{"id":1522,"date":"2006-02-24T00:00:00","date_gmt":"2006-02-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1522"},"modified":"2006-02-24T00:00:00","modified_gmt":"2006-02-24T00:00:00","slug":"jornalismo-rumsfeld-declara-outra-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/02\/mundo\/jornalismo-rumsfeld-declara-outra-guerra\/","title":{"rendered":"Jornalismo: Rumsfeld declara outra guerra"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 24\/02\/2006 &ndash; O secret\u00e1rio de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, anunciou uma campanha para influenciar a cobertura jornal\u00edstica internacional sobre as a\u00e7\u00f5es de seu pa\u00eds, o que, sem d\u00favida, desencadear\u00e1 um novo debate sobre a liberdade de imprensa. O governo de George W. Bush prepara uma cruzada para divulgar e defender as posi\u00e7\u00f5es de Washington, em especial a &quot;guerra contra o terrorismo&quot;, disse Rumsfeld perante o Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica conservadora com sede em Nova York. O secret\u00e1rio mencionou, como antecedentes e modelo, duas iniciativas da Ag\u00eancia de Informa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos na \u00e9poca da Guerra Fria: a R\u00e1dio Europa Livre e a R\u00e1dio Liberdade. <!--more--> \u00c9 prov\u00e1vel que a campanha, como ocorreu com esfor\u00e7os semelhantes nos \u00faltimos cinco anos, se projete em duas \u00e1reas principais: os meios de comunica\u00e7\u00e3o norte-americanos e os do mundo isl\u00e2mico, nos quais Washington deseja exercer uma influ\u00eancia estrat\u00e9gica. Rumsfeld disse, na ter\u00e7a-feira, que o Pent\u00e1gono est\u00e1 &quot;revisando&quot; sua pr\u00e1tica de pagar a transmiss\u00e3o de not\u00edcias favor\u00e1veis sobre o Iraque na imprensa dos Estados Unidos. Essas declara\u00e7\u00f5es contradizem afirma\u00e7\u00f5es anteriores sobre a suspens\u00e3o do pol\u00eamico plano de propaganda. A nova campanha se soma a uma longa lista de decis\u00f5es do governo questionadas por ativistas dos direitos humanos, como a escuta &#8211; sem autoriza\u00e7\u00e3o &#8211; de comunica\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os, a inspe\u00e7\u00e3o de registros bibliotec\u00e1rios e a compila\u00e7\u00e3o de bases de dados sobre pessoas que discordam das pol\u00edticas do governo.<\/p>\n<p>Estas medidas &#8211; afirmam &#8211; est\u00e3o levando o pa\u00eds por um caminho autorit\u00e1rio, paradoxalmente n\u00e3o muito diferente dos regimes do Oriente M\u00e9dio que combate. Al\u00e9m disso, afirmam que os principais meios de comunica\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos j\u00e1 tendem a fazer uma interpreta\u00e7\u00e3o conservadora dos fatos, com pouca aten\u00e7\u00e3o para os pontos de vista que a contradizem. As vozes conservadoras predominaram notoriamente sobre as liberais nos programas jornal\u00edsticos dominicais dos \u00faltimos nove anos, segundo um estudo divulgado este m\u00eas pelo centro independente de pesquisa sobre jornalismo Media Matters for Am\u00e9rica (A imprensa importa para os Estados Unidos).<\/p>\n<p>O estudo analisa o conte\u00fado de programas como &quot;Meet the Press&quot;, da rede NBC, &quot;Face the Nation&quot;, da CBS, e &quot;This Week&quot;, da ABC, considerados por muitos o pin\u00e1culo do bom jornalismo na televis\u00e3o. Os pesquisadores classificaram cada um dos cerca de sete mil convidados, que apareceram entre 1997 e 2005, como membros do governante Partido Republicano, do opositor Partido Democrata, conservadores, progressistas e neutros. A pesquisa concluiu que aos convidados cr\u00edticos do governo Bush foi dado apenas o espa\u00e7o necess\u00e1rio para manter certa imagem de imparcialidade e precis\u00e3o. A maioria dos legisladores contr\u00e1rios \u00e0 guerra no Iraque, por exemplo, esteve ausente dos programas dominicais, sobretudo nas v\u00e9speras da invas\u00e3o, lan\u00e7ada em maio de 2003.