{"id":1338,"date":"2006-01-02T00:00:00","date_gmt":"2006-01-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1338"},"modified":"2006-01-02T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-02T00:00:00","slug":"nuclear-nuvens-negras-sobre-a-asia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/mundo\/nuclear-nuvens-negras-sobre-a-asia\/","title":{"rendered":"Nuclear: Nuvens negras sobre a \u00c1sia"},"content":{"rendered":"<p>Nova D\u00e9lhi, 02\/01\/2006 &ndash; A \u00c1sia, que se converteu em um dos grandes motores da economia mundial, atualmente tamb\u00e9m \u00e9 um centro mundial de desenvolvimento de armas nucleares. <!--more--> Desde o Ir\u00e3 at\u00e9 Israel, no Oriente M\u00e9dio, passando por \u00cdndia e Paquist\u00e3o, na \u00c1sia meridional, at\u00e9 Cor\u00e9ia do Norte e Jap\u00e3o, na \u00c1sia oriental, o continente exibiu em 2005 uma atividade sem precedentes no campo nuclear, e s\u00f3 nos resta esperar uma intensifica\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos. Os Estados Unidos t\u00eam uma grande influ\u00eancia em todos esses pa\u00edses, como aliado ou advers\u00e1rio de seus governos. Sua pol\u00edtica de favorecer ou opor-se seletivamente \u00e0s suas atividades nucleares ir\u00e1 alterar o equil\u00edbrio estrat\u00e9gico em algumas das regi\u00f5es mais vol\u00e1teis do mundo.<\/p>\n<p>&quot;O mercado mudou desde a Guerra Fria. O centro de gravidade do armamentismo nuclear era ent\u00e3o o enfrentamento entre os blocos oriental e ocidental, mais intenso na Europa&quot;, disse Achin Vanaik, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Universidade de D\u00e9lhi. &quot;Infelizmente, o desenvolvimento nuclear asi\u00e1tico est\u00e1 dominado por uma superpot\u00eancia que se manifesta firmemente contra o desarmamento&quot;, acrescentou Vanaik, integrante da Coaliz\u00e3o para o Desarmamento Nuclear e a Paz. Em 2005, foram registrados dois acontecimentos-chave: a tentativa dos Estados Unidos e seus aliados de censurar o Ir\u00e3 para impedir esse pa\u00eds de enriquecer ur\u00e2nio, tanto com fins civis quanto militares, e a &quot;normaliza\u00e7\u00e3o&quot; do status de pot\u00eancia nuclear da \u00cdndia, atrav\u00e9s de um acordo pelo qual Washington permitir\u00e1 a Nova D\u00e9lhi a compra de tecnologia nuclear.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m prosseguiram as negocia\u00e7\u00f5es entre a Cor\u00e9ia e outras na\u00e7\u00f5es encabe\u00e7adas pelos Estados Unidos (China, Cor\u00e9ia do Sul, Jap\u00e3o, R\u00fassia e Uni\u00e3o Europ\u00e9ia) para dissuadir Pyongyang de manter seu programa de armas nucleares. Mas n\u00e3o houve um acordo definitivo. Enquanto isso, o Jap\u00e3o avan\u00e7ou na revis\u00e3o de seus compromissos assumidos com o fim da Segunda Guerra Mundial de n\u00e3o fabricar nem adquirir armas nucleares e de n\u00e3o consolidar um ex\u00e9rcito de grande escala. O crescimento de seu arsenal foi qualificado de &quot;nova guerra fria&quot; entre Jap\u00e3o e China. Em setembro, Washington prop\u00f4s \u00e0 junta de governadores da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA) que declarasse o Ir\u00e3 &quot;descumpridor&quot; das obriga\u00e7\u00f5es constantes do Tratado de N\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear (TNP).