{"id":1550,"date":"2006-03-07T00:00:00","date_gmt":"2006-03-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1550"},"modified":"2006-03-07T00:00:00","modified_gmt":"2006-03-07T00:00:00","slug":"india-eua-acordo-nuclear-da-lugar-a-proliferacao-armamentista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/03\/mundo\/india-eua-acordo-nuclear-da-lugar-a-proliferacao-armamentista\/","title":{"rendered":"\u00cdndia-EUA: Acordo nuclear d\u00e1 lugar \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o armamentista"},"content":{"rendered":"<p>Nova D\u00e9lhi\/Washington, 07\/03\/2006 &ndash; O acordo de coopera\u00e7\u00e3o nuclear obtido pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e seu colega da \u00cdndia, Manmohan Singh, abre caminho para um cen\u00e1rio de pesadelo, alertam especialistas, pol\u00edticos e ativistas dos dois pa\u00edses. O conv\u00eanio, que ainda depende da ratifica\u00e7\u00e3o pelo Congresso norte-americano, \u00e9, segundo seus cr\u00edticos, um golpe ao atual regime internacional de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o nuclear e uma recompensa para a \u00cdndia por um comportamento que n\u00e3o difere muito daquele que Washington critica no Ir\u00e3. <!--more--> &quot;Este acordo pode complicar uma j\u00e1 dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o na \u00c1sia meridional, onde dois pa\u00edses rivais possuem armas nucleares&quot;, disse, se referindo ao Paquist\u00e3o, o dirigente do Movimento na \u00cdndia pelo Desarmamento Nuclear, N. D. Jayaprakash. &quot;O triste \u00e9 que em nada disso aparece a id\u00e9ia de que as armas nucleares n\u00e3o s\u00e3o seguras nas m\u00e3os de ningu\u00e9m. E agora, longe do debate pelo desarmamento, eleva-se o clamor de outros pa\u00edses para que tenham permiss\u00e3o de possuir armas nucleares&quot;, lamentou Jayaprakash. O Paquist\u00e3o, onde Bush esteve em sua viagem pela \u00c1sia meridional, foi o primeiro pa\u00eds a reclamar aos Estados Unidos um acordo semelhante ao assinado com sua rival \u00cdndia.<\/p>\n<p>Mas Bush descartou tal conv\u00eanio diante da imprensa, em Islamabad. &quot;Discutimos o programa civil nuclear e expliquei (ao presidente paquistan\u00eas, Pervez Musharraf) que o Paquist\u00e3o e a \u00cdndia s\u00e3o pa\u00edses diferentes, com necessidades e hist\u00f3rias diferentes&quot;, afirmou. No campo do desarmamento, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de alarme. &quot;Com este acordo, os Estados Unidos se converteram no principal disseminador de tecnologia nuclear. Pratica a prolifera\u00e7\u00e3o seletiva&quot;, disse \u00e0 IPS Anuradha Chinoy, especialista em desarmamento da Universidade Nehru, da \u00cdndia. O acordo levar\u00e1 v\u00e1rios pa\u00edses &#8211; como Ir\u00e3 e Cor\u00e9ia do Norte &#8211; ao desespero para entrar no clube dos donos de arsenais nucleares, afirmou Chinoy.<\/p>\n<p>Teer\u00e3, cujo programa de desenvolvimento nuclear poderia ser, inclusive, condenado pelo Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, j\u00e1 acusou Washington e Nova D\u00e9lhi de duplo discurso. Por sua vez, o presidente da organiza\u00e7\u00e3o ambientalista Worldwatch Institute, Christopher Flavin, considerou &quot;dif\u00edcil argumentar que Ir\u00e3 e Cor\u00e9ia do Norte deveriam ser privados de tecnologia nuclear, enquanto a \u00cdndia, que nem mesmo assinou o Tratado de N\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares, recebe essa tecnologia numa bandeja de prata&quot;.<\/p>\n<p>&quot;O acordo \u00e9 um desastre para o regime planet\u00e1rio de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o&quot; nuclear, concordou o legislador Edward Markey, que, ao que parece, encabe\u00e7ar\u00e1 as gest\u00f5es para impedir a ratifica\u00e7\u00e3o do acordo no Congresso norte-americano. O conv\u00eanio tamb\u00e9m prejudica &quot;as gest\u00f5es futuras para convencer Paquist\u00e3o, Ir\u00e3 e Cor\u00e9ia do Norte e qualquer outro pa\u00eds interessado em possuir armas nucleares de que h\u00e1 um campo de jogo nivelado e salvaguardas reais&quot;, acrescentou Markey, entrevistado em um programa de televis\u00e3o p\u00fablica dos Estados Unidos. Por outro lado, a maioria da imprensa indiana aplaudiu o acordo, considerando-o uma demonstra\u00e7\u00e3o da habilidade negociadora do governo, conseguindo manter a fabrica\u00e7\u00e3o de armas nucleares fora das inspe\u00e7\u00f5es internacionais e um melhor acesso \u00e0 tecnologia.