{"id":15764,"date":"2013-06-28T12:55:56","date_gmt":"2013-06-28T12:55:56","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=91430"},"modified":"2013-06-28T12:55:56","modified_gmt":"2013-06-28T12:55:56","slug":"portugal-parou-pela-quarta-vez-em-40-anos-de-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/ultimas-noticias\/portugal-parou-pela-quarta-vez-em-40-anos-de-democracia\/","title":{"rendered":"Portugal parou pela quarta vez em 40 anos de democracia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_91431\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/n715.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-91431\" alt=\"n715 300x225 Portugal parou pela quarta vez em 40 anos de democracia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/n715-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" title=\"Portugal parou pela quarta vez em 40 anos de democracia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Armenio Carlos e Deolinda Machado, da Comiss\u00e3o Executiva da CGTP, informam a correspondentes estrangeiros sobre grande ades\u00e3o \u00e0 greve geral de ontem. Foto: Mario Queiroz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Lisboa, Portugal, 28\/6\/2013 \u2013 Metr\u00f4 e trens de longa dist\u00e2ncia parados nas esta\u00e7\u00f5es, plataformas desertas, hospitais atendendo apenas urg\u00eancias, escolas e escrit\u00f3rios p\u00fablicos fechados e pouqu\u00edssimos \u00f4nibus foram algumas mostras da ades\u00e3o \u00e0 greve geral convocada pelas duas grandes centrais sindicais de Portugal. Desde que a direita assumiu o governo h\u00e1 dois anos, a economia entrou em recess\u00e3o, o pa\u00eds empobreceu, o desemprego aumentou a n\u00edveis sem precedentes, os empres\u00e1rios deixaram de investir, os hor\u00e1rios de trabalho aumentaram, as f\u00e9rias e os feriados diminu\u00edram e foram flexibilizados os processos de demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o os principais ingredientes que permitiram o entendimento entre as duas centrais sindicais, que pela quarta vez em quatro d\u00e9cadas se unem para realizar uma greve geral contra o governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. A imensa maioria das greves gerais realizadas desde que Portugal entrou na democracia, em abril de 1974, foram convocadas pela poderosa Confedera\u00e7\u00e3o Geral dos Trabalhadores de Portugal (CGTP), com posturas mais combativas do que a Uni\u00e3o Geral de Trabalhadores (UGT).<\/p>\n<p>A CGTP conta com maior capacidade de convoca\u00e7\u00e3o, por ser dirigida por comunistas, setores da esquerda do Partido Socialista (PS), movimentos cat\u00f3licos progressistas, ex-trotskistas do Bloco de Esquerda e independentes, congregando, dessa forma, a grande maioria dos trabalhadores sindicalizados, especialmente da ind\u00fastria, do transporte, da agricultura e dos munic\u00edpios. De dimens\u00e3o mais modesta, a UGT tem sua for\u00e7a nos sindicados de banc\u00e1rios, comerci\u00e1rios e servi\u00e7os, simpatizantes do PS e dos governamentais Partido Social Democrata (PSD, de centro-direita, apesar do nome) e Centro Democr\u00e1tico Social (CDS, direita nacionalista), ambos membros da fam\u00edlia conservadora do Partido Popular Europeu.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Proen\u00e7a, um dirigente da chamada \u201cala liberal\u201d do PS, pelo socialista de esquerda Carlos Silva na dire\u00e7\u00e3o da UGT facilitou o di\u00e1logo e o entendimento, admitiu \u00e0 IPS o secret\u00e1rio-geral da CGTP, Armenio Carlos, pouco antes da greve. Ao explicar a ades\u00e3o da UGT, Silva fustigou \u201cum governo que enfrenta claramente todos os interlocutores sociais da forma como est\u00e1 fazendo, como dono da verdade absoluta, algo que n\u00e3o existe em uma democracia, mas sim nos regimes ditatoriais e totalit\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>O governo \u201cn\u00e3o se d\u00e1 conta de que uma negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o\u201d, e a UGT est\u00e1 batendo contra \u201cum muro de intransig\u00eancia intranspon\u00edvel\u201d, o que levou \u00e0 converg\u00eancia com a CGTP, argumentou Silva. \u201cChega de pol\u00edticas de austeridade que castigam o pa\u00eds, violentam as pessoas, penalizam os trabalhadores, os jovens e os aposentados\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Um fato in\u00e9dito desta greve geral \u00e9 a opini\u00e3o expressada pelas confedera\u00e7\u00f5es empresariais, que afirmam \u201centender\u201d os motivos da convoca\u00e7\u00e3o. \u201cAlertamos o governo sobre a pol\u00edtica recessiva e nossa expectativa \u00e9 que este tipo de situa\u00e7\u00e3o se repetir\u00e1. Advertimos o governo sobre os riscos de transtornos sociais se a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica continuasse se deteriorando\u201d, declarou um porta-voz da Confedera\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Esta foi a quarta vez, desde 1974, que CGTP e UGT se juntaram em uma greve geral e a segunda contra Passos Coelho, o primeiro governante na democracia a suportar duas paralisa\u00e7\u00f5es gerais. A primeira foi em mar\u00e7o de 1988. Passados 22 anos, e diante de uma forte dose de austeridade decidida pelo ent\u00e3o primeiro-ministro socialista Jos\u00e9 S\u00f3crates, as duas centrais voltaram a decretar greve geral em 24 de novembro de 2010 e no mesmo dia de 2011.