{"id":15770,"date":"2013-07-01T12:07:37","date_gmt":"2013-07-01T12:07:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=91539"},"modified":"2013-07-01T12:07:37","modified_gmt":"2013-07-01T12:07:37","slug":"acelerar-o-desenvolvimento-e-o-desafio-no-brasil-apos-a-decada-ganha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/acelerar-o-desenvolvimento-e-o-desafio-no-brasil-apos-a-decada-ganha\/","title":{"rendered":"Acelerar o desenvolvimento \u00e9 o desafio no Brasil ap\u00f3s a d\u00e9cada ganha"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_91541\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 310px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/n1.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-91541\" alt=\"n1 300x225 Acelerar o desenvolvimento \u00e9 o desafio no Brasil ap\u00f3s a d\u00e9cada ganha\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/n1-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" title=\"Acelerar o desenvolvimento \u00e9 o desafio no Brasil ap\u00f3s a d\u00e9cada ganha\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Jovens da classe m\u00e9dia questionam a gest\u00e3o do governo de Dilma Rousseff com rela\u00e7\u00e3o aos investimentos p\u00fablicos. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 1\/7\/2013 \u2013 Ap\u00f3s dez anos de conquistas socioecon\u00f4micas gra\u00e7as a positivas pol\u00edticas de emprego, investimentos p\u00fablicos e programas contra a pobreza, o Brasil enfrenta o desafio de ampliar e acelerar um modelo de desenvolvimento que inclua, por exemplo, os jovens que protestam nas ruas. Nem toda pobreza no pa\u00eds foi eliminada, muito menos desde que o Partido dos Trabalhadores (PT) chegou ao governo em 2003, com Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e agora Dilma Rousseff. At\u00e9 junho de 2011, quando foi lan\u00e7ado o Plano Brasil Sem Mis\u00e9ria, as estat\u00edsticas oficiais admitiam que ainda havia 16,2 milh\u00f5es de indigentes.<\/p>\n<p>No entanto, planos como Fome Zero e Bolsa Fam\u00edlia, estrat\u00e9gias de gera\u00e7\u00e3o de emprego, melhoria salarial e amplia\u00e7\u00e3o do microcr\u00e9dito, junto com forte investimento p\u00fablico em grandes obras de infraestrutura, tornaram outros resultados vis\u00edveis. \u00c9 preciso colocar neste resumido quadro a cria\u00e7\u00e3o de um processo de mobilidade \u201cque n\u00e3o se deve subestimar\u201d, afirma Leonardo Avritzer, analista pol\u00edtico da Universidade Federal de Minas Gerais. \u201cAs mobiliza\u00e7\u00f5es que ocorrem no Brasil n\u00e3o questionam os grandes avan\u00e7os dos \u00faltimos dez anos. Os 40 milh\u00f5es de brasileiros que sa\u00edram da pobreza e a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades constituem avan\u00e7os reais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cNa raiz das mobiliza\u00e7\u00f5es est\u00e1, primeiramente, uma redu\u00e7\u00e3o no ritmo da reforma e um certo afastamento da presidente Dilma dos movimentos sociais. Mas \u00e9 importante dizer que quem protesta hoje \u00e9 um grupo de classe m\u00e9dia jovem. E o fazem por uma pauta de quest\u00f5es urbanas\u201d, destacou o analista. As demandas incluem quest\u00f5es b\u00e1sicas como melhor educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, transporte urbano e infraestrutura. No caso das favelas, onde tamb\u00e9m agora h\u00e1 uma classe m\u00e9dia crescente e que come\u00e7a timidamente a aderir \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es, a cobran\u00e7a \u00e9 por saneamento b\u00e1sico digno, pavimenta\u00e7\u00e3o de ruas e creches para as m\u00e3es que trabalham fora.<\/p>\n<p>Programas como o Brasil Carinhoso e outros de acesso \u00e0 moradia, como o Minha Casa, Minha Vida, objetivam melhorar esses problemas e \u201cconsolidar\u201d essa nova classe m\u00e9dia, explicou \u00e0 IPS o analista pol\u00edtico Maur\u00edcio Santoro, assessor da Anistia Internacional. \u201cO Brasil avan\u00e7ou em aumentar sal\u00e1rios e a renda da popula\u00e7\u00e3o mais pobre, bem como em facilitar o acesso a bens de consumo e moradia. Contudo, ainda h\u00e1 um longo caminho para as pessoas poderem sair definitivamente da exclus\u00e3o de seus direitos de cidad\u00e3o\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Para Avritzer, esta \u00e9 uma das \u201cquest\u00f5es reais hoje\u201d. Ele acrescenta que \u201co Brasil fez muitas mudan\u00e7as e o acesso aos sistemas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade hoje \u00e9 universal. Por\u00e9m, a qualidade dos servi\u00e7os \u00e9 baixa. Uma parte da chamada nova classe m\u00e9dia agora quer melhor\u00e1-los na rede privada, mas isto fez os pre\u00e7os subirem. O acesso a uma educa\u00e7\u00e3o e a uma sa\u00fade p\u00fablicas de qualidade \u00e9 um dos maiores problemas do