{"id":15771,"date":"2013-07-01T12:03:15","date_gmt":"2013-07-01T12:03:15","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=91536"},"modified":"2013-07-01T12:03:15","modified_gmt":"2013-07-01T12:03:15","slug":"america-latina-pode-alimentar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/america-latina-pode-alimentar-o-mundo\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina pode alimentar o mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/n2.jpg\"><img class=\"alignright size-full wp-image-91537\" alt=\"n2 Am\u00e9rica Latina pode alimentar o mundo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/n2.jpg\" width=\"260\" height=\"194\" title=\"Am\u00e9rica Latina pode alimentar o mundo\" \/><\/a>Buenos Aires, Argentina, 1\/7\/2013 \u2013 Com seus recursos naturais, capacidade de produ\u00e7\u00e3o e maior investimento, a Am\u00e9rica Latina se projeta como um dos principais fornecedores de alimentos para abastecer a crescente demanda mundial, diversa e cada vez mais sofisticada. O desafio \u00e9 aproveitar a oportunidade, sem desatender as necessidades de uma regi\u00e3o onde ainda h\u00e1 66 milh\u00f5es de indigentes, 11,4% da popula\u00e7\u00e3o, segundo os \u00faltimos dados da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>Embora o mercado internacional enfrente dificuldades derivadas da inconst\u00e2ncia dos pre\u00e7os, da especula\u00e7\u00e3o e da competi\u00e7\u00e3o dos biocombust\u00edveis pelo solo, especialistas ouvidos pela IPS disseram estar convencidos de que a regi\u00e3o pode atravessar com \u00eaxito o desafio. Variedades de arroz, cereais, oleaginosas, frutas, l\u00e1cteos, carnes, \u00f3leos, vinhos, tudo se produz e se exporta a cada ano em grandes volumes na Am\u00e9rica Latina, especialmente no sul, driblando secas, inunda\u00e7\u00f5es e outros eventos meteorol\u00f3gicos vinculados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O chileno Gino Buzzetti, respons\u00e1vel pelo Instituto Interamericano de Coopera\u00e7\u00e3o para a Agricultura (IICA), em Buenos Aires, explicou \u00e0 IPS que agora n\u00e3o se v\u00ea nenhuma crise alimentar, como ocorreu em 2007-2008. Contudo, existe uma \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dio prazo\u201d pelo aumento da popula\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m ter\u00e1 maior renda e uma demanda sofisticada. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 apenas arroz. Ser\u00e1 preciso produzir mais carne, que exige maior investimento\u201d, afirmou Buzzetti. \u201cAs potenciais terras para abastecer essa maior demanda est\u00e3o entre os tr\u00f3picos temperados, e a \u00c1frica n\u00e3o tem o desenvolvimento nem a tecnologia, mas a Am\u00e9rica Latina os tem, sobretudo no Cone Sul\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Buzzetti afirmou que Argentina, Bol\u00edvia, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai somam um bilh\u00e3o de toneladas anuais em produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os em 72 milh\u00f5es de hectares cultivados, que representa 10% das terras agr\u00edcolas do mundo. Por exemplo, 47% da produ\u00e7\u00e3o global de soja s\u00e3o obtidos nesses pa\u00edses, bem como 28% das exporta\u00e7\u00f5es de milho s\u00e3o feitas por eles. Al\u00e9m disso, a regi\u00e3o \u00e9 uma importante fornecedora de carne para a mesa da humanidade, tanto que 21% da carne bovina e 17% da carne de frango produzidos no mundo procedem dessa regi\u00e3o latino-americana, e as exporta\u00e7\u00f5es de carne da \u00e1rea implicam cerca de um ter\u00e7o do que \u00e9 comercializado no mundo, afirmou o titular da IICA.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 protagonismos tradicionais. Em mat\u00e9ria de carne bovina, onde h\u00e1 algumas d\u00e9cadas a Argentina reinava, agora Brasil, Uruguai e Paraguai superam em volume a produ\u00e7\u00e3o proveniente do outrora \u201cpa\u00eds do bife\u201d. Pol\u00edticas equivocadas como o controle de exporta\u00e7\u00f5es para baixar os pre\u00e7os do mercado interno, segundo opini\u00e3o do engenheiro agr\u00f4nomo Fernando Vilella, levaram a Argentina a reduzir drasticamente nos \u00faltimos anos o n\u00famero de cabe\u00e7as de gado, \u00e0 custa da produ\u00e7\u00e3o de frango e da expans\u00e3o da soja.