{"id":143,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=143"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-mulheres-e-crianas-violadas-em-serra-leoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-mulheres-e-crianas-violadas-em-serra-leoa\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Mulheres e crian&ccedil;as violadas em Serra Leoa"},"content":{"rendered":"<p>Freetown, 23\/01\/2005 &ndash; A viola&ccedil;&atilde;o de mulheres e crian&ccedil;as era uma pr&aacute;tica sistem&aacute;tica durante a brutal guerra civil em Serra Leoa, tanto pelos rebeldes, como pelas for&ccedil;as do governo. Um acordo de paz p&ocirc;s fim ao conflito, em janeiro de 2002, mas, n&atilde;o a esse crime. &quot;As viola&ccedil;&otilde;es aumentaram de maneira assustadora desde o final da guerra civil h&aacute; dois anos&quot;, disse Amie Tejan-Kellah, do Centro Arco-&Iacute;ris, que d&aacute; assist&ecirc;ncia a mulheres v&iacute;timas de crimes sexuais. &quot;Nosso centro atende centenas de casos nas prov&iacute;ncias do leste do pa&iacute;s, bem como no ocidente&quot;, explicou. A organiza&ccedil;&atilde;o, com sede em Freetown, fornece &agrave;s mulheres tratamento m&eacute;dico, ajuda psicol&oacute;gica e assessoria legal. &quot;&Eacute; algo que desanima. Acabamos de ajudar 198 v&iacute;timas no distrito de Kenema, no leste, e aqui em Freetown. Nossa cliente mais jovem tem tr&ecirc;s meses e meio&quot;, ressaltou.<br \/> <!--more--> <br \/> A pol&iacute;cia de Serra leoa parece compartilhar da preocupa&ccedil;&atilde;o do Centro Arco-&Iacute;ris, pois estabeleceu 24 Unidades de Apoio &agrave; Fam&iacute;lia em todo o pa&iacute;s para investigar e prevenir as viola&ccedil;&otilde;es. &quot;Essas unidades s&atilde;o uma esp&eacute;cie de equipes especiais que seguem os passos dos violadores. Estou seguro de que reduziremos a viol&ecirc;ncia sexual&quot;, disse &agrave; IPS o oficial de pol&iacute;cia encarregado dessas unidades, Simeon Kamanda. &quot;A pol&iacute;cia resolveu recentemente 58 casos de viola&ccedil;&atilde;o e os apresentou &agrave; Justi&ccedil;a. Em particular, colaboramos em julgamentos que culminaram com 19 condena&ccedil;&otilde;es com penas entre seis e 22 anos de pris&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> O Centro Arco-&Iacute;ris uniu for&ccedil;as com Kamanda e com o Minist&eacute;rio do Bem-Estar Social, G&ecirc;nero e Inf&acirc;ncia para ajudar mulheres violentadas ou v&iacute;timas de outras formas de viol&ecirc;ncia. At&eacute; esta data, capacitou 150 funcion&aacute;rios em escolas de todo o pa&iacute;s, que tem 4,8 milh&otilde;es de habitantes. Por outro lado, o F&oacute;rum de Educadoras Africanas (FASE, sigla em ingl&ecirc;s tamb&eacute;m estar preocupado com o alto &iacute;ndice de viola&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s, e por isso criou escolas especiais para meninas e meninos v&iacute;timas desses crimes. &quot;Esta causa vale a pena. Muitas dessas meninas t&ecirc;m traumas, e nosso trabalho &eacute; reabilit&aacute;-las&quot;, disse a diretora da FAWE, Christina Thorpe, ex-ministra de Governo de Serra Leoa.<\/p>\n<p> O F&oacute;rum &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental que trabalha em 30 pa&iacute;ses africanos para reformar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e garantir o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o em todo o continente. Alguns dos alunos das escolas criadas pelo FAWE em Serra Leoa foram escravos sexuais dos rebeldes ou das mil&iacute;cias do governo. A guerra civil nesse pa&iacute;s da &Aacute;frica subsaariana come&ccedil;ou em 1991, quando a Frente Unida Revolucion&aacute;ria (RUF), apoiada desde a Lib&eacute;ria pelo ent&atilde;o presidente Charles Taylor, lan&ccedil;ou uma ofensiva para derrubar o governo e reter o controle das zonas produtoras de diamantes. O conflito deixou 75 mil mortos.