{"id":1552,"date":"2006-03-07T00:00:00","date_gmt":"2006-03-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1552"},"modified":"2006-03-07T00:00:00","modified_gmt":"2006-03-07T00:00:00","slug":"ambiente-mudanca-climatica-ameaca-fontes-de-agua-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/03\/mundo\/ambiente-mudanca-climatica-ameaca-fontes-de-agua-na-africa\/","title":{"rendered":"Ambiente: Mudan\u00e7a clim\u00e1tica amea\u00e7a fontes de \u00e1gua na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 07\/03\/2006 &ndash; A redu\u00e7\u00e3o das chuvas devido ao aquecimento do planeta amea\u00e7a os rios e outras fontes de \u00e1gua doce em \u00e1reas densamente povoadas da \u00c1frica, alertam especialistas da Universidade da Cidade do Cabo. Algumas dessas regi\u00f5es, em particular no sul da \u00c1frica, j\u00e1 sofrem secas peri\u00f3dicas, por isso um agravamento da situa\u00e7\u00e3o teria &quot;conseq\u00fc\u00eancias devastadoras&quot; para a popula\u00e7\u00e3o, segundo estudo de Maarten de Wit e Jacek Stankiewicz publicado nos Estados Unidos pela revista Science. <!--more--> Tamb\u00e9m \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel a faixa de territ\u00f3rio que cruza o continente desde o Senegal, no extremo oeste, ao Sud\u00e3o e sul da Som\u00e1lia, no leste, atrav\u00e9s de v\u00e1rias massas de \u00e1gua, como os p\u00e2ntanos Sudd, na bacia do rio Nilo, e o rio N\u00edger, disseram Wit e Stankiewicz, da Rede de Observat\u00f3rios Terrestres Africanos da Universidade da Cidade do Cabo. Como boa parte da chuva \u00e9 absorvida pelo solo e pelas plantas antes de alcan\u00e7ar os espelhos de \u00e1gua e vias fluviais, a redu\u00e7\u00e3o nas precipita\u00e7\u00f5es nessas zonas representa uma grande redu\u00e7\u00e3o do l\u00edquido dispon\u00edvel para uso humano.<\/p>\n<p>Uma redu\u00e7\u00e3o de 10% nas precipita\u00e7\u00f5es em regi\u00f5es que recebem 600 mil\u00edmetros de chuva por ano implicaria 50% de queda na drenagem \u00e0 superf\u00edcie. A &quot;drenagem perene&quot; de rios, lagos e outras massas de \u00e1gua que portam as \u00e1guas superficiais sofrer\u00e1 uma baixa por causa da diminui\u00e7\u00e3o das chuvas, o que afetar\u00e1 &quot;significativamente&quot; o acesso \u00e0 \u00e1gua em 25% da \u00c1frica at\u00e9 o final do s\u00e9culo XXI, diz o informe. O estudo se baseia em v\u00e1rios modelos clim\u00e1ticos para estabelecer o impacto do aquecimento do planeta na chuva. <\/p>\n<p>Em janeiro, o Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Administra\u00e7\u00e3o Nacional para a Aeron\u00e1utica e o Espa\u00e7o (Nasa, dos EUA) confirmou que 2005 foi o ano mais quente de que se tem registro. Tamb\u00e9m os \u00faltimos 10 anos foram os mais quentes. A rede de r\u00e1dio e televis\u00e3o brit\u00e2nica BBC informou que no final deste m\u00eas o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que re\u00fane centenas de cientistas de todo o mundo, alertar\u00e1 que com as atuais proje\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, a temperatura do planeta aumentar\u00e1 entre dois e 4,5 graus cent\u00edgrados at\u00e9 o final do s\u00e9culo, muito mais do que afirmavam as previs\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>As geleiras da Groel\u00e2ndia est\u00e3o derretendo no dobro da velocidade que se supunha, segundo algumas pesquisas. Outras tiram conclus\u00f5es semelhantes a respeito do mar Adri\u00e1tico e das geleiras de montanha. Estes dados indicam que, como diz o diretor do Instituto