<\/p>\n<p>Em conversa com um grupo de jornalistas estrangeiros, Armenio Carlos assegurou que \u201cesta greve geral n\u00e3o foi mais uma. Todas deixaram resultados, embora muitas vezes n\u00e3o de imediato, mas em curto e m\u00e9dio prazos acabaram dando frutos positivos para os trabalhadores, como evitar o aumento ainda maior da carga hor\u00e1ria de trabalho\u201d. Quanto \u00e0s mudan\u00e7as exigidas para aliviar a pesada situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o l\u00edder da CGTP afirmou \u00e0 IPS que \u00e9 preciso renegociar a d\u00edvida \u201cporque, para poder pagar, Portugal deveria crescer pelo menos 5% ao ano, e n\u00e3o h\u00e1 perspectivas de que isso possa acontecer\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e3o nos emprestando dinheiro a 5%, 6% e at\u00e9 7% ao ano e n\u00e3o estamos em condi\u00e7\u00f5es de pagar juros dessa ordem, sem perspectivas de crescimento nos pr\u00f3ximos anos, j\u00e1 que estudos de \u00f3rg\u00e3os europeus indicam que Portugal n\u00e3o crescer\u00e1 mais do que 0,5% entre este ano e 2017. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel\u201d, ressaltou Carlos. O l\u00edder da CGTP criticou o Banco Central Europeu (BCE) que, junto como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e a Uni\u00e3o Europeia (UE), faz parte da troika de credores que emprestaram US$ 11 bilh\u00f5es a Portugal para resgatar a economia e as finan\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cO BCE empresa dinheiro a grupos financeiros a 0,5% de juros e estes grupos depois compram d\u00edvida portuguesa entre 5% e 7% de juros, o que favorece a especula\u00e7\u00e3o financeira e deixa o pa\u00eds ainda mais dependente dos chamados mercados\u201d, ressaltou Carlos. Segundo ele, \u201co BCE deve reestruturar seus estatutos e conceder empr\u00e9stimos aos Estados nos mesmos juros de 0,5%, porque somente assim poder\u00edamos produzir e gerar riquezas para cumprir nossos compromissos e pagar a d\u00edvida, o que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel se n\u00e3o nos deixam crescer\u201d.<\/p>\n<p>Para Carlos, os problemas da UE deixaram de ser nacionais e toda solu\u00e7\u00e3o passa por decis\u00f5es conjuntas dos 27 pa\u00edses membros do bloco, divididos entre conservadores e social democratas, disse \u00e0 IPS. \u201cNa Europa existe um grande problema com a social democracia. Em outros tempos houve exce\u00e7\u00f5es, mas agora n\u00e3o, e esses partidos (socialistas, social democratas e trabalhistas) nos \u00faltimos anos, em lugar de se distanciar da direita, o que fizeram foi se aproximar, adequar-se e virar c\u00famplices das pol\u00edticas com um forte componente neoliberal\u201d, criticou o sindicalista.<\/p>\n<p>Carlos lamentou a diferen\u00e7a entre as promessas eleitorais e a a\u00e7\u00e3o ao assumir o comando, citando It\u00e1lia e Fran\u00e7a como os casos mais recentes. \u201cO caso da Gr\u00e9cia \u00e9 ilustrativo, porque h\u00e1 apenas cinco anos o partido direitista Nova Democracia e o socialista Pasok representavam 65% da popula\u00e7\u00e3o, e hoje n\u00e3o superam 35% ou 36%\u201d, afirmou o dirigente da CGTP.<\/p>\n<p>Percorrendo a cidade, a IPS ouviu um mec\u00e2nico, duas caixas de supermercado e dois funcion\u00e1rios de um posto de combust\u00edvel sobre os motivos para estarem trabalhando. As cinco respostas foram id\u00eanticas: n\u00e3o podiam sacrificar um dia de sal\u00e1rio e por medo de repres\u00e1lia do patr\u00e3o. Apontada esta quest\u00e3o ao l\u00edder da CGTP, Carlos reconheceu que, \u201cna verdade, no setor privado h\u00e1 medo, e n\u00e3o h\u00e1 verdadeira democracia quando as pessoas t\u00eam medo de exercer seus direitos atribu\u00eddos pela Constitui\u00e7\u00e3o e a lei. A democracia n\u00e3o pode ser suspensa na porta das empresas\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 28\/6\/2013 &ndash; Metr&ocirc; e trens de longa dist&acirc;ncia parados nas esta&ccedil;&otilde;es, plataformas desertas, hospitais atendendo apenas urg&ecirc;ncias, escolas e escrit&oacute;rios p&uacute;blicos fechados e pouqu&iacute;ssimos &ocirc;nibus foram algumas mostras da ades&atilde;o &agrave; greve geral convocada pelas duas grandes centrais sindicais de Portugal. 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