{"id":1464,"date":"2006-02-07T00:00:00","date_gmt":"2006-02-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1464"},"modified":"2006-02-07T00:00:00","modified_gmt":"2006-02-07T00:00:00","slug":"jornalismo-al-jazeera-sucesso-apesar-da-pressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/02\/mundo\/jornalismo-al-jazeera-sucesso-apesar-da-pressao\/","title":{"rendered":"Jornalismo: Al Jazeera, sucesso, apesar da press\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Doha, 07\/02\/2006 &ndash; A emissora de TV Al Jazeera sofreu bombardeios da avia\u00e7\u00e3o norte-americana no Afeganist\u00e3o e no Iraque e est\u00e1 proibida de informar desde quatro pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. Por\u00e9m, esta rede via sat\u00e9lite do Qatar, longe de encolher, n\u00e3o mais do que crescer em popularidade. <!--more--> Um caminho interessante e freq\u00fcentemente tr\u00e1gico levou a Al Jazeera ao sucesso desde que iniciou suas transmiss\u00f5es, em novembro de 1996, fundada pela coroa do Qatar, mas administrada como empresa privada. A proibi\u00e7\u00e3o de informar a partir do Iraque, Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita e Arg\u00e9lia parece ter aumentado a fervorosa lealdade de mais de 40 milh\u00f5es de espectadores.            <\/p>\n<p>O escrit\u00f3rio da Al Jazeera no Afeganist\u00e3o foi bombardeado por avi\u00f5es dos Estados Unidos em 2001. Durante a invas\u00e3o do Iraque, em 2003, tanques norte-americanos encurralaram jornalistas da emissora em um hotel da cidade de Basra. Pouco depois, sua sede em Bagd\u00e1 foi atingida por um m\u00edssil lan\u00e7ado desde um avi\u00e3o norte-americano. No ataque morreu o correspondente Tareq Ayoub. Jornalistas da emissora foram detidos por for\u00e7as dos Estados Unidos e enviados para pris\u00f5es no Iraque e em Guant\u00e2namo (Cuba). A rede tamb\u00e9m suportou ataques verbais do secret\u00e1rio de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, e de funcion\u00e1rios do governo em muitos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. &quot;Definitivamente, posso dizer que a Al Jazeera age de maneira mal intencionada, imprecisa e indesculp\u00e1vel&quot;, disse Rumsfeld no dia 15 de abril de 2004.<\/p>\n<p>A emissora havia mostrado cad\u00e1veres de mulheres e crian\u00e7as v\u00edtimas de bombas norte-americanas na cidade iraquiana de Faluja. O presidente George W. Bush acusou a TV de &quot;incendi\u00e1ria&quot; por essas mat\u00e9rias. Bush tamb\u00e9m a qualificou de &quot;porta-voz&quot; da insurg\u00eancia iraquiana e da rede terrorista Al Qaeda, liderada por Osama bin Laden, \u00e0 qual s\u00e3o atribu\u00eddos os atentados que deixaram tr\u00eas mil mortos em Nova York e Washington, em setembro de 2001. A emissora recha\u00e7a essas acusa\u00e7\u00f5es. &quot;Estamos muito preocupados pelas transmiss\u00f5es da Al Jazeera porque, uma e outra vez, encontramos informes imprecisos, falsos equivocados&quot;, disse por esses dias o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher. <\/p>\n<p>Em novembro desse mesmo ano, Bush tentou convencer o primeiro-ministro da Gr\u00e3-Bretanha, Tony Blair, a realizar um bombardeio conjunto contra o escrit\u00f3rio central da Al Jazeera em Doha, segundo atas secretas de uma reuni\u00e3o publicadas pelo jornal brit\u00e2nico Daily Mirror. &quot;Voc\u00ea pensa que deixar\u00edamos de trabalhar por causa de um memorando?&quot; Essa foi a resposta do chefe de programa\u00e7\u00e3o da emissora, Samir Khader, ao correspondente da IPS que lhe perguntara se o informe sobre o di\u00e1logo entre Bush e Blair havia afetado seu trabalho. &quot;Naturalmente, n\u00e3o podemos. Temos de fazer nosso trabalho. Se o memorando existe e Bush queria bombardear a Al Jazeera, o que poder\u00edamos fazer? Podem fazer isso, e o mundo inteiro o sabe&quot;, afirmou, em um f\u00f3rum organizado pela emissora em Doha no come\u00e7o do m\u00eas.