{"id":153,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=153"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"clima-esforo-conjunto-para-atrair-washington","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/clima-esforo-conjunto-para-atrair-washington\/","title":{"rendered":"Clima: Esfor&ccedil;o conjunto para atrair Washington"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/01\/2005 &ndash; Em um esfor&ccedil;o diplom&aacute;tico contra o rel&oacute;gio, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia (UE), Canad&aacute;, Austr&aacute;lia e quase todo o mundo em desenvolvimento estenderam pontes, na quinta-feira, em Buenos Aires, para que os Estados Unidos aceitem voltar ao debate sobre a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa. Na v&eacute;spera do encerramento da X Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (COP-10), na capital argentina, os delegados tentavam fazer com que Washington apoiasse a iniciativa do pa&iacute;s anfitri&atilde;o para realizar em 2005 um semin&aacute;rio dedicado a analisar como avan&ccedil;ar na redu&ccedil;&atilde;o do aquecimento global, atribu&iacute;do &agrave; excessiva emiss&atilde;o desses gases.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;N&atilde;o seria uma reuni&atilde;o negociadora, mas de troca de id&eacute;ias&quot;, explicou o argentino Ra&uacute;l Estrada Oyuela, chefe da delega&ccedil;&atilde;o de seu pa&iacute;s e mentor da proposta. Para ele, seria uma maneira de analisar o principal problema com vistas ao futuro: como fazer para que retorne &agrave; mesa um ator-chave do processo. Os Estados Unidos s&atilde;o o principal emissor de gases que causam o efeito estufa, que ret&ecirc;m calor na atmosfera, com mais de 25% das emiss&otilde;es globais brutas. Em 2001, Washington retirou sua assinatura do Protocolo de Kyoto, estabelecido em 1997 e que compromete os pa&iacute;ses industrializados a reduzirem suas emiss&otilde;es entre 2008 e 2012.<\/p>\n<p> Entretanto, como pa&iacute;s-parte da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, os Estados Unidos ainda participam ativamente desse debate internacional, e quase todas as na&ccedil;&otilde;es querem que integre o chamado &quot;segundo per&iacute;odo de compromissos&quot;, marcado para come&ccedil;ar em 2012. esses compromissos, que em fun&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia acumulada podem modificar os assumidos em Kyoto, deveriam come&ccedil;ar a ser discutidos oficialmente em 2005. mas, passaram de tema informal a quest&atilde;o dominante na COP-10. em conversa com a IPS, Michale Zammit Cutajar, secret&aacute;rio-executivo da conven&ccedil;&atilde;o de 1991 a 1992, explicou que muitas na&ccedil;&otilde;es querem &quot;um semin&aacute;rio que olhe para o futuro&quot;, e garantiu que os Estados Unidos s&atilde;o o &uacute;nico pa&iacute;s industrializado que coloca obst&aacute;culos &quot;ao progresso da discuss&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> Segundo os negociadores, Washington argumenta que &quot;n&atilde;o h&aacute; pressa&quot; para se debater sobre como avan&ccedil;ar para reduzir a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, e recomenda esperar para ver os resultados do primeiro per&iacute;odo de compromissos, estabelecidos na Conven&ccedil;&atilde;o e no Protocolo de Kyoto. Zammit, candidato a coordenar os semin&aacute;rios se a iniciativa for aprovada, explicou que, embora n&atilde;o se possa negar o car&aacute;ter pol&iacute;tico da eventual reuni&atilde;o, o importante &eacute; n&atilde;o limitar o futuro &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o do debate. O funcion&aacute;rio considerou que, apesar do &quot;bloqueio&quot; em rela&ccedil;&atilde;o ao Protocolo por parte do governo norte-americano, existe a expectativa de avan&ccedil;ar com Estados orientais dos EUA, que possuem ind&uacute;strias fortes interessadas em participar dos mecanismos do mercado de carv&atilde;o previstos no acordo de Kyoto.<\/p>\n<p> &quot;Penso que n&atilde;o teria sentido seguir adiante com esta id&eacute;ia do semin&aacute;rio sem um dos pa&iacute;ses mais importantes&quot;, admitiu Zammit. O funcion&aacute;rio, que atualmente &eacute; delegado por Malta, considerou que, de todo modo, poderia haver reuni&otilde;es informais da UE e dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, mas j&aacute; n&atilde;o no contexto institucional da Conven&ccedil;&atilde;o. A iniciativa argentina tamb&eacute;m &eacute; freada por integrantes da Organiza&ccedil;&atilde;o de Pa&iacute;ses Exportadores de Petr&oacute;leo (OPEP), especialmente Ar&aacute;bia Saudita e Kuwait, por preverem que a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases que causam o efeito estufa, entre eles o di&oacute;xido de carbono liberado na queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, afetar&aacute; suas economias. Dos 11 membros da organiza&ccedil;&atilde;o, apenas a Nig&eacute;ria ratificou o Protocolo de Kyoto.