{"id":15772,"date":"2013-07-01T14:15:32","date_gmt":"2013-07-01T14:15:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=91531"},"modified":"2013-07-01T14:15:32","modified_gmt":"2013-07-01T14:15:32","slug":"brasil-tem-a-chave-para-abrir-portas-entre-mercosul-e-alianca-do-pacifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/brasil-tem-a-chave-para-abrir-portas-entre-mercosul-e-alianca-do-pacifico\/","title":{"rendered":"Brasil tem a chave para abrir portas entre Mercosul e Alian\u00e7a do Pac\u00edfico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_91533\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ca3.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-91533\" alt=\"ca3 300x225 Brasil tem a chave para abrir portas entre Mercosul e Alian\u00e7a do Pac\u00edfico\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ca3-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" title=\"Brasil tem a chave para abrir portas entre Mercosul e Alian\u00e7a do Pac\u00edfico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O Brasil continua dando as costas ao Pac\u00edfico. Duto de gr\u00e3os no complexo portu\u00e1rio de Suape, no Oceano Atl\u00e2ntico. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 1\/7\/2013 \u2013 O processo de integra\u00e7\u00e3o latino-americana tende a se bifurcar entre Mercosul e Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, mas n\u00e3o \u00e9 um destino inevit\u00e1vel e imposto pela geografia, afirmam especialistas. A Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, que re\u00fane Chile, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico e Peru, \u201cabre novas perspectivas para a Am\u00e9rica Latina\u201d, inclusive de uma integra\u00e7\u00e3o mais equilibrada, disse o soci\u00f3logo peruano Enrique Amayo, professor da Universidade Estadual Paulista, em Araraquara, interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O Mercosul (Mercado do Sul), formado por Argentina, Brasil, Uruguai, Venezuela e Paraguai (este ainda suspenso), \u00e9 um \u201cbloco fechado, no qual o tamanho do pa\u00eds decide tudo\u201d. O Brasil sempre quis impor suas regras aos demais, dificultando acordos, afirmou o acad\u00eamico de hist\u00f3ria econ\u00f4mica e de estudos internacionais latino-americanos. Assim, o surgimento de uma associa\u00e7\u00e3o de quatro economias importantes, com uma localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica vantajosa na costa do Pac\u00edfico, estabelece \u201cum equil\u00edbrio de poder na Am\u00e9rica do Sul e na Am\u00e9rica Latina\u201d, favorecendo \u201cnegocia\u00e7\u00f5es horizontais, ao dar um sentido de realidade\u201d ao Brasil e ao Mercosul, apontou Amayo.<\/p>\n<p>Isso poderia beneficiar uma aproxima\u00e7\u00e3o entre os dois blocos, em condi\u00e7\u00f5es de igualdade, sem \u201clideran\u00e7as n\u00e3o eleitas nem l\u00edderes informais carism\u00e1ticos\u201d, pontuou Amayo. Por\u00e9m, os atuais problemas do Mercosul tornam isto improv\u00e1vel. O Brasil teria que \u201cmudar sua vis\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o regional\u201d. Por\u00e9m, n\u00e3o o far\u00e1 com o atual governo de Dilma Rousseff, deixando, assim, de aproveitar \u201coportunidades din\u00e2micas\u201d que os pa\u00edses do Pac\u00edfico oferecem, como Peru ou Col\u00f4mbia, cuja economia cresce hoje muito mais do que a brasileira, afirmou Jos\u00e9 Botafogo Gon\u00e7alves, embaixador brasileiro aposentado.<\/p>\n<p>O Mercosul respondeu \u00e0s necessidades brasileiras \u201cno contexto hist\u00f3rico\u201d dos anos 1980 e 1990, quando se esgotou o ciclo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, o pa\u00eds enfrentava uma grave crise financeira e foi for\u00e7ado a superar o isolamento de seu mercado interno. A abertura comercial tinha sentido. Come\u00e7ou com a Argentina em 1988 e ampliou para Paraguai e Uruguai ao criar-se o bloco, em 1991, \u201cum passo importante para a ind\u00fastria e a agricultura\u201d brasileiras, que ganharam competitividade, analisou Gon\u00e7alves, atual vice-presidente em\u00e9rito do Centro Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (Cebri).