{"id":1505,"date":"2006-02-20T00:00:00","date_gmt":"2006-02-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1505"},"modified":"2006-02-20T00:00:00","modified_gmt":"2006-02-20T00:00:00","slug":"populacao-portugal-lei-amplia-nacionalizacao-de-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/02\/mundo\/populacao-portugal-lei-amplia-nacionalizacao-de-imigrantes\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o-Portugal: Lei amplia nacionaliza\u00e7\u00e3o de imigrantes"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 20\/02\/2006 &ndash; Uma lei que permite a nacionaliza\u00e7\u00e3o de imigrantes de terceira gera\u00e7\u00e3o, aprovada na \u00faltima quinta-feira pelo parlamento de Portugal, \u00e9 um passo-chave contra a exclus\u00e3o de muitos dos quase 600 mil residentes estrangeiros neste pa\u00eds, afirmam todos os setores pol\u00edticos e organiza\u00e7\u00f5es civis. <!--more--> A legisla\u00e7\u00e3o preparada pelo governo do primeiro-ministro socialista, Jos\u00e9 S\u00f3crates, e aprovada por ampla maioria dos 230 deputados, permitir\u00e1, sem maiores tr\u00e2mites, a nacionaliza\u00e7\u00e3o de imigrantes de terceira gera\u00e7\u00e3o quando contarem com pai nascido no pa\u00eds, ou de segunda gera\u00e7\u00e3o sem ancestrais portugueses, mas com pelo menos cinco anos de resid\u00eancia.            <\/p>\n<p>O Partido Socialista e os opositores Partido Social-Democrata (conservador, apesar do nome) e Partido Comunista votaram a favor, enquanto se abstiveram os ex-trotkistas do Bloco de Esquerda e do Centro Democr\u00e1tico Social, de direita nacionalistas, por raz\u00f5es opostas, ao propor o primeiro uma maior flexibilidade e o segundo mais restri\u00e7\u00f5es. A lei, anunciada por S\u00f3crates no dia 7 de julho de 2005, concede a nacionalidade a crian\u00e7as nascidas em Portugal filhas de pais estrangeiros e que, apesar de n\u00e3o ter conhecido outro pa\u00eds, n\u00e3o falar outra l\u00edngua a n\u00e3o ser o portugu\u00eas e ter estudado em escolas de Portugal, tinham a cidadania negada.<\/p>\n<p>O regime vigente at\u00e9 agora n\u00e3o considerava o lugar de nascimento, mas apenas a origem dos pais, e estabelecia certas vantagens para os imigrantes procedentes de ex-col\u00f4nias portuguesas. A obten\u00e7\u00e3o da nacionalidade exigia seis anos de resid\u00eancia legal no pa\u00eds para os cidad\u00e3os procedentes do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Timor Leste, bem como para os nascidos durante a administra\u00e7\u00e3o lusa (at\u00e9 1961) dos territ\u00f3rios indianos de Goa, Diu e Dam\u00e3o e do enclave de Macau, que passou para as m\u00e3os da China em 1999. Para os demais estrangeiros era exigida uma perman\u00eancia legal de 10 anos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A nova lei acaba com essas diferen\u00e7as, e agora qualquer imigrante pode pedir a nacionalidade ap\u00f3s seis anos de resid\u00eancia, o que \u00e9 considerado um ato de justi\u00e7a, especialmente para os mais de cem mil trabalhadores ucranianos, a segunda comunidade estrangeira depois dos brasileiros, estimados em 120 mil, n\u00fameros muito altos em propor\u00e7\u00e3o aos 10,2 milh\u00f5es de portugueses. No tocante aos emigrantes, a lei concede &quot;cidadania aos nascidos nos exterior com pelo menos um ascendente de segundo grau de linha direta de nacionalidade portuguesa e que n\u00e3o tenham perdido essa nacionalidade&quot;, um antigo desejo das comunidades portuguesas no resto do mundo.