{"id":15792,"date":"2013-07-02T12:20:45","date_gmt":"2013-07-02T12:20:45","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=91712"},"modified":"2013-07-02T12:20:45","modified_gmt":"2013-07-02T12:20:45","slug":"juventude-apolitica-reinventa-a-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/juventude-apolitica-reinventa-a-politica\/","title":{"rendered":"Juventude \u201capol\u00edtica\u201d reinventa a pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_91713\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/n11.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-91713\" alt=\"n11 300x225 Juventude \u201capol\u00edtica\u201d reinventa a pol\u00edtica\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/n11-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" title=\"Juventude \u201capol\u00edtica\u201d reinventa a pol\u00edtica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A estudante Stephany Gon\u00e7alves dos Santos escreve seu politizado cartaz. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 2\/7\/2013 \u2013 Com palavras de ordem contra os partidos pol\u00edticos, as manifesta\u00e7\u00f5es juvenis no Brasil trazem consigo o paradoxo de uma nova e efetiva forma de fazer pol\u00edtica, que consegue respostas concretas dos poderes do Estado. A palavra de ordem nas ruas \u00e9 \u201cpartidos pol\u00edticos, n\u00e3o\u201d, e a maioria dos manifestantes se declara, com orgulho \u201capol\u00edtica\u201d. \u201cN\u00e3o tenho nenhum partido\u201d, diz \u00e0 IPS a estudante Stephany Gon\u00e7alves dos Santos.<\/p>\n<p>Como centenas de milhares de estudantes que protestam, convocados por meio das redes sociais, como o Facebook, ela escreve um cartaz para um protesto no Rio de Janeiro, com l\u00e1pis de cor em uma simples cartolina. E escolhe a frase \u201cUm filho teu n\u00e3o foge \u00e0 luta\u201d, do hino nacional brasileiro. \u201cEstou aqui por um ideal de pa\u00eds. quero que meu pa\u00eds seja democr\u00e1tico. Mas onde h\u00e1 repress\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 democracia\u201d, argumentou Stephany, referindo-se \u00e0 dura resposta policial que, longe de aplacar os protestos, estimulou muitos a aderirem a eles.<\/p>\n<p>\u201cO governo quer alienar o povo com o futebol\u201d, acrescentou, ao abordar outro tema de descontentamento: os gastos milion\u00e1rios em instala\u00e7\u00f5es para competi\u00e7\u00f5es esportivas como a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimp\u00edadas em 2016. Stephany vive em um pa\u00eds onde diariamente se respira futebol e este \u00e9 parte de uma cultura popular t\u00e3o arraigada quanto o carnaval. Mas reclama, indignada, do dinheiro que se deixou de investir em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade para construir grandes instala\u00e7\u00f5es esportivas. \u201cConstru\u00edram est\u00e1dios de primeiro mundo, mas ao redor deles n\u00e3o temos nada. \u00c9 uma falta de respeito com o povo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A revolta nasceu de um tema espec\u00edfico: o aumento das passagens de \u00f4nibus, servi\u00e7o j\u00e1 caro e ineficiente. Por\u00e9m, se estendeu a outras \u00e1reas: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e a suposta corrup\u00e7\u00e3o de muitos dirigentes pol\u00edticos. \u201cA maioria dos que participam do movimento constitui uma massa de jovens que se sentem muito desgostosos com a atual vida pol\u00edtica\u201d, apontou \u00e0 IPS o especialista pol\u00edtico William Gon\u00e7alves, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. \u201cEles repudiam a corrup\u00e7\u00e3o e a cumplicidade de for\u00e7as que se apresentam como progressistas com as que s\u00e3o s\u00edmbolo do atraso\u201d, afirmou, referindo-se a alian\u00e7as parlamentares forjadas pelos partidos para governarem.