{"id":13075,"date":"2004-09-20T00:00:00","date_gmt":"2004-09-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=13075"},"modified":"2004-09-20T00:00:00","modified_gmt":"2004-09-20T00:00:00","slug":"artilharia-contra-furacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2004\/09\/ambiente\/artilharia-contra-furacoes\/","title":{"rendered":"Artilharia contra furac\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Dentro de cinco anos poder\u00e3o surgir m\u00e9todos para manipular furac\u00f5es como Ivan e evitar seu desastroso impacto.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_13075\" style=\"width: 136px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/172_set.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13075\" class=\"size-medium wp-image-13075\" title=\" - NOAA\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/172_set.jpg\" alt=\" - NOAA\" width=\"126\" height=\"84\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13075\" class=\"wp-caption-text\"> - NOAA<\/p><\/div>  At\u00e9 o momento, fracassaram todas as armas que os cientistas projetaram para enfraquecer os furac\u00f5es, cuja for\u00e7a chega a igualar a da explos\u00e3o de uma bomba nuclear de dez megatons a cada 20 minutos. Por\u00e9m, as pesquisas prosseguem e, em cinco anos, poder\u00e3o surgir novidades importantes. As armas contra esses fen\u00f4menos, que por esta \u00e9poca a\u00e7oitam duramente a faixa tropical da Am\u00e9rica, incluem o uso de um l\u00edquido para evitar a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua marinha que os alimenta, a libera\u00e7\u00e3o de fuligem em seu entorno e o uso de iodeto de prata, que \u00e9 o \u00fanico procedimento testado em um cen\u00e1rio real.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 ceticismo sobre a possibilidade de se controlar efetivamente os furac\u00f5es, mas dentro de cinco anos poderemos saber se esse ceticismo tem fundamento&#8221;, disse ao Terram\u00e9rica o especialista em furac\u00f5es Ricardo Prieto, do estatal Instituto Mexicano de Tecnologia da \u00c1gua. Na teoria e em testes de laborat\u00f3rios se trabalha com &#8220;microf\u00edsica de nuvens&#8221;, um campo do qual pode surgir, antes de 2010, alguma solu\u00e7\u00e3o importante para a manipula\u00e7\u00e3o de furac\u00f5es, explicou. Enquanto essas pesquisas prosseguem, h\u00e1 outras do governo norte-americano que incluem observa\u00e7\u00f5es e medi\u00e7\u00f5es in situ com avi\u00f5es militares e sat\u00e9lites, para definir o comportamento desses fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao avan\u00e7o cient\u00edfico, nos \u00faltimos 30 anos houve um grande salto na pesquisa sobre tempestades tropicais e ciclones, que inclui a possibilidade de alertas precisos sobre sua forma\u00e7\u00e3o. Entretanto, at\u00e9 agora n\u00e3o h\u00e1 como manipul\u00e1-los. As tempestades tropicais e seu parente maior, o ciclone, que na Am\u00e9rica \u00e9 chamado de furac\u00e3o e em outros continentes de baguio, tuf\u00e3o ou Willy-Willy, formam-se quando aumenta a temperatura dos oceanos em latitudes pr\u00f3ximas dos tr\u00f3picos, como ocorre na regi\u00e3o americana entre maio e novembro. No ciclone convergem ventos e nuvens de diferentes temperaturas que giram a grande velocidade devido \u00e0 pr\u00f3pria rota\u00e7\u00e3o da Terra. Seus movimentos, com padr\u00f5es quase sempre vari\u00e1veis, provocam rajadas de vento e tempestades com grande capacidade de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos anos 60, a norte-americana Administra\u00e7\u00e3o Nacional do Oceano e Atmosfera tentou enfraquecer os ciclones &#8220;injetando&#8221; neles, a partir do c\u00e9u, iodeto de prata, o que teoricamente deveria fazer com que houvesse condensa\u00e7\u00e3o da umidade existente dentro deles e se acelerasse seu ciclo de vida e decl\u00ednio, que poder durar, em condi\u00e7\u00f5es normais, at\u00e9 duas semanas. Esse plano, chamado Projeto Stormfury, foi aplicado no furac\u00e3o Beulah em 1963 e no Debbie em 1969, com resultados insatisfat\u00f3rios. Outro procedimento de neutraliza\u00e7\u00e3o, desenvolvido em n\u00edvel experimental, objetivava criar um l\u00edquido que evitasse a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua dos oceanos onde os furac\u00f5es se formam, e