{"id":1401,"date":"2006-01-20T00:00:00","date_gmt":"2006-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1401"},"modified":"2006-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-20T00:00:00","slug":"armas-nem-pequenas-nem-leves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/mundo\/armas-nem-pequenas-nem-leves\/","title":{"rendered":"Armas: Nem pequenas, nem leves"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 20\/01\/2006 &ndash; A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas deve promover a cria\u00e7\u00e3o de zonas livres de armas pequenas e leves, n\u00e3o s\u00f3 atacando a oferta desses artefatos mortais, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o da demanda, afirmam especialistas. <!--more--> &quot;A menos que entendamos as motiva\u00e7\u00f5es dos que adquirem armas, toda tentativa de reduzir sua venda estar\u00e1 condenada ao fracasso&quot;, adverte um estudo de 68 p\u00e1ginas intitulado &quot;Pedimos aten\u00e7\u00e3o: An\u00e1lise da din\u00e2mica da demanda de armas pequenas&quot;. A &quot;redu\u00e7\u00e3o da demanda deve ser levada mais a s\u00e9rio do que o habitual&quot;, diz o documento divulgado pelo Instituto de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Internacionais, com sede em Genebra, e pelo Escrit\u00f3rio Cu\u00e1quera das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com sede em Nova York.<\/p>\n<p>Os programas de controle para reduzir a viol\u00eancia devem se concentrar na demanda destas armas, segundo o estudo. Na \u00c1frica do Sul e nas Ilhas Salom\u00e3o, dois dos pa\u00edses analisados, a demanda foi efetivamente reduzida mediante a promo\u00e7\u00e3o de zonas livres de armas em povoados, escolas, bares e outros espa\u00e7os p\u00fablicos. O estudo, elaborado pelos especialistas David Atwood, Anne-Kathrin Glatz e Robert Muggah, foi divulgado durante a reuni\u00e3o preparat\u00f3ria de uma confer\u00eancia, em julho, na qual a ONU analisar\u00e1 a aprova\u00e7\u00e3o de um tratado sobre armas leves e pequenas.<\/p>\n<p>Segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas, circulam no mundo mais de 600 milh\u00f5es de armas pequenas e leves, assim chamadas apesar de, para o delegado do Canad\u00e1, Earl Turcotte, seu impacto sobre os seres humanos nada terem de leves e pequenos. Somente em 2005, estas armas causaram a morte de mais de meio milh\u00e3o de pessoas, 10 mil por semana, a maioria civis e em lugares onde n\u00e3o h\u00e1 guerras. Essas armas s\u00e3o as que podem ser carregadas por uma ou duas pessoas ou transportadas em ve\u00edculos pequenos, segundo a classifica\u00e7\u00e3o da ONU. Entre elas figuram rev\u00f3lveres, pistolas autom\u00e1ticas, escopetas, fuzis e metralhadoras. Outra categoria, a de armas leves, inclui metralhadoras pesadas, lan\u00e7a-granadas, morteiros, armas antitanque, lan\u00e7a-foguetes e lan\u00e7a-m\u00edsseis antia\u00e9reos port\u00e1teis.<\/p>\n<p>Um controle efetivo do com\u00e9rcio internacional de armas requer trabalhar tanto ao lado da oferta quanto da demanda, disse Natalie J. Goldring, professora do Programa de Estudos de Seguran\u00e7a na Escola do Servi\u00e7o Exterior Edmund A. Walsh, da Universidade de Georgetown, com sede em Washington. &quot;At\u00e9 agora, as atividades no plano internacional se concentraram no fornecimento. Necessitamos de efic\u00e1cia no controle dos fornecedores, mas tamb\u00e9m devemos nos dedicar com mais seriedade ao problema da demanda&quot;, disse Goldring \u00e0 IPS. A demanda pode ser freada, segundo a especialista, atrav\u00e9s de uma ampla gama de medidas que permitam ao p\u00fablico sentir-se seguro na vida di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para isso, suas necessidades b\u00e1sicas devem ser satisfeitas e devem ser resolvidos os conflitos sem apelar-se para a viol\u00eancia, al\u00e9m de impedir o f\u00e1cil acesso a uma arma. &quot;Infelizmente, hoje em dia tudo est\u00e1 a favor dos que vendem armas e se enriquecem com o processo&quot;, acrescentou. Da mesma maneira como acontece com as drogas, os traficantes de armas trabalham duro para criar condi\u00e7\u00f5es para que a compra de armamentos seja necess\u00e1ria &#8211; isto \u00e9, criam seu pr\u00f3prio mercado &#8211; e para impedir que os governos imponham controles e restri\u00e7\u00f5es \u00e0s suas atividades, diz a especialista.