<\/p>\n<p>Pelas dimens\u00f5es e pela diversidade territorial do Brasil e da sua popula\u00e7\u00e3o, nenhum partido pode assegurar a Presid\u00eancia e a maioria das cadeiras no Congresso. \u201cDesta forma, temos um parlamentarismo disfar\u00e7ado, j\u00e1 que todos os partidos que chegam \u00e0 Presid\u00eancia s\u00f3 podem governar aliando-se a outros que t\u00eam a \u00fanica ambi\u00e7\u00e3o de obter cargos em troca de apoio parlamentar\u201d, explicou Gon\u00e7alves. \u201cAt\u00e9 o Partido dos Trabalhadores \u00e9 prisioneiro dessa alian\u00e7a. A sa\u00edda seria uma reforma pol\u00edtica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tal reforma, largamente reclamada, n\u00e3o sa\u00eda das gavetas oficiais. E, curiosamente, foi o susto diante da \u201capol\u00edtica\u201d ebuli\u00e7\u00e3o das ruas que conseguiu em poucos dias que esse assunto entrasse na agenda oficial. Os manifestantes tamb\u00e9m conseguiram reduzir o pre\u00e7o do transporte p\u00fablico, a aprova\u00e7\u00e3o em tempo recorde de uma lei que declara a corrup\u00e7\u00e3o crime \u201chediondo\u201d e a vota\u00e7\u00e3o de outra lei para destinar <i>royalties<\/i> do petr\u00f3leo para a sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 ser apol\u00edtico? O dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, acredita que n\u00e3o. \u201cA juventude n\u00e3o \u00e9 apol\u00edtica, pelo contr\u00e1rio. Tanto n\u00e3o \u00e9, que levou a pol\u00edtica \u00e0s ruas, mesmo sem ter consci\u00eancia de seu significado\u201d, afirmou em uma entrevista ao jornal <i>Brasil de Fato<\/i>. \u201cA juventude est\u00e1 cansada dessa forma de fazer pol\u00edtica, burguesa e mercantilista. O mais grave \u00e9 que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se amoldaram a esses m\u00e9todos. E, portanto, gerou-se na juventude uma repulsa \u00e0 forma de atuar dos partidos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para o historiador Marcelo Carreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, \u201ceste \u00e9 um novo dado da hist\u00f3ria nacional, cujo contexto j\u00e1 era claramente observ\u00e1vel no esvaziamento dessas institui\u00e7\u00f5es\u201d. Carreiro disse \u00e0 IPS que \u201cas manifesta\u00e7\u00f5es confirmam essa caducidade das institui\u00e7\u00f5es e mostram, apesar de tudo, que a popula\u00e7\u00e3o pode estar mais politicamente ativa que nunca\u201d.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas poderes do Estado tomaram nota e j\u00e1 come\u00e7am a propor e discutir formas alternativas de incluir a cidadania em mecanismos mais din\u00e2micos e participativos. A presidente Dilma Rousseff deu um passo nessa dire\u00e7\u00e3o ao admitir que \u201cestas vozes t\u00eam de ser ouvidas\u201d porque \u201cdeixaram evidente que superam os mecanismos tradicionais das institui\u00e7\u00f5es, dos partidos, das entidades de classe e da pr\u00f3pria imprensa\u201d. Uma proposta em debate \u00e9 estabelecer a consulta popular como instrumento permanente de democracia direta.<\/p>\n<p>Algumas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais prop\u00f5em, por outro lado, a participa\u00e7\u00e3o efetiva de diferentes grupos sociais, comunidades e bairros, em decis\u00f5es sobre onde e como aplicar or\u00e7amentos de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, infraestrutura, transporte e saneamento. \u201cTudo o que est\u00e1 acontecendo com estas novas express\u00f5es da sociedade em rede \u2013 no Brasil e em outros pa\u00edses \u2013 aponta para uma reinven\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica para reinventar a democracia\u201d, opinou Augusto de Franco, diretor da organiza\u00e7\u00e3o Escola de Redes. Os jovens manifestantes atiraram a primeira pedra, e n\u00e3o somente contra a repress\u00e3o policial. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 2\/7\/2013 &ndash; Com palavras de ordem contra os partidos pol&iacute;ticos, as manifesta&ccedil;&otilde;es juvenis no Brasil trazem consigo o paradoxo de uma nova e efetiva forma de fazer pol&iacute;tica, que consegue respostas concretas dos poderes do Estado. 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