{"id":150,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=150"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"onu-africanos-erguem-sua-voz-em-apoio-a-annan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/onu-africanos-erguem-sua-voz-em-apoio-a-annan\/","title":{"rendered":"ONU: Africanos erguem sua voz em apoio a Annan"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 23\/01\/2005 &ndash; Cada vez mais vozes se levantam na &Aacute;frica em apoio ao secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan, no olho do furac&atilde;o devido &agrave;s den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o contra o programa Petr&oacute;leo por Alimentos para o Iraque. O programa, hoje inexistente, que entre 1996 e 2003 permitiu ao governo do ent&atilde;o presidente iraquiano Saddam Hussein exportar petr&oacute;leo em troca de alimentos para a popula&ccedil;&atilde;o, &eacute; centro de um esc&acirc;ndalo h&aacute; duas semanas e objeto de investiga&ccedil;&otilde;es. Uma delas, que apresentar&aacute; seu relat&oacute;rio em janeiro, est&aacute; a cargo de uma comiss&atilde;o independente nomeada pelo pr&oacute;prio Annan, encabe&ccedil;ada pelo ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, Paul Volcker.<br \/> <!--more--> <br \/> No in&iacute;cio do m&ecirc;s, as 54 na&ccedil;&otilde;es da &Aacute;frica expressaram seu apoio ao secret&aacute;rio-geral atrav&eacute;s de uma carta. Annan, cujo mandato terminar&aacute; em dezembro de 2006, tamb&eacute;m recebeu forte apoio do presidente da Fran&ccedil;a, Jacques Chirac; do chanceler alem&atilde;o, Gerhard Schroeder, e do primeiro-ministro da Gr&atilde;-Bretanha, Tony Blair. O filho de Annan, Kojo, trabalhou para a Cotecna, empresa su&iacute;&ccedil;a acusada de ter se beneficiado desse v&iacute;nculo familiar para participar do programar inspecionando a mercadoria que entrava no territ&oacute;rio iraquiano, Kojo Annan se desligou da firma antes que esta ganhasse o contrato em 1998, mas continuou recebendo sal&aacute;rio de US$ 2,3 mil mensais at&eacute; 2004.<\/p>\n<p> Um porta-voz da ONU explicou que Kojo, antes de se demitir, assinou um &quot;acordo de n&atilde;o competi&ccedil;&atilde;o&quot;, pelo qual se comprometeu a n&atilde;o trabalhar para clientes da Cotecna. Por isso, a companhia continuou lhe pagando uma &quot;compensa&ccedil;&atilde;o exigida pela lei su&iacute;&ccedil;a&quot;. Al&eacute;m disso, os defensores de Kojo dizem que seu trabalho na Cotecna nunca esteve relacionado com as opera&ccedil;&otilde;es no Iraque. &quot;N&atilde;o &eacute; corrup&ccedil;&atilde;o. Penso que se trata de uma campanha racista contra Kofi Annan, e por isso &eacute; preciso defend&ecirc;-lo. A Uni&atilde;o Africana deve velar para que Annan termine sem problemas sua administra&ccedil;&atilde;o, disse &agrave; IPS o analista internacional David Monyae, da Universidade de Witwatersrnad, na &Aacute;frica do Sul. Annan, natural de Gana, &eacute; o primeiro secret&aacute;rio-geral da ONU procedente da &Aacute;frica subsaariana.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, o esc&acirc;ndalo a respeito do programa Petr&oacute;leo por alimentos vai al&eacute;m da fam&iacute;lia Annan. Ao que parece, Saddam Hussein foi capaz de arrecadar milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares para seu pr&oacute;prio bolso subornando funcion&aacute;rios da ONU e desviando dinheiro do programa antes de ser deposto pelos Estados Unidos no ano passado. L&iacute;deres pol&iacute;ticos norte-americanos e da Europa querem que Annan reconhe&ccedil;a sua falta por n&atilde;o ter vigiado adequadamente o andamento do programa, e, inclusive, alguns, como o senador Norman Coleman, do Partido Republicano, pediram sua ren&uacute;ncia. Mas, muitos africanos acreditam que tudo n&atilde;o passa de uma conspira&ccedil;&atilde;o dos setores mais conservadores dos Estados Unidos.<\/p>\n<p> &quot;O compl&ocirc; tramado pelos direitistas norte-americanos para t irar o secret&aacute;rio-geral da ONU deve ser combatido&quot;, escreveu o jornalista Farouj Araie na edi&ccedil;&atilde;o de quarta-feira do jornal sul-africano Sowetan. &quot;Mais do que ningu&eacute;m, Annan sabe da import&acirc;ncia dos direitos humanos no trabalho da ONU. A &aacute;frica deve por-se de p&eacute; para defender Kofi Annan&quot;, acrescentou. Na semana passada, v&aacute;rias personalidades africanas assinaram uma carta condenando os pedidos de ren&uacute;ncia de Annan. A carta foi assinada por destacadas figuras da &Aacute;frica do Sul, como o ex-presidente Nelson Mandela, o arcebispo anglicano Desmond tutu, ambos ganhadores do pr&ecirc;mio Nobel da Paz, e a novelista Nadina Gordimer, Nobel de Literatura. Tamb&eacute;m assinaram a mulher de Mandela, Gra&ccedil;a Machel, e o advogado especialista em direitos humanos, George Bizos.