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, s\u00f3 podiam adquirir a nacionalidade os filhos dos emigrantes. Ao contemplar tamb\u00e9m a terceira gera\u00e7\u00e3o, a lei favorecer\u00e1 mais do que ningu\u00e9m os netos da vasta comunidade de portugueses que vivem no Brasil e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, especialmente Venezuela e Argentina, onde a emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 mais antiga. S\u00f3crates qualificou essas mudan\u00e7as como &quot;um passo civilizado para uma maior inclus\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o, no sentido de reconhecer que h\u00e1 pessoas, filhas de imigrantes, que t\u00eam direito \u00e0 nacionalidade. A mudan\u00e7a do crit\u00e9rio de sangue para o de territ\u00f3rio \u00e9 um passo que deve ser destacado, pois responde \u00e0s necessidades do pa\u00eds&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 imprensa, o ministro da Presid\u00eancia do Conselho (secret\u00e1rio-geral de governo), Pedro Silva Pereira, explicou que a nova lei leva em conta &quot;pessoas bem integradas na sociedade, nascidas em territ\u00f3rio nacional e que, por raz\u00f5es injustific\u00e1veis, eram impedidas de ter a nacionalidade portuguesa&quot;. O governo &quot;adotou uma atitude prudente&quot; ao limitar esse acesso somente aos imigrantes de segunda gera\u00e7\u00e3o que tenham um dos pais devidamente documentado durante cinco anos em Portugal, porque &quot;a lei n\u00e3o pode ser uma ajuda para a imigra\u00e7\u00e3o ilegal&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Anabela Rodrigues, advogada portuguesa natural de Cabo Verde e que preside a associa\u00e7\u00e3o Cultural Moinho da Juventude, lamentou que n\u00e3o tenham sido contempladas as pessoas que imigraram para Portugal com 2 ou 3 anos e cujos pais sempre se mantiveram como imigrantes irregulares. Mas a jurista se mostrou satisfeita com o prazo de seis anos para a concess\u00e3o da cidadania, &quot;acabando com a discrimina\u00e7\u00e3o entre imigrantes&quot;, assim como a elimina\u00e7\u00e3o do &quot;fator dinheiro&quot;, pois j\u00e1 n\u00e3o exigir\u00e1 do interessado que garanta seus meios de subsist\u00eancia, pondo fim \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o dos estrangeiros pobres. O alto comiss\u00e1rio para a Imigra\u00e7\u00e3o e as Minorias \u00c9tnicas, Rui Marques, disse que algumas das limita\u00e7\u00f5es da lei s\u00e3o &quot;o pre\u00e7o a pagar pelo consenso&quot;, porque &quot;\u00e9 melhor esta lei que \u00e9 mais progressista, mas com menos apoio social&quot;.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, \u00e9 &quot;um exemplo excelente de busca de um consenso amplo em pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o&quot;, assunto que causou fraturas em outros pa\u00edses europeus. &quot;A nova legisla\u00e7\u00e3o vai t\u00e3o longe quanto considero razo\u00e1vel&quot;, afirmou o comiss\u00e1rio. Marques, partid\u00e1rio da integra\u00e7\u00e3o de filhas e filhos de imigrantes, afirma que promover &quot;a exclus\u00e3o social sempre resulta em explos\u00e3o, que \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo, e por isso \u00e9 importante que uma sociedade saiba ser aberta a todos&quot;. Os deputados comunistas negociaram antecipadamente com os socialistas seu apoio \u00e0 lei e conseguiram introduzir no projeto a equival\u00eancia da uni\u00e3o de fato com a do matrim\u00f4nio, uma de suas principais reivindica\u00e7\u00f5es a favor dos imigrantes, muitos dos quais vivem em casais n\u00e3o-casados no papel. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 20\/02\/2006 &ndash; Uma lei que permite a nacionaliza\u00e7\u00e3o de imigrantes de terceira gera\u00e7\u00e3o, aprovada na \u00faltima quinta-feira pelo parlamento de Portugal, \u00e9 um passo-chave contra a exclus\u00e3o de muitos dos quase 600 mil residentes estrangeiros neste pa\u00eds, afirmam todos os setores pol\u00edticos e organiza\u00e7\u00f5es civis. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/02\/mundo\/populacao-portugal-lei-amplia-nacionalizacao-de-imigrantes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,9,4],"tags":[],"class_list":["post-1505","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-globalizacao","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1505"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1505\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}