{"id":1319,"date":"2005-12-20T00:00:00","date_gmt":"2005-12-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1319"},"modified":"2005-12-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-12-20T00:00:00","slug":"afeganistao-esperanca-feminina-no-parlamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/mundo\/afeganistao-esperanca-feminina-no-parlamento\/","title":{"rendered":"Afeganist\u00e3o: Esperan\u00e7a feminina no parlamento"},"content":{"rendered":"<p>Lashkargah,  Afeganist\u00e3o, 20\/12\/2005 &ndash; Ao mesmo tempo em que o Afeganist\u00e3o assistia nesta segunda-feira a abertura do novo parlamento em Cabul, toda a aten\u00e7\u00e3o estava voltada para a legisladora Malalai Joya, de 27 anos, consolidada como cr\u00edtica implac\u00e1vel dos &quot;senhores da guerra&quot; que controlam este pa\u00eds. <!--more--> Em 2003, Joya, que trabalhava na alfabetiza\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para mulheres, aproveitou uma reuni\u00e3o p\u00fablica para dar sua opini\u00e3o sobre a nova Constitui\u00e7\u00e3o e denunciar os l\u00edderes das diferentes fac\u00e7\u00f5es como &quot;criminosos&quot; que deviam ser levados a julgamento perante o Tribunal Internacional Penal. Logicamente, seu discurso lhe valeu numerosos inimigos.            <\/p>\n<p>Apesar de sua imensa popularidade, que a levou a vencer por esfor\u00e7o pr\u00f3prio nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares de setembro, pela prov\u00edncia de Farah, Joya raramente viajava sozinha. Em geral, era acompanhada por, no m\u00ednimo, 12 seguran\u00e7as pessoais (houve, pelo menos, quatro tentativas de assassin\u00e1-la) e em p\u00fablico sempre veste a burca (Traje tradicional das mulheres que as cobre desde a cabe\u00e7a, incluindo o rosto, at\u00e9 os p\u00e9s). Mas em determinadas ocasi\u00f5es mostra seu rosto, como pode-se ver em seu site http:\/\/www.malalaijoya.com\/index1024.htm <\/p>\n<p>Al\u00e9m da cont\u00ednua viol\u00eancia exercida pelos senhores da guerra em boa parte do pa\u00eds, o Afeganist\u00e3o continua ocupado militarmente pelos Estados Unidos, e uma for\u00e7a militar e policial multinacional atua na capital e arredores. &quot;A viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 algo constante e generalizado&quot;, diz um relat\u00f3rio da Anistia Internacional, de maio. A expectativa de vida das mulheres afeg\u00e3s \u00e9 de apenas 45 anos. &quot;As mulheres e as meninas afeg\u00e3s vivem sempre sob risco de serem seq\u00fcestradas e violentadas por indiv\u00edduos armados, for\u00e7adas a casar contra sua vontade e trocadas para resolver disputas e saldar d\u00edvidas. Devem enfrentar a discrimina\u00e7\u00e3o diariamente por parte de todos os segmentos sociais e das autoridades estatais&quot;, diz o documento.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia independente de not\u00edcias Pajhwok Afghan News informou no \u00faltimo dia 6 que os crimes violentos contra as mulheres continuavam em alta tanto na prov\u00edncia do sudeste de Helmand (Lashkargah \u00e9 sua capital) quanto em Kapisa, no norte do pa\u00eds. Em alguns casos, as mulheres foram golpeadas at\u00e9 \u00e0 morte por seus maridos ou parentes masculinos. Tamb\u00e9m h\u00e1 muitas den\u00fancias de torturas ocorridas em v\u00e1rios distritos de Halmand, inclu\u00eddos Baghran, Baghni, Nad Ali e Washir. A maioria das v\u00edtimas foi entregue como esposa \u00e0 moda de &quot;swara&quot; para resolver alguma disputa familiar, uma pr\u00e1tica cruel muito comum entre as tribos do Afeganist\u00e3o e de seu vizinho Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Bibi Shirinai, de 65 anos, residente no distrito de Marja, lembra a trag\u00e9dia de uma vizinha sua, que foi entregue pelo pai para resolver um desacordo. &quot;Seu marido a tortura&quot;, conta. &quot;Agora seu sofrimento \u00e9 duplo. Seu marido se casou com outra mulher&quot;. Rahmato, da \u00e1rea de Kart-i-Lagan, vizinho a Lashkargah, contou \u00e0 ag\u00eancia Pajhwok que seu marido e os dois irm\u00e3os dele casaram suas duas filhas menores de idade sem lhe contar nada. &quot;A fam\u00edlia de meu marido maltratava e batia em uma de minhas filhas&quot;, disse a m\u00e3e. &quot;Quando ficou doente, n\u00e3o a levaram ao hospital. Quando seu estado de sa\u00fade se agravou, a trouxeram para minha casa. Morreu dois dias