<\/p>\n<p> &quot;Aqueles que pedem sua ren&uacute;ncia traem a objetividade que demanda o cargo de secret&aacute;rio-geral e usam a ONU como microfone para defender a justificar as pol&iacute;ticas dos Estados Unidos&quot;, diz a carta. &quot;Kofi Annan realiza um grande trabalho ao impor uma alta moral dentro da ONU, consagrando sua vida com toda energia, intelecto e profunda compreens&atilde;o humana &agrave; enorme tarefa de fazer com que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas funcionem neste mundo conflitivo&quot;, acrescenta. Monyae afirmou que parte da f&uacute;ria contra Annan se deve ao fato de ter qualificado de &quot;ilegal&quot; a invas&atilde;o do Iraque pelos Estados Unidos. &quot;Kofi Annan tamb&eacute;m teve um papel-chave durante as elei&ccedil;&otilde;es norte-americanas (em novembro). Expressou sua preocupa&ccedil;&atilde;o sobre a guerra no Iraque. Disse que era ilegal e que n&atilde;o estava de acordo com as leis internacionais&quot;, o que afetou a campanha do presidente George W. Bush, ressaltou.<\/p>\n<p> Em certos casos, n&atilde;o somente Annan, mas toda a ONU foi alvo de ataques da direita norte-americana. O grupo conservador Move America Forward, inclusive, sugeriu que Nova York deixe de ser a sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e que todos seus funcion&aacute;rios deixem o pa&iacute;s, como castigo por n&atilde;o ter apoiado a invas&atilde;o do Iraque. Essa organiza&ccedil;&atilde;o anunciou que j&aacute; conseguiu mais de 50 mil assinaturas de apoio para expulsar a ONU. Entretanto, &eacute; muito pouco prov&aacute;vel que a iniciativa desse grupo conservador prospere em Washington, que necessita de apoio internacional para seus planos de reconstru&ccedil;&atilde;o do Iraque. <\/p>\n<p> O plano Petr&oacute;leo por Alimentos, que vigorou entre 1996 e 2003 como exce&ccedil;&atilde;o ao embargo internacional contra o Iraque por sua invas&atilde;o do Kuwait em 1990, permitia ao governo iraquiano vender quantidades limitadas de petr&oacute;leo para adquirir alimentos, rem&eacute;dios e outros bens humanit&aacute;rios. O sistema era supervisionado pela ONU, em especial pelos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a (China, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia). O programa manejava entre US$ 7 bilh&otilde;es e US$ 10 bilh&otilde;es anuais, mas em novembro esse dinheiro passou para os cofres da hoje extinta Autoridade Provis&oacute;ria da Coaliz&atilde;o encabe&ccedil;ada por Paul Bremer, o administrador civil norte-americano no Iraque.<\/p>\n<p> Os acusadores questionam que o deposto presidente Saddam Hussein transferiu ilegalmente para seu bolso mais de US$ 21 bilh&otilde;es gra&ccedil;as ao programa. Os quase 36 mil contratos correspondentes ao esquema foram aprovados pelo comit&ecirc; do Conselho, dominado por Estados Unidos e Gr&atilde;-Bretanha, n&atilde;o pela Secretaria Geral encabe&ccedil;ada pro Annan. &quot;N&atilde;o houve nenhuma obje&ccedil;&atilde;o &agrave; fraude da fixa&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os, embora funcion&aacute;rios da ONU chamassem a aten&ccedil;&atilde;o do comit&ecirc; pelos menos em 70 oportunidades&quot;, segundo o jornal brit&acirc;nico Financial Times. O jornal tamb&eacute;m afirmou que a opera&ccedil;&atilde;o de &quot;linchamento&quot; preparada contra Annan, na verdade, n&atilde;o est&aacute; dirigida contra ele, mas tem o objetivo de &quot;destruir a ONU como institui&ccedil;&atilde;o&quot;. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 23\/01\/2005 &ndash; Cada vez mais vozes se levantam na &Aacute;frica em apoio ao secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan, no olho do furac&atilde;o devido &agrave;s den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o contra o programa Petr&oacute;leo por Alimentos para o Iraque. O programa, hoje inexistente, que entre 1996 e 2003 permitiu ao governo do ent&atilde;o presidente iraquiano Saddam Hussein exportar petr&oacute;leo em troca de alimentos para a popula&ccedil;&atilde;o, &eacute; centro de um esc&acirc;ndalo h&aacute; duas semanas e objeto de investiga&ccedil;&otilde;es. Uma delas, que apresentar&aacute; seu relat&oacute;rio em janeiro, est&aacute; a cargo de uma comiss&atilde;o independente nomeada pelo pr&oacute;prio Annan, encabe&ccedil;ada pelo ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, Paul Volcker.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/onu-africanos-erguem-sua-voz-em-apoio-a-annan\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":150,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-150","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}