{"id":1557,"date":"2006-03-09T00:00:00","date_gmt":"2006-03-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1557"},"modified":"2006-03-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-03-09T00:00:00","slug":"iraque-a-violencia-nao-tem-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/03\/mundo\/iraque-a-violencia-nao-tem-nome\/","title":{"rendered":"Iraque: A viol\u00eancia n\u00e3o tem nome"},"content":{"rendered":"<p>Bagd\u00e1, 09\/03\/2006 &ndash; Predomina na imprensa mundial o alarme sobre o desenvolvimento de uma guerra civil no Iraque. Mas os iraquianos se fazem de surdos. Muitos sentem que n\u00e3o \u00e9 apropriado utilizar esse termo para descrever o conflito interno que afeta o pa\u00eds. Depois do atentado com bomba na Mesquita Dourada, ou Al-Askariya, principal templo xiita da cidade de Samarra, no \u00faltimo dia 22, a Associa\u00e7\u00e3o de Eruditos Mu\u00e7ulmanos e representantes de grupos xiitas liderados por Muqtada al-Sadr e pelo xeque Jawad Sheikh al-Khalisi se reuniram em Bagd\u00e1 para negociar uma resposta. Da delibera\u00e7\u00e3o na mesquita de Abu Hanifa, no bairro de Adhamiya, surgiu um plano de 10 pontos para responder \u00e0 viol\u00eancia e construir um futuro para o Iraque. <!--more--> Esse plano encontra-se em processo de implementa\u00e7\u00e3o, com variado \u00eaxito. Um de seus prop\u00f3sitos fundamentais \u00e9 &quot;condenar as organiza\u00e7\u00f5es de imprensa que tentaram fazer com que este problema entre sunitas e xiitas crescesse mais e mais, e temos todo o direito de lev\u00e1-los a julgamento no futuro&quot;. Na reuni\u00e3o, os l\u00edderes xiitas tomaram decis\u00f5es simples, como mecanismos para condenar o atentado em Samarra, todos os que ocorreram depois contra mesquitas sunitas e todas as opera\u00e7\u00f5es terroristas. Foi significativo que representantes xiitas fossem convidados ao templo de Abu Hanifa, famoso local sunita em Bagd\u00e1 e alvo recorrente de opera\u00e7\u00f5es rebeldes.<\/p>\n<p>&quot;Os convidamos para ver como podemos por fim a este problema e parar a matan\u00e7a entre iraquianos&quot;, disse o dirigente sunita Salam al-Kubaisi. A reuni\u00e3o foi convocada &quot;tamb\u00e9m para deter os ataques contra mesquitas sunitas e acabar com o derramamento de sangue iraquiano&quot;, acrescentou. &quot;Este sangue \u00e9 muito caro para n\u00f3s e em um futuro poderemos reconstruir tudo, menos a vida humana&quot;, ressaltou. Os l\u00edderes decidiram compensar todas as v\u00edtimas da viol\u00eancia sect\u00e1ria depois do atentado de Samarra. Os representantes xiitas que foram \u00e0 Abu Hanifa garantiram que suas congrega\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is n\u00e3o estavam diretamente envolvidas na viol\u00eancia. &quot;Acusamos as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o e o sect\u00e1rio governo iraquiano&quot;, disse \u00e0 IPS o xeque Majid al-Saadi, um xiita que representa Al-Khalisi.<\/p>\n<p>Muitos dos partidos iraquianos, particularmente os grupos sunitas, e o nacionalista Muqtada al-Sadr, pensam o mesmo. Os grupos colocaram duas declara\u00e7\u00f5es finais em seu acordo para assinalar o papel da ocupa\u00e7\u00e3o na onda de viol\u00eancia. Sua declara\u00e7\u00e3o acusou a ocupa\u00e7\u00e3o de &quot;responsabilidade por tudo o que ocorre no Iraque: sectarismo, terrorismo e outros problemas&quot;, e demandou que as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o &quot;abandonem o Iraque o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e voltem para casa&quot;. Por fim, o acordo exorta o povo iraquiano a viver unido e em paz e em desafiar o que chama o desejo da ocupa\u00e7\u00e3o de insuflar sectarismo e criar uma guerra civil.