<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o foi aprovada, dando lugar \u00e0 possibilidade de san\u00e7\u00f5es por parte do Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, porque a \u00cdndia rompeu fileiras com o Movimento de Pa\u00edses N\u00e3o-alinhados (Noal) e aceitou vot\u00e1-la. Teer\u00e3 recha\u00e7ou a resolu\u00e7\u00e3o e voltou a reivindicar seu direito, no pr\u00f3prio contexto do TNP, de enriquecer ur\u00e2nio com fins pac\u00edficos. Em seguida, Moscou prop\u00f4s um acordo de concess\u00f5es rec\u00edprocas, pelo qual o Ir\u00e3 poderia transformar \u00f3xido de ur\u00e2nio concentrado (Yellow cake) em g\u00e1s hexafluorido com vistas ao seu enriquecimento na R\u00fassia. De acordo com a iniciativa, o Ir\u00e3 poderia queimar ur\u00e2nio enriquecido em um reator nuclear, a ser constru\u00eddo com ajuda russa, mas deveria enviar o combust\u00edvel usado de volta \u00e0 R\u00fassia. Desse modo, se evitaria que Teer\u00e3 fizesse o reprocessamento para a extra\u00e7\u00e3o de plut\u00f4nio, que, como o ur\u00e2nio enriquecido, pode ser usado para fabricar bombas.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 n\u00e3o rejeitou a proposta formalmente, mas suas conversa\u00e7\u00f5es nesse mesmo sentido com o grupo dos tr\u00eas pa\u00edses mais poderosos da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia (Alemanha, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha) n\u00e3o deram resultado. A postura do regime isl\u00e2mico iraniano provocou a resposta hostil de Israel, ao mesmo tempo em que o presidente norte-americano, George W. Bush, voltou a usar em seus discursos a figura do &quot;eixo do mal&quot;. Segundo diversos informes, Washington j\u00e1 preparou planos de ataque contra o Ir\u00e3. A guerra de palavras j\u00e1 come\u00e7ou entre iranianos e israelenses. Em outubro, o presidente do Ir\u00e3, Mahmoud Ahmadinejad falou em &quot;apagar do mapa&quot; o Estado judeu.<\/p>\n<p>Por sua vez, o governo israelense se comprometeu a impedir que o Ir\u00e3 adquira armas nucleares. J\u00e1 em 1981, avi\u00f5es de Israel bombardearam o reator nuclear iraquiano Osirak, ent\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o. O primeiro-ministro Ariel Sharon disse no \u00faltimo dia 1&ordm; que &quot;Israel, e n\u00e3o s\u00f3 Israel, n\u00e3o pode aceitar&quot; que o regime isl\u00e2mico consolide seu arsenal. Por\u00e9m, o governo do Ir\u00e3 advertiu que sua resposta a um ataque israelense seria &quot;firme, r\u00e1pido e destrutivo&quot;. Segundo Vanaik, &quot;tudo isto reflete o potencial para um perigoso conflito no Oriente M\u00e9dio. A regi\u00e3o j\u00e1 \u00e9 sens\u00edvel por causa da ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e da crise palestina. Se os Estados Unidos e Israel persistirem em seu enfoque de m\u00e3o dura em rela\u00e7\u00e3o ao Iraque, desatar\u00e3o o caos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Para o especialista indiano, &quot;o duplo discurso dos Estados Unidos (hostilidade em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3 e apoio ao programa nuclear israelense) \u00e9 uma fonte de fonte de grande descontentamento popular no Oriente M\u00e9dio&quot;. Este duplo discurso tamb\u00e9m \u00e9 evidente na \u00c1sia meridional. Washington acordou uma exce\u00e7\u00e3o no regime internacional de n\u00e3o- prolifera\u00e7\u00e3o para a \u00cdndia &#8211; pa\u00eds que durante meio s\u00e9culo se posicionou pelo desarmamento nuclear &#8211; ao declar\u00e1-la &quot;Estado respons\u00e1vel&quot; possuidor de armas at\u00f4micas. A Casa Branca se comprometeu a persuadir o Congresso a emendar leis de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o e a estabelecer junto ao Grupo de Provedores Nucleares, que re\u00fane os 44 pa\u00edses provedores dessa tecnologia o car\u00e1ter excepcional da \u00cdndia.