<\/p>\n<p>A Rede para a A\u00e7\u00e3o Internacional sobre Armas Pequenas, coaliz\u00e3o, com sede em Londres, de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais entre as quais figuram Oxfam e Anistia Internacional, promove um tratado internacional para reduzir a prolifera\u00e7\u00e3o de armas pequenas e leves. A Rede informou que 43 pa\u00edses e v\u00e1rios blocos regionais anunciaram seu apoio a um tratado a esse respeito, mas muitos outros ainda n\u00e3o se manifestaram formalmente. B\u00e9lgica, Dinamarca, Finl\u00e2ndia, Su\u00e9cia, Sui\u00e7a, Isl\u00e2ndia, Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a, Vaticano e Camboja se mostraram a favor do conv\u00eanio. Por outro lado, \u00cdndia, Egito, Ir\u00e3 e Estados Unidos est\u00e3o menos entusiasmados, segundo Anthea Lawson, da Rede para a A\u00e7\u00e3o Internacional.<\/p>\n<p>Em sua interven\u00e7\u00e3o na reuni\u00e3o preparat\u00f3ria, Cristina Pelladini, do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha, disse que a confer\u00eancia de julho deve estabelecer um contexto internacional efetivo para por fim ao tr\u00e1fico de armas. Em segundo lugar &#8211; prosseguiu &#8211; a reuni\u00e3o deve definir crit\u00e9rios comuns sobre interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de transfer\u00eancia de armas. Al\u00e9m disso, acrescentou, \u00e9 fundamental que a confer\u00eancia reconhe\u00e7a a necessidade de trabalhar a respeito da demanda que alimenta o tr\u00e1fico. A menos que a demanda seja reduzida, os controles no fornecimento somente ter\u00e3o um \u00eaxito parcial, porque os vendedores sempre encontrar\u00e3o nova forma de atender a demanda, explicou Pellandini.<\/p>\n<p>A especialista considerou que a confer\u00eancia de julho deve apoiar a cria\u00e7\u00e3o de novas medidas para evitar que as armas sejam usadas em viola\u00e7\u00f5es de leis humanit\u00e1rias internacionais e dos direitos humanos. Ao analisar o caso do Brasil, o informe mostra a liga\u00e7\u00e3o entre desigualdade, viol\u00eancia, inseguran\u00e7a e as armas. O Pa\u00eds sofre uma das distribui\u00e7\u00f5es da riqueza e de renda mais desiguais do mundo. &quot;A riqueza material \u00e9 um fator de risco para a viol\u00eancia armada e os crimes contra a propriedade s\u00e3o muitos. Assim os guardas de seguran\u00e7a privada competem com a pol\u00edcia e a demanda por armas de fogo \u00e9 consider\u00e1vel&quot;, diz o estudo. No referendo de outubro passado 64% dos eleitores brasileiros foram contra a proibi\u00e7\u00e3o da venda de armas para civis. Esta rejei\u00e7\u00e3o reflete que a demanda de armas como forma de prote\u00e7\u00e3o pessoal continua sendo uma op\u00e7\u00e3o, ou, pelo menos, uma percep\u00e7\u00e3o, generalizada. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 20\/01\/2006 &ndash; A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas deve promover a cria\u00e7\u00e3o de zonas livres de armas pequenas e leves, n\u00e3o s\u00f3 atacando a oferta desses artefatos mortais, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o da demanda, afirmam especialistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/mundo\/armas-nem-pequenas-nem-leves\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-1401","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1401\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}