{"id":1438,"date":"2006-01-30T00:00:00","date_gmt":"2006-01-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1438"},"modified":"2006-01-30T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-30T00:00:00","slug":"forum-economico-mundial-um-assunto-que-caiu-do-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/01\/america-latina\/forum-economico-mundial-um-assunto-que-caiu-do-ceu\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial: Um assunto que caiu do c\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p>Davos,  Su\u00ed\u00e7a, 30\/01\/2006 &ndash; Nem privadas, nem p\u00fablicas. As formas de gest\u00e3o da \u00e1gua que agora se aplicam na Bol\u00edvia t\u00eam mais a ver com uma maneira de maior sentido social de acesso a esse recurso, derivada dos ensinamentos dos povos ind\u00edgenas, segundo a ativista Tania Quiroz. <!--more--> Os problemas da escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel, de sua distribui\u00e7\u00e3o e do sistema de propriedade foram analisados na semana passada em cen\u00e1rios confrontados, na reuni\u00e3o anual do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (FEM), em Davos, na Su\u00ed\u00e7a, em Zurique, na confer\u00eancia sobre &quot;O outro Davos&quot;, convocada pela Attac Su\u00ed\u00e7a.            <\/p>\n<p>Quiroz, da Coordenadora da \u00c1gua e da Vida, da Bol\u00edvia, exp\u00f4s a militantes de organiza\u00e7\u00f5es populares, congregadas no Outro Davos, as experi\u00eancias vinculadas com os protestos sociais que explodiram nesse pa\u00eds a partir de 2000 e que precipitaram a rescis\u00e3o dos contratos de explora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua que estava em m\u00e3os de duas multinacionais. No F\u00f3rum de Davos, que anualmente re\u00fane l\u00edderes empresariais, especialistas e governantes, foi analisada a import\u00e2ncia crucial do elemento da sobreviv\u00eancia humana. Lester R. Brown, presidente do Instituto de Pol\u00edticas da Terra, observou que a humanidade sobreviveu s\u00e9culos sem petr\u00f3leo. Somente durar\u00edamos uns poucos dias sem a \u00e1gua, advertiu o l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o que tem sede nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Com previu a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a expans\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial e das conseq\u00fcentes atividades produtivas aumentam a press\u00e3o sobre a \u00e1gua e a escassez que se registra em muitas \u00e1reas do planeta, afirmou-se na reuni\u00e3o do FEM. Por exemplo, o r\u00e1pido crescimento da China e da \u00cdndia dispara a demanda de \u00e1gua, porque as popula\u00e7\u00f5es desses pa\u00edses adotam dietas mais ricas em prote\u00ednas. Assim, o abastecimento adequado do elemento \u00e9 vital para um crescimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel, deduziu o empres\u00e1rio Jamshid Godrej, presidente da companhia indiana Godrej %26 Boyce.<\/p>\n<p>O presidente da multinacional Nestl\u00e9, Peter Brabeck-Lethmathe, comentou que a produ\u00e7\u00e3o de carnes e de outras prote\u00ednas dominantes nas dietas modernas requer maior quantidade de \u00e1gua. Talvez bebamos alguns poucos litros desse l\u00edquido por dia, mas &quot;comemos&quot; at\u00e9 15 mil litros no mesmo tempo, afirmou. A m\u00e9dia dos humanos necessita beber entre quatro e cinco litros de \u00e1gua diariamente para sobreviver, embora sejam preciso entre dois mil e tr\u00eas mil a cada dia para produzir as calorias que a sobreviv\u00eancia da mesma pessoa exige. O diretor da ag\u00eancia de desenvolvimento e coopera\u00e7\u00e3o do governo su\u00ed\u00e7o, Walter Fust, descartou que a privatiza\u00e7\u00e3o