{"id":1415,"date":"2006-01-24T00:00:00","date_gmt":"2006-01-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1415"},"modified":"2006-01-24T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-24T00:00:00","slug":"ambiente-sinais-de-fumaca-em-direcao-ao-protocolo-de-kyoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/mundo\/ambiente-sinais-de-fumaca-em-direcao-ao-protocolo-de-kyoto\/","title":{"rendered":"Ambiente: Sinais de fuma\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao Protocolo de Kyoto"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 24\/01\/2006 &ndash; Na medida em que aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o mundial pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa, a China &#8211; o maior contaminante entre os pa\u00edses em desenvolvimento &#8211; envia sinais confusos sobre sua disposi\u00e7\u00e3o de limpar sua produ\u00e7\u00e3o de energia. <!--more--> A China, respons\u00e1vel por 12% das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono do mundo, figura entre os 141 pa\u00edses que ratificaram o Protocolo de Kyoto sobre aquecimento global no momento em que entrou em vigor, sete anos depois de ter sido acordado.            <\/p>\n<p>Este passo habilitou Pequim a projetar-se como defensor do meio ambiente enquanto qualificava os Estados Unidos de &quot;irrespons\u00e1vel&quot; por retirar sua assinatura do tratado em 2001, pouco depois da posse do presidente George W. Bush em seu primeiro mandato. Na \u00e9poca, Washington alegou que o acordo prejudicaria a economia do pa\u00eds. O Protocolo de Kyoto havia sido assinado por seu antecessor, Bill Clinton (1993-2001). Entretanto, a China tamb\u00e9m se uniu, no ano passado, a um f\u00f3rum que se apresenta como alternativa ao Protocolo: a Associa\u00e7\u00e3o \u00c1sia-Pac\u00edfico sobre Desenvolvimento Limpo e Clima.<\/p>\n<p>Este f\u00f3rum, conhecido como &quot;pacto do carv\u00e3o&quot; entre os ambientalistas, agrupa seis dos maiores emissores de gases causadores do efeito estufa, respons\u00e1veis pelo aquecimento do planeta: Estados Unidos, Austr\u00e1lia, China, \u00cdndia, Jap\u00e3o e Cor\u00e9ia do Sul. Mais do que comprometer os pa\u00edses a subscrever objetivos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es desses gases, como o Protocolo de Kyoto, o &quot;pacto do carv\u00e3o&quot; aspira promover tecnologias que reduzam essas emiss\u00f5es e permitam queimar combust\u00edveis f\u00f3sseis de um modo mais limpo.<\/p>\n<p>Os ambientalistas atacaram o f\u00f3rum, alegando ser uma tentativa de desviar a aten\u00e7\u00e3o da negativa dos Estados Unidos e da Austr\u00e1lia em assinar o Protocolo. A China, entretanto, assinou os dois acordos, em uma posi\u00e7\u00e3o amb\u00edgua que reflete seus interesses em conflito: atender a voraz demanda de energia de sua economia em r\u00e1pido crescimento e aplacar a preocupa\u00e7\u00e3o global pelo aquecimento do planeta. A China \u00e9 o maior produtor mundial de carv\u00e3o, e o consumo de petr\u00f3leo aumentou cinco vezes nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas de r\u00e1pida industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais Pequim v\u00ea o &quot;pacto do carv\u00e3o&quot; como um f\u00f3rum \u00fatil para adquirir tecnologias que permitam a captura e o armazenamento de di\u00f3xido de carbono de usinas alimentadas com essa fonte de energia. Nos dias 11 e 12 deste m\u00eas, a China tamb\u00e9m participou da primeira confer\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o \u00c1sia-Pac\u00edfico sobre desenvolvimento limpo e clima, presidida pelo primeiro-ministro australiano, John Howard, em Sidney. Oficialmente, Pequim se manifestou com amabilidade, mas restringiu o apoio \u00e0 nova