{"id":132,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=132"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"clima-opep-dificulta-pesquisas-contra-efeito-estufa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/clima-opep-dificulta-pesquisas-contra-efeito-estufa\/","title":{"rendered":"Clima: Opep dificulta pesquisas contra efeito estufa"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/01\/2005 &ndash; Os pa&iacute;ses exportadores de petr&oacute;leo parecem mais preocupados pelo impacto das medidas para reduzir a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica em suas economias do que com o aumento do n&iacute;vel do mar, os intensos furac&otilde;es ou o derretimento de geleiras. As na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento membros da Organiza&ccedil;&atilde;o de Pa&iacute;ses Exportadores de Petr&oacute;leo (Opep) colocaram-se na quinta-feira como um obst&aacute;culo para o mais amplo Grupo dos 77 mais a China em suas gest&otilde;es pelo financiamento da pesquisa e infra-estrutura necess&aacute;rias para adaptar-se &agrave; altera&ccedil;&atilde;o do clima.<br \/> <!--more--> <br \/> No quarto dia da Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, que acontece at&eacute; o pr&oacute;ximo dia 17 em Buenos Aires, o G-77 mais China teve de ceder ante as pretens&otilde;es da Opep. Os pa&iacute;ses petroleiros reclamam apoio financeiro para compensar o impacto em suas economias em raz&atilde;o da redu&ccedil;&atilde;o de divisas que suporiam as medidas para minimizar o aquecimento do planeta, atribu&iacute;do pela maioria dos cientistas &agrave; queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis. &quot;Ningu&eacute;m quer por um peso para a Ar&aacute;bia Saudita, nem a Ar&aacute;bia Saudita o pede, mas, usam esses argumentos para complicar o acordo&quot;, afirmou chefe da delega&ccedil;&atilde;o argentina, Ra&uacute;l Estrada Oyuela.<\/p>\n<p> O diplomata realizou essas declara&ccedil;&otilde;es ao sair de uma das reuni&otilde;es do G-77, express&atilde;o do mundo em desenvolvimento em f&oacute;runs da comunidade internacional. Estrada tamb&eacute;m lamentou a escassa participa&ccedil;&atilde;o latino-americana nas delibera&ccedil;&otilde;es do grupo. A Opep (integrada por Ar&aacute;bia Saudita, Arg&eacute;lia, Emirados &Aacute;rabes Unidos, Indon&eacute;sia, Ir&atilde;, Iraque, Kuwait, L&iacute;bia, Nig&eacute;ria, Qatar e Venezuela) concentra a produ&ccedil;&atilde;o de 40% do petr&oacute;leo consumido no mundo e mais de tr&ecirc;s quartos das reservas mundiais. Esta organiza&ccedil;&atilde;o com sede em Viena sempre atuou aliada com o Sul em desenvolvimento em mat&eacute;ria de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, mas as diferen&ccedil;as come&ccedil;aram a surgir com a proximidade da entrada em vigor, no dia 16 de fevereiro pr&oacute;ximo, do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997.<\/p>\n<p> Este protocolo da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica estabelece para os pa&iacute;ses industrializados um programa de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa, aqueles que, como o di&oacute;xido de carbono, agravam o aquecimento do planeta, segundo os cientistas. Os Estados Unidos, o principal emissor desses gases, e a Austr&aacute;lia n&atilde;o s&atilde;o signat&aacute;rios do Protocolo de Kyoto e, por tanto, n&atilde;o est&atilde;o obrigados a cumpri-lo. &quot;Agora, os prazos v&atilde;o diminuindo e eles (a Opep) v&ecirc; que por um capricho n&atilde;o podem atrasar o apoio da comunidade internacional a pa&iacute;ses que sofrem os graves impactos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;, ressaltou Estrada em uma apurada conversa com tr&ecirc;s jornalistas, entre eles a correspondente da IPS.<\/p>\n<p> A adapta&ccedil;&atilde;o da infra-estrutura ao desafio do aquecimento da Terra e &agrave; redu&ccedil;&atilde;o na emiss&atilde;o de gases causadores do efeito estufa (denominada mitiga&ccedil;&atilde;o, no jarg&atilde;o das delibera&ccedil;&otilde;es) s&atilde;o os dois grandes eixos da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica e de seu Protocolo de Kyoto. O Protocolo obriga os pa&iacute;ses industrializados a reduzirem em 5%, em rela&ccedil;&atilde;o a 1990, suas emiss&otilde;es entre 2008 e 2012. At&eacute; o momento, os principais avan&ccedil;os foram obtidos em ma teria de mitiga&ccedil;&atilde;o. Por isso, os delegados do Sul em desenvolvimento agora pressionam fortemente em favor da adapta&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, para conseguir os recursos que lhes permitam enfrentar os efeitos da altera&ccedil;&atilde;o do clima que j&aacute; est&aacute; ocorrendo.