{"id":144,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=144"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-empresa-petroleira-dos-eua-paga-por-abusos-na-birmnia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-empresa-petroleira-dos-eua-paga-por-abusos-na-birmnia\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Empresa petroleira dos EUA paga por abusos na Birm&acirc;nia"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 23\/01\/2005 &ndash; A gigante norte-americana do petr&oacute;leo Unocal chegou a um acordo extrajudicial preliminar para compensar cidad&atilde;os birmaneses que a processaram em 1996 por abusos cometidos contra eles e suas comunidades por soldados que davam prote&ccedil;&atilde;o &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um oleoduto. Esse acordo, cujos detalhes n&atilde;o foram revelados, foi anunciado por advogados da empresa e representantes do Direitos da Terra Internacional (ERI, sigla em ingl&ecirc;s). Os demandantes permanecem no anonimato. Segundo a informa&ccedil;&atilde;o divulgada pelas duas partes, &quot;inicialmente se compensar&aacute; os demandantes e ser&atilde;o destinados fundos que lhes permitam desenvolver, junto com seus representantes, programas para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida, os cuidados com a sa&uacute;de e a educa&ccedil;&atilde;o das pessoas da regi&atilde;o por onde passa o oleoduto, bem como defender seus direitos&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Essas iniciativas proporcionar&atilde;o substancial assist&ecirc;ncia &agrave;s pessoas que posam ter sofrido priva&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o, segundo uma declara&ccedil;&atilde;o divulgada no site da Unocal e da ERI. A Direitos da Terra Internacional desse estar &quot;emocionada&quot; com o acordo, mas o chefe de seus advogados neste processo, Rick Herz, n&atilde;o concedeu entrevista para falar do assunto. O processo judicial iniciado com uma demanda federal, com base na Lei de Reclama&ccedil;&atilde;o contra as Ofensas a um Estrangeiro (Atca, sigla em ingl&ecirc;s), percorreu um tortuoso caminho nos &uacute;ltimos nove anos, da mesma maneira que um outro que come&ccedil;ou paralelamente no Estado da Calif&oacute;rnia, no contexto de normas contra pr&aacute;ticas comerciais injustas. O acordo foi realizado para por fim aos dois processos.<\/p>\n<p> O caso federal recebeu consider&aacute;vel aten&ccedil;&atilde;o pro ser um dos primeiros contra uma grande corpora&ccedil;&atilde;o com base na Atca, aprovada em 1789 pelos primeiros integrantes do Congresso norte-americano para combater a pirataria em alto mar. Essa lei permite a estrangeiros processarem pessoas ou companhias norte-americanas e n&atilde;o-norte-americanas, que estejam em territ&oacute;rio dos Estados Unidos, por abusos &quot;cometidos em viola&ccedil;&atilde;o da lei das na&ccedil;&otilde;es ou de um tratado&quot; assinado por Washington, mesmo tendo ocorrido fora do pa&iacute;s. A Atca ficou esquecida durante dois s&eacute;culos, mas desde 1980 v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos a t&ecirc;m empregado com sucesso.<\/p>\n<p> Alguns dos processados com base nessa lei foram o ex-ditador filipino Ferdinand Marcos e altos funcion&aacute;rios militares da Guatemala, Indon&eacute;sia, Argentina, Eti&oacute;pia e El Salvador. Em quase todos os casos foram concedidas indeniza&ccedil;&otilde;es, raramente cobradas porque, em geral, os acusados abandonaram os Estados Unidos. Tamb&eacute;m foram apresentadas, desde 1993, 25 queixas com base na Atca contra corpora&ccedil;&otilde;es norte-americanas e estrangeiras, em sua maior parte por abusos cometidos por militares ou policiais estrangeiros que prestavam servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a a essas companhias. A maioria dessas demandas foi rejeitada e algumas est&atilde;o em processo de apela&ccedil;&atilde;o, mas nenhuma ainda chegou &agrave; Suprema Corte.<\/p>\n<p> Os casos de maior sucesso foram os apresentados por sobreviventes do Holocausto (genoc&iacute;dio nazista contra o povo judeu), que processaram bancos e outras empresas estrangeiras por recha&ccedil;arem seus esfor&ccedil;os no sentido de recuperar o dinheiro ou conseguir pagamento de seguros depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Tais demandas n&atilde;o chegaram a ser consideradas por tribunais, mas contribu&iacute;ram para que bancos su&iacute;&ccedil;os negociassem acordos extrajudiciais com os queixosos, que receberam mais de US$ 1 bilh&atilde;o.