depois no Hospital Bust&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Abdul Ghani, residente na aldeia de Ubaidullah, no distrito de Nad Ali, contou que havia entregue sua filha aos seus inimigos para salvar a vida de um filho homem. &quot;Tudo esteve bem por tr\u00eas meses. Mas depois j\u00e1 n\u00e3o deixavam que ela me visitasse e cinco meses mais tarde fiquei sabendo que seu sogro a assassinara&quot;. A trag\u00e9dia de Ghani foi confirmada pelo subchefe do escrit\u00f3rio contra crimes da delegacia provincial, Mohammad Hashem Haibat, que anunciou ter detido um homem chamado Mohammad Rasool pelo assassinato da nora. O acusado est\u00e1 detido na pris\u00e3o central.<\/p>\n<p>Na prov\u00edncia de Kapisa, no \u00faltimo dia 10, um homem acusado de ter assassinado sua mulher matou um primo que denunciou o crime. &quot;Asadullah matou meu irm\u00e3o Shukrullah s\u00f3 porque condenou o assassinato de Samia, de 25 anos, como um ato brutal&quot;, disse \u00e0 Pajhwok o irm\u00e3o da v\u00edtima. O chefe de pol\u00edcia da \u00e1rea, coronel Atta Mohammad, informou que o homem havia enterrado sua mulher dentro da casa depois de decapit\u00e1-la. Para ocultar o crime, Asadullah espalhou o boato de que Samia o havia abandonado depois de roubar seus pertences. A investiga\u00e7\u00e3o policial confirmou o crime contra a mulher. &quot;Meu pai lutou com minha m\u00e3e, lhe deu um soco e depois a decapitou&quot;, contou o filho do casal, Nauman. Asadullah desapareceu depois de cometer seu segundo assassinato e continua foragido. <\/p>\n<p>A diretora do Departamento para Assuntos das Mulheres do Afeganist\u00e3o, Fauzia Uloomi, afirmou que o analfabetismo e a ignor\u00e2ncia s\u00e3o as principais causas dos ataques contra as mulheres. &quot;Existe um elevado analfabetismo nas zonas mais isoladas do pa\u00eds. Os homens afeg\u00e3os s\u00e3o alfabetizados. Sempre buscam lutar com outros homens, e descarregam sua f\u00faria contra suas companheiras&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Para a maioria das afeg\u00e3s, pouco mudou desde que o movimento isl\u00e2mico Talib\u00e3 foi desalojado do poder pelos Estados Unidos em 2001. O \u00edndice de alfabetiza\u00e7\u00e3o entre as mulheres \u00e9 de apenas 14%, contra 50% entre os homens. Muitos afeg\u00e3os acusam de inoper\u00e2ncia o Departamento para Assuntos da Mulher. Os funcion\u00e1rios desse departamento &quot;recebem altos sal\u00e1rios por nada. Seu \u00fanico dever \u00e9 se reunir uma vez por m\u00eas, e isso \u00e9 tudo&quot;, disse um professor da prov\u00edncia de Lashkargah que n\u00e3o quis se identificar. Alguns l\u00edderes religiosos sa\u00edram em defesa das mulheres. Maulvi Mohammad Sadiq Haqqani exortou todos os homens do pa\u00eds a respeitarem suas mulheres.<\/p>\n<p>&quot;Se uma mulher desobedece ao marido, o homem deve resolver o assunto de maneira cordial, em lugar de usar a for\u00e7a&quot;, afirmou Sadiq. Os ataques contra as mulheres t\u00eam de acabar, disse a relatora especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre viol\u00eancia contra a mulher, Yakin Ert\u00fcrk, durante uma confer\u00eancia realizada em Cabul, no m\u00eas de agosto. &quot;Devem ser adotadas a\u00e7\u00f5es para proteger as mulheres e salvar vidas. A situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 uma oportunidade \u00fanica que n\u00e3o se deve perder&quot;, afirmou, \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es de setembro. Agora, o futuro das mulheres afeg\u00e3s est\u00e1 em m\u00e3os dos novos parlamentares, entre eles Joya. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*)(IPS\/Pajhwok)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lashkargah,  Afeganist\u00e3o, 20\/12\/2005 &ndash; Ao mesmo tempo em que o Afeganist\u00e3o assistia nesta segunda-feira a abertura do novo parlamento em Cabul, toda a aten\u00e7\u00e3o estava voltada para a legisladora Malalai Joya, de 27 anos, consolidada como cr\u00edtica implac\u00e1vel dos &quot;senhores da guerra&quot; que controlam este pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/mundo\/afeganistao-esperanca-feminina-no-parlamento\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,4,11],"tags":[21],"class_list":["post-1319","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1319\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}