenas para pa&iacute;ses industrializados, como o com&eacute;rcio de emiss&otilde;es, que permite a compra e venda de excedentes, e a implementa&ccedil;&atilde;o conjunta de projetos. Com estes mecanismos de ajuda, cerca de 30 pa&iacute;ses industrializados que ratificaram estes compromissos nos &uacute;ltimos anos dever&atilde;o reduzir suas emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa a volumes 5,2% menores do que os que emitiam em 1990, num prazo que vai de 2008 a 2012. Para isso, muitas empresas apresentam projetos &agrave; Junta de MDL que n&atilde;o atendem os receptores.<\/p>\n<p> A Austr&aacute;lia ainda n&atilde;o ratificou o tratado e os Estados Unidos, que respondem por 25% das emiss&otilde;es globais desses gases, n&atilde;o apenas n&atilde;o o ratificou como o presidente George W. Bush retirou, em 2001, a assinatura que seu antecessor, Bill Clinton (1993-2001) havia colocado no protocolo. &quot;Acredit&aacute;vamos que as metodologias apresentadas estariam &agrave; altura dos compromissos, mas o trabalho da Junta se v&ecirc; complicado pelas defici&ecirc;ncias dos projetos, e isto &eacute; algo inaceit&aacute;vel&quot;, protestou Estrada diante do plen&aacute;rio, recebendo o apoio de numerosas delega&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses do Sul.<\/p>\n<p> O embaixador argentino tamb&eacute;m indicou que a Junta Executiva do MDL se v&ecirc; diante de equipes de empresas que trabalham nestes projetos em tempo integral e surgem negocia&ccedil;&otilde;es desiguais. &quot;Devemos proteger mais os delegados da Junta e, inclusive, criar um regime de imunidade para que n&atilde;o sejam pass&iacute;veis de a&ccedil;&otilde;es legais&quot;, alertou. A delega&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia insistiu na letra do MDL que prev&ecirc; a &quot;adicionalidade&quot;, isto &eacute;, que os projetos se somem ao desenvolvimento. J&aacute; o Chile sugeriu dar mais recursos para a Junta, para que trabalhe sem atraso e n&atilde;o se veja obrigada na pressa a aprovar projetos de duvidosa qualidade em mat&eacute;ria de integridade ambiental. <\/p>\n<p> No momento, o &uacute;nico projeto aprovado pela Junta &eacute; um do Brasil sobre utiliza&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s metano produzido em um aterro sanit&aacute;rio de Nova Igua&ccedil;u, no Rio de janeiro, para alimentar uma central termoel&eacute;trica. Espera-se que esse programa reduza as emiss&otilde;es em 12 milh&otilde;es de toneladas nos pr&oacute;ximos 21 anos. Mas alguns ambientalistas consideram que este projeto n&atilde;o &eacute; o modelo a ser seguido. Juan Carlos Villalonga, especialista em energia do cap&iacute;tulo argentino da organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Greenpeace, disse &agrave; IPS que o projeto brasileiro, e outros que est&atilde;o sendo apresentados em pa&iacute;ses em desenvolvimento, &quot;tem baixa incorpora&ccedil;&atilde;o de tecnologia&quot;, e explicou esse fen&ocirc;meno com a mesma l&oacute;gica dos princ&iacute;pios de mercado que foram a base para a cria&ccedil;&atilde;o do MDL.<\/p>\n<p> &quot;Existe uma grande oferta de pa&iacute;ses receptores no Sul que esperam ter projetos, e uma demanda n&atilde;o muito grande para reduzir emiss&otilde;es&quot;, acrescentou Villalonga. Como os Estados Unidos &#8211; que deveriam ser o primeiro demandante &#8211; est&aacute; fora do Protocolo de Kyoto por vontade pr&oacute;pria, isso reduz a for&ccedil;a da demanda no mercado, acrescentou. A R&uacute;ssia, que ratificou o protocolo em novembro e que no final dos anos 90 viveu um colapso em sua ind&uacute;stria, tem um excedente de emiss&otilde;es que poder&aacute; colocar no mercado atrav&eacute;s do com&eacute;rcio de emiss&otilde;es, outro mecanismo do tratado.<\/p>\n<p> Essa abund&acirc;ncia de emiss&otilde;es, que convive com uma demanda reduzida, provoca a queda do &quot;pre&ccedil;o&quot; do carbono. E se o pre&ccedil;o da tonelada &eacute; baixa, ent&atilde;o os projetos s&atilde;o menos ambiciosos, explicou o ativista. &quot;O valor do carbono determina a qualidade do projeto&quot;, ressaltou. &quot;Aos pa&iacute;ses em desenvolvimento conv&eacute;m um pre&ccedil;o alto, porque isso atrai o investimento em tecnologias mais sofisticadas, como a e&oacute;lica&quot;, explicou. Mas no momento, mesmo com os certificados de carbono, n&atilde;o basta para que o investimento seja compensador, reconheceu. Villalonga recordou que o esp&iacute;rito inicial do Protocolo de Kyoto visava criar um fundo para transfer&ecirc;ncia de tecnologia para pa&iacute;ses do Sul, de maneira a compensar o crescimento das emiss&otilde;es no Norte.<\/p>\n<p> Entretanto, por press&atilde;o dos Estados Unidos foram introduzidos os incentivos de mercado. &quot;Os mecanismos s&atilde;o como vias de escape que se devem fechar, porque caso se comece a aprovar projetos cuja meta de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es &eacute; duvidosa ou dif&iacute;cil de verificar, como ocorre com os sumidouros de carbono (processo qu&iacute;mico de elimina&ccedil;&atilde;o de carbono), ent&atilde;o o sistema sofre uma degrada&ccedil;&atilde;o e os certificados come&ccedil;ar&atilde;o a circular como dinheiro falso&quot;, advertiu. Esses b&ocirc;nus servem para que as empresas que os obt&ecirc;m os vendam aos Estados que devem reduzir suas emiss&otilde;es, para que quando apresentarem seus invent&aacute;rios possam contrapor os magros resultados locais com os certificados que lhes permitam descontar seus excedentes. O MDL foi criado para impulsionar projetos que n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de mercado favor&aacute;veis a fim de dar-lhes um incentivo de rentabilidade mas, at&eacute; o momento, o que se v&ecirc; como tend&ecirc;ncia &eacute; que esse incentivo &eacute; muito fraco para se esperar investimentos em energias renov&aacute;veis, concluiu Villalonga. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/01\/2005 &ndash; Em 1997, o Sul aceitou incentivar os pa&iacute;ses industrializados a reduzirem a emiss&atilde;o de gases causadores do efeito estufa atrav&eacute;s de projetos de desenvolvimento em na&ccedil;&otilde;es pobres, com a expectativa de atrair investimentos em tecnologias limpas. Uma esperan&ccedil;a frustrada. O embaixador argentino, Ra&uacute;l Estrada Oyuela admitiu na quarta-feira, na D&eacute;cima Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (COP-10), que acontece em Buenos Aires at&eacute; o pr&oacute;ximo dia 17, que os projetos que est&atilde;o sendo apresentados no contexto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (DML) n&atilde;o apontam para energias renov&aacute;veis e sua contribui&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica &eacute; menor. &quot;A id&eacute;ia n&atilde;o era esta&quot;, advertiu o diplomata, que em 1997 presidiu o comit&ecirc; para a elabora&ccedil;&atilde;o do Protocolo de Kyoto. <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/clima-desiluso-com-mecanismos-de-reduo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}