{"id":12920,"date":"2004-07-17T00:00:00","date_gmt":"2004-07-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12920"},"modified":"2004-07-17T00:00:00","modified_gmt":"2004-07-17T00:00:00","slug":"energia-em-aguas-turbulentas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2004\/07\/ambiente\/energia-em-aguas-turbulentas\/","title":{"rendered":"Energia em \u00e1guas turbulentas"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil volta a dar \u00eanfase \u00e0s hidrel\u00e9tricas, estrat\u00e9gia tem\u00edvel por seus potenciais custos ambientais. Autoridades prometem r\u00edgidas avalia\u00e7\u00f5es.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12920\" style=\"width: 170px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/154_jul.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12920\" class=\"size-medium wp-image-12920\" title=\" - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/154_jul.jpg\" alt=\" - \" width=\"160\" height=\"124\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12920\" class=\"wp-caption-text\"> - <\/p><\/div>  Para enfrentar a crescente demanda de energia, o governo brasileiro receita a constru\u00e7\u00e3o de novas hidrel\u00e9tricas, que no passado lhe causaram v\u00e1rios conflitos ambientais e sociais. Entretanto, agora promete que tudo ser\u00e1 diferente. Est\u00e1 em marcha um \u201cnovo modelo\u201d, com o qual se espera estimular os investimentos em hidrel\u00e9tricas, que ser\u00e3o submetidas a uma r\u00edgida avalia\u00e7\u00e3o, garantiu ao Terram\u00e9rica o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Cl\u00e1udio Langone. At\u00e9 agora, as centrais hidrel\u00e9tricas foram aprovadas pela autoridade energ\u00e9tica sem se considerar poss\u00edveis problemas sociais e ambientais que poderiam surgir depois, inclusive encarecendo o projeto original por paralisa\u00e7\u00f5es e indeniza\u00e7\u00f5es aos afetados, reconheceu Langone.<\/p>\n<p>Metade das grandes centrais hidrel\u00e9tricas aprovadas, algumas delas ainda em constru\u00e7\u00e3o, est\u00e1 bloqueada por a\u00e7\u00f5es judiciais, na maioria dos casos por problemas ambientais. O Movimento dos Afetados por Represas (MAR) calcula que 300 mil fam\u00edlias, constituindo um milh\u00e3o de pessoas no total, foram tiradas de suas casas para a constru\u00e7\u00e3o de represas no Brasil. Por isso, essa organiza\u00e7\u00e3o defende mudan\u00e7as na pol\u00edtica energ\u00e9tica, rejeitando as grandes centrais que, segundo afirma, j\u00e1 \u201cinundaram 34 mil quil\u00f4metros quadrados de terras f\u00e9rteis\u201d, expulsando, assim, milhares de agricultores. Langone afirma que o novo modelo, que insiste na constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, \u201c\u00e9 muito positivo na quest\u00e3o ambiental\u201d e social, pois atender\u00e1 essas frentes com uma r\u00edgida avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via.<\/p>\n<p>O novo modelo prev\u00ea estudos de impacto ambiental \u201cde forma integrada, por bacias hidrogr\u00e1ficas\u201d, e n\u00e3o projeto por projeto, como se fez at\u00e9 agora. Segundo Langone, isso permitir\u00e1 identificar os \u201cpontos de maior sustentabilidade\u201d em cada bacia, e dar\u00e1 lugar a um planejamento para um melhor aproveitamento com os menores efeitos indesej\u00e1veis. \u201cA transi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil\u201d, devido \u00e0 urg\u00eancia em aumentar a oferta de energia com maior rapidez e a heran\u00e7a de concess\u00f5es com problemas ambientais e judiciais, disse o funcion\u00e1rio. A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, confirmou que a fonte hidr\u00e1ulica se manter\u00e1 como a \u201cmais importante para o sistema energ\u00e9tico brasileiro nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\u201d. Essa prioridade \u00e9 bem-vinda, por ser mais sustent\u00e1vel do que a termoeletricidade a g\u00e1s natural, que vem aumentando no Brasil com os planos de emerg\u00eancia implementados desde a crise de 2001, afirmou Em\u00edlio la Rovere, professor de Planejamento Energ\u00e9tico da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Para D\u00e9lcio Rodrigues, pesquisador associado