{"id":15794,"date":"2013-07-02T12:40:22","date_gmt":"2013-07-02T12:40:22","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=91722"},"modified":"2013-07-11T12:35:47","modified_gmt":"2013-07-11T12:35:47","slug":"expansao-monetaria-o-remedio-pode-ser-pior-do-que-a-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/expansao-monetaria-o-remedio-pode-ser-pior-do-que-a-doenca\/","title":{"rendered":"Expans\u00e3o monet\u00e1ria, o rem\u00e9dio pode ser pior do que a doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ca2.jpg\"><img class=\"alignleft size-medium wp-image-91723\" alt=\"ca2 300x250 Expans\u00e3o monet\u00e1ria, o rem\u00e9dio pode ser pior do que a doen\u00e7a\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ca2-300x250.jpg\" width=\"300\" height=\"250\" title=\"Expans\u00e3o monet\u00e1ria, o rem\u00e9dio pode ser pior do que a doen\u00e7a\" \/><\/a>Rio de Janeiro, Brasil, julho\/2013 \u2013 Os l\u00edderes mundiais demoraram algum tempo para se darem conta de que a crise financeira, iniciada ap\u00f3s o colapso do setor das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos, em 2007, n\u00e3o esgotaria seus efeitos em uma simples recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a maior parte de 2007 e 2008, as autoridades governamentais, especialmente nos Estados Unidos, argumentaram, corretamente, que os cr\u00e9ditos hipotec\u00e1rios de alto risco eram um segmento relativamente pequeno do sistema financeiro norte-americano, concluindo, erroneamente, que a crise poderia ser facilmente contida mediante os recursos convencionais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Departamento do Tesouro e do Federal Reserve.<\/p>\n<p>Entretanto, a crise se estendeu a outros setores dos mercados financeiros norte-americanos e, em setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers, se propagou para grande parte do mundo.<\/p>\n<p>Sucessivamente, a provis\u00e3o de cr\u00e9ditos se contraiu e a crise financeira se transformou em uma crise econ\u00f4mica, com uma produ\u00e7\u00e3o minguante e crescente desemprego.<\/p>\n<p>A comprova\u00e7\u00e3o de que a crise era mais profunda do que o previsto inicialmente fez com que os governos reagissem mediante a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas antirrecessivas. Foram aplicadas pol\u00edticas fiscais e expans\u00f5es monet\u00e1rias, de uma forma ou outra, n\u00e3o s\u00f3 nos Estados Unidos e na Europa ocidental, mas tamb\u00e9m em muitos pa\u00edses em desenvolvimento, entre 2008 e 2009.<\/p>\n<p>O colapso da produ\u00e7\u00e3o e o emprego nas economias industrializadas foi contido, e o fantasma de um desastre como o do come\u00e7o dos anos 1930 foi exorcizado, ao menos temporariamente e para alguns pa\u00edses. Neste ponto, o debate nas na\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas sobre as pol\u00edticas econ\u00f4micas mudou de rumo.<\/p>\n<p>Embora a recess\u00e3o continuasse e o desemprego aumentasse mais do que antes da crise, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, o debate deixou de centrar-se nos problemas reais e se alojou no equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os conservadores, desde a lun\u00e1tica extrema direita do Tea Party nos Estados Unidos, at\u00e9 os governos do norte da Europa guiados por partidos ou coaliz\u00f5es de direita, puseram freio \u00e0s pol\u00edticas fiscais dirigidas a incentivar a produ\u00e7\u00e3o e o emprego.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o recurso das pol\u00edticas fiscais antirrecessivas se tornaram publicamente inaceit\u00e1veis, mesmo quando a produ\u00e7\u00e3o diminui e o desemprego cresce. Nestas condi\u00e7\u00f5es, s\u00f3 resta um instrumento para enfrentar a crise: a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, esta pol\u00edtica opera na economia mediante varia\u00e7\u00f5es das taxas de juros. Mas os juros aplicados por autoridades monet\u00e1rias, como o Federal Reserve dos Estados Unidos ou o Banco da Inglaterra, por exemplo, j\u00e1 eram muito baixos, pr\u00f3ximos de zero.<\/p>\n<p>Portanto, pouco podia fazer a pol\u00edtica monet\u00e1ria convencional para compensar a falta de uma pol\u00edtica fiscal antirrecessiva racional.<\/p>\n<p>Neste contexto, foram formuladas as pol\u00edticas de expans\u00e3o monet\u00e1ria quantitativa nos Estados Unidos, na Gr\u00e3-Bretanha e mais recentemente no Jap\u00e3o, enquanto o Banco Central Europeu n\u00e3o termina de definir sua pr\u00f3pria pol\u00edtica.<\/p>\n<p>As manobras de expans\u00e3o monet\u00e1ria s\u00e3o simplesmente iniciativas para injetar dinheiro na economia em quantidade suficiente para estimular a oferta de cr\u00e9dito para empresas e consumidores.