{"id":1532,"date":"2006-03-01T00:00:00","date_gmt":"2006-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1532"},"modified":"2006-03-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-03-01T00:00:00","slug":"clima-existe-vida-depois-de-kyoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/03\/mundo\/clima-existe-vida-depois-de-kyoto\/","title":{"rendered":"Clima: Existe vida depois de Kyoto"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 01\/03\/2006 &ndash; Uma rede de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, multilaterais e jornal\u00edsticas convocaram um di\u00e1logo entre parlamentares, empres\u00e1rios e ativistas para se chegar a um acordo sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica para entrar em vigor em 2012, quando expirar o Protocolo de Kyoto. N\u00e3o parece muito cedo para iniciar tal delibera\u00e7\u00e3o. O Protocolo origina grandes d\u00favidas mesmo faltando tr\u00eas anos para come\u00e7ar seu primeiro per\u00edodo de implementa\u00e7\u00e3o, entre 2008 e 2012. O tratado assinado na cidade japonesa de Kyoto em dezembro de 1997 obriga os pa\u00edses industrializados a reduzirem nesses cinco anos suas emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa 5,2% em rela\u00e7\u00e3o a 1990. A maioria dos cientistas atribui o acelerado aquecimento do planeta a esses gases. <!--more--> Mas o pa\u00eds que libera a maior quantidade de tais gases do planeta &#8211; a quarta parte do total &#8211; os Estados Unidos, em 2001 retiraram sua assinatura do documento, o qual, por outro lado, n\u00e3o obriga a nenhuma redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es por parte de pa\u00edses em fases de industrializa\u00e7\u00e3o, como Brasil, China, \u00cdndia e M\u00e9xico. Na reuni\u00e3o do Grupo dos Oito pa\u00edses mais poderosos do mundo em julho passado, o anfitri\u00e3o e primeiro-ministro da Gr\u00e3-Bretanha, Tony Blair, disse que o acordo de Kyoto tem escasso significado se os pa\u00edses deixados como exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o se comprometem a reduzir suas emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo anunciado na \u00faltima sexta-feira, em Londres, tem a inten\u00e7\u00e3o de reduzir, com vistas a 2012, as diferen\u00e7as que afloraram entre os sete pa\u00edses do G8 signat\u00e1rios do Protocolo de Kyoto e as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento por causa das declara\u00e7\u00f5es de Blair. A rodada de di\u00e1logos de tr\u00eas anos foi lan\u00e7ada pela COM+ &#8211; como \u00e9 conhecida a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel -, rede de m\u00eddia comprometida com a informa\u00e7\u00e3o sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado (Globe) &#8211; rede de parlamentares de todo o mundo.<\/p>\n<p>Entre os integrantes da COM+ figuram o Trust Service Mundial da BBC, Banco Mundial, Funda\u00e7\u00e3o Reuters, Uni\u00e3o Mundial para a Natureza (IUCN) e a Inter Press Service (IPS). O di\u00e1logo reunir\u00e1 legisladores dos pa\u00edses do G8 e do Brasil, M\u00e9xico, \u00cdndia, China, \u00c1frica do Sul, Espanha e Austr\u00e1lia, bem como empres\u00e1rios e dirigentes da sociedade civil &quot;para gerar um entendimento dos cen\u00e1rios para al\u00e9m de Kyoto e para discutir um acordo sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica rumo a 2012&quot;. V\u00e1rios legisladores norte-americanos se mostram dispostos a unirem-se ao processo. &quot;Houve um consider\u00e1vel interesse nos Estados Unidos e v\u00e1rios legisladores se unir\u00e3o a n\u00f3s em uma reuni\u00e3o em Washington&quot;, disse a parlamentar brit\u00e2nica Joan Ruddock.