<\/p>\n<p>&quot;Se o dom\u00ednio conservador neste importante campo da forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o p\u00fablica continuar como nos \u00faltimos nove anos, pode haver graves conseq\u00fc\u00eancias para os futuros debates e elei\u00e7\u00f5es&quot;, afirmou o presidente do Media Matters for Am\u00e9rica, David Brock. &quot;Este estudo deveria servir como um alerta para todos os que pensam que v\u00eaem um discurso equilibrado aos domingos pela manh\u00e3, e para os respons\u00e1veis por esta programa\u00e7\u00e3o pouco equ\u00e2nime&quot;, acrescentou. O plano de Rumsfeld seguramente fortaleceria este tipo de cobertura. Em seu discurso, o secret\u00e1rio usou terminologia de guerra para se referir \u00e0 imprensa. &quot;Algumas das batalhas mais cr\u00edticas n\u00e3o acontecem nas montanhas do Afeganist\u00e3o nem nas ruas do Iraque, mas nas salas de imprensa, em lugares como Nova York, Londres, Cairo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Para Jim Naureckas, editor da revista Extra!, do grupo independente Fairness and Accurancy in Reporting (Justi\u00e7a e Precis\u00e3o ao Informar), o governo Bush considera que &quot;mutilar a informa\u00e7\u00e3o que chega ao p\u00fablico \u00e9 parte de sua estrat\u00e9gia de guerra. Creio que \u00e9 muito perigoso os militares fazerem esse trabalho em uma democracia. Quando as pessoas falam da &#039;frente interna&#039;, n\u00e3o se d\u00e3o conta das sinistras implica\u00e7\u00f5es decorrentes. O p\u00fablico \u00e9 visto como outra frente com a qual os militares devem lutar&quot;, acrescentou. Rumsfeld anunciou sua inten\u00e7\u00e3o de integrar mais a imprensa na &quot;guerra contra o terrorismo&quot;, inclusive capacitando pessoal militar nas diversas t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o. O secret\u00e1rio disse que contratar\u00e1 especialistas em jornalismo do setor privado.<\/p>\n<p>Por sua vez, o Departamento de Estado tamb\u00e9m redobra seus esfor\u00e7os em propaganda. Na semana passada, a secret\u00e1ria de Estado, Condoleezza Rice, pediu US$ 74 milh\u00f5es para ampliar suas campanhas de transmiss\u00e3o de televis\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o de sites na Internet e interc\u00e2mbio de estudantes no Ir\u00e3, destinadas a desestabilizar o governo do presidente Mahmud Ahmedinejad. Para o Pent\u00e1gono, &quot;divulgar informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem o prop\u00f3sito de alcan\u00e7ar objetivos militares. N\u00e3o \u00e9 em honra \u00e0 verdade. Uma vez que se come\u00e7a a olhar os fatos desta maneira, a diferen\u00e7a entre uma declara\u00e7\u00e3o verdadeira e uma falsa \u00e9 muito pequena&quot;, disse Naureckas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 24\/02\/2006 &ndash; O secret\u00e1rio de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, anunciou uma campanha para influenciar a cobertura jornal\u00edstica internacional sobre as a\u00e7\u00f5es de seu pa\u00eds, o que, sem d\u00favida, desencadear\u00e1 um novo debate sobre a liberdade de imprensa. O governo de George W. Bush prepara uma cruzada para divulgar e defender as posi\u00e7\u00f5es de Washington, em especial a &quot;guerra contra o terrorismo&quot;, disse Rumsfeld perante o Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica conservadora com sede em Nova York. 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