{"id":1406,"date":"2006-01-23T00:00:00","date_gmt":"2006-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1406"},"modified":"2006-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-23T00:00:00","slug":"ambiente-mineradora-canadense-insiste-em-remover-geleira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/mundo\/ambiente-mineradora-canadense-insiste-em-remover-geleira\/","title":{"rendered":"Ambiente: Mineradora canadense insiste em remover geleira"},"content":{"rendered":"<p>BROOKLIN, 23\/01\/2006 &ndash; A Barrick Gold, a maior produtora de ouro do mundo, espera iniciar o projeto Pascua Lama em setembro, apesar da furiosa oposi\u00e7\u00e3o local. Promete remover somente a metade do gelo originalmente previsto. <!--more--> O pol\u00eamico e multimilion\u00e1rio projeto aur\u00edfero Pascua Lama, na fronteira entre Chile e Argentina, que exige a elimina\u00e7\u00e3o de geleiras de montanha, pode come\u00e7ar a ser constru\u00eddo este ano, mesmo com a forte oposi\u00e7\u00e3o de ambientalistas. Pascua Lama \u00e9 uma das maiores fontes de ouro inexploradas do mundo, com potencial para produzir 17,5 milh\u00f5es de on\u00e7as. A canadense Barrick Gold Corporation possui a concess\u00e3o para minera\u00e7\u00e3o em Pascua Lama e para tr\u00eas mil quil\u00f4metros quadrados da regi\u00e3o que a circunda. A companhia, que h\u00e1 pouco se converteu na maior produtora de ouro do mundo, pretende iniciar o projeto de US$ 1,5 bilh\u00e3o, apesar do protesto p\u00fablico dentro e fora do Chile.<\/p>\n<p>&quot;Esperamos completar o processo de habilita\u00e7\u00e3o e proceder com nosso atual calend\u00e1rio&quot;, disse ao Terram\u00e9rica Vincent Borg, vice-presidente de Comunica\u00e7\u00f5es Corporativas da Barrick. Esse calend\u00e1rio significa que a constru\u00e7\u00e3o come\u00e7aria em setembro de 2006 e a produ\u00e7\u00e3o a partir de 2009, segundo informes pr\u00e9vios. A Barrick reviu seu plano do projeto e necessitar\u00e1 remover apenas a metade, aproximadamente, do gelo originalmente previsto, disse Borg. &quot;As geleiras ou reservas de gelo a serem afetadas representam apenas 0,4% da \u00e1gua que flui para o vale&quot;, afirmou. O porta-voz disse n\u00e3o ter coment\u00e1rios sobre as declara\u00e7\u00f5es da rec\u00e9m-eleita presidente do Chile, Michelle Bachelet, que assegurou que proteger\u00e1 as geleiras e proibir\u00e1 sua remo\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&quot;\u00c9 simplesmente insano pensar que essas geleiras podem ser removidas e que n\u00e3o haver\u00e1 nenhum impacto&quot;, disse Jamie Kneen, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Alerta Minera\u00e7\u00e3o Canad\u00e1. &quot;As geleiras j\u00e1 s\u00e3o prejudicadas pelas estradas de explora\u00e7\u00e3o e perfura\u00e7\u00f5es de testes da Barrick&quot;, disse Kneen ao Terram\u00e9rica. Pascua Lama est\u00e1 localizado a 4,6 mil metros de altitude e se estende dos dois lados da fronteira argentino-chilena, com 80% no Chile. O local para a enorme mina a c\u00e9u aberto est\u00e1 atualmente sob tr\u00eas geleiras conhecidas como Toro 1, Toro 2 e Esperan\u00e7a. Elas alimentam o vale de Huasco, 660 quil\u00f4metros ao norte de Santiago, fornecendo \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o a 70 mil pequenos agricultores.