tamb\u00e9m fracassou. Nos anos 70, foi sugerido liberar milh\u00f5es de part\u00edculas de fuligem, resultante da queima de petr\u00f3leo, nos limites dos furac\u00f5es, para que essas part\u00edculas absorvessem a radia\u00e7\u00e3o solar at\u00e9 gerar uma grande fonte de calor, que acabaria neutralizando o fen\u00f4meno. Essa id\u00e9ia nunca foi posta em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto n\u00e3o existir alguma arma contra os ciclones, a \u00fanica coisa que se pode fazer \u00e9 continuar co-existindo com eles, em uma \u00e9poca em que sua frequ\u00eancia parece aumentar, pois, s\u00f3 no Caribe, seu n\u00famero est\u00e1 acima da m\u00e9dia\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Ricardo S\u00e1nchez, diretor para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Alguns cientistas acreditam que isso se deve ao aquecimento do planeta, fen\u00f4meno que, por sua vez, \u00e9 atribu\u00eddo em grande parte \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Por\u00e9m, n\u00e3o existe consenso na mat\u00e9ria. Segundo S\u00e1nchez, no momento, o que devem fazer os pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e do Caribe, os mais afetados pelos furac\u00f5es, \u00e9 trabalhar para reverter seu n\u00edvel de vulnerabilidade, que se mant\u00e9m alto devido \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o de solos, ao desmatamento, \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o acelerada e \u00e0 pobreza. Com um ambiente deteriorado e milh\u00f5es de moradores em zonas inadequadas, os fen\u00f4menos naturais multiplicam sua capacidade de destrui\u00e7\u00e3o, tal como ocorreu, por exemplo, em 1998 com o furac\u00e3o Mitch, que causou quase dez mil mortes e danos materiais superiores a US$ 6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre 1970 e 2001, os desastres naturais provocaram, na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, 246.569 mortes, al\u00e9m de prejudicarem de diversas maneiras outros 144 milh\u00f5es de pessoas e causar preju\u00edzos econ\u00f4micos de aproximadamente US$ 68,6 bilh\u00f5es. Com golpes de trag\u00e9dia, nos \u00faltimos anos a regi\u00e3o melhorou muito em mat\u00e9ria de defesa civil, o que lhe permite realizar r\u00e1pidas evacua\u00e7\u00f5es e dar melhor aten\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas. Cuba conseguiu evacuar, nos \u00faltimos dias, quase dois milh\u00f5es de pessoas para proteg\u00ea-las do furac\u00e3o Ivan, um dos seis mais poderosos desde 1974. M\u00e9xico, Jamaica e outros pa\u00edses fizeram esfor\u00e7os semelhantes, mas a capacidade destrutiva do fen\u00f4meno foi tamanha que sua passagem deixou mais de 60 mortos.<\/p>\n<p>Para a escala das economias do Caribe e da Am\u00e9rica Central, ciclones como o Ivan causam danos enormes. Por exemplo, na pequena Granada, que tem pouco mais de cem mil habitantes, esse furac\u00e3o destruiu quase 90% das edifica\u00e7\u00f5es e reduziu enormemente a capacidade de resposta do governo e da sociedade organizada. Segundo especialistas, a passagem do furac\u00e3o Mitch pela Am\u00e9rica Central no final dos anos 90 atrasou em dez anos o desenvolvimento econ\u00f4mico dessa regi\u00e3o. S\u00e1nchez afirmou que a comunidade internacional deveria criar um &#8220;fundo mundial de estabiliza\u00e7\u00e3o&#8221; para ajudar os pa\u00edses que sofrem desastres naturais como furac\u00f5es, terremotos, secas e inunda\u00e7\u00f5es. Entretanto, ressaltou S\u00e1nchez, &#8220;a pr\u00f3pria regi\u00e3o precisa investir mais em preven\u00e7\u00e3o e na recomposi\u00e7\u00e3o de seu deteriorado ambiente&#8221;. Dos empr\u00e9stimos e doa\u00e7\u00f5es que chegam \u00e0 Am\u00e9rica Latina e ao Caribe para enfrentar desastres naturais, 90% se destinam a tarefas de aux\u00edlio e reconstru\u00e7\u00e3o, e apenas os 10% restantes para a preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentro de cinco anos poder\u00e3o surgir m\u00e9todos para manipular furac\u00f5es como Ivan e evitar seu desastroso impacto.<\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,978],"tags":[],"class_list":["post-13075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-terramerica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13075\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}