{"id":13352,"date":"2004-11-01T00:00:00","date_gmt":"2004-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=13352"},"modified":"2004-11-01T00:00:00","modified_gmt":"2004-11-01T00:00:00","slug":"brasil-superpotencia-da-bioenergia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2004\/11\/ambiente\/brasil-superpotencia-da-bioenergia\/","title":{"rendered":"Brasil, superpot\u00eancia da bioenergia"},"content":{"rendered":"<p>As exporta\u00e7\u00f5es de \u00e1lcool produzido a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar totalizar\u00e3o US$ 2 bilh\u00f5es em 2004, quase tr\u00eas vezes mais do que no ano passado.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_13352\" style=\"width: 170px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/214_nov.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13352\" class=\"size-medium wp-image-13352\" title=\" - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/214_nov.jpg\" alt=\" - \" width=\"160\" height=\"105\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13352\" class=\"wp-caption-text\"> - <\/p><\/div>  A alta do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e a iminente entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, gra\u00e7as \u00e0 ratifica\u00e7\u00e3o por parte da R\u00fassia, aceleram um processo que leva o Brasil a se afirmar como uma pot\u00eancia da bioenergia. As exporta\u00e7\u00f5es de \u00e1lcool produzido a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar devem passar de 800 milh\u00f5es de litros, no ano passado, para dois milh\u00f5es este ano, e a expans\u00e3o tende a se manter com independ\u00eancia dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo. S\u00e3o muitos os pa\u00edses que, como o Jap\u00e3o, se preparam para adicionar etanol \u00e0 sua gasolina ou aumentar a quantidade desse \u00e1lcool no combust\u00edvel, para reduzir a polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Espera-se que as fontes renov\u00e1veis tenham um decisivo impulso global com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto (1997), que controla a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa, respons\u00e1veis pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. O Senado da R\u00fassia anunciou, no dia 27 de outubro, a ratifica\u00e7\u00e3o do tratado. Uma vez promulgado pelo Executivo, o Protocolo entrar\u00e1 em vigor, pois estar\u00e1 completado o n\u00famero de pa\u00edses necess\u00e1rios: aqueles que emitem 55% dos gases que provocam o efeito estufa.<\/p>\n<p>No Brasil, o combust\u00edvel de fonte renov\u00e1vel recupera a popularidade que teve nos anos 80, e n\u00e3o apenas pelo seu pre\u00e7o menor. Cresce rapidamente a procura por autom\u00f3veis bicombust\u00edveis, que podem utilizar gasolina, \u00e1lcool ou qualquer mistura de ambos, que foram lan\u00e7ados no ano passado. Em 1985 e 1986, os ve\u00edculos movidos a \u00e1lcool atingiram a fant\u00e1stica propor\u00e7\u00e3o de 76% do total produzido no Brasil. Mas problemas de abastecimento e pre\u00e7os afetaram a credibilidade do programa Pro\u00e1lcool, de substitui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis, iniciado depois da crise do petr\u00f3leo de 1973.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis a \u00e1lcool atingiu o fundo do po\u00e7o em 1997, quando foi de 0,06% do total, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea). Desde ent\u00e3o, registrou uma lenta recupera\u00e7\u00e3o, acentuada desde o ano passado, quando 84.173 autom\u00f3veis que usam \u00e1lcool combust\u00edvel, incluindo bicombust\u00edveis, representaram 4,6% do total produzido. Este ano, essa quantidade deve crescer cinco vezes, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o de janeiro a setembro somou 253.817 unidades, sendo que em setembro foram 32% do total do m\u00eas.