<\/p>\n<p>\u00cdndia e Estados Unidos desenvolvem uma &quot;alian\u00e7a estrat\u00e9gica&quot; que inclui ampla coopera\u00e7\u00e3o militar. O Paquist\u00e3o, rival e vizinho dos indianos desde a independ\u00eancia dos dois pa\u00edses em 1947, com o fim do imp\u00e9rio brit\u00e2nico, v\u00ea na nova alian\u00e7a um contrapeso que desequilibra a \u00c1sia meridional. Ao que parece, Islamabad se disp\u00f5e a exigir igual tratamento em mat\u00e9ria de tecnologia nuclear, e j\u00e1 projeta novas centrais nucleares. \u00cdndia e Paquist\u00e3o detonaram suas primeiras bombas at\u00f4micas em 1998, com isso se convertendo nos primeiros pa\u00edses a reconhecer que as possuem, sem contar os cinco membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a (Estados Unidos, China, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia).<\/p>\n<p>Washington pouco faz para diluir a rivalidade entre essas duas na\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, o Paquist\u00e3o \u00e9 um s\u00f3cio-chave em sua guerra contra o terrorismo. A linha dura do governo norte-americano em rela\u00e7\u00e3o a Teer\u00e3 contrasta com seu enfoque referente \u00e0 Cor\u00e9ia do Norte, outro integrante do &quot;eixo do mal&quot;, que j\u00e1 garantiu possuir uma bomba at\u00f4mica. Os Estados Unidos ofereceram assist\u00eancia econ\u00f4mica e aval para o funcionamento de um reator nuclear civil, desde que os norte-coreanos antes desmantelem seu programa armamentista. &quot;Os crit\u00e9rios de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o de Washington s\u00e3o seletivos, discriminat\u00f3rios e inconsistentes&quot;, afirmou Vanaik. &quot;Utiliza a n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o como arma quando serve aos seus interesses de curto prazo. Quando n\u00e3o \u00e9 assim, permite proliferar as tecnologias armamentistas&quot;. O pr\u00f3ximo exemplo de duplo discurso pode ser o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o japonesa, ditada pelos Estados Unidos ap\u00f3s derrotarem o pa\u00eds asi\u00e1tico na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), pro\u00edbe a aquisi\u00e7\u00e3o ou fabrica\u00e7\u00e3o de armas nucleares. Por\u00e9m, enquanto T\u00f3quio continua armazenando enormes quantidades de plut\u00f4nio reprocessado na Europa oriental, pol\u00edticos conservadores favor\u00e1veis ao governo de Junichiro Koizumi, defendem a emenda da Constitui\u00e7\u00e3o. Se o Jap\u00e3o continuar consolidando seu poderio militar e adquirir armas nucleares, a China reagir\u00e1. Pequim j\u00e1 se sente amea\u00e7ada pelo programa de defesa com m\u00edsseis de Washington e pela crescente colabora\u00e7\u00e3o entre norte-americanos e indianos. Se a tend\u00eancia persistir, a China se ver\u00e1 imersa em duas novas corridas armamentistas: uma com o Jap\u00e3o e outra com a \u00cdndia. Estas rivalidades n\u00e3o estar\u00e3o alimentadas apenas por fatores regionais, mas ser\u00e3o influenciadas pelos Estados Unidos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D\u00e9lhi, 02\/01\/2006 &ndash; A \u00c1sia, que se converteu em um dos grandes motores da economia mundial, atualmente tamb\u00e9m \u00e9 um centro mundial de desenvolvimento de armas nucleares. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/mundo\/nuclear-nuvens-negras-sobre-a-asia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":827,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,10,4,11],"tags":[],"class_list":["post-1338","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-energia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/827"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1338\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}