<\/p>\n<p>Khader, que produziu um document\u00e1rio sobre a rede chamado &quot;Control Room&quot; (Sala de Controle&quot;), acrescentou: &quot;N\u00e3o \u00e9 pelo fato de estar amea\u00e7ado que um jornalista deixar\u00e1 de fazer seu trabalho&quot;. A Al Jazeera n\u00e3o recebeu nenhuma explica\u00e7\u00e3o sobre o informe, acrescentou. &quot;O porta-voz oficial do governo brit\u00e2nico disse que n\u00e3o havia nada nesse memorando que se referisse \u00e0 Al Jazeera, e Tony Blair tamb\u00e9m disse isso na C\u00e2mara dos Comuns&quot; do parlamento em Londres, explicou. &quot;Por\u00e9m, ao responder outras perguntas de cidad\u00e3os brit\u00e2nicos, o mesmo porta-voz reconheceu que esse memorando existe e que h\u00e1 uma refer\u00eancia \u00e0 emissora. Assim, existe uma contradi\u00e7\u00e3o em suas pr\u00f3prias declara\u00e7\u00f5es&quot;, ressaltou Khader. A Al Jazeera ainda espera por uma resposta dos dois governos, acrescentou.<\/p>\n<p>Esta emissora de TV via sat\u00e9lite alcan\u00e7ou destaque mundial e popularidade no mundo \u00e1rabe por suas entrevistas com bin Laden e, tamb\u00e9m, pela cobertura da ocupa\u00e7\u00e3o israelense na Palestina e pela invas\u00e3o norte-americana no Afeganist\u00e3o depois dos atentados de 2001. Ao cobrir a invas\u00e3o do Iraque em 2003, a Al Jazeera conseguiu ganhar a corrida pela informa\u00e7\u00e3o sobre muitos meios norte-americanos. A rede \u00e9 chamada de &quot;a CNN do mundo \u00e1rabe&quot;, numa refer\u00eancia \u00e0 rede de TV a cabo Cable News Networt, dos Estados Unidos. Mas os respons\u00e1veis pela Al Jazeera preferem dizer que sua influ\u00eancia maior procede da BBC de Londres.<\/p>\n<p>&quot;\u00c0s vezes s\u00f3 o que nos faz avan\u00e7ar \u00e9 o apoio de nossa audi\u00eancia&quot;, disse \u00e0 IPS o diretor da rede, Wadah Khanfar. &quot;Mas tamb\u00e9m porque realmente temos pessoas grandiosas trabalhando aqui&quot;, acrescentou. Entre elas, mencionou os jornalistas de tempo parcial e os motoristas. Khanfar disse que a Al Jazeera constr\u00f3i uma reputa\u00e7\u00e3o de sucesso em meio \u00e0 hostilidade. &quot;Existe uma cultura que criamos com nosso estilo de informar. Agora, os regimes opressivos t\u00eam mais problemas para nos deter&quot;, disse Khanfar. &quot;Se voc\u00ea, como jornalista, quer ser leal \u00e0 sua profiss\u00e3o, sabe que \u00e0s vezes ter\u00e1 dificuldade para obter a not\u00edcia, mas tem de tentar de todo modo, se existe possibilidades&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Esta atitude imp\u00f4s aos correspondentes da Al Jazeera em Faluja conseguir imagens de civis assassinados por soldados norte-americanos, que atacaram, inclusive, ambul\u00e2ncias. O general Mark Kimmitt, principal porta-voz do ex\u00e9rcito norte-americano no Iraque durante o cerco a Faluja, em abril de 2004, havia dito que &quot;as emissoras de televis\u00e3o que mostram norte-americanos matando intencionalmente mulheres e crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o fontes noticiosas leg\u00edtimas&quot;. Uma jornalista que escreve no site da Al Jazeera em ingl\u00eas, que pediu para n\u00e3o ser identificada, disse que n\u00e3o sente press\u00e3o &quot;direta&quot; do ex\u00e9rcito dos Estados Unidos ou de governos repressores do Oriente M\u00e9dio. &quot;Mas desde que sabemos que estamos sendo t\u00e3o controlados, sinto uma responsabilidade maior por fazer bem meu trabalho&quot;, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doha, 07\/02\/2006 &ndash; A emissora de TV Al Jazeera sofreu bombardeios da avia\u00e7\u00e3o norte-americana no Afeganist\u00e3o e no Iraque e est\u00e1 proibida de informar desde quatro pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. 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