Goddard, James Hansen, o mundo &quot;est\u00e1 se aproximando de um ponto al\u00e9m do qual ser\u00e1 imposs\u00edvel evitar uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica com conseq\u00fc\u00eancias indesej\u00e1veis e de grande alcance&quot;. Apesar de Hansen se referir fundamentalmente ao impacto da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar pelo derretimento das geleiras, os cientistas concordam que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, inclu\u00edda as dos padr\u00f5es de chuva, tamb\u00e9m ser\u00e3o dram\u00e1ticas. Mantida a atual tend\u00eancia, as chuvas na \u00c1frica subsaariana diminuir\u00e3o 10% at\u00e9 2050, o que originar\u00e1 uma grande escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel, calculou o cientista Anthony Nyong, da Universidade de Jos, na Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>O estudo da Universidade da Cidade do Cabo avan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho de Nyong, ao aplicar os \u00faltimos modelos computadorizados para determinar como o calor afetar\u00e1 as chuvas e os sistemas de drenagem em regi\u00f5es espec\u00edficas da \u00c1frica. O estudo de Wit e Stankiewicz mostra um continente dividido, at\u00e9 o final do s\u00e9culo, em tr\u00eas &quot;regimes&quot; clim\u00e1ticos: \u00e1reas secas, que recebem menos de 400 mm de chuva por ano e, portanto, carecem virtualmente de drenagem perene; \u00e1reas \u00famidas com mais de 800 mm anuais, e zonas intermedi\u00e1rias ou inst\u00e1veis, nas quais cair\u00e3o entre 400 e 800 mil\u00edmetros. Segundo o estudo, a zona seca cobrir\u00e1 virtualmente toda \u00c1frica setentrional, o deserto de Sahel e a maior parte do Chifre da \u00c1frica(regi\u00e3o nordeste do continente), bem com a metade ocidental da \u00c1frica do Sul, Nam\u00edbia e a costa de Angola.<\/p>\n<p>Tudo isso soma 41% da superf\u00edcie do continente africano. Com exce\u00e7\u00e3o da Som\u00e1lia e de \u00e1reas pr\u00f3ximas da Eti\u00f3pia e do Qu\u00eania, onde as chuvas aumentar\u00e3o entre 10% e 20%, a maioria da regi\u00e3o sofrer\u00e1 uma queda nas precipita\u00e7\u00f5es que chegar\u00e1 a 20% no norte e sudoeste. As \u00e1reas \u00famidas incluir\u00e3o o centro do continente e boa parte do ocidente, ao redor do golfo da Guin\u00e9 e estendendo-se \u00e0s zonas orientais de Uganda, Sud\u00e3o, Tanz\u00e2nia, Mo\u00e7ambique e norte de Madagascar. A maioria dessas \u00e1reas registrar\u00e1 um aumento das chuvas de at\u00e9 10%, segundo o estudo.<\/p>\n<p>Vinte e cinco por cento do territ\u00f3rio africano estar\u00e3o compreendidos por \u00e1reas inst\u00e1veis, que sup\u00f5em a maior preocupa\u00e7\u00e3o, segundo os autores do estudo. A redu\u00e7\u00e3o das chuvas ter\u00e1 a\u00ed um s\u00e9rio impacto no fornecimento de \u00e1gua, advertiram. Em algumas dessas zonas, especialmente no leste, provavelmente haver\u00e1 aumento das precipita\u00e7\u00f5es de at\u00e9 10%, mas em outras, como na \u00c1frica ocidental e meridional, haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o. A \u00c1frica do Sul estar\u00e1 &quot;em uma situa\u00e7\u00e3o muito perturbadora&quot;, alerta o informe. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 07\/03\/2006 &ndash; A redu\u00e7\u00e3o das chuvas devido ao aquecimento do planeta amea\u00e7a os rios e outras fontes de \u00e1gua doce em \u00e1reas densamente povoadas da \u00c1frica, alertam especialistas da Universidade da Cidade do Cabo. 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