{"id":13217,"date":"2004-09-27T00:00:00","date_gmt":"2004-09-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=13217"},"modified":"2004-09-27T00:00:00","modified_gmt":"2004-09-27T00:00:00","slug":"praga-biblica-assola-a-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2004\/09\/ambiente\/praga-biblica-assola-a-africa\/","title":{"rendered":"Praga b\u00edblica assola a \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Nuvens de gafanhotos devoram lavouras e tudo o mais que encontram pela frente em nove pa\u00edses. A FAO teme que a praga, a pior em 15 anos, se estenda ainda mais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_13217\" style=\"width: 170px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/198_set.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13217\" class=\"size-medium wp-image-13217\" title=\" - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/198_set.jpg\" alt=\" - \" width=\"160\" height=\"104\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13217\" class=\"wp-caption-text\"> - <\/p><\/div>  Uma praga de gafanhotos do deserto (Schistocerca gregaria), que h\u00e1 um ano devasta planta\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses da regi\u00e3o do Sahel, na \u00c1frica Ocidental, aumentar\u00e1 nas pr\u00f3ximas semanas se a coopera\u00e7\u00e3o internacional n\u00e3o ajudar a det\u00ea-la, segundo especialistas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO). \u00c9 urgente impedir a reprodu\u00e7\u00e3o c\u00edclica desse inseto durante outubro, para que n\u00e3o acabem de arrasar as planta\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os e vegetais do Sahel e a praga n\u00e3o se estenda &#8220;a outros pa\u00edses africanos, amea\u00e7ando a seguran\u00e7a alimentar de uma \u00e1rea geogr\u00e1fica muito maior&#8221;, destacou o diretor dessa ag\u00eancia, Jacques Diouf.<\/p>\n<p>Esta praga, a pior em 15 anos, foi motivada por chuvas abundantes de junho a agosto de 2003 em grande parte do Sahel, a zona de transi\u00e7\u00e3o entre o Deserto do Saara e a \u00e1rea mais f\u00e9rtil ao sul do continente africano. A umidade, as altas temperaturas e o vento constitu\u00edram um ambiente ideal para a multiplica\u00e7\u00e3o dos depredadores gafanhotos. Entre outubro de 2003 e agosto deste ano, se estenderam pelo Chade, N\u00edger, Mali, Maurit\u00e2nia e Senegal, no Sahel, e por Marrocos, Arg\u00e9lia, L\u00edbia e T\u00fanis, no norte da \u00c1frica. Novos informes da FAO fazem temer que cheguem ao noroeste da Nig\u00e9ria e ao Sud\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde outubro, a praga afeta cerca de sete milh\u00f5es de hectares plantados, dos quais dois milh\u00f5es na Arg\u00e9lia. A densidade de insetos reportada chega a mais de cem por metro quadrado, e seu ciclo biol\u00f3gico foi acelerado pelas chuvas, no Sahel e regi\u00f5es pr\u00f3ximas, desde o in\u00edcio de maio. Normalmente, a Schistocerca gregaria \u00e9, apesar de seu nome, um inseto solit\u00e1rio, mas quando sua popula\u00e7\u00e3o aumenta drasticamente, muda de comportamento e se translada em grandes grupos para devorar vegetais, gr\u00e3os e, inclusive, vestimentas e as &#8220;jaimas&#8221;, as t\u00edpicas barracas dos n\u00f4mades.