seja a resposta aos problemas do abastecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>A provis\u00e3o de \u00e1gua tem a ver com a efici\u00eancia e com a maneira que melhor possamos distribu\u00ed-la ao menor custo poss\u00edvel. Zoltan Doka, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Socorro Oper\u00e1rio Su\u00ed\u00e7o, disse \u00e0 IPS que o escrit\u00f3rio governamental dirigido por Fust propicia um sistema de associa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e privada para o manejo da \u00e1gua. Enquanto essas formas de explora\u00e7\u00e3o tiverem por objetivo principal o povo, e n\u00e3o o lucro, n\u00e3o me oponho \u00e0s associa\u00e7\u00f5es do setor estatal com o privado, disse o ativista da ONG vinculada aos sindicatos su\u00ed\u00e7os, que participou da confer\u00eancia O Outro Davos. A modalidade da privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua chegou \u00e0 Bol\u00edvia pelas m\u00e3os do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), que em 1997 a imp\u00f4s como condi\u00e7\u00e3o para entregar ajuda a esse pa\u00eds, recordou Quiroz.<\/p>\n<p>Entretanto, al\u00e9m da \u00e1gua, a onda de privatiza\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo, eletricidade, assist\u00eancia social, fundos de pens\u00e3o, terra e servi\u00e7os, se estendeu por todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina convertida em um &quot;saque&quot; virtual, disse a ativista boliviana. Quiroz identificou os dois grupos transnacionais que intervieram no neg\u00f3cio da \u00e1gua. A Companhia \u00c1guas do Tunari, uma fus\u00e3o das empresas Bechtel, Edison e Abengoa, manejou os servi\u00e7os na cidade de Cochabamba, enquanto \u00c1guas de Illimani, propriedade do grupo Suez, fez o mesmo em el Alto, uma \u00e1rea vizinha a La Paz. O retrocesso das privatiza\u00e7\u00f5es s\u00f3 foi poss\u00edvel na Bol\u00edvia porque o movimento social se deu conta de que estas multinacionais n\u00e3o solucionaram o problema do acesso \u00e0 \u00e1gua pelas pessoas pobres, afirmou Quiroz.<\/p>\n<p>Inicialmente, as privatiza\u00e7\u00f5es pareciam uma solu\u00e7\u00e3o para o mau servi\u00e7o prestado pelas empresas p\u00fablicas, mas n\u00e3o foi assim, pois tanto em El Alto quanto em Cochabamba, sobretudo nas zonas perif\u00e9ricas, foram adotadas iniciativas para obter \u00e1gua atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de po\u00e7os. As pessoas estendiam suas pr\u00f3prias redes de \u00e1gua aonde o servi\u00e7o municipal n\u00e3o chegava. Agora, \u00e9 certo que \u00e9 preciso fazer de uma forma mais ordenada para aproveitar bem a \u00e1gua, recomendou a ativista.<\/p>\n<p>O ind\u00edgena Evo Morales, do esquerdista Movimento ao Socialismo, assumiu neste m\u00eas o governo da Bol\u00edvia com promessas de aprofundar esta pol\u00edtica referente \u00e0 gest\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua pot\u00e1vel no pa\u00eds. Mas \u00e9 evidente que na Bol\u00edvia &quot;est\u00e3o sendo dadas formas sociais&quot; para atender aos problemas do acesso. Est\u00e3o recuperando toda a sabedoria e os conhecimentos herdados como ensinamentos dos povos ind\u00edgenas, disse Quiroz. &quot;\u00c9 um processo que est\u00e1 &quot;agora mesmo&quot; em constru\u00e7\u00e3o, em propostas, realmente em etapa de recupera\u00e7\u00e3o, porque destes servi\u00e7os auto-geridos n\u00e3o se falava. E, na verdade, tampouco fazia-se muita for\u00e7a para defender o de cada um, acrescentou Quiroz. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Davos,  Su\u00ed\u00e7a, 30\/01\/2006 &ndash; Nem privadas, nem p\u00fablicas. 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