da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Vitae Civiles, construir hidrel\u00e9tricas \u201c\u00e9 bom, por um lado, porque \u00e9 uma fonte renov\u00e1vel que tende a ser mais barata com o tempo. Mas n\u00e3o est\u00e1 claro como o governo tratar\u00e1 a quest\u00e3o dos efeitos ambientais e sociais\u201d, observou. Ao dar \u00eanfase na constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, estrat\u00e9gia brasileira exposta na Confer\u00eancia Internacional sobre Energia Renov\u00e1vel, realizada em Bonn no in\u00edcio de junho, o pa\u00eds abandonou a lideran\u00e7a internacional que vinha exercendo em favor de \u201cnovas fontes renov\u00e1veis\u201d, lamentou Rodrigues, que tamb\u00e9m \u00e9 f\u00edsico especialista em Energia. Entretanto, reconheceu que o Brasil tamb\u00e9m avan\u00e7a nesse campo, com o Programa de Incentivo a Fontes Alternativas.<\/p>\n<p>Esse programa tem como meta, em sua primeira fase, acrescentar 3,3 mil megawatts ao sistema el\u00e9trico nacional a partir de 2006, cujas fontes ser\u00e3o, em partes iguais, e\u00f3lica, biomassa e pequenas hidrel\u00e9tricas. Contudo, falta \u201cum pensamento estrat\u00e9gico\u201d, que defina para quem e para quais setores se gerar\u00e1 mais eletricidade, isto \u00e9, quais ind\u00fastrias se pretende desenvolver e abastecer com energia mais barata, afirmou Rodrigues. Seu temor \u00e9 que a nova pol\u00edtica se limite a incrementar a oferta para garantir o crescimento econ\u00f4mico, com um \u201cdesenvolvimentismo a qualquer custo\u201d que n\u00e3o se preocupe com a conserva\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds singular e privilegiado em termos energ\u00e9ticos, beneficiado pelo maior fluxo mundial de \u00e1gua em seus rios e pela fotoss\u00edntese que lhe permite produzir muita biomassa. Setenta e sete por cento de sua capacidade geradora de eletricidade, com pot\u00eancia instalada de 88 milh\u00f5es de quilowatts, prov\u00e9m de fonte hidr\u00e1ulica, renov\u00e1vel e barata. Essa disponibilidade de recursos, no entanto, n\u00e3o impediu que o pa\u00eds sofresse, em 2001, graves problemas de fornecimento de energia, que s\u00f3 foram superados com oito meses de racionamento e est\u00edmulos \u00e0 economia. Agora, teme-se novas crises de fornecimento se a economia crescer sem os investimentos necess\u00e1rios no setor el\u00e9trico, que, segundo c\u00e1lculos do governo, devem ser de mais de US$ 2 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>N\u00e3o compreender a singularidade energ\u00e9tica do Brasil foi a causa de equ\u00edvocos que levaram \u00e0 crise de 2001 e aos desafios que o atual governo enfrenta, destacou Roberto Pereira d\u00b4Ara\u00fajo, diretor do n\u00e3o-governamental Instituto de Desenvolvimento Estrat\u00e9gico do Setor El\u00e9trico (Ilumina). A hidrel\u00e9trica exige planos a longo prazo j\u00e1 que \u201co que se faz hoje pode se refletir em 2008\u201d, e o sistema el\u00e9trico brasileiro est\u00e1 inter-relacionado em n\u00edvel nacional, porque \u201cuma empresa n\u00e3o vende a energia que gera, mas uma parte da energia dispon\u00edvel em todo o sistema\u201d, observou. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de \u201cmonop\u00f3lio natural\u201d, na qual se consegue mais produtividade com maior integra\u00e7\u00e3o, alegou.<\/p>\n<p>As privatiza\u00e7\u00f5es e a desregulamenta\u00e7\u00e3o da reforma liberal dos anos 90, al\u00e9m de causar o apag\u00e3o de 2001, dificultam a integra\u00e7\u00e3o que agora se tenta construir. Isso exige maior transpar\u00eancia e mais pessoas qualificadas na condu\u00e7\u00e3o de um sistema complexo, destacou d\u00b4Ara\u00fajo. Outros aspectos negativos a superar s\u00e3o que o pre\u00e7o da eletricidade no Brasil est\u00e1 entre os mais altos do mundo e que as vantagens dos recursos naturais do pa\u00eds \u201cn\u00e3o est\u00e3o sendo transferidas aos consumidores e ao sistema produtivo\u201d, afirmou o especialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil volta a dar \u00eanfase \u00e0s hidrel\u00e9tricas, estrat\u00e9gia tem\u00edvel por seus potenciais custos ambientais. 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