<\/p>\n<p>As fileiras de \u00e1rvores que formam o &#8220;cintur\u00e3o verde&#8221; do Sahel e protegem sua plataforma central da desertifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foram devoradas quase completamente, um fato sem precedentes. Em apenas um dia, uma tonelada de gafanhotos (apenas uma pequena por\u00e7\u00e3o de um enxame) pode comer tanto quanto dez elefantes ou 2,5 mil pessoas, segundo a FAO. Relat\u00f3rios sobre gafanhotos procedentes do sul da Europa, especialmente da Espanha, durante a primavera e o ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio norte, fizeram temer que a praga alcan\u00e7asse o litoral norte do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Agricultores da Catalunha, nordeste da Espanha, e de Castilla e Le\u00f3n, no centro do pa\u00eds, informaram, em junho e julho, que nuvens de gafanhotos haviam destru\u00eddo planta\u00e7\u00f5es de vegetais e gr\u00e3os. Governos da regi\u00e3o, alertados pela praga no Sahel, reagiram com campanhas de fumiga\u00e7\u00e3o de inseticidas qu\u00edmicos de alta toxidade, que, aparentemente, destru\u00edram api\u00e1rios e insetos benignos. Keith Cressman, encarregado da FAO para preven\u00e7\u00e3o do gafanhoto do deserto, disse ao Terram\u00e9rica que os insetos observados na Espanha e na It\u00e1lia s\u00e3o de outras esp\u00e9cies locais, n\u00e3o vinculados com a praga africana. &#8220;Atualmente, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para temer que o gafanhoto do deserto chegue ao sul da Europa&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>As pragas de gafanhotos no Sahel nas \u00faltimas d\u00e9cadas raramente atravessaram o Mar Mediterr\u00e2neo, como ocorreu em 1956, quando uma delas alcan\u00e7ou a regi\u00e3o de Extremadura, oeste da Espanha, fronteiri\u00e7o com Portugal. Em julho deste ano, e aparentemente temendo que a praga na regi\u00e3o do Magreb se estendesse \u00e0 Espanha, o governo de Madri enviou avi\u00f5es de fumiga\u00e7\u00e3o contra o gafanhoto ao Marrocos. Juan Pe\u00f1a, diretor da campanha espanhola contra a Schistocerca gregaria, defendeu a fumiga\u00e7\u00e3o dizendo que &#8220;\u00e9 muito mais f\u00e1cil controlar a praga no deserto&#8221;. Por\u00e9m, para especialistas da FAO, apenas &#8220;ventos extraordin\u00e1rios&#8221; vindos do Sahel rumo ao norte poderiam levar a praga \u00e0 Espanha.<\/p>\n<p>A FAO estima que a campanha contra a praga custar\u00e1 cerca de US$ 100 milh\u00f5es, e Diouf exortou os doadores internacionais a fornecerem essa quantia, assinalando que at\u00e9 agora foram prometidos apenas US$ 37 milh\u00f5es, entre contribui\u00e7\u00f5es canalizadas atrav\u00e9s da FAO e doa\u00e7\u00f5es bilaterais. A organiza\u00e7\u00e3o estabeleceu um centro de opera\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia contra o gafanhoto, que trabalhar\u00e1 diretamente com os doadores, os pa\u00edses amea\u00e7ados pela praga e organiza\u00e7\u00f5es capazes de fornecerem solu\u00e7\u00f5es para o problema.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses do Magreb no norte da \u00c1frica, especialmente na Arg\u00e9lia e no Marrocos, grandes campanhas de fumiga\u00e7\u00e3o com pesticidas contribu\u00edram para deter o avan\u00e7o da praga em junho, julho e agosto, mas a invas\u00e3o de gafanhotos se intensifica na \u00c1frica ocidental. Os preju\u00edzos causados pela praga podem se multiplicar com o uso maci\u00e7o de inseticidas qu\u00edmicos de alta toxidade, e \u00e9 por isso que a FAO testa um inseticida org\u00e2nico, baseado no fungo metarhizium, que mata o gafanhoto em um per\u00edodo de tr\u00eas a quatro semanas. Entretanto, a preocupa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 impedir que a onda de gafanhotos se desenvolva a ponto de ser imposs\u00edvel deter sua expans\u00e3o. A \u00faltima grande praga africana de Schistocerca gregaria durou tr\u00eas anos, de 1986 a 1989, e atacou 40 pa\u00edses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuvens de gafanhotos devoram lavouras e tudo o mais que encontram pela frente em nove pa\u00edses. 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