{"id":13241,"date":"2004-12-20T00:00:00","date_gmt":"2004-12-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=13241"},"modified":"2004-12-20T00:00:00","modified_gmt":"2004-12-20T00:00:00","slug":"de-gas-causador-do-efeito-estufa-a-estrela-de-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2004\/12\/ambiente\/de-gas-causador-do-efeito-estufa-a-estrela-de-mercado\/","title":{"rendered":"De g\u00e1s causador do efeito estufa a estrela de mercado"},"content":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica Latina n\u00e3o perde o trem da venda de cr\u00e9ditos de emiss\u00f5es de metano. Ativistas criticam o modelo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_13241\" style=\"width: 170px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/201_dic.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13241\" class=\"size-medium wp-image-13241\" title=\" - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/201_dic.jpg\" alt=\" - \" width=\"160\" height=\"107\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13241\" class=\"wp-caption-text\"> - <\/p><\/div>  Capturar metano, um dos gases respons\u00e1veis pelo aquecimento da Terra, parece ser um dos mais atraentes neg\u00f3cios ambientais para pa\u00edses em desenvolvimento e suas contrapartes na Am\u00e9rica Latina. Mas a tend\u00eancia produz urtic\u00e1ria entre ativistas sociais e ecol\u00f3gicos. O Brasil j\u00e1 inscreveu oficialmente em inst\u00e2ncias internacionais o primeiro projeto para capturar esse g\u00e1s, que responde por 20% das emiss\u00f5es que provocam o efeito estufa e alteram o clima, e us\u00e1-lo na produ\u00e7\u00e3o de eletricidade. Pa\u00edses industrializados que ratificaram o Protocolo de Kyoto (1997) pagar\u00e3o pela implementa\u00e7\u00e3o desses projetos para assim cobrirem parte da redu\u00e7\u00e3o de gases que o tratado lhes imp\u00f5e.<\/p>\n<p>Atr\u00e1s do Brasil, outros pa\u00edses da regi\u00e3o tamb\u00e9m apostam na id\u00e9ia de conseguir financiamento para capturar o metano, um g\u00e1s que emana de lix\u00f5es, dejetos do gado e alguns vegetais, e cujas emiss\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e no Caribe s\u00e3o 9,3% do total mundial, segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente. Em outro impulso global ao uso deste g\u00e1s, os Estados Unidos assinaram em novembro um acordo que deu vida ao Cons\u00f3rcio para o Mercado de Metano, junto com Brasil, Argentina, Austr\u00e1lia, China, Col\u00f4mbia, Gr\u00e3-Bretanha, \u00cdndia, It\u00e1lia, M\u00e9xico, Nig\u00e9ria, R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. De acordo com seus s\u00f3cios, essa iniciativa poder\u00e1 reduzir emiss\u00f5es de gases que causam o efeito estufa (medidas em unidades de di\u00f3xido de carbono) em uma quantidade equivalente \u00e0 retirada, em um ano, de 33 milh\u00f5es de ve\u00edculos das estradas do mundo todo.<\/p>\n<p>\u201cVemos muito futuro no mercado de metano, que beneficia os pa\u00edses em desenvolvimento e os industrializados\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Jorge Barrigh, coordenador do Programa Latino-Americano de Carbono da Corpora\u00e7\u00e3o Andina de Fomento (CAF). Esse organismo regional e outros globais, como o Banco Mundial, trabalham para que o mundo em desenvolvimento aproveite a oferta de cr\u00e9ditos, e a ajuda tecnol\u00f3gica, na opini\u00e3o de Barrigh, abre o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Kyoto, que entrar\u00e1 em vigor no dia 16 de fevereiro de 2005. O MDL foi projetado para ajudar os pa\u00edses industrializados a cumprirem at\u00e9 2012 a meta de baixar suas emiss\u00f5es de gases respons\u00e1veis pelo efeito estufa a n\u00edveis 5,2% menores do que os registrados em 1990.