{"id":14,"date":"2005-01-18T00:00:00","date_gmt":"2005-01-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=14"},"modified":"2005-01-18T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-18T00:00:00","slug":"frica-apenas-uma-revoluo-pode-erradicar-o-racismo-e-o-colonialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/frica-apenas-uma-revoluo-pode-erradicar-o-racismo-e-o-colonialismo\/","title":{"rendered":"&Aacute;frica: Apenas uma revolu&ccedil;&atilde;o pode erradicar o racismo e o colonialismo"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 18\/01\/2005 &ndash; Durante s&eacute;culos a &Aacute;frica tem sido v&iacute;tima de numerosos fatos que costumam situar os africanos entre os mais &quot;infelizes da terra&quot;. Tudo come&ccedil;ou com o transporte &agrave; for&ccedil;a de milh&otilde;es de africanos atrav&eacute;s dos oceanos &Iacute;ndico e Atl&acirc;ntico como escravos, o que dizimou a coes&atilde;o e a capacidade produtiva das sociedades africanas e levou &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de col&ocirc;nias de escravos na Am&eacute;rica do Norte e do do Sul e no Caribe. <br \/> <!--more--> <br \/> Ao escrever sobre a &quot;G&ecirc;nese do Capitalismo Industrial&quot;, em seu livro &quot;O Capital&quot;, Karl Marx disse: &quot;A descoberta do ouro e da prata na Am&eacute;rica, a extirpa&ccedil;&atilde;o, a escravid&atilde;o e o virtual sepultamento nas minas da popula&ccedil;&atilde;o abor&iacute;gine, o come&ccedil;o da conquista e o saque das &iacute;ndias Ocidentais e a transforma&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica em um alvo para a ca&ccedil;a comercial de seus seres humanos de pele negra assinalaram o promissor amanhecer da era do capitalismo produtivo&quot;.<\/p>\n<p> H&aacute; uma necessidade urgente de que historiadores, soci&oacute;logos e outros estudiosos africanos analisem o impacto a longo prazo causado em nosso continente por estes tr&ecirc;s fen&ocirc;menos hist&oacute;ricos: escravid&atilde;o, colonialismo e racismo. Na &Aacute;frica do Sul e no resto do mundo existem pessoas que exigem que tratemos estes tr&ecirc;s fen&ocirc;menos simplesmente como uma quest&atilde;o de arquivo hist&oacute;rico, sem relev&acirc;ncia para nossas lutas contempor&acirc;neas pelo renascimento da &Aacute;frica. <\/p>\n<p> Em parte, isso &eacute; motivado pelo prop&oacute;sito de constranger as v&iacute;timas de graves injusti&ccedil;as, para que esque&ccedil;am o mal que lhes foi causado, e de criar na &Aacute;frica uma amn&eacute;sia coletiva que leve as pr&oacute;prias v&iacute;timas a se culparem pela infelicidade que sofrem. Vemos isto claramente na &Aacute;frica do Sul, onde alguns insistem em dizer que o apartheid &eacute; uma coisa do passado e que toda refer&ecirc;ncia ao continuado impacto do passado constitui uma tentativa de &quot;jogar a carta racial&quot;. <\/p>\n<p> Entretanto, para n&oacute;s, &eacute; muito importante entender o impacto desse passado para nos permitirmos enfrentar eficazmente o presente, n&atilde;o com algum desejo de culpar os que s&atilde;o historicamente respons&aacute;veis pelos mais terr&iacute;veis crimes contra a humanidade, mas para desenhar as pol&iacute;ticas e os programas que devem nos ajudar a conseguir o renascimento da &Aacute;frica. Temos a responsabilidade de compreender por completo a realidade africana contempor&acirc;nea tal como foi modelada pela escravid&atilde;o, pelo colonialismo, pelo neocolonialismo e pelo racismo, entre os quais h&aacute; uma continuidade t&atilde;o clara como a que existe entre o passado e o presente. <\/p>\n<p> Durante o recente per&iacute;odo de neocolonialismo vimos sistemas africanos de governo que continuam tratando nossos povos como massas que merecem ser apartadas do processo que determina seu futuro, com muitos dos novos governantes que agem como parasitas na sociedade africana, tal como o fizeram antes os mercadores de escravos e os amos coloniais.<\/p>\n<p> Vimos sistemas africanos de governo sucumbirem diante da ordem econ&ocirc;mica global nascida da escravid&atilde;o e do colonialismo, que definiu este continente como uma fonte de mat&eacute;rias-primas produzidas com m&atilde;o-de-obra barata, e que tornou inevit&aacute;vel que a &Aacute;frica se visse submetida a um cont&iacute;nuo processo de crescente empobrecimento e subdesenvolvimento. <\/p>\n<p> Vimos como os novos governantes aceitaram o racismo propulsor da subordina&ccedil;&atilde;o dos africanos a um &quot;superior&quot; mundo ocidental e os fez ufanarem-se pela absor&ccedil;&atilde;o das culturas e das l&iacute;nguas de seus ex-colonizadores, bem como afastarem-se de suas pr&oacute;prias culturas e l&iacute;nguas, que aprenderam a desprezar como &quot;incivilizadas&quot;.<\/p>\n<p> E vimos como se arraigou a cren&ccedil;a de que o &ecirc;xito de conseguir o objetivo de uma vida melhor para os nativos africanos depende de uma cont&iacute;nua boa vontade do mundo ocidental para favorecer as massas com a transfer&ecirc;ncia de recursos na forma de &quot;ajuda&quot; ou de &quot;assist&ecirc;ncia externa para o desenvolvimento&quot;. <\/p>\n<p> O conjunto das quest&otilde;es acima mencionadas leva &agrave; generalizada crise econ&ocirc;mica e social da qual agora os povos da &Aacute;frica devem se livrar por eles mesmos. O que isso requer &eacute; uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o para tomar o caminho da erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza e do subdesenvolvimento, da restaura&ccedil;&atilde;o da dignidade das pessoas, incluindo as que se encontram na di&aacute;spora, e da vit&oacute;ria na luta para acabar com a marginaliza&ccedil;&atilde;o global da &Aacute;frica e dos africanos.<\/p>\n<p> Tal revolu&ccedil;&atilde;o liberaria as enormes energias latentes nas pessoas ao inclu&iacute;-las no processo de fazer a hist&oacute;ria. A democratiza&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na das pol&iacute;ticas e dos sistemas de governos africanos e a concess&atilde;o de faculdades &agrave;s massas para que possam ser seus pr&oacute;prios libertadores s&atilde;o decisivos para se conseguir esse objetivo. O fracasso na busca destas metas anularia a possibilidade hist&oacute;rica que temos de conseguir progressos decisivos para o renascimento da &Aacute;frica e condenaria todos os africanos a sofrerem perpetuamente sua condi&ccedil;&atilde;o de &quot;infelizes do mundo&quot;. (IPS\/ANC Today\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Thabo Mbeki &eacute; presidente da &Aacute;frica do Sul<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 18\/01\/2005 &ndash; Durante s&eacute;culos a &Aacute;frica tem sido v&iacute;tima de numerosos fatos que costumam situar os africanos entre os mais &quot;infelizes da terra&quot;. 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