{"id":1427,"date":"2006-01-26T00:00:00","date_gmt":"2006-01-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1427"},"modified":"2006-01-26T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-26T00:00:00","slug":"colunistas-o-desafio-do-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/america-latina\/colunistas-o-desafio-do-chile\/","title":{"rendered":"Colunistas: O desafio do Chile"},"content":{"rendered":"<p>Miami, 26\/01\/2006 &ndash; As previs\u00f5es, tanto no primeiro turno em dezembro quanto no segundo, dia 15 passado, se cumpriram. Michelle Bachelet ser\u00e1 a primeira mulher a assumir a presid\u00eancia &#8211; e por m\u00e9ritos pr\u00f3prios, e n\u00e3o por heran\u00e7as familiares &#8211; n\u00e3o somente no Chile, mas na Am\u00e9rica Latina. <!--more--> O triunfo da candidatura apresentada pela Concerta\u00e7\u00e3o composta por socialistas e democrata-crist\u00e3os, no poder desde o final da ditadura Pinochet, frente a Renova\u00e7\u00e3o Nacional do opositor partido conservador Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, representa tamb\u00e9m uma vit\u00f3ria contundente da democracia no pequeno pa\u00eds sul-americano. \u00c9 um exemplo a ser seguido.            <\/p>\n<p>Agora come\u00e7a o verdadeiro desafio da filha de um general constitucionalista que pagou com tortura e a vida sua oposi\u00e7\u00e3o ao golpe de 11 de setembro de 1973. Agora se dever\u00e1 comprovar se a coaliz\u00e3o formada pelo Partido Socialista e pela Democracia Crist\u00e3 tem a consist\u00eancia suficiente para continuar apresentando uma alternativa para a direita, que mant\u00e9m dignamente a pose e chegou a dar a Pi\u00f1era not\u00e1veis 46% dos votos.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds que \u00e9 basicamente conservador, a vit\u00f3ria de Bachelet \u00e9 digna de estudo. Note-se que os democrata-crist\u00e3os em outros lugares (sobretudo na Europa) se decantam pela direita. J\u00e1 no Chile (como se tentou em outros pa\u00edses do continente) se inclinam em apoiar as reclama\u00e7\u00f5es sociais da esquerda. O sucesso da nova presidente, naturalmente, se deve tamb\u00e9m ao legado apresentado pela impec\u00e1vel presid\u00eancia de Ricardo Lagos, seu mentor e predecessor, que deixa o cargo com alt\u00edssimo n\u00edvel de aceita\u00e7\u00e3o e popularidade, muito dif\u00edcil de superar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um discurso protocolar reconhecendo a derrota, Pi\u00f1era dever\u00e1 encarar a conveni\u00eancia de tentar manter a capta\u00e7\u00e3o do voto neste segundo turno para replic\u00e1-la em um primeiro turno em 2009. Para isso dever\u00e1 pesar a debandada da UDI, a forma\u00e7\u00e3o de Joaqu\u00edn Lav\u00edn, que continua marcada pela heran\u00e7a pinochetista, cujo eleitorado evidentemente lhe deu o apoio agora, que tecnicamente lhe negou antes. Embora o perigo da divis\u00e3o na Concerta\u00e7\u00e3o sempre seja uma possibilidade, a debilidade com que a Democracia Crist\u00e3 saiu do primeiro turno, quando perdeu cadeiras no Legislativo, servir\u00e1 de freio. Conv\u00e9m que continuem na mesma nave que os socialistas para evitar serem irrelevantes.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, o maior desafio interno para Bachelet \u00e9 seguir com os programas s\u00f3cio-econ\u00f4micos de abertura, ao mesmo tempo em que dever\u00e1 reduzir notavelmente as diferen\u00e7as sociais e fazer chegar aos bols\u00f5es de pobreza o progresso que evidentemente beneficia a maioria dos chilenos. Os conservadores tamb\u00e9m dever\u00e3o tomar nota e apoiar essas urgentes medidas corretivas. Se algum dia chegarem ao poder, n\u00e3o lhes conv\u00e9m herdar uma sociedade agitada e com altos n\u00edveis de reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na frente externa, o novo governo tamb\u00e9m tem uma tarefa delicada que dever\u00e1 encarar com boa dose de combina\u00e7\u00e3o de &quot;a nobreza obriga&quot; e firmeza em suas convic\u00e7\u00f5es. O Chile, paradoxalmente, enquanto goza de acordos de livre com\u00e9rcio com meio mundo (sobretudo o industrializado), que s\u00e3o parte da chave do chamado &quot;milagre chileno&quot;, est\u00e1 &quot;isolado&quot; na Am\u00e9rica do Sul. Retirou-se do Pacto Andino (que agora faz \u00e1gua por todos os lados), \u00e9 apenas associado do Mercosul, a respeito do qual esteve e est\u00e1 reticente, e parece ser a exce\u00e7\u00e3o na onda esquerdista e populista que se op\u00f5e \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o da Alca sob a hegemonia de Washington, foco da fobia de Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Bachelet dever\u00e1 agir sob fogo cruzado e em algum momento fazer uma aposta estrat\u00e9gica, a n\u00e3o ser que lhe extenue o capital da abertura global. Nesse contexto, a press\u00e3o populista de seu entorno natural (Argentina, Bol\u00edvia, Peru) se unir\u00e1 na sempiterna reivindica\u00e7\u00e3o territorial procedente de La Paz e Lima, sempre prestes a corrigir as fronteiras geradas pela Guerra do Pac\u00edfico. Todas as f\u00f3rmulas sopesadas para acomodar Bol\u00edvia e Peru passam pela cess\u00e3o ou usufruto de territ\u00f3rio em formatos imaginativos que n\u00e3o chegam \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es dos vizinhos.<\/p>\n<p>O Chile (tanto antes de Pinochet quanto depois) tem as for\u00e7as armadas mais bem preparadas e equipadas da regi\u00e3o. Gra\u00e7as aos benef\u00edcios da exporta\u00e7\u00e3o de cobre, a Marinha e a Aeron\u00e1utica chilenas se refor\u00e7aram notavelmente, causando inquieta\u00e7\u00e3o em seus vizinhos. Lembremos que foi precisamente Bachelet que contribuiu para esse refor\u00e7o quando foi ministra da Defesa. Desde a Presid\u00eancia, com um giro \u00e0 direita, mas tamb\u00e9m apoiada pela esquerda, n\u00e3o mudar\u00e1 de rumo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*) Joaqu\u00edn Roy \u00e9 Catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia da Universidade de Miami (jroy@miami.edu).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, 26\/01\/2006 &ndash; As previs\u00f5es, tanto no primeiro turno em dezembro quanto no segundo, dia 15 passado, se cumpriram. 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