<\/p>\n<p>&quot;Pedimos aos iraquianos que n\u00e3o cooperem com os planos da ocupa\u00e7\u00e3o, porque seu prop\u00f3sito \u00e9 fazer uma guerra civil no Iraque. Segundo, como l\u00edderes mu\u00e7ulmanos, queremos mostrar ao mundo que estamos contra estes ataques que acontecem desde o atentado de Samarra&quot;, disse Salam al-Kubaisi. Muitos iraquianos parecem apoiar os resultados da reuni\u00e3o de Abu Hanifa. &quot;Desde o primeiro dia da ocupa\u00e7\u00e3o, o governo dos Estados Unidos manteve reuni\u00f5es apenas com xiitas e curdos em Londres. Esses grupos fizeram um acordo sem os sunitas. Assim, come\u00e7ou o problema&quot;, disse \u00e0 IPS Mohamed Kareem, um guarda de seguran\u00e7a de 37 anos.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pelo ataque de Samarra ainda devem ser localizados, mas h\u00e1 in\u00fameros nomes de suspeitos. Os Estados Unidos e o atual conselho de governo iraquiano garantem que a organiza\u00e7\u00e3o terrorista Al Qaeda, do saudita Osama bin Laden, esteve envolvida. Mas nem todos apontam para a Al Qaeda. Depois do atentado ficou-se sabendo que o Minist\u00e9rio de Seguran\u00e7a Nacional do Iraque havia recebido informa\u00e7\u00f5es de que os tempos xiitas eram alvo potencial de ataques terroristas. Na semana passada, o sunita independente Mithal al-Alusi exortou no sentido de se &quot;estabelecer de imediato um comit\u00ea pol\u00edtico-judicial encarregado de verificar tais informa\u00e7\u00f5es&quot;.<\/p>\n<p>Foi o amplo fracasso em investigar os ataques que se seguiram \u00e0 explos\u00e3o em Samarra que levou as imprensa mundial a declarar que o Iraque est\u00e1 \u00e0 beira de uma guerra civil. Alguns partidos podem ter suas pr\u00f3prias raz\u00f5es para projetar uma guerra civil no Iraque. &quot;L\u00edderes xiitas iraquianos, especialmente os que chegaram do Ir\u00e3 depois da guerra, querem dividir o Iraque e ficar com a parte meridional&quot;, disse Kareem. &quot;Os curdos tamb\u00e9m querem isto; sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ficar com o norte&quot;, acrescentou. &quot;Al\u00e9m disso, o governo iraniano quer isto e ap\u00f3ia a guerra civil no Iraque mais do que qualquer um. Necessita que as tropas dos Estados Unidos estejam ocupadas no Iraque para que deixem o Ir\u00e3 em paz, porque espera que Washington os invada em seguida&quot;.<\/p>\n<p>A intensa viol\u00eancia se concentrou em umas poucas prov\u00edncias, especialmente na cidade de Bagd\u00e1. &quot;A pol\u00edcia iraquiana for\u00e7ou os sunitas do deserto de Nahrawan a abandonar seus lares e agora estas fam\u00edlias vivem no campo&quot;, disse um homem que se identificou apenas como Hussein. &quot;Isso \u00e9 injusti\u00e7a, e agora estamos certos de que o governo iraquiano est\u00e1 cooperando com as mil\u00edcias xiitas e as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o contra os sunitas&quot;. Os xeques, contr\u00e1rios \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, expressaram pontos de vista comuns com os iraquianos que se sentem abandonados pelo novo governo do Iraque e pelas promessas feitas pela ocupa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. &quot;O governo iraquiano protege somente a si mesmo e n\u00e3o se importa com o povo do Iraque&quot;, disse al-Saadi. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bagd\u00e1, 09\/03\/2006 &ndash; Predomina na imprensa mundial o alarme sobre o desenvolvimento de uma guerra civil no Iraque. Mas os iraquianos se fazem de surdos. Muitos sentem que n\u00e3o \u00e9 apropriado utilizar esse termo para descrever o conflito interno que afeta o pa\u00eds. Depois do atentado com bomba na Mesquita Dourada, ou Al-Askariya, principal templo xiita da cidade de Samarra, no \u00faltimo dia 22, a Associa\u00e7\u00e3o de Eruditos Mu\u00e7ulmanos e representantes de grupos xiitas liderados por Muqtada al-Sadr e pelo xeque Jawad Sheikh al-Khalisi se reuniram em Bagd\u00e1 para negociar uma resposta. 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