<\/p>\n<p>Originalmente, a Barrick planejava escavar e explodir cerca de 30 mil metros c\u00fabicos de gelo em uma superf\u00edcie de 20 hectares das geleiras. Para minimizar o impacto ecol\u00f3gico e impedir que o gelo derreta, este seria transportado para criar uma nova geleira maior perto dali. A remo\u00e7\u00e3o das geleiras &quot;prejudicar\u00e1 o fornecimento de \u00e1gua para os vales de Huasco, no Chile, e Jachal, na Argentina&quot;, disse Ra\u00fal Montenegro, diretor da ong argentina Funda\u00e7\u00e3o para a Defesa do Meio Ambiente. Segundo Montenegro, o dano ambiental foi evidente em outro projeto da Barrick, que j\u00e1 eliminou camadas de gelo: Veladero. <\/p>\n<p>Ao sul de Pascua Lama, na Argentina, calcula-se que a mina possua 12,8 milh\u00f5es de on\u00e7as de ouro. Embora 80% do projeto esteja no Chile, &quot;o impacto ambiental mais s\u00e9rio acontecer\u00e1 na Argentina, pois ali estar\u00e1 o vertedouro de dejetos&quot;, disse Montenegro. Em territ\u00f3rio argentino ser\u00e1 constru\u00edda uma parte menor da mina a c\u00e9u aberto, junto com um vertedouro de rochas residuais, uma f\u00e1brica processadora, um tanque de dejetos, o acampamento de constru\u00e7\u00e3o e o de opera\u00e7\u00e3o para cerca de 5,5 mil pessoas. Em Pascua Lama, milh\u00f5es de toneladas de min\u00e9rio de ouro ser\u00e3o processadas usando uma solu\u00e7\u00e3o de cianureto para recuperar o ouro e o metal. O min\u00e9rio de outro residual e a \u00e1gua contaminada com cianureto ter\u00e3o de ser armazenados em tanques ou diques. As rupturas nos tanques representam 75% dos acidentes ambientais envolvendo minas de ouro nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, segundo a Earthworks, uma ong com sede nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o de Pascua Lama tamb\u00e9m \u00e9 propensa a terremotos e tremores, disse Kneen. &quot;A oposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica a isto \u00e9 enorme no Chile, a maior desde os protestos de 1973 (contra o ditador general Augusto Pinochet)&quot;, afirmou. &quot;A maior parte das minas de ouro n\u00e3o recebem este n\u00edvel de oposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica&quot;, concordou Jason Goulden, diretor de Explora\u00e7\u00e3o Corporativa da Metals Economics Group, empresa l\u00edder no mundo dedicada \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e consultoria sobre min\u00e9rios, com sede na cidade canadense de Halifax.<\/p>\n<p>Goulden reconheceu que as minas de ouro sempre t\u00eam um impacto sobre o meio ambiente, mas o enorme tamanho da reserva de ouro e a capacidade de extrair min\u00e9rio a baixo custo significa que, provavelmente, ser\u00e1 uma opera\u00e7\u00e3o economicamente &quot;muito ben\u00e9fica&quot;. O pre\u00e7o do ouro subiu ao seu n\u00edvel mais alto em 25 anos, US$ 560 a on\u00e7a. A demanda de ouro continuar\u00e1 sendo alta no futuro, devido \u00e0 sede por j\u00f3ias de ouro na \u00cdndia &#8211; um pa\u00eds em pleno auge econ\u00f4mico &#8211; e \u00e0 expectativa de que os bancos centrais da China e da R\u00fassia se distanciem da compra de d\u00f3lares e se mostrem interessados no ouro para suas reservas, disse. &quot;Pascua Lama \u00e9 um projeto importante para a Barrick, porque produzir\u00e1 muito dinheiro&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 colaborador do Terram\u00e9rica. Com a colabora\u00e7\u00e3o de Marcela Valente (Argentina).<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o dos Programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BROOKLIN, 23\/01\/2006 &ndash; A Barrick Gold, a maior produtora de ouro do mundo, espera iniciar o projeto Pascua Lama em setembro, apesar da furiosa oposi\u00e7\u00e3o local. 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