{"id":1467,"date":"2006-02-08T00:00:00","date_gmt":"2006-02-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1467"},"modified":"2006-02-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-02-08T00:00:00","slug":"mexico-violencia-do-narcotrafico-contra-jornalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/02\/mundo\/mexico-violencia-do-narcotrafico-contra-jornalistas\/","title":{"rendered":"M\u00e9xico: Viol\u00eancia do narcotr\u00e1fico contra jornalistas"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 08\/02\/2006 &ndash; A zona mais perigosa da Am\u00e9rica Latina para os jornalistas \u00e9 a fronteira do M\u00e9xico com os Estados Unidos, onde os narcotraficantes os assassinam, raptam e amea\u00e7am, segundo a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). <!--more--> A viol\u00eancia contra os jornalistas foi expressa pela en\u00e9sima vez na noite de segunda-feira, quando encapuzados invadiram o jornal El Ma\u00f1ana, na cidade de Novo Laredo, dispararam mais de 30 tiros e jogaram uma granada, ferindo gravemente um jornalista. &quot;Este ataque superou qualquer limite, e \u00e9 evidente que o governo n\u00e3o pode, n\u00e3o quer ou n\u00e3o sabe como enfrentar esta onda de viol\u00eancia contra os jornalistas e a liberdade de imprensa&quot;, disse \u00e0 IPS Er\u00e9ndira Cruz, diretora do n\u00e3o-governamental Centro Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o Social.            <\/p>\n<p>Em sua edi\u00e7\u00e3o de ter\u00e7a-feira, o jornal, cujo diretor editorial foi assassinado em 2004, disse em editorial que o novo atentado foi &quot;uma p\u00e1gina a mais da viol\u00eancia que chega ao terrorismo&quot;, e afirmou &quot;que o problema do narcotr\u00e1fico supera as autoridades&quot;. O ataque contra o El Ma\u00f1ana aconteceu em meio a uma onda de assassinatos e enfrentamentos entre grupos de narcotraficantes, que j\u00e1 deixaram mais de cem mortos desde 1&ordm; de janeiro e cerca de 1.500 em todo o ano de 2005. A Federa\u00e7\u00e3o de Associa\u00e7\u00f5es de Jornalistas Mexicanos e a Federa\u00e7\u00e3o Latino-americana de Jornalistas informaram que durante a presid\u00eancia de Vicente Fox, iniciada em 2000, foram assassinados 20 profissionais. Durante o governo de Ernesto Zedillo (1994-2000), foram 19 jornalistas mortos e na administra\u00e7\u00e3o de Carlos Salinas (1988-1994) morreram 57.<\/p>\n<p>Como em ocasi\u00f5es anteriores, porta-vozes do governo Fox condenaram o \u00faltimo ataque, ofereceram apoio \u00e0s v\u00edtimas e prometeram desenvolver uma investiga\u00e7\u00e3o profunda. &quot;O que est\u00e1 claro \u00e9 que o governo n\u00e3o cuida do problema e que suas promessas n\u00e3o passam de palavras&quot;, afirmou Cruz. Nos \u00faltimos anos, o governo recebeu em v\u00e1rias ocasi\u00f5es as associa\u00e7\u00f5es de jornalistas e grupos afins e se comprometeu a garantir seu trabalho. Por\u00e9m, os atentados e as amea\u00e7as, especialmente na zona de fronteira com os Estados Unidos, n\u00e3o cessam. Segundo a SIP, que re\u00fane propriet\u00e1rios e diretores de \u00f3rg\u00e3os de imprensa da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, a zona mais perigosa para exercer o jornalismo na regi\u00e3o \u00e9 a extensa fronteira mexicana com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A maioria dos jornalistas e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o, incluindo o El Ma\u00f1ana, reconhecem que diante do medo e das amea\u00e7as optaram por se autocensurar na hora de informar sobre o narcotr\u00e1fico. Muitos fatos ocorridos na fronteira e noticiados pela m\u00eddia da capital j\u00e1 n\u00e3o aparecem nesses di\u00e1rios. Os que denunciam ter recebido amea\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o apenas jornalistas dedicados \u00e0 informa\u00e7\u00e3o policial, mas tamb\u00e9m outros que se dedicam a outras \u00e1reas. A maioria dos crimes contra jornalistas permanece impune, como quase todos os cometidos por grupos de narcotraficantes.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es internacionais como o Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o de Jornalistas e Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras alertam que exercer o jornalismo no M\u00e9xico \u00e9 hoje uma das atividades mais perigosas. Em janeiro, delegados de 40 jornais desse pa\u00eds se reuniram em Novo Laredo e decidiram trabalhar em conjunto no esclarecimento dos crimes e continuar as investiga\u00e7\u00f5es sobre narcotr\u00e1fico que eram feitas pelos jornalistas assassinados. O governo Fox comemorou a iniciativa e prometeu colaborar. As organiza\u00e7\u00f5es de jornalistas reclamam do governo federal que cuida da investiga\u00e7\u00e3o dos crimes, comumente confinadas no \u00e2mbito da pol\u00edcia dos diferentes Estados.<\/p>\n<p>O governo, reconhecido como respeitoso da liberdade de express\u00e3o, encaminho v\u00e1rios casos a promotores-gerais. Mas afirma que as leis inibem a jurisdi\u00e7\u00e3o federal na investiga\u00e7\u00e3o de crimes cometidos nos Estados. Os narcotraficantes mexicanos, que agem em coordena\u00e7\u00e3o com os da Col\u00f4mbia e de outros pa\u00edses produtores de drogas, s\u00e3o respons\u00e1veis pelo transporte de 70% da coca\u00edna consumida nos Estados Unidos, o principal mercado mundial, al\u00e9m de importantes quantidades de hero\u00edna, metanfetaminas e maconha.<\/p>\n<p>O governo e os observadores atribuem o aumento exponencial da viol\u00eancia na fronteira a uma guerra interna entre as organiza\u00e7\u00f5es narcotraficantes pelo controle das rotas de acesso aos Estados Unidos. Tal enfrentamento teria origem na deten\u00e7\u00e3o dos principais chefes das m\u00e1fias, um \u00eaxito reconhecido para a administra\u00e7\u00e3o Fox. O governo enviou centenas de soldados e policiais para as zonas de maior viol\u00eancia e anunciou estrat\u00e9gias para combater seus respons\u00e1veis, mas n\u00e3o conseguiu deter os crimes. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 08\/02\/2006 &ndash; A zona mais perigosa da Am\u00e9rica Latina para os jornalistas \u00e9 a fronteira do M\u00e9xico com os Estados Unidos, onde os narcotraficantes os assassinam, raptam e amea\u00e7am, segundo a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/02\/mundo\/mexico-violencia-do-narcotrafico-contra-jornalistas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,9,4,11],"tags":[],"class_list":["post-1467","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-globalizacao","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}