{"id":1359,"date":"2006-01-09T00:00:00","date_gmt":"2006-01-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1359"},"modified":"2006-01-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-09T00:00:00","slug":"ambiente-a-arara-azul-se-salva-no-pantanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/america-latina\/ambiente-a-arara-azul-se-salva-no-pantanal\/","title":{"rendered":"Ambiente: A arara azul se salva no Pantanal"},"content":{"rendered":"<p>CAMPO GRANDE, 09\/01\/2006 &ndash; A bi\u00f3loga Neiva Guedes se apaixonou pelas araras azuis quando as viu pela primeira vez, em 1989, em uma \u00e1rvore no Pantanal mato-grossense. Hoje, seu trabalho de conserva\u00e7\u00e3o come\u00e7a a dar frutos. Aquela &quot;foi uma vis\u00e3o de muita beleza&quot;, conta ao Terram\u00e9rica Guedes, que dedicou os \u00faltimos 16 anos \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie amea\u00e7ada. <!--more--> Em 1990 havia na regi\u00e3o cerca de 1,5 mil exemplares de Anodorynchus yacinthinus, e agora sua popula\u00e7\u00e3o chega a 5,5 mil, gra\u00e7as \u00e0 bi\u00f3loga e sua equipe de colaboradores, que diariamente buscam ninhos e vest\u00edgios da arara azul nas entranhas do Pantanal. Com 250 mil quil\u00f4metros quadrados, o Pantanal abriga v\u00e1rias bacias hidrogr\u00e1ficas e \u00e9 considerado um verdadeiro santu\u00e1rio ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>&quot;Estamos monitorando mais de 500 ninhos, com uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com os fazendeiros e trabalhadores das fazendas&quot;, conta Guedes, premiada com a Ordem da Arca Dourada da Holanda por seu trabalho de conserva\u00e7\u00e3o. Os pantaneiros s\u00e3o os melhores aliados na preserva\u00e7\u00e3o da arara azul, uma das esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas do planeta. Milhares de exemplares s\u00e3o identificados por um chip subcut\u00e2neo pela bi\u00f3loga e sua equipe, que assim conseguem informa\u00e7\u00e3o valiosa sobre a esp\u00e9cie e mecanismos para preserv\u00e1-la. Tamb\u00e9m h\u00e1 popula\u00e7\u00e3o dessa ave na Amaz\u00f4nia e nos Estados do Piau\u00ed, Tocantins e Bahia.<\/p>\n<p>Entretanto, somente no Pantanal o trabalho de preserva\u00e7\u00e3o est\u00e1 organizado, atrav\u00e9s do Projeto Arara Azul, com apoio da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Regi\u00e3o do Pantanal, que contratou Guedes como pesquisadora, bem como seu principal assistente, o ex-militar Cezar Corr\u00eaa. Em outras regi\u00f5es, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave, conta a especialista. Na Amaz\u00f4nia, a arara azul \u00e9 uma das principais presas de ca\u00e7adores, traficantes de animais e ind\u00edgenas em busca de penas para seu artesanato. O tr\u00e1fico de animais \u00e9 o maior inimigo desta ave majestosa, que se destaca por ser a maior de seu tipo no mundo, medindo um metro desde a ponta do bico at\u00e9 a ponta da cauda, e pesando 1,3 quilo.<\/p>\n<p>Um bom exemplar pode ser vendido na Europa por dez mil euros (cerca de US$ 14.124). Por\u00e9m, a chegada de um animal s\u00e3o e salvo provoca a morte de dezenas pelo caminho, pois a captura \u00e9 feita nos ninhos, com as crias muito pequenas ou ainda em ovos. A ave se reproduz a cada dois anos, e um filhote precisa de cuidados dos pais at\u00e9 os 18 meses de vida, explica a bi\u00f3loga. &quot;Uma vez em cativeiro, se comporta como um gatinho, e esta docilidade \u00e9 valorizada no mercado negro&quot;, acrescenta, ressaltando que a a\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o contra o tr\u00e1fico de animais ainda \u00e9 muito prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 80, foram ca\u00e7adas cerca de dez mil araras azuis no Brasil. Hoje, o tr\u00e1fico diminuiu um pouco no Pantanal e, apesar das m\u00faltiplas amea\u00e7as, quem viaja para a regi\u00e3o pode v\u00ea-las em seu h\u00e1bitat, sempre voando em pares. Como s\u00e3o monog\u00e2micas, depois que escolhem um parceiro nunca mais se separam. S\u00e3o vistas juntas procurando alimento nas palmeiras de acuri e bocai\u00fava, cujas castanhas s\u00e3o sua fonte exclusiva de alimenta\u00e7\u00e3o. Seu h\u00e1bitat tamb\u00e9m \u00e9 altamente especializado: s\u00f3 aninham em \u00e1rvores de manduvi, cuja madeira lisa permite que aumentem pequenos buracos que encontram nos troncos.<\/p>\n<p>Esta especializa\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat \u00e9 um problema para a preserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, explica Cezar Corr\u00eaa, que visita cerca de dez ninhos por dia. Para que um manduvi esteja em condi\u00e7\u00f5es de abrigar um ninho, precisa ter quase cem anos. &quot;Antes disso, a madeira \u00e9 muito dura e \u00e0s vezes as aves n\u00e3o conseguem fazer um furo para colocar seu ninho&quot;, acrescenta. As \u00e1rvores utilizadas atualmente pelas araras azuis nasceram no final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do XX. Qualquer projeto para ampliar a oferta de s\u00edtios para que fa\u00e7am seus ninhos deve ser feito pensando no pr\u00f3ximo s\u00e9culo, disse Corr\u00eaa.<\/p>\n<p>O desmatamento representa uma grave amea\u00e7a para a arara azul e centenas de esp\u00e9cies do Pantanal, um dos ecossistemas mais fr\u00e1geis do Brasil. S\u00e3o milhares de hectares de terra inundada, cuja flora foi devastada e n\u00e3o tem capacidade de suprir a fauna com frutos e abrigo. Segundo um relat\u00f3rio do dia 5 de janeiro do n\u00e3o-governamental Conservation International, pastagens e planta\u00e7\u00f5es de soja destru\u00edram 17% da cobertura original do Pantanal. Carlos Camilo, nascido e criado na regi\u00e3o, trabalha h\u00e1 15 anos como capataz em uma fazenda local. Antes havia mais panteras, cervos e animais grandes, afirma. &quot;Hoje, est\u00e3o ficando cada vez mais raros&quot; e &quot;o desmatamento \u00e9 a principal causa&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p>Para minimizar o d\u00e9ficit de \u00e1rvores, o Projeto Arara Azul trabalha na cria\u00e7\u00e3o de ninhos artificiais. Depois de v\u00e1rias experi\u00eancias, Guedes e sua equipe conseguiram criar caixas de madeira que devem ser colocadas entre os ramos do manduvi, assemelhando-se aos buracos naturais do tronco, com bons resultados. O projeto conta com apoio do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que paga os sal\u00e1rios de estagi\u00e1rios, e das pousadas Caiman e Ararauna, que servem como suporte log\u00edstico para as equipes t\u00e9cnicas e visitantes que desejam conhecer este trabalho. Empresas e funda\u00e7\u00f5es privadas &#8211; Toyota, Telecom Brasil, Hyacinth Macaw Fund e Smart Family Foundation &#8211; tamb\u00e9m d\u00e3o seu apoio \u00e0 iniciativa.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 diretor da Ag\u00eancia Envolverde, do Brasil.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o dos Programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAMPO GRANDE, 09\/01\/2006 &ndash; A bi\u00f3loga Neiva Guedes se apaixonou pelas araras azuis quando as viu pela primeira vez, em 1989, em uma \u00e1rvore no Pantanal mato-grossense. Hoje, seu trabalho de conserva\u00e7\u00e3o come\u00e7a a dar frutos. 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