<\/p>\n<p> &quot;Na maioria dos casos de viola&ccedil;&atilde;o denunciados neste pa&iacute;s as v&iacute;timas s&atilde;o meninas e meninos com idades entre seis e 16 anos, e 40% deles j&aacute; haviam sido atacados antes&quot;, disse o soci&oacute;logo Michael Tommy. &quot;A maioria dos respons&aacute;veis &eacute; de adultos que enganam as crian&ccedil;as oferecendo balas, dinheiro ou, simplesmente, as intimidam. Creio que devem ser tomadas medidas mais severas contra esses desalmados&quot;, acrescentou. Por sua vez, o Minist&eacute;rio do Bem-Estar Social trabalha com a Comiss&atilde;o de Reforma de Leis para fortalecer as normas referentes &agrave; Prote&ccedil;&atilde;o dos direitos das meninas e dos meninos. O promotor-geral de Serra Leoa, Abdulai Timb&oacute;, destacou a necessidade de aumentar as penas para os violadores. O Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento anunciou que dar&aacute; ajuda financeira ao sistema judicial de Serra Leoa para garantir que os processos contra os violadores tenham maior rapidez. <\/p>\n<p> Nas ruas, a indigna&ccedil;&atilde;o &eacute; cada vez maior. Os violadores &quot;deveriam ser castrados. &Eacute; um crime abomin&aacute;vel. Creio que se deve ser estipulada nenhuma fian&ccedil;a quando s&atilde;o levados ao tribunal&quot;, disse Musu Mansaray, m&atilde;e de uma menina de 12 anos violentada em Freetown. Por sua vez, a professora Bassie Sesay afirmou que &quot;o &uacute;nico lugar para os violadores &eacute; uma pris&atilde;o de seguran&ccedil;a m&aacute;xima. Convivemos com essa amea&ccedil;a por muito tempo. Durante a guerra civil nossas crian&ccedil;as eram seq&uuml;estradas. Agora h&aacute; paz, e as autoridades devem agir com toda firmeza&quot;, acrescentou. Em junho foi criado em Freetown um tribunal especial, com apoio da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, para julgar as viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos cometidos durante a guerra civil. Mas, os principais respons&aacute;veis nunca passaram pelo tribunal. O l&iacute;der do RUF, Foday Sankoh, morreu por causas naturais antes de ser julgado, e Taylor est&aacute; exilado na Nig&eacute;ria. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Freetown, 23\/01\/2005 &ndash; A viola&ccedil;&atilde;o de mulheres e crian&ccedil;as era uma pr&aacute;tica sistem&aacute;tica durante a brutal guerra civil em Serra Leoa, tanto pelos rebeldes, como pelas for&ccedil;as do governo. Um acordo de paz p&ocirc;s fim ao conflito, em janeiro de 2002, mas, n&atilde;o a esse crime. &quot;As viola&ccedil;&otilde;es aumentaram de maneira assustadora desde o final da guerra civil h&aacute; dois anos&quot;, disse Amie Tejan-Kellah, do Centro Arco-&Iacute;ris, que d&aacute; assist&ecirc;ncia a mulheres v&iacute;timas de crimes sexuais. &quot;Nosso centro atende centenas de casos nas prov&iacute;ncias do leste do pa&iacute;s, bem como no ocidente&quot;, explicou. A organiza&ccedil;&atilde;o, com sede em Freetown, fornece &agrave;s mulheres tratamento m&eacute;dico, ajuda psicol&oacute;gica e assessoria legal. &quot;&Eacute; algo que desanima. Acabamos de ajudar 198 v&iacute;timas no distrito de Kenema, no leste, e aqui em Freetown. 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