{"id":13234,"date":"2004-11-22T00:00:00","date_gmt":"2004-11-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=13234"},"modified":"2004-11-22T00:00:00","modified_gmt":"2004-11-22T00:00:00","slug":"a-campea-no-mercado-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2004\/11\/ambiente\/a-campea-no-mercado-de-carbono\/","title":{"rendered":"A campe\u00e3 no mercado de carbono?"},"content":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica Latina ajudaria a reduzir at\u00e9 55 milh\u00f5es de toneladas de CO2, atrav\u00e9s da venda de cr\u00e9ditos de carbono. A estrat\u00e9gia n\u00e3o convence os cr\u00edticos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_13234\" style=\"width: 106px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/200_nov.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13234\" class=\"size-medium wp-image-13234\" title=\" - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/200_nov.jpg\" alt=\" - \" width=\"96\" height=\"144\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13234\" class=\"wp-caption-text\"> - <\/p><\/div>  A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a campe\u00e3 no mercado de carbono: j\u00e1 negocia cerca de US$ 210,5 milh\u00f5es no contexto do Protocolo de Kyoto, cuja entrada em vigor, em fevereiro de 2005, reanimou o combate contra o aquecimento global. A regi\u00e3o apresentou cerca de 46 projetos no \u00e2mbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do tratado, que poderiam reduzir cerca de 55 milh\u00f5es de toneladas equivalentes de di\u00f3xido de carbono (CO2), o principal g\u00e1s causador do efeito estufa, derivado da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. O recorde coloca a regi\u00e3o atr\u00e1s apenas da \u00c1sia, nos esfor\u00e7os no mundo em desenvolvimento para reduzir as emiss\u00f5es desses gases, respons\u00e1veis pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica global.<\/p>\n<p>Entretanto, os cr\u00edticos se perguntam se a estrat\u00e9gia latino-americana fomentar\u00e1 as energias mais limpas e renov\u00e1veis na regi\u00e3o ou ficar\u00e1 limitada \u00e0 venda de cr\u00e9ditos baratos de carbono para o melhor licitador do Norte industrializado. O MDL \u00e9 um dos tr\u00eas mecanismos flex\u00edveis do Protocolo de Kyoto (1997), criados para ajudar os pa\u00edses industrializados a cumprirem a meta, at\u00e9 2012, de reduzir suas emiss\u00f5es em 5,2% com rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 1990. O mecanismo, que come\u00e7ou a ser instrumentalizado ainda sem o tratado estar em vigor, permite a empresas do Norte investirem em projetos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es em pa\u00edses em desenvolvimento. Atrav\u00e9s de cr\u00e9ditos de carbono, as companhias podem contabilizar como suas essas redu\u00e7\u00f5es em seus pa\u00edses de origem ou comercializ\u00e1-las nos mercados de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da companhia franco-alem\u00e3 Vallourec and Mannesman (V&#038;M), que pretende construir no Brasil uma termoel\u00e9trica com base em derivados de carv\u00e3o vegetal, produto do reflorestamento. A central vai gerar eletricidade para a sider\u00fargica que a pr\u00f3pria V&#038;M tem no bairro de Barreiro, em Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais, e permitir\u00e1 reduzir 1,15 milh\u00f5es de toneladas equivalentes de CO2 em 21 anos. A empresa creditar\u00e1 essa redu\u00e7\u00e3o como sua. A principal motiva\u00e7\u00e3o da companhia \u201cn\u00e3o foi ambiental, mas a de eliminar os riscos da interrup\u00e7\u00e3o do fornecimento de eletricidade, que s\u00e3o terr\u00edveis para os altos fornos sider\u00fargicos\u201d, admitiu, em conversa com o Terram\u00e9rica, Eduardo Botelho, da Superintend\u00eancia de Manuten\u00e7\u00e3o e Utilidade da V&#038;M.<\/p>\n<p>Maria Dalce Ricas, da Associa\u00e7\u00e3o Mineira de Defesa do Meio Ambiente, recorda que a V&#038;M causou v\u00e1rios danos ecol\u00f3gicos em Minas Gerais, \u201cmas h\u00e1 cerca de oito anos melhorou sua gest\u00e3o ambiental, por isso damos um voto de confian\u00e7a ao projeto (de Barreiro), que \u00e9 interessante por utilizar res\u00edduos como mat\u00e9ria-prima\u201d.