<\/p>\n<p>No entanto, Vilella, respons\u00e1vel da \u00e1rea de Agroneg\u00f3cios e Alimentos da Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires, considera que, com investimentos e mais \u201cfeed lot\u201d (cria\u00e7\u00e3o intensiva em curral de engorda), a produ\u00e7\u00e3o bovina pode voltar a crescer neste pa\u00eds. Na verdade, j\u00e1 come\u00e7ou a se recuperar. A Argentina deveria fazer como o Uruguai, que optou por estabelecer quais cortes se manteriam com pre\u00e7os regulados para o mercado interno e quais seriam para exporta\u00e7\u00e3o a pre\u00e7o internacional, opinou.<\/p>\n<p>Vilella explicou \u00e0 IPS que se estima que em 2030 a \u00c1sia poder\u00e1 se autoabastecer entre 75% e 82% dos alimentos, a \u00c1frica subsaariana apenas em 15% e o norte da \u00c1frica e o Oriente M\u00e9dio em 85%. \u201cEsses requerimentos dever\u00e3o ser atendidos por Am\u00e9rica do Sul, Estados Unidos, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e Ucr\u00e2nia, que dever\u00e3o alimentar um mercado insatisfeito de aproximadamente tr\u00eas bilh\u00f5es de pessoas\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>\u201cO papel de Argentina e Brasil ser\u00e1 muito relevante\u201d, segundo Vilella. O maior desafio ser\u00e1 aumentar a produtividade por hectare, pois as terras cultiv\u00e1veis no planeta j\u00e1 quase n\u00e3o ter\u00e3o margem para continuar crescendo, disse o especialista argentino. Vilella considera fundamental a produ\u00e7\u00e3o mediante semeadura direta, ou sem lavrar, difundida na Argentina para cultivo de soja, por ser a mais eficiente, \u201cdesde que se fa\u00e7a nos melhores solos\u201d, para evitar a deteriora\u00e7\u00e3o ambiental, apontou.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 competi\u00e7\u00e3o com os biocombust\u00edveis, Buzzetti disse que o conflito surge quando cultivos aliment\u00edcios s\u00e3o derivados para o mercado energ\u00e9tico, como ocorre nos Estados Unidos com o milho para elaborar etanol. \u201c\u00c9 preciso orientar a produ\u00e7\u00e3o para os biocombust\u00edveis de segunda gera\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o os que utilizam biomassa n\u00e3o aliment\u00edcia\u201d, recomendou. Entretanto, al\u00e9m dos desafios pr\u00e1ticos, Buzzetti tamb\u00e9m considera que se deve discutir o problema \u00e9tico da fome, em um mundo em que se produz alimentos de sobra, e enfrentar esse panorama com medidas de consenso internacional.<\/p>\n<p>\u201cNa Rio+20 (Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel 2012) se falou da necessidade de se seguir para um modelo econ\u00f4mico que garanta melhor distribui\u00e7\u00e3o da renda, e o tema foi retomado na c\u00fapula do G-20 (grupo dos 20 pa\u00edses industrializados e emergentes) e nos apelos do Banco Mundial\u201d, lembrou Buzzetti. \u201cDeve-se pensar em um modelo de desenvolvimento capitalista que contemple uma melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda e alimentos para tornar mais sustent\u00e1vel e equilibrado o sistema mundial\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para isso, h\u00e1 propostas que objetivam reduzir a volatilidade dos pre\u00e7os, que nos \u00faltimos anos tendem \u00e0 alta, e conter a especula\u00e7\u00e3o financeira nos mercados alimentares, mas esses processos levam tempo, alertou Buzzetti. Por\u00e9m, as fontes consultadas concordam que \u00e9 inconceb\u00edvel haver pa\u00edses da regi\u00e3o nos quais o alimento ainda n\u00e3o \u00e9 assegurado. Alguns, como o M\u00e9xico, pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e do Caribe, dependem das importa\u00e7\u00f5es para completarem suas dietas.<\/p>\n<p>\u201cEntre 1999 e 2009 os pa\u00edses importadores de alimentos na regi\u00e3o passaram de 11 para 16\u201d, afirmou \u00e0 IPS o colombiano Antonio Hill, especialista em agricultura e mudan\u00e7a clim\u00e1tica da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Oxfam, que trabalha contra a pobreza e a fome. Para Hill, a Am\u00e9rica Latina tem uma responsabilidade maior como produtora de alimentos porque, ao mesmo tempo em que deve aumentar a produtividade, tem de \u201creduzir seus n\u00edveis de desigualdade, sua inseguran\u00e7a alimentar e sua pegada ecol\u00f3gica\u201d. O especialista enfatizou que \u201co mais sensato\u201d seria aumentar essa produtividade, ampliando o apoio \u00e0 agricultura familiar, especialmente \u00e0s mulheres rurais, para garantir maior disponibilidade de alimentos entre os mais pobres. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 1\/7\/2013 &ndash; Com seus recursos naturais, capacidade de produ&ccedil;&atilde;o e maior investimento, a Am&eacute;rica Latina se projeta como um dos principais fornecedores de alimentos para abastecer a crescente demanda mundial, diversa e cada vez mais sofisticada. 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