Brasil\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o precisamente as reivindica\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos dias nas ruas das principais cidades do pa\u00eds. E, n\u00e3o em v\u00e3o, o estopim foi o problema do transporte p\u00fablico. O crescimento econ\u00f4mico e as facilidades para a compra de autom\u00f3veis, por exemplo, mais que duplicaram em dez anos a frota de ve\u00edculos, mais de 60 milh\u00f5es de unidades que congestionam as ruas sem um plano estrat\u00e9gico paralelo de melhoria da infraestrutura vi\u00e1ria, nem de amplia\u00e7\u00e3o de sistemas alternativos de transporte de massa, como metr\u00f4 e trem de longa dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Orlando Santos, soci\u00f3logo especialista em planejamento urbano da Universidade Federal do Rio de Janeiro, chama a aten\u00e7\u00e3o em particular para a situa\u00e7\u00e3o desta cidade, a segunda maior do Brasil. \u201cS\u00e3o constru\u00eddos grandes sistemas vi\u00e1rios sem levar em conta a integra\u00e7\u00e3o da cidade com a regi\u00e3o metropolitana. \u00c9 um planejamento absolutamente equivocado e irracional, que desperdi\u00e7a recursos p\u00fablicos e tamb\u00e9m reflete a subordina\u00e7\u00e3o do governo municipal aos grandes interesses econ\u00f4micos\u201d, afirmou Santos \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Eduardo Fagnani, economista da Universidade de Campinas (Unicamp), se refere ao caso da cidade de S\u00e3o Paulo, \u201cuma das cinco metr\u00f3poles mundiais com menor \u00edndice de habitantes por quil\u00f4metro quadrado do mundo\u201d. Nela, \u201ca constru\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 avan\u00e7a a passo de tartaruga. Diante da falta de press\u00e3o popular, os governos municipais s\u00e3o coniventes com os empres\u00e1rios do setor. As pol\u00edticas p\u00fablicas privilegiam o autom\u00f3vel\u201d, disse \u00e0 IPS, ao se referir ao que chama de \u201cmercantiliza\u00e7\u00e3o\u201d do transporte. \u201cAs vozes nas ruas reivindicam direitos e n\u00e3o consumo. Servi\u00e7os p\u00fablicos e privados. Estado de bem-estar social e n\u00e3o Estado m\u00ednimo\u201d, indicou Fagnani. As manifesta\u00e7\u00f5es revelam o fracasso da vis\u00e3o conservadora de que bastam pol\u00edticas focadas em alcan\u00e7ar o \u201cbem-estar social\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para o economista Adhemar Mineiro, \u201ctudo isto mostra a fal\u00e1cia de utilizar a pobreza como \u00fanico indicador de desenvolvimento social\u201d. Este especialista do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Sociais (Dieese) v\u00ea em tr\u00eas etapas o processo de desenvolvimento iniciado por Lula e Dilma. Primeiro foram os programas contra a pobreza. \u201cA ideia era eliminar a situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria e, como segundo passo, inserir (esse setor) no mercado consumidor com outros planos, como o Bolsa Fam\u00edlia. O terceiro foi a gera\u00e7\u00e3o de empregos, especialmente da economia formal, e o est\u00edmulo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de microempresas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, qual a queixa das ruas?, perguntou \u00e0 IPS. Mineiro respondeu que, \u201cno tocante a um estado de bem-estar social (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte e saneamento), resta ainda muit\u00edssimo a ser feito, e a volta \u00e0 \u00eanfase no ajuste or\u00e7ament\u00e1rio este ano colocou ainda mais em risco esses setores, agravando o problema e provocando descontentamento\u201d. \u201cCom o governo de Dilma se voltou \u00e0 l\u00f3gica de inser\u00e7\u00e3o internacional, competitividade e ajuste fiscal, e a partir da\u00ed uma tentativa de reconex\u00e3o com os mercados mundiais que est\u00e3o em baixa desde a crise, o que reduziu a din\u00e2mica do crescimento\u201d, observou Mineiro.<\/p>\n<p>Avritzer considerou que o avan\u00e7o deste modelo n\u00e3o depende de um grande crescimento econ\u00f4mico, mas de \u201cadequadas pol\u00edticas\u201d que levem \u00e0 melhoria dos servi\u00e7os. Para Fagnani, \u201cas manifesta\u00e7\u00f5es abrem uma nova oportunidade para enfrentar o subdesenvolvimento pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social, agravado pela longa experi\u00eancia neoliberal\u201d. N\u00e3o se deve voltar atr\u00e1s no meio do caminho, parecer ser a li\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 1\/7\/2013 &ndash; Ap&oacute;s dez anos de conquistas socioecon&ocirc;micas gra&ccedil;as a positivas pol&iacute;ticas de emprego, investimentos p&uacute;blicos e programas contra a pobreza, o Brasil enfrenta o desafio de ampliar e acelerar um modelo de desenvolvimento que inclua, por exemplo, os jovens que protestam nas ruas. 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