{"id":1455,"date":"2006-02-06T00:00:00","date_gmt":"2006-02-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1455"},"modified":"2006-02-06T00:00:00","modified_gmt":"2006-02-06T00:00:00","slug":"birmania-insurgencia-karen-nao-larga-as-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/02\/mundo\/birmania-insurgencia-karen-nao-larga-as-armas\/","title":{"rendered":"Birm\u00e2nia: Insurg\u00eancia Karen n\u00e3o larga as armas"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 06\/02\/2006 &ndash; Os rebeldes armados da comunidade \u00e9tnica Karen renovaram, ao completar 57 anos de sua luta pela autonomia, o compromisso de n\u00e3o se render diante da ditadura militar da Birm\u00e2nia. <!--more--> A Uni\u00e3o Nacional Karen parece resignada a submergir em uma guerra de longo prazo, ignorada pela comunidade internacional e pela maioria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o do mundo. Esta organiza\u00e7\u00e3o rebelde, uma das mais antigas da Birm\u00e2nia, j\u00e1 n\u00e3o espera a aten\u00e7\u00e3o que a imprensa internacional dedica aos rebeldes do Movimento Aceh Livre, na Indon\u00e9sia, ou aos Tigres Tamis, do Sri Lanka.            <\/p>\n<p>Ao celebrar um novo anivers\u00e1rio de sua cria\u00e7\u00e3o, em seu basti\u00e3o perto da fronteira com a Tail\u00e2ndia, a Uni\u00e3o Nacional Karen destacou, na ter\u00e7a-feira passada, sua determina\u00e7\u00e3o de n\u00e3o fraquejar na luta, porque, segundo afirmam seus dirigentes, a ditadura militar birmanesa n\u00e3o lhe oferece alternativa. &quot;Render-se est\u00e1 fora de quest\u00e3o para n\u00f3s&quot;, disse \u00e0 IPS Mahn Sha Lah Phan, secret\u00e1rio-geral da organiza\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o em algum lugar da fronteira. A Uni\u00e3o Nacional Karen n\u00e3o descartou um di\u00e1logo pol\u00edtico com a junta militar que governa o pa\u00eds, que se faz chamar de Conselho Estatal de Paz e Desenvolvimento. &quot;Estamos preparados para um di\u00e1logo pol\u00edtico significativo com o Conselho, mas eles n\u00e3o est\u00e3o interessados&quot;, disse Lah Phan.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o rebelde exige a autonomia pol\u00edtica da regi\u00e3o que se estende ao longo da fronteira oriental da Birm\u00e2nia, onde vivem sete milh\u00f5es de membros da etnia Karen. O pa\u00eds tem um total de 50,5 milh\u00f5es de habitantes. &quot;Queremos igualdade nacional para os Karen e que nos reconhe\u00e7am o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o&quot;, afirmou o dirigente. &quot;Isso pode ocorrer no contexto de uma federa\u00e7\u00e3o dentro da Birm\u00e2nia. N\u00e3o estamos a favor da separa\u00e7\u00e3o nem tentamos dividir o pa\u00eds&quot;, acrescentou. A posi\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Nacional Karen marca um grande contraste com a de outras 17 organiza\u00e7\u00f5es rebeldes de car\u00e1ter \u00e9tnico que assinaram acordos de cessar-fogo com a ditadura birmanesa desde meados dos anos 90.<\/p>\n<p>Entretanto, outros insurgentes, como os das comunidades shan e karenni, continuam armados. Para os Karen, os karenni e os shan, a suspens\u00e3o do di\u00e1logo pol\u00edtico para a reda\u00e7\u00e3o de uma nova Constitui\u00e7\u00e3o birmanesa, decidida esta semana pela ditadura, foi muito oportuna, pois demonstra que estavam no caminho certo ao n\u00e3o cederem diante dos birmaneses. &quot;O cessar-fogo n\u00e3o conduziu a acordos de paz nem a uma reforma fundamental da estrutura pol\u00edtica ou do desenvolvimento econ\u00f4mico nas \u00e1reas de onde procedem as 17 organiza\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas que o assinaram&quot;, disse Debbie Stothard, da n\u00e3o-governamental Red Alternativa de Asean, que defende os direitos humanos no sudeste asi\u00e1tico. &quot;O Conselho ganhou mais controle \u00e0s custas dos grupos rebeldes&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Supunha-se que a Conven\u00e7\u00e3o Nacional para elaborar a nova Constitui\u00e7\u00e3o cuidasse do assunto, mas esta inst\u00e2ncia n\u00e3o foi prop\u00edcia para que as organiza\u00e7\u00f5es signat\u00e1rias do cessar-fogo expusessem suas demandas. As propostas foram rejeitadas, lembrou Stothard. &quot;E o que \u00e9 pior \u00e9 que as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos por parte do ex\u00e9rcito birman\u00eas n\u00e3o acabaram nas \u00e1reas do cessar-fogo&quot;, acrescentou a ativista. Entre as sete demandas destas comunidades na sess\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o Nacional em fevereiro e mar\u00e7o de 2005 figurava a cria\u00e7\u00e3o de uma estrutura pol\u00edtica federal, com constitui\u00e7\u00f5es, corpos legislativos e referendos separados para obter a aprova\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>A batalha que as comunidades \u00e9tnicas birmanesas travam contra a ditadura costuma ficar fora de foco na imprensa internacional diante da luta que a Liga Nacional para a Democracia, liderada pela pr\u00eamio Nobel da Paz e presa pol\u00edtica, Aung San Suu Kyi. Os generais n\u00e3o discriminam: transgridem os direitos humanos tanto de opositores pol\u00edticos quanto de dirigentes das comunidades \u00e9tnicas, onde s\u00e3o freq\u00fcentes as viola\u00e7\u00f5es, os trabalhos for\u00e7ados e os ataques indiscriminados, segundo ativistas. A ditadura nega as acusa\u00e7\u00f5es e adverte que, desde sua instaura\u00e7\u00e3o com o golpe de Estado de 1962, manteve unido este pa\u00eds do sudeste da \u00c1sia.<\/p>\n<p>A Birm\u00e2nia tem aproximadamente 130 comunidades \u00e9tnicas. Entre elas, as maiores s\u00e3o as chin, kachin, Karen, karenni, mon, rakhine e shan, que povoam principalmente as regi\u00f5es lim\u00edtrofes do pa\u00eds. Na noite em que a Birm\u00e2nia ficou independente dos brit\u00e2nicos, em 1948, foi alcan\u00e7ado um acordo que assegurava a igualdade entre todos os grupos \u00e9tnicos e a maioria birmanesa. Por\u00e9m, as promessas desse documento, o Panglogng Accord, nunca foram implementadas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 06\/02\/2006 &ndash; Os rebeldes armados da comunidade \u00e9tnica Karen renovaram, ao completar 57 anos de sua luta pela autonomia, o compromisso de n\u00e3o se render diante da ditadura militar da Birm\u00e2nia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/02\/mundo\/birmania-insurgencia-karen-nao-larga-as-armas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-1455","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1455"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1455\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}