{"id":15800,"date":"2013-07-03T14:03:24","date_gmt":"2013-07-03T14:03:24","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=91901"},"modified":"2013-07-03T15:17:17","modified_gmt":"2013-07-03T15:17:17","slug":"o-himalaia-e-um-tsunami-de-origem-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/o-himalaia-e-um-tsunami-de-origem-humana\/","title":{"rendered":"O Himalaia e um tsunami de origem humana"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_91903\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/India.jpg\"><img class=\" wp-image-91903 \" alt=\"India O Himalaia e um tsunami de origem humana\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/India.jpg\" width=\"529\" height=\"333\" title=\"O Himalaia e um tsunami de origem humana\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As for\u00e7as de defesa da \u00cdndia resgatam um peregrino ap\u00f3s as inunda\u00e7\u00f5es no Estado de Uttarakhand. Foto: Sujoy Dhar\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 3\/7\/2013 \u2013 Nos sub\u00farbios de Rudraprayag, localidade do Estado indiano de Uttarakhand cujos muitos templos exercem particular magnetismo sobre turistas e peregrinos hindus, os visitantes costumam parar para comer em um popular hotel constru\u00eddo junto ao rio Alakananda. Este \u00e9 um dos dois principais afluentes do Ganges, a sagrada linha de salva\u00e7\u00e3o da \u00cdndia que flui desde o monte Gomukh, na enorme geleira Gangotri no Himalaia, reverenciado qual deus. Uma noite de hotel custa barato, e os turistas nacionais e internacionais se aproximam para admirar a imponente paisagem das sacadas voltadas para as montanhas e geleiras que constituem 90% do Estado.<\/p>\n<p>Entretanto, por mais id\u00edlico que seja o cen\u00e1rio, este hotel teve um papel involunt\u00e1rio em um dos piores desastres naturais que o Estado j\u00e1 viu. Aconteceu no dia 15 do m\u00eas passado, quando inunda\u00e7\u00f5es repentinas, causadas por um aguaceiro e derretimento nas geleiras, arrasaram com milhares de peregrinos desprevenidos, no que os cientistas agora chamam de \u201ctsunami do Himalaia\u201d. O ministro-chefe do Estado dizia, no dia 27, que poderia haver mais de mil mortos. Na manh\u00e3 do dia 28 foram encontrados 300 cad\u00e1veres debaixo de lama, junto ao maior templo do povoado de Kedarnath.<\/p>\n<p>Incont\u00e1veis turistas ficaram presos durante dias em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis, at\u00e9 que a For\u00e7a de Defesa indiana os resgatou por via a\u00e9rea. Enquanto o governo se esfor\u00e7ava nas opera\u00e7\u00f5es de resgate, ambientalistas diziam que o desastre n\u00e3o foi simplesmente um fen\u00f4meno natural incomum, mas o resultado da constru\u00e7\u00e3o desenfreada na Terra dos Deuses. Durante anos, uma ind\u00fastria tur\u00edstica em auge, pela constru\u00e7\u00e3o ilegal de milhares de pousadas, fez florescer enormes projetos hidrel\u00e9tricos nos rios, enquanto outras obras de infraestrutura projetadas para abrigar as ondas de visitantes pressionaram indevidamente esta fr\u00e1gil zona ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m afirmam que a instala\u00e7\u00e3o de represas no Ganges, a invas\u00e3o do leito do rio e as atividades de minera\u00e7\u00e3o semeiam o caos na regi\u00e3o. \u201cN\u00e3o houve uma avalia\u00e7\u00e3o correta do impacto ambiental ou social para os projetos\u201d, disse \u00e0 IPS Himanshu Thakkar, coordenador da Rede da \u00c1sia Meridional sobre Represas, Rios e Popula\u00e7\u00e3o. Segundo Mallika Bhanot, integrante do Ganges Ahvaan, um f\u00f3rum p\u00fablico para salvar o rio sagrado, cerca de 244 represas foram constru\u00eddas ao longo do rio, enquanto outras tr\u00eas acabaram canceladas, depois que um trecho de cem quil\u00f4metros, desde a desembocadura de Gomukh at\u00e9 a localidade de Uttarkashi, foi declarado zona ecologicamente sens\u00edvel, em dezembro de 2012.