<\/p>\n<p> Assim, sa&iacute;ram &agrave; luz na capital Argentina as diferen&ccedil;as que sempre existiram dentro do G-77 mais China em torno do conceito de adapta&ccedil;&atilde;o. De um lado est&aacute; a Opep e, de outro, o resto do mundo em desenvolvimento. &quot;Desde que come&ccedil;aram as negocia&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica apresentaram-se dois tipos de problemas em mat&eacute;ria de adapta&ccedil;&atilde;o&quot;, explicou Estrada. Um &oacute;bvio&quot;, disse, &eacute; a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; altera&ccedil;&atilde;o do clima. O outro, formulado pelos pa&iacute;ses da Opep, se refere aos efeitos econ&ocirc;micos da redu&ccedil;&atilde;o no consumo de combust&iacute;veis f&oacute;sseis na medida em que forem cumpridos os prazos de mitiga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Para Estrada, esse cen&aacute;rio &eacute; dif&iacute;cil de imaginar. &quot;O mercado de combust&iacute;vel f&oacute;ssil n&atilde;o sofreu redu&ccedil;&atilde;o. Como bem assinala o informe da ong Fundo Mundial para a Natureza (WWF), seu volume aumentou e o pre&ccedil;o subiu, ou seja, &eacute; imposs&iacute;vel imaginar o impacto que alegam&quot;, afirmou. Mas, como as decis&otilde;es do G-77 mais China devem ser tomadas por consenso, a posi&ccedil;&atilde;o da Opep teve de ser assumida pelo conjunto, embora com modifica&ccedil;&otilde;es. A negocia&ccedil;&atilde;o conseguir retirar certa &ecirc;nfase &agrave; proposta da Opep. &quot;Mudamos bastante o documento que t&iacute;nhamos&quot;, garantiu Estrada.<\/p>\n<p> Desta maneira, o grupo finalmente chegou a um acordo sobre um documento &uacute;nico como base para negociar com os pa&iacute;ses industrializados e as economias em transi&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o os respons&aacute;veis pelas contribui&ccedil;&otilde;es para os projetos de adapta&ccedil;&atilde;o. Estrada lamentou a escassa presen&ccedil;a de negociadores latino-americanos nas negocia&ccedil;&otilde;es do G-77 mais China, o que poderia ter neutralizado a for&ccedil;a da Opep. &quot;Os que est&atilde;o mais ativos s&atilde;o Brasil e Argentina. A Jamaica tamb&eacute;m ajuda, mas estranhamos uma atividade mais in tensa de v&aacute;rios de nossos colegas&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> A diretora do Programa de Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica da WWF, Jennifer Morgan, disse &agrave; ag&ecirc;ncia argentina de noticias Telam que a Opep age como &quot;uma raposa no galinheiro&quot;dentro do G-77. Morgan expressou d&uacute;vidas de que a organiza&ccedil;&atilde;o trabalhe em colabora&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses em desenvolvimento. Com exce&ccedil;&atilde;o da Nig&eacute;ria, nenhum de seus membros ratificou o Protocolo de Kyoto, recordou. &quot;&Eacute; hora de rever&quot; a participa&ccedil;&atilde;o da Opep no G-77, disse a ambientalista. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/01\/2005 &ndash; Os pa&iacute;ses exportadores de petr&oacute;leo parecem mais preocupados pelo impacto das medidas para reduzir a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica em suas economias do que com o aumento do n&iacute;vel do mar, os intensos furac&otilde;es ou o derretimento de geleiras. As na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento membros da Organiza&ccedil;&atilde;o de Pa&iacute;ses Exportadores de Petr&oacute;leo (Opep) colocaram-se na quinta-feira como um obst&aacute;culo para o mais amplo Grupo dos 77 mais a China em suas gest&otilde;es pelo financiamento da pesquisa e infra-estrutura necess&aacute;rias para adaptar-se &agrave; altera&ccedil;&atilde;o do clima.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/clima-opep-dificulta-pesquisas-contra-efeito-estufa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-132","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}