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o maior potencial exportador de cr\u00e9ditos de carbono, seguido de Col\u00f4mbia, Panam\u00e1, Costa Rica e Peru, segundo estudo da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina. O informe registrou em mar\u00e7o pelo menos 46 projetos MDL na regi\u00e3o, e muitos outros entraram no processo de inscri\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos meses. Empresas europ\u00e9ias, como a V&#038;M, s\u00e3o as mais entusiasmadas. As espanholas Endesa, Uni\u00f3n Fenosa e Iberdrola anunciaram investimentos de US$ 850 milh\u00f5es em projetos MDL na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Entretanto, os cr\u00e9ditos de carbono derivados de projetos de energia renov\u00e1vel representam apenas 10% de todos os negociados no contexto do MDL, segundo a n\u00e3o-governamental CDMWatch, com sede em Bali (Indon\u00e9sia). E esta \u00e9 a cr\u00edtica mais comum por parte dos verdes: at\u00e9 agora, governos e corpora\u00e7\u00f5es do Norte usam o MDL para projetos que geram grandes volumes de cr\u00e9ditos de carbono baratos, atrav\u00e9s de gases como metano e os hidrofluorocarbonos (em especial o HFC-23), que lhes permite cumprir r\u00e1pida e comodamente as metas de Kyoto. Estes s\u00e3o os gases preferidos no mercado de carbono, que no primeiro semestre deste ano intercambiou 64 milh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas equivalentes de CO2. Os governos do Jap\u00e3o e da Holanda e o Banco Mundial s\u00e3o os principais compradores.<\/p>\n<p>Os MDL, ressaltam os ativistas, simplesmente mudam o lugar onde se registram a redu\u00e7\u00f5es de gases, sem maiores benef\u00edcios ambientais ou sociais para os pa\u00edses h\u00f3spedes, e n\u00e3o permitem promover mudan\u00e7as no uso e na produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Na Col\u00f4mbia, o investimento social foi uma exig\u00eancia para desenvolver a central e\u00f3lica de Jeripachi, em Guajira, o primeiro projeto MDL no pa\u00eds, onde h\u00e1 outros 15 em planejamento. O projeto, que permitir\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es por US$ 3,2 milh\u00f5es, \u00e9 parte do Fundo de Carbono e Desenvolvimento Comunit\u00e1rio do Banco Mundial e inclui a moderniza\u00e7\u00e3o da infra-estrutura escolar e sanit\u00e1ria em benef\u00edcio da vizinha etnia wayu\u00fa. \u201cQuando se trata de territ\u00f3rios ind\u00edgenas os membros desses povoados devem poder participar como s\u00f3cios\u201d em projetos MDL, disse ao Terram\u00e9rica Wilder Guerra, de ascend\u00eancia wayu\u00fa e diretor do centro acad\u00eamico Observat\u00f3rio do Caribe.<\/p>\n<p>H\u00e1 os que qualificam esse tipo de investimento como um paliativo menor e defendem um MDL exclusivo para energias renov\u00e1veis. Algo, entretanto, pouco prov\u00e1vel, \u201cpois estamos em uma fase de transi\u00e7\u00e3o onde tamb\u00e9m usamos energias f\u00f3sseis mais limpas\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Carlos Loret de Mora, secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Nacional do Meio Ambiente (Conam) do Peru, outro dos pioneiros. com 19 projetos e investimentos de US$ 935 milh\u00f5es. Em 1\u00ba de dezembro, o Peru assinar\u00e1 sua primeria venda de cr\u00e9ditos de carbono para a Holanda, atrav\u00e9s do projeto hidrel\u00e9trico Poechos, na cidade de Piura, que substituir\u00e1 usinas t\u00e9rmicas com base em diesel e carv\u00e3o e reduzir\u00e1 30.229 toneladas equivalentes de CO2 ao ano. Foi exigido da empresa operadora um dote de eletricidade para a comunidade vizinha, entre outros benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a espanhola Endesa, com opera\u00e7\u00f5es na Argentina, Chile, Peru e Col\u00f4mbia, colocar\u00e1 no mercado europeu os cr\u00e9ditos provenientes da projetada hidrel\u00e9trica de Callahuanca, a 16 quil\u00f4metros de Lima, que reduzir\u00e1 460 mil toneladas de CO2. \u201cCallahuanca ser\u00e1 feita apesar da incerteza que ainda existe a respeito do futuro pre\u00e7o da tonelada de CO2, o que implica um risco. Contudo, foi priorizado o interesse de obter experi\u00eancia em MDL\u201d, disse Wilfredo Jar\u00e1, gerente de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da filial da Endesa no Chile. Os pre\u00e7os da tonelada de CO2 hoje s\u00e3o cotados entre US$ 3,5 e US$ 7, um pre\u00e7o ainda muito baixo. E os custos de transa\u00e7\u00e3o chegam a US$ 200 mil, o que n\u00e3o deixa espa\u00e7o para pequenos e m\u00e9dios empreendimentos.<\/p>\n<p>\u201cNa Argentina, os custos e a complexidade de apresentar um projeto MDL inibem a participa\u00e7\u00e3o das pequenas e m\u00e9dias empresas\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Victoria Bel\u00e1ustegui, da unidade de Produ\u00e7\u00e3o Limpa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Tampouco h\u00e1 maior interesse no M\u00e9xico que, apesar do tamanho de sua economia, inscreveu apenas quatro projetos vinculados \u00e0 hidroeletricidade. A entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, em 2005, pode impulsionar o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, mas sua vida \u00fatil pode ser muito curta. Os compromissos do tratado v\u00e3o at\u00e9 2012, e, embora no pr\u00f3ximo ano venham a ser iniciadas novas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, o que for acordado para al\u00e9m de Kyoto \u00e9 incerto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica Latina ajudaria a reduzir at\u00e9 55 milh\u00f5es de toneladas de CO2, atrav\u00e9s da venda de cr\u00e9ditos de carbono. 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