<\/p>\n<p>A \u00cdndia negou-se a assinar o Tratado de N\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares com o argumento de que ele \u00e9 discriminat\u00f3rio. Este pa\u00eds fez seus primeiros testes em 1974, se tornando alvo de san\u00e7\u00f5es internacionais, mas se superou em 1998 quando realizou uma segunda rodada de testes de sucesso. Paradoxalmente, o acordo \u00cdndia-EUA foi objeto de elogios por parte do diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, que o descreveu como um esfor\u00e7o &quot;pontual para os esfor\u00e7os em curso com vistas a consolidar o regime de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o, combater o terrorismo nuclear e fortalecer a seguran\u00e7a&quot;. Segundo o Conv\u00eanio, Nova D\u00e9lhi pode classificar oito de seus 22 reatores nucleares como militares, o que os manter\u00e1 fora das inspe\u00e7\u00f5es da AIEA. Tamb\u00e9m poder\u00e1 decidir se os futuros reatores dever\u00e3o ser classificados como civis ou militares.<\/p>\n<p>O mais importante \u00e9 que a \u00cdndia conseguiu manter todo seu programa de reatores r\u00e1pidos na lista de instala\u00e7\u00f5es militares. Estas utilizam a fiss\u00e3o originada por n\u00eautrons r\u00e1pidos, queimam combust\u00edvel altamente concentrado ou enriquecido e podem, teoricamente, produzir mais material f\u00edssil do que consomem. E o acordo n\u00e3o inclui um teto para as compras de material f\u00edssil, inclu\u00eddo plut\u00f4nio para armas. A maioria dos observadores norte-americanos considera que a maior parte do Congresso dos Estados Unidos aprovar\u00e1 o tratado, n\u00e3o sem resist\u00eancia por parte tanto do opositor Partido Democrata quanto do governante Partido Republicano.<\/p>\n<p>Entre os que duvidam das implica\u00e7\u00f5es do acordo figuram os presidentes das Comiss\u00f5es de Assuntos Exteriores das duas c\u00e2maras do Congresso, ambos republicanos: o representante Henry Hyde e o senador Richard Lugar. O l\u00edder do Grupo do Congresso sobre a \u00cdndia, representante Gary Ackerman, advertiu que o presidente Bush dever\u00e1 envolver-se na promo\u00e7\u00e3o do acordo para conseguir a maioria. &quot;At\u00e9 agora, o presidente fez um trabalho horr\u00edvel para convencer os congressistas de que o acordo \u00e9 uma boa id\u00e9ia&quot;, afirmou. O conv\u00eanio, obtido ap\u00f3s intensas negocia\u00e7\u00f5es na primeira viagem de Bush \u00e0 \u00cdndia na semana passada, p\u00f5e fim \u00e0 morat\u00f3ria norte-americana \u00e0s vendas de combust\u00edvel e equipamento mundial \u00e0 Nova D\u00e9lhi, vigente desde que esse pa\u00eds detonou sua primeira bomba at\u00f4mica, h\u00e1 32 anos.<\/p>\n<p>Estima-se que os arsenais indianos armazenem cerca de 50 armas nucleares, e essa quantidade pode duplicar ano a ano com o plut\u00f4nio que produzir\u00e3o os reatores r\u00e1pidos. O especialista Joseph Cirincione, do Centro Carnegie para a Paz Internacional, considerou que &quot;o presidente Bush abriu a loja&quot; ao estabelecer o acordo, pois &quot;s\u00f3 o que n\u00e3o fez foi vender armas \u00e0 \u00cdndia&quot;. Os defensores do conv\u00eanio afirmam que significar\u00e1 a entrada da \u00cdndia no regime internacional de salvaguardas e que permitir\u00e1 ao pa\u00eds reduzir a depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Mas &quot;as usinas de energia nuclear n\u00e3o ser\u00e3o uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para resolver os problemas energ\u00e9ticos da \u00cdndia&quot;, advertiu o especialista Arjun Makhijani, do Instituto a Pesquisa em Energia e Meio Ambiente, com sede em Washington. Segundo Makhijani, o acordo permitiria um aumento da propor\u00e7\u00e3o de eletricidade nuclear dentro do total gerado de apenas 3% a 5%. Mas o The Wall Street Journal previu que grandes empresas norte-americanas, e n\u00e3o s\u00f3 do setor nuclear, poderiam se aproveitar do acordo. Entre elas a General Electric e a Ford.<\/p>\n<p>Esse interesse se destaca por &quot;um incomum comunicado expl\u00edcito&quot; do Departamento de Defesa norte-americano, segundo o qual o conv\u00eanio incrementaria a coopera\u00e7\u00e3o militar, inclu\u00eddas as vendas de armas, segundo o jornal The New York Times. Tamb\u00e9m foram mencionados argumentos estrat\u00e9gicos: a esperan\u00e7a de que \u00cdndia, junto com Jap\u00e3o, sirva de contrapeso \u00e0 China na \u00c1sia. Mas o acordo tamb\u00e9m contribuiria para aumentar a tens\u00e3o entre Nova D\u00e9lhi e Pequim, que, segundo Cirincione, j\u00e1 considera um acordo de coopera\u00e7\u00e3o nuclear com o Paquist\u00e3o, outro pa\u00eds com armas nucleares que desafia o regime de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D\u00e9lhi\/Washington, 07\/03\/2006 &ndash; O acordo de coopera\u00e7\u00e3o nuclear obtido pelo presidente dos Estados Unidos, George W. 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