<\/p>\n<p>A possibilidade de usar um ou outro combust\u00edvel contribui, junto com o pre\u00e7o, para resgatar a confian\u00e7a no \u00e1lcool, uma vez que elimina o risco de desabastecimento ou s\u00fabito aumento de pre\u00e7os. Al\u00e9m disso, toda gasolina no Brasil cont\u00e9m de 20% a 24% de \u00e1lcool anidro, reduzindo o consumo de petr\u00f3leo e a polui\u00e7\u00e3o. E j\u00e1 se come\u00e7a a produzir avi\u00f5es para fumiga\u00e7\u00e3o movidos a etanol. O subsidiado desenvolvimento do Pro\u00e1lcool custou cerca de US$ 40 bilh\u00f5es, mas o pa\u00eds \u201cj\u00e1 recuperou esses gastos\u201d e agora colhe os frutos, inclusive pela tecnologia desenvolvida, disse ao Terram\u00e9rica o pesquisador Osvaldo Stella Martins, do Centro Nacional de Refer\u00eancia em Biomassa.<\/p>\n<p>A cana necess\u00e1ria para fazer do Brasil o maior produtor mundial de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool gera grande quantidade de baga\u00e7o, fonte de calor e eletricidade, que serve o mercado energ\u00e9tico, al\u00e9m de alimentar as pr\u00f3prias centrais a\u00e7ucareiras e destilarias. Agora, o novo programa de biodiesel entusiasma pesquisadores e empres\u00e1rios. O governo anunciou que autorizar\u00e1, em novembro deste ano, sua adi\u00e7\u00e3o ao diesel, na propor\u00e7\u00e3o de 2%, que chegar\u00e1 a 5% dentro de alguns anos. Al\u00e9m de reduzir importa\u00e7\u00f5es e melhorar o meio ambiente, esse programa ser\u00e1 de inclus\u00e3o social, ao gerar centenas de milhares de empregos e favorecer a agricultura familiar em \u00e1reas pobres, segundo o ministro da Ci\u00eancia e Tecnologia, Eduardo Campos.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o se pensa em priorizar a produ\u00e7\u00e3o a partir da mamona (Ricinus communis) no nordeste, a regi\u00e3o mais pobre do pa\u00eds, mas o biodiesel de mamona dever\u00e1 ser fortemente subsidiado, j\u00e1 que custa o triplo do petrol\u00edfero, disse Martins, engenheiro mec\u00e2nico com doutorado em Ecologia e Recursos Naturais. O \u00f3leo de mamona, mat\u00e9ria-prima de centenas de produtos qu\u00edmicos, medicinais e cosm\u00e9ticos, tem grande demanda mundial n\u00e3o atendida, e seria mais l\u00f3gico promover sua produ\u00e7\u00e3o como insumo industrial, em lugar de utiliz\u00e1-lo para biodiesel e carregar a sociedade com o custo dos subs\u00eddios para \u201cresolver um problema\u201d da Petrobr\u00e1s, acrescentou o especialista. O problema \u00e9 que a Petrobr\u00e1s deve produzir diesel sem enxofre, por motivos ambientais, e lhe conv\u00e9m substituir esse aditivo lubrificante por biodiesel, transferindo custos \u00e0 sociedade, explicou Martins.<\/p>\n<p>De todo modo, tamb\u00e9m se pesquisa no sentido de produzir biodiesel a partir de v\u00e1rios outros vegetais, e inclusive a partir de res\u00edduos org\u00e2nicos urbanos. A alternativa que mais entusiasma o especialista, bem como a La\u00e9rcio Couto, engenheiro florestal e presidente da Rede Nacional de Biomassa para Energia, \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de dejetos de madeira e agr\u00edcolas. A produ\u00e7\u00e3o de madeira aproveita apenas 45% da \u00e1rvore, e deixa uma \u201cfant\u00e1stica\u201d riqueza em biomassa, disse Couto ao Terram\u00e9rica. Os res\u00edduos compactados em esferas ou cilindros, para reduzir volume e umidade, al\u00e9m de facilitar o transporte, come\u00e7am a ser exportados para a Europa. No ano passado foram vendidas 40 mil toneladas, enquanto a demanda \u00e9 de dois milh\u00f5es de toneladas, ressaltou.<\/p>\n<p>O Brasil, com sua disponibilidade de terras, sol e \u00e1gua, \u00e9 um grande produtor de biomassa, e a fotoss\u00edntese faz do pa\u00eds uma pot\u00eancia energ\u00e9tica, segundo Jos\u00e9 Batista Vidal, o \u201cpai\u201d do Pro\u00e1lcool. Entretanto, as longas dist\u00e2ncias e a insuficiente infra-estrutura que encarecem o transporte ainda travam o neg\u00f3cio energ\u00e9tico bem al\u00e9m do aproveitamento local, lembrou Couto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As exporta\u00e7\u00f5es de \u00e1lcool produzido a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar totalizar\u00e3o US$ 2 bilh\u00f5es em 2004, quase tr\u00eas vezes mais do que no ano passado.<\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,978],"tags":[],"class_list":["post-13352","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-terramerica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13352"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13352\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}