<\/p>\n<p>Companhias do Norte podem ter acesso a \u201ccr\u00e9ditos de carbono\u201d para se aproximar dessa meta quando est\u00e3o investindo em projetos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es em pa\u00edses em desenvolvimento. O Brasil registrou como MDL seu plano NovaGerar, que aproveitar\u00e1 o metano extra\u00eddo do lix\u00e3o de Nova Igua\u00e7u, munic\u00edpio com um milh\u00e3o de habitantes na periferia da cidade do Rio de Janeiro. Participa desse projeto o Fundo Holand\u00eas de Desenvolvimento Limpo, vinculado com o Banco Mundial. Os cr\u00e9ditos via MDL incentivam os governos municipais a disporem melhor do lixo, j\u00e1 que \u201ca possibilidade de uma renda e redu\u00e7\u00e3o de custos estimulam a implanta\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos de lixo mais adequados\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Ant\u00f4nio Carlos Delbin, diretor t\u00e9cnico da Biog\u00e1s Energia Ambiental, a empresa que executa o projeto.<\/p>\n<p>Outro projeto que o Brasil inscrever\u00e1 oficialmente como MDL no pr\u00f3ximo ano tamb\u00e9m busca gerar eletricidade usando metano, neste caso a partir do aterro sanit\u00e1rio Bandeirantes, na periferia da cidade de S\u00e3o Paulo. Este projeto j\u00e1 funciona desde janeiro produzindo energia. A redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de metano nesse aterro alcan\u00e7ar\u00e1 19 milh\u00f5es de toneladas equivalentes de carbono em 21 anos, informou ao Terram\u00e9rica Helv\u00e9cio Guimar\u00e3es, diretor t\u00e9cnico da Econergy Brasil, firma que presta servi\u00e7os t\u00e9cnico-financeiros a projetos de tecnologia limpa. A Col\u00f4mbia tem seu pr\u00f3prio plano de captura de metano, no Vale do Cauca, onde a empresa a\u00e7ucareira Engenho do Cauca (Incauca) utilizar\u00e1 res\u00edduos de cana para substituir o carv\u00e3o como combust\u00edvel. Com o dinheiro obtido por esse projeto no contexto do MDL, pretende-se criar um laborat\u00f3rio escolar-empresarial para 120 crian\u00e7as e 240 pais de fam\u00edlia, explicou ao Terram\u00e9rica Rub\u00e9n Uchima, chefe da usina de gera\u00e7\u00e3o de energia da Incauca.<\/p>\n<p>No entanto, nem todos est\u00e3o de acordo com os benef\u00edcios do MDL. Com este mecanismo, \u201cos pa\u00edses industrializados desviam seus compromissos de reduzir suas emiss\u00f5es de carbono e evitam investir em desenvolvimento de tecnologia realmente limpa\u201d, alegou a pesquisadora Nadia Martinez, do Instituto de Estudos Pol\u00edticos, com sede em Washington. O MDL \u201cparecia ser uma boa id\u00e9ia, mas se converteu em um esquema de transa\u00e7\u00f5es comerciais que beneficia multinacionais com projetos n\u00e3o necessariamente adequados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em 2001, Washington retirou sua assinatura do Protocolo de Kyoto, alegando que era contr\u00e1rio ao interesse econ\u00f4mico dos Estados Unidos, por\u00e9m, j\u00e1 anunciou que destinar\u00e1 US$ 53 milh\u00f5es nos pr\u00f3ximos cinco anos ao desenvolvimento do Cons\u00f3rcio de Mercado de Metano. Isso mostra o que e quem est\u00e3o realmente por tr\u00e1s do MDL, acrescentou Martinez. Segundo Mar\u00eda Teresa Szauer, diretora de Meio Ambiente da CAF, \u201co crescente interesse na captura de metano\u201d tem rela\u00e7\u00e3o com o fato de as metodologias de medi\u00e7\u00e3o e contabilidade desse g\u00e1s j\u00e1 estarem definidas e desenvolvidas, \u201co que facilita muito sua inclus\u00e3o no mercado\u201d.<\/p>\n<p>A respeito das cr\u00edticas dos ambientalistas, Szauer afirma que se trata de posturas \u201cum tanto intransigentes\u201d, que n\u00e3o levam em conta \u201co valor agregado que esses projetos t\u00eam para nossos pa\u00edses\u201d. A CAF afirma que o MDL deve ser aproveitado, pois permite que os pa\u00edses em desenvolvimento tenham acesso a tecnologias rent\u00e1veis e sustent\u00e1veis, e por isso ajuda as na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina e do Caribe a identificar oportunidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica Latina n\u00e3o perde o trem da venda de cr\u00e9ditos de emiss\u00f5es de metano. 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