<\/p>\n<p> O an&uacute;ncio da Unocal e da ERI sugere que este ser&aacute; o segundo caso em que se chega a um acordo extrajudicial, que tamb&eacute;m poder &aacute; criar um precedente para demandas contra grandes empresas petroleiras, entre elas uma de cidad&atilde;os indon&eacute;sios da prov&iacute;ncia de Aceh contra a ExxonMobil e outra contra a Shell, apresentada por cidad&atilde;s da regi&atilde;o nigeriana do delta do rio N&iacute;ger. As primeiras apela&ccedil;&otilde;es &agrave; Atca para processar indiv&iacute;duos, nos anos 80 e in&iacute;cio da d&eacute;cada seguinte, causaram destacadas controv&eacute;rsias, mas, as a&ccedil;&otilde;es judiciais posteriores contra corpora&ccedil;&otilde;es, em sua maioria dos setores mineiro e energ&eacute;tico, provocaram uma forte contra-ofensiva do setor privado, acompanhada em seguida pelo atual governo, encabe&ccedil;ado pelo presidente George W. Bush.<\/p>\n<p> Os que processaram a Unocal alegam que eles, ou integrantes de suas fam&iacute;lias, foram obrigados a se reassentar ou trabalhar para a empresa, ou foram v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es, torturas e assassinados devido &agrave; a&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito birman&ecirc;s encarregado da seguran&ccedil;a do projeto do oleoduto Yadana, administrado por um cons&oacute;rcio formado pela companhia norte-americana juntamente com a Frances Total e companhia petroleira estatal da Birm&acirc;nia. Segundo os advogados dessas pessoas, a Unocal sabia, ou devia saber, que os militares birmaneses tinham numerosos antecedentes de viola&ccedil;&otilde;es semelhantes dos direitos humanos; que tamb&eacute;m sabia, ou devia saber, que cometeram abusos ao darem seguran&ccedil;a ao projeto, e que se beneficiou desses abusos, especialmente dos trabalhos for&ccedil;ados e com os reassentamentos.<\/p>\n<p> Este ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu por seis votos contra tr&ecirc;s e contra a vontade da Casa Branca, que a Atca pode amparar v&iacute;timas de graves abusos cometidos fora do pa&iacute;s que demandem compensa&ccedil;&otilde;es a tribunais norte-americanos. A Suprema Corte n&atilde;o decidiu expressamente sobre a possibilidade de aplicar essa antiga lei a atividades de grandes corpora&ccedil;&otilde;es fora do pa&iacute;s, mas considerou que &quot;para efeitos da responsabilidade civil, o torturador se converteu, como ocorrera antes com o pirata e o traficante de escravos, em hostis humani generis, um inimigo de toda a humanidade&quot;.<\/p>\n<p> Antes, o Departamento de Justi&ccedil;a havia afirmado que a Atca &quot;&eacute; uma esp&eacute;cie de rel&iacute;quia hist&oacute;rica que n&atilde;o deve ser transformada em uma concess&atilde;o ilimitada de autoridade aos tribunais (norte-americanos) para estabelecer e aplicar projetos de direito internacional sobre disputas surgidas em pa&iacute;ses estrangeiros&quot;. Tamb&eacute;m argumentou que o uso contempor&acirc;neo da Atca pode ter &quot;graves conseq&uuml;&ecirc;ncias para nossa atual guerra contra o terrorismo&quot;, atrav&eacute;s de processos &quot;contra nossos aliados nessa guerra&quot;, e, assim, interferir com importantes interesses da pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos. &Agrave; decis&atilde;o da Suprema Corte somou-se, contrariando interesses da Unocal, outra do sistema judicial da Calif&oacute;rnia, que deu lugar &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um j&uacute;ri para examinar a queixa apresentada nesse Estado. Os dois antecedentes parecem ter sido decisivos para que a empresa procurasse um acordo extrajudicial. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 23\/01\/2005 &ndash; A gigante norte-americana do petr&oacute;leo Unocal chegou a um acordo extrajudicial preliminar para compensar cidad&atilde;os birmaneses que a processaram em 1996 por abusos cometidos contra eles e suas comunidades por soldados que davam prote&ccedil;&atilde;o &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um oleoduto. Esse acordo, cujos detalhes n&atilde;o foram revelados, foi anunciado por advogados da empresa e representantes do Direitos da Terra Internacional (ERI, sigla em ingl&ecirc;s). Os demandantes permanecem no anonimato. Segundo a informa&ccedil;&atilde;o divulgada pelas duas partes, &quot;inicialmente se compensar&aacute; os demandantes e ser&atilde;o destinados fundos que lhes permitam desenvolver, junto com seus representantes, programas para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida, os cuidados com a sa&uacute;de e a educa&ccedil;&atilde;o das pessoas da regi&atilde;o por onde passa o oleoduto, bem como defender seus direitos&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-empresa-petroleira-dos-eua-paga-por-abusos-na-birmnia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-144","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}