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os resultados destas pol\u00edticas? Certamente, as economias industrializadas que as adotaram ainda est\u00e3o lidando com a crise. Uma leitura generosa costuma sustentar que, embora as coisas ainda n\u00e3o estejam bem, estariam muito pior se essas pol\u00edticas n\u00e3o fossem aplicadas.<\/p>\n<p>Para as economias em desenvolvimento, o impacto \u00e9 certamente amb\u00edguo. Por um lado, costuma-se argumentar que, se n\u00e3o mediassem as manobras de expans\u00e3o monet\u00e1ria, os pa\u00edses industrializados estariam em uma situa\u00e7\u00e3o muito pior, e que isto repercutiria nas economias em desenvolvimento. Com uma recess\u00e3o mais profunda nas economias industrializadas, o interc\u00e2mbio comercial teria ca\u00eddo ainda mais, criando problemas na balan\u00e7a de pagamentos de muitos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos pa\u00edses em desenvolvimento, a expans\u00e3o monet\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 a melhor maneira de apoiar a produ\u00e7\u00e3o e o emprego. Adotada pelos pa\u00edses avan\u00e7ados, induz uma abundante liquidez que se oferece a juros muito baixos, e isto faz com que uma parte dessa massa monet\u00e1ria migre em busca de maiores rendimentos, provocando a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda do pa\u00eds que a pratica.<\/p>\n<p>Esta manobra produz dois est\u00edmulos pelo pre\u00e7o de um: os menores juros estimulam a produ\u00e7\u00e3o interna e os investimentos, e as moedas desvalorizadas estimulam as exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para os pa\u00edses em desenvolvimento a situa\u00e7\u00e3o se inverte: recebem uma excessiva liquidez externa que valoriza suas moedas, encarecendo suas exporta\u00e7\u00f5es e barateando suas importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Este processo faz surgir um d\u00e9ficit na balan\u00e7a de pagamentos que se pode financiar facilmente, precisamente, gra\u00e7as \u00e0 enorme liquidez circulante.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 at\u00e9 o momento em que a expans\u00e3o quantitativa nos pa\u00edses avan\u00e7ados se interrompe e os pa\u00edses receptores descobrem, como ocorreu tantas vezes no passado, que acumularam uma d\u00edvida externa que pode lev\u00e1-los \u00e0 crise.<\/p>\n<p>Seria melhor que os pa\u00edses industrializados n\u00e3o praticassem a expans\u00e3o monet\u00e1ria? Bem, os governos destes pa\u00edses tinham que fazer algo para enfrentar a crise, e a pol\u00edtica monet\u00e1ria era o \u00fanico instrumento que lhes restava ap\u00f3s o veto dos partidos de direita contra a pol\u00edtica fiscal.<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 inquestion\u00e1vel que seria prefer\u00edvel uma pol\u00edtica fiscal antirrecessiva nos pa\u00edses avan\u00e7ados, porque estimula suas economias sem desvalorizar suas moedas.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o fiscal, em contraste com a monet\u00e1ria, n\u00e3o prejudica os demais pa\u00edses.<\/p>\n<p>Precisamente, o Federal Reserve dos Estados Unidos j\u00e1 anunciou que, em um prazo relativamente breve, espera frear a terceira manobra de expans\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Esta pr\u00e1tica causou os efeitos nocivos nos pa\u00edses em desenvolvimento que apontei, mas sua interrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apresenta riscos.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, que as taxas de juros aumentem muito e rapidamente, criando s\u00e9rios problemas aos pa\u00edses e \u00e0s empresas que tomaram empr\u00e9stimos neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>A volatilidade que pode engendrar mediante mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema em si mesmo, pois afugenta os investidores e deprime a produ\u00e7\u00e3o. Uma pol\u00edtica de est\u00edmulo para sair de uma depress\u00e3o \u00e9 a atitude correta, mas a expans\u00e3o monet\u00e1ria \u00e9 um instrumento que, definitivamente, representa grandes riscos, em curto e m\u00e9dio prazos, para a situa\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, julho\/2013 &ndash; Os l&iacute;deres mundiais demoraram algum tempo para se darem conta de que a crise financeira, iniciada ap&oacute;s o colapso do setor das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos, em 2007, n&atilde;o esgotaria seus efeitos em uma simples recess&atilde;o. 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