coaliz\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o na Austr\u00e1lia teve pouca aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o estatais, comparada com a 11&ordf; Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e a Primeira Reuni\u00e3o das Partes do Protocolo de Kyoto, realizadas em Montreal, no Canad\u00e1, em novembro e dezembro. Nessa ocasi\u00e3o, os signat\u00e1rios de Kyoto negociaram a extens\u00e3o e o fortalecimento do hist\u00f3rico acordo da ONU. &quot;Embora a Associa\u00e7\u00e3o \u00c1sia-Pac\u00edfico sobre desenvolvimento limpo e clima sejam um passo no longo caminho para combater o aquecimento do planeta, ainda n\u00e3o fornece medidas concretas e efetivas sobre redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa&quot;, disse Zhang Jianyu, pesquisador da Universidade Tsinghua de Pequim.<\/p>\n<p>Apesar de dar seu total apoio ao Protocolo de Kyoto, Pequim v\u00ea poucas solu\u00e7\u00f5es a curto prazo para atender a crescente demanda de energia mais al\u00e9m de estabelecer novas usinas alimentadas com carv\u00e3o. A China tem em seus planos 562 novas centrais de energia movidas a carv\u00e3o, quase a metade do total mundial que se espera comecem a funcionar de agora at\u00e9 2012, quando terminar a primeira fase do Protocolo de Kyoto. Tal \u00e9 o alcance da expans\u00e3o das usinas de energia que o aumento das emiss\u00f5es de gases que causam o efeito estufa da China nos pr\u00f3ximos anos podem bem minimizar as redu\u00e7\u00f5es de 5% exigidas pelo Protocolo de Kyoto, para um per\u00edodo entre 2008 e 2012.<\/p>\n<p>Por ser um pa\u00eds em desenvolvimento, a China estaria isenta de reduzir sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono sob o Protocolo. Segundo o acordo, somente as na\u00e7\u00f5es industrializadas, principais respons\u00e1veis pela elevada quantidade de gases na atmosfera, devem reduzir at\u00e9 2012 suas emiss\u00f5es em 5% em rela\u00e7\u00e3o aos valores de 1990. Mas como maior contaminante do mundo em desenvolvimento, a China pode se beneficiar substancialmente do tratado, pois estabelece Mecanismos de Desenvolvimento Limpos (MDL), que permitem a quem gera gases causadores do efeito estufa em um pa\u00eds ganhar &quot;cr\u00e9ditos de carbono&quot; reduzindo suas emiss\u00f5es em outro.<\/p>\n<p>Embora o mercado de MDL ainda seja relativamente pequeno, mais do que duplicou desde 2001. O Conselho Executivo para os MDL da ONU j\u00e1 aprovou cerca de 25 projetos da China nessa mat\u00e9ria. Funcion\u00e1rios da \u00e1rea de energia da China estimam que esses tipos de projeto geraram US$ 250 milh\u00f5es em investimentos estrangeiros em 2005. Espera-se que essa quantia duplique em 2010, segundo a China Environment News. A Ag\u00eancia Internacional de Energia previu um potencial ainda mais otimista para o com\u00e9rcio de MDL na China. Espera que este pa\u00eds represente 40% do mercado anual de US$ 250 milh\u00f5es de di\u00f3xido de carbono comercializado em 2010. Isso se traduziria em projetos ambientais na China num valor superior a US$ 1 bilh\u00e3o ao ano. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 24\/01\/2006 &ndash; Na medida em que aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o mundial pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa, a China &#8211; o maior contaminante entre os pa\u00edses em desenvolvimento &#8211; envia sinais confusos sobre sua disposi\u00e7\u00e3o de limpar sua produ\u00e7\u00e3o de energia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/mundo\/ambiente-sinais-de-fumaca-em-direcao-ao-protocolo-de-kyoto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[21],"class_list":["post-1415","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1415\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}