<\/p>\n<p>A maioria dos cientistas concorda que o aquecimento do planeta obedece a atividades humanas, sobretudo a gases como o di\u00f3xido de carbono e o metano, liberados pela queima de petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o em processos industriais, de transporte e calefa\u00e7\u00e3o. O Protocolo de Kyoto entende que os pa\u00edses industrializados, ao emitirem a maior parte desses gases, t\u00eam a principal responsabilidade para reverter o problema. A iniciativa de di\u00e1logo inclui os Estados Unidos, na\u00e7\u00e3o que se tentar\u00e1 incluir, junto com os pa\u00edses em r\u00e1pida industrializa\u00e7\u00e3o, no futuro acordo. As redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es dos pa\u00edses industrializados servir\u00e3o de pouco se as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento n\u00e3o fizerem o mesmo, disse a secret\u00e1ria brit\u00e2nica para o Meio Ambiente, Alimenta\u00e7\u00e3o e Assuntos Rurais, Margareth Beckett.<\/p>\n<p>O Norte industrializado reconhece as necessidades dos pa\u00edses em desenvolvimento tamb\u00e9m o princ\u00edpio comum de responsabilidades diferenciadas, contemplado no Protocolo de Kyoto, mas deve-se encontrar um modo de &quot;minimizar o impacto de seu crescimento na mudan\u00e7a clim\u00e1tica?, afirmou Beckett. &quot;Nos pr\u00f3ximos 20 ou 30 anos as emiss\u00f5es dos pa\u00edses em desenvolvimento exceder\u00e3o as do mundo desenvolvido&quot;, disse o vice-presidente do Banco Mundial, Ian Johnson, ao fundamentar a necessidade de novo di\u00e1logo. Algumas das op\u00e7\u00f5es em considera\u00e7\u00e3o s\u00e3o a transfer\u00eancia de tecnologia e o desenvolvimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o de equipamentos para a produ\u00e7\u00e3o de energia, afirmou Johnson. O Banco Mundial j\u00e1 financia o uso de fontes renov\u00e1veis, mas o desafio \u00e9 cada vez maior, acrescentou.<\/p>\n<p>Blair, acusado por ambientalistas de se alinhar com o presidente George W. Bush com seu discurso de julho, aplaudiu a nova iniciativa. O primeiro-ministro manteve a Gr\u00e3-Bretanha entre os signat\u00e1rios do Protocolo, mas anunciou que n\u00e3o aceitar\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o semelhante para depois de 2012. &quot;Os legisladores t\u00eam um papel-chave na conscientiza\u00e7\u00e3o, no incentivo do debate e, naturalmente, no chamado \u00e0 responsabilidade de seus governantes&quot;, afirmou Blair em uma mensagem enviada por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento da iniciativa. De todo modo, acrescentou, os pa\u00edses do G8 devem manter um papel de lideran\u00e7a em mat\u00e9ria de mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>&quot;Nossas economias e sociedades ainda s\u00e3o as maiores respons\u00e1veis pelo aumento dos gases que causam o efeito estufa. Devemos tomar decis\u00f5es urgentes para reduzir o dano que estamos causando. Tamb\u00e9m temos o poder econ\u00f4mico e a capacidade de pesquisa necess\u00e1rios para alcan\u00e7ar as solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas necess\u00e1rias&quot;, acrescentou Blair. O temor \u00e9 que o custo de tais tecnologias aumente o pre\u00e7o dos produtos industriais no mundo em desenvolvimento e que o G8 n\u00e3o d\u00ea o financiamento necess\u00e1rio para equilibrar o campo de jogo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 01\/03\/2006 &ndash; Uma rede de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, multilaterais e jornal\u00edsticas convocaram um di\u00e1logo entre parlamentares, empres\u00e1rios e ativistas para se chegar a um acordo sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica para entrar em vigor em 2012, quando expirar o Protocolo de Kyoto. N\u00e3o parece muito cedo para iniciar tal delibera\u00e7\u00e3o. O Protocolo origina grandes d\u00favidas mesmo faltando tr\u00eas anos para come\u00e7ar seu primeiro per\u00edodo de implementa\u00e7\u00e3o, entre 2008 e 2012. O tratado assinado na cidade japonesa de Kyoto em dezembro de 1997 obriga os pa\u00edses industrializados a reduzirem nesses cinco anos suas emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa 5,2% em rela\u00e7\u00e3o a 1990. 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