{"id":1374,"date":"2006-01-12T00:00:00","date_gmt":"2006-01-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1374"},"modified":"2006-01-12T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-12T00:00:00","slug":"iraque-os-sequestros-como-forma-de-expressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/mundo\/iraque-os-sequestros-como-forma-de-expressao\/","title":{"rendered":"Iraque: Os seq\u00fcestros como forma de express\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Bagd\u00e1, 12\/01\/2006 &ndash; Mais de 400 estrangeiros foram seq\u00fcestrados no Iraque desde que come\u00e7ou a ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana, em mar\u00e7o de 2003. As v\u00edtimas iraquianas deste crime foram em n\u00famero bem maior, mas apenas o cativeiro dos primeiros \u00e9 not\u00edcia, o que os torna alvos mais cobi\u00e7ados. <!--more--> Na semana passada, outro cidad\u00e3o dos Estados Unidos foi seq\u00fcestrado em Bagd\u00e1. Desta vez se tratou de Jill Carroll, uma jornalista do jornal Christian Science Monitor, que desapareceu em Adel, um bairro da capital do Iraque. Este foi o \u00faltimo de uma nova onda de seq\u00fcestros de estrangeiros. O seq\u00fcestro passou a ser o principal risco para os estrangeiros no Iraque a partir de 2004.<\/p>\n<p>Uma s\u00e9rie de seq\u00fcestros de jornalistas e socorristas nesse ano praticamente paralisou as opera\u00e7\u00f5es civis. Finalmente, o problema foi resolvido, mas com uma total transforma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter das a\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es civis no Iraque. Em 2005, os jornalistas limitaram cada vez mais seus deslocamentos. Os mais valentes ficaram, mas confinados em seus hot\u00e9is, zelosamente protegidos por fortes medidas de seguran\u00e7a. A maioria das organiza\u00e7\u00f5es de ajuda internacional simplesmente optou por deixar o Iraque. Ainda h\u00e1 cerca de 40 jornalistas estrangeiros desaparecidos, supostamente em m\u00e3os de seus raptores.<\/p>\n<p>No Iraque existem principalmente dois tipos de seq\u00fcestro. O mais comum \u00e9 o que visa a uma recompensa econ\u00f4mica. O outro \u00e9 o seq\u00fcestro de estrangeiros por motivos primariamente pol\u00edticos e como forma de responder \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e criar obst\u00e1culo \u00e0 suposta &quot;reconstru\u00e7\u00e3o&quot; deste pa\u00eds. Para outros, os seq\u00fcestros s\u00e3o uma forma de chamar a aten\u00e7\u00e3o e se fazer ouvir. Os grupos criminosos floresceram nos primeiros dias da invas\u00e3o, com o colapso do governo do deposto presidente Saddam Hussein (1979-2003) e a incapacidade das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o para manter a seguran\u00e7a e a ordem. Nesse cen\u00e1rio, o crime passou a ser uma forma de sobreviv\u00eancia e, inclusive, de prosperidade para alguns.<\/p>\n<p>Jawad Kathum, de 31 anos, foi obrigado a pagar um alto pre\u00e7o para libertar seu sobrinho dos raptores. &quot;Ele foi seq\u00fcestrado por um desses grupos de Bagd\u00e1 que nos pediram US$ 20 mil em troca de sua liberdade&quot;, contou Kathum \u00e0 IPS. Estas s\u00e3o hist\u00f3rias de todos os dias, e quase todos conhecem algu\u00e9m que esteve mantido em cativeiro. Os bandidos costumam exigir altas somas. &quot;Nos vimos obrigados a vender nossa casa para pagar o resgate de meu sobrinho, porque n\u00e3o havia ningu\u00e9m que pudesse libert\u00e1-lo&quot;, acrescentou. &quot;Penso que os Estados Unidos s\u00e3o os respons\u00e1veis de tudo isto. Antes da ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia seq\u00fcestros&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Greg Rollins, das Equipes de Pacifica\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, amigo de quatro membros dessa organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental que foram seq\u00fcestrados em novembro, concorda com Kathum que as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as principais culpadas pela onda de seq\u00fcestro. &quot;Se as for\u00e7as de coaliz\u00e3o tivessem vindo ao Iraque e reparado o fornecimento de \u00e1gua e eletricidade, dado emprego e outros servi\u00e7os, n\u00e3o creio que os seq\u00fcestros fossem tantos como s\u00e3o hoje em dia&quot;, disse \u00e0 IPS. &quot;E se deixassem de atacar cidades e povoados como Ramadi, Rawa, Tal Afar, Hit, Al-Qaim e outros; se deixassem de prender pessoas, e se tirassem suas bases militares destes centros povoados, haveria muito menos viol\u00eancia e seq\u00fcestros&quot;, afirmou Rollins.<\/p>\n<p>Seus colegas desapareceram no dia 25 de novembro, em uma a\u00e7\u00e3o que hoje se acredita ter sido a primeira de uma nova s\u00e9rie de seq\u00fcestros. As Equipes de Pacifica\u00e7\u00e3o Crist\u00e3s haviam decidido permanecer no Iraque apesar da onda de criminalidade de 2004, que deixou saldo de muitos mortos. Apesar do risco, os membros desta organiza\u00e7\u00e3o pacifista crist\u00e3, com sede nos Estados Unidos e no Canad\u00e1, continuam vivendo entre os iraquianos. &quot;Nossa equipe procura construir a paz e para isso precisa conversar com as pessoas da rua, com o verdadeiro povo iraquiano&quot;, disse Rollins \u00e0 IPS. &quot;Conversei com estrangeiros que vivem na &#039;zona verde? e lhes perguntei como eram os iraquianos, e eles responderam: n\u00e3o sabemos como s\u00e3o os iraquianos, n\u00e3o sa\u00edmos da zona verde&quot;.<\/p>\n<p>A &quot;zona verde&quot; ou &quot;zona internacional&quot; (tamb\u00e9m conhecida como &quot;a bolha&quot;) \u00e9 a \u00e1rea fortemente guardada do centro de Bagd\u00e1, que inclui os principais pal\u00e1cios do ex-presidente Saddam Hussein, onde agora vivem e trabalham as autoridades das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos e da Gr\u00e3-Bretanha e tamb\u00e9m onde ficam os escrit\u00f3rios das principais empresas de consultoria ou contratadas e sedes governamentais. Existe um grande desacordo sobre o impacto dos seq\u00fcestros. Com estes crimes, &quot;ningu\u00e9m se beneficia mais do que as for\u00e7as da coaliz\u00e3o&quot;, afirmou Kathum.<\/p>\n<p>&quot;Em abril de 2004, havia muitos jornalistas em Faluja, mas tinham medo dos seq\u00fcestros. Em novembro de 2004, j\u00e1 n\u00e3o havia jornalistas estrangeiros l\u00e1, e os Estados Unidos n\u00e3o permitiam a entrada de nenhum jornalista iraquiano&quot;, disse Katum. Nas duas oportunidades, os Estados Unidos aproveitaram para tentar realizar duas opera\u00e7\u00f5es militares em Faluja. &quot;Os seq\u00fcestros no Iraque se tornaram muito perigosos agora, mais do que antes&quot;, disse \u00e0 IPS um oficial da pol\u00edcia iraquiana que pediu para n\u00e3o ser identificado. &quot;\u00c9 porque ningu\u00e9m ouve os iraquianos que falam de seus sofrimentos. Por essa raz\u00e3o, recorrem aos seq\u00fcestros, para fazer com que povos e governos de todo o mundo lhes d\u00ea aten\u00e7\u00e3o&quot;, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bagd\u00e1, 12\/01\/2006 &ndash; Mais de 400 estrangeiros foram seq\u00fcestrados no Iraque desde que come\u00e7ou a ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana, em mar\u00e7o de 2003. 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