<\/p>\n<p>Mas o Mercosul \u201cj\u00e1 n\u00e3o atende as necessidades do Brasil\u201d diante da revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do mundo, indicou o embaixador, explicando que a ind\u00fastria nacional perdeu competitividade e o mercado do bloco \u00e9 \u201cinsuficiente para recuper\u00e1-la\u201d. Agora \u00e9 preciso integrar a ind\u00fastria \u00e0s cadeias produtivas globais, sem pretender que seus insumos sejam \u201c100% nacionais\u201d, porque assim n\u00e3o se conseguir\u00e1 competitividade para exportar, opinou Gon\u00e7alves. Por exemplo, o M\u00e9xico, que optou por um caminho que hoje lhe rende frutos, ao abrir-se, nas d\u00e9cadas passadas, \u00e0 chamada ind\u00fastria da maquiagem (zonas francas de produ\u00e7\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Gon\u00e7alves, \u201cainda h\u00e1 espa\u00e7o para um acordo amplo, pragm\u00e1tico\u201d, que promova cadeias produtivas com os pa\u00edses da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, aumentando a efici\u00eancia da ind\u00fastria brasileira. Deveria ser um acordo n\u00e3o s\u00f3 de redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria, que hoje tem pouca relev\u00e2ncia porque todos j\u00e1 as baixaram muito, mas de \u201cuma verdadeira pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o, compreendendo regula\u00e7\u00f5es, energia, investimentos, infraestrutura, propriedade intelectual e comunica\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Entretanto, o diplomata n\u00e3o identifica \u201cperspectivas brilhantes\u201d nessa \u00e1rea, \u201cpelas rea\u00e7\u00f5es de irrita\u00e7\u00e3o e afastamento\u201d que observa no governo, com sua prefer\u00eancia para se aproximar de Bol\u00edvia e Equador, em lugar de faz\u00ea-lo com economias mais promissoras como as de Peru e Col\u00f4mbia. Os principais problemas do Mercosul, que ainda \u00e9 vital para o com\u00e9rcio exterior do Brasil apesar da forte queda de suas exporta\u00e7\u00f5es para a Argentina, \u00e9 que estes dois grandes s\u00f3cios abandonaram suas pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o e livre com\u00e9rcio na \u00faltima d\u00e9cada, observou Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>A Argentina o fez por suas dificuldades financeiras e n\u00e3o por oposi\u00e7\u00e3o ao seu gigante vizinho, mas, no caso do Brasil, tanto o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011) quanto sua sucessora, Dilma Rousseff, renunciaram \u00e0 integra\u00e7\u00e3o regional na pr\u00e1tica, embora mantendo o discurso, criticou Gon\u00e7alves. O motivo seria ideol\u00f3gico e \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o ao \u201cchavismo\u201d, isto \u00e9, \u00e0s ideias do falecido presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez (1954-2013).<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de Amayo, por outro lado, \u00e9 com a atitude do Brasil como grande pot\u00eancia, em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses pequenos, estabelecendo desigualdades nas negocia\u00e7\u00f5es. O exemplo estaria nas situa\u00e7\u00f5es subalternas de Paraguai e Uruguai no Mercosul. Al\u00e9m disso, a expans\u00e3o das empresas transnacionais brasileiras, apoiadas por cr\u00e9dito abundante do banco de fomento estatal, gera rea\u00e7\u00f5es negativas, detalhou.<\/p>\n<p>A Alian\u00e7a do Pac\u00edfico n\u00e3o nasceu com uma inten\u00e7\u00e3o de \u201cdividir\u201d a regi\u00e3o, mas se formou atendendo a interesses de seus membros e \u00e0 longa hist\u00f3ria de suas rela\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do Pac\u00edfico, \u201cn\u00e3o apenas com China e Jap\u00e3o\u201d, destacou Amayo. \u201cNunca foi questionado se o Mercosul dividia a Am\u00e9rica Latina\u201d, acrescentou. A hist\u00f3ria e a realidade dos pa\u00edses do Pac\u00edfico s\u00e3o ignoradas no Brasil, inclusive na diplomacia e nas institui\u00e7\u00f5es de fomento da pesquisa, que dificilmente aprovam apoios financeiros a estudos sobre o outro lado do continente, lamentou Amayo.<\/p>\n<p>O novo bloco come\u00e7a com muito dinamismo e com o pedido de ades\u00e3o da Costa Rica e do Panam\u00e1, al\u00e9m de muitos outros em car\u00e1ter de observadores, que o Uruguai j\u00e1 concretizou. O Brasil dever\u00e1 perceber em breve que a posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica \u201cpesa mais do que o tamanho\u201d, previu Amayo. \u00c9 que a Alian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do Pac\u00edfico, mas tamb\u00e9m \u00e9 \u201cbioce\u00e2nica\u201d, com acesso privilegiado \u00e0 bacia mais din\u00e2mica da economia mundial e tamb\u00e9m ao Atl\u00e2ntico, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 1\/7\/2013 &ndash; O processo de integra&ccedil;&atilde;o latino-americana tende a se bifurcar entre Mercosul e Alian&ccedil;a do Pac&iacute;fico, mas n&atilde;o &eacute; um destino inevit&aacute;vel e imposto pela geografia, afirmam especialistas. 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