<\/p>\n<p> &quot;Efetivamente, se o mundo consumir menos combust&iacute;veis f&oacute;sseis eles (os membros da OPEP) receber&atilde;o um impacto, mas t&ecirc;m uma t&aacute;tica muito negativa de romper todo o movimento para frente e, ent&atilde;o, geram grande antipatia&quot; entre os delegados, disse Zammit. Os demais pa&iacute;ses em desenvolvimento ap&oacute;iam a id&eacute;ia de abrir a discuss&atilde;o atrav&eacute;s de um semin&aacute;rio, inclusive os maiores, como Brasil, China ou M&eacute;xico. Deste grupo, a &Iacute;ndia &eacute; o &uacute;nico que resiste a esse debate, temendo que o novo per&iacute;odo de compromissos lhe imponha restri&ccedil;&otilde;es. O Protocolo de Kyoto apenas estabelece compromissos para os pa&iacute;ses industrializados, que devem cumprir at&eacute; 2012 a meta de baixar em 5,2% suas emiss&otilde;es de gases que causam o efeito estufa com rela&ccedil;&atilde;o aos n&iacute;veis registrados em 1990.<\/p>\n<p> Muitos acreditam que no mundo em desenvolvimento existem pa&iacute;ses que tamb&eacute;m poderiam se comprometer com a redu&ccedil;&atilde;o, sob o princ&iacute;pio da Conven&ccedil;&atilde;o que fixa &quot;responsabilidades comuns, mas diferenciadas&quot; diante da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Zammit afirmou que o Protocolo de Kyoto fixa limites &agrave;s redu&ccedil;&otilde;es porque foi pensado para pa&iacute;ses industrializados e n&atilde;o para na&ccedil;&otilde;es como o Brasil ou a China, que precisam crescer economicamente, embora isso signifique aumento de suas emiss&otilde;es. A eventual forma destas incorpora&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m ser&atilde;o discutidas no semin&aacute;rio. &quot;Temos de ver como esses pa&iacute;ses em desenvolvimento continuam crescendo, mas de forma mais eficiente, menos dependente das tecnologias intensivas no uso de combust&iacute;veis f&oacute;sseis&quot;, mencionou o funcion&aacute;rio.<\/p>\n<p> Grande parte das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais coincidem quanto &agrave; necessidade de atrair novamente os Estados Unidos para o debate e de comprometer os maiores pa&iacute;ses em desenvolvimento. Roque Pedace, da Federa&ccedil;&atilde;o Internacional Amigos da Terra disse &agrave; IPS que &quot;a maioria das ONGs acredita que os grandes pa&iacute;ses em desenvolvimento deveriam assumir algum tipo de compromisso de redu&ccedil;&atilde;o&quot;, mas alertou que isto ser&aacute; muito custos para eles e que ser&aacute; necess&aacute;rio transferir recursos. Pedace recordou que a transfer&ecirc;ncia de tecnologia se faz por mecanismos de mercado e isso significa que o Estado deve pagar direitos de propriedade intelectual.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m existe o problema da capacidade de desenvolvimento do pa&iacute;s receptor para impulsionar uma ind&uacute;stria pr&oacute;pria e adaptada &agrave;s suas necessidades. Se chegarmos a 2008, quando se prev&ecirc; o in&iacute;cio do cumprimento dos compromissos do Protocolo de Kyoto, sem que esteja definido o que ocorrer depois, diminuir&aacute; o interesse dos investidores em adotar medidas de longo prazo, porque a seguran&ccedil;a ser&aacute; menor, destacou Pedace. A seu ver, a discuss&atilde;o sobre o futuro &quot;&eacute; central&quot; e &quot;urgente&quot;, embora os prazos possam parecer distantes. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/01\/2005 &ndash; Em um esfor&ccedil;o diplom&aacute;tico contra o rel&oacute;gio, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia (UE), Canad&aacute;, Austr&aacute;lia e quase todo o mundo em desenvolvimento estenderam pontes, na quinta-feira, em Buenos Aires, para que os Estados Unidos aceitem voltar ao debate sobre a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa. Na v&eacute;spera do encerramento da X Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (COP-10), na capital argentina, os delegados tentavam fazer com que Washington apoiasse a iniciativa do pa&iacute;s anfitri&atilde;o para realizar em 2005 um semin&aacute;rio dedicado a analisar como avan&ccedil;ar na redu&ccedil;&atilde;o do aquecimento global, atribu&iacute;do &agrave; excessiva emiss&atilde;o desses gases.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/clima-esforo-conjunto-para-atrair-washington\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-153","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}