<\/p>\n<p>\u201cInclusive a notifica\u00e7\u00e3o por parte do governo em Nova D\u00e9lhi bateu de frente com a oposi\u00e7\u00e3o do governo de Uttarakhand\u201d, observou Bhanot \u00e0 IPS, apesar de ter sido projetada ap\u00f3s minuciosa avalia\u00e7\u00e3o da topografia, e com a inten\u00e7\u00e3o de preservar vidas humanas em uma \u00e1rea propensa a deslizamentos de terra. Arrepiantes filmagens do desastre registraram pr\u00e9dios de muitos andares desmoronando dentro do rio como um castelo de cartas, enquanto autom\u00f3veis, pontes e lojas eram arrastados pelo torvelinho. Segundo ativistas, tudo isto poderia ter sido previsto se o governo estadual tivesse respondido aos pedidos de parar a constru\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas pr\u00f3ximas ao rio.<\/p>\n<p>O Centro para a Ci\u00eancia e o Meio Ambiente (CSE), com sede em Nova D\u00e9lhi, tamb\u00e9m rastreia o v\u00ednculo entre o desastre e a maneira como se implementa o desenvolvimento nesta regi\u00e3o \u00fanica. Reconhecendo a import\u00e2ncia econ\u00f4mica da gera\u00e7\u00e3o de energia, a diretora-geral do CSE, Sunita Narain, colocou em d\u00favida que \u201co governo central ou o estadual tenham considerado alguma vez o impacto acumulativo dos projetos hidrel\u00e9tricos sobre os rios e as montanhas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, h\u00e1 cerca de 70 projetos constru\u00eddos (ou para serem constru\u00eddos) no rio Ganges, que se espera v\u00e3o gerar cerca de dez mil megawatts\u201d, disse Narain \u00e0 IPS. Os canais de desvio e as reservas afetar\u00e3o 80% de Bhagirathi, segundo afluente do Ganges, e 65% do Alakananda, advertiu Narain. Durante a temporada seca, vastos trechos do rio secar\u00e3o completamente. Essas atividades s\u00e3o muito lucrativas para os construtores, o que torna quase imposs\u00edvel que pequenas organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas sejam ouvidas, opinou Narain.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um forte <i>lobby<\/i> da constru\u00e7\u00e3o em Uttarakhand\u201d, apontou Bhanot, acrescentando que os fundos eleitorais de muitos pol\u00edticos procedem diretamente de projetos hidrel\u00e9tricos. H\u00e1 in\u00fameras alternativas verdes, o que inclui a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade a partir da fuma\u00e7a emitida pela queima da galhos secos de pinheiros para movimentar turbinas, bem como de outro tipo de biomassa ou minicentrais hidrel\u00e9tricas, capazes de gerar dois megawatts. Por\u00e9m, estes planos, menos rent\u00e1veis economicamente, n\u00e3o agradam as corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Narain argumentou que este desastre em particular n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo unicamente \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas que \u00e9 ineg\u00e1vel a crescente tend\u00eancia a eventos meteorol\u00f3gicos extremos, especialmente uma mon\u00e7\u00e3o mais intensa e imprevis\u00edvel. Embora admita-se amplamente que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 o resultado da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e da emiss\u00e3o de quantidades excessivas de di\u00f3xido de carbono na atmosfera, est\u00e1 claro que a atual trag\u00e9dia foi induzida pelos seres humanos, enfatizou Thakkar.<\/p>\n<p>O transbordamento de lagos glaciais nas montanhas, que junto arrastaram pedras, s\u00e3o apenas outro sinal de que se alterou o delicado equil\u00edbrio das for\u00e7as da natureza, e Uttarakhand est\u00e1 pagando o pre\u00e7o. O turismo pode ser a coluna vertebral da economia de Uttarakhand, mas agora est\u00e1 claro que os visitantes e os peregrinos s\u00e3o muitos: segundo dados do governo, 42,2 milh\u00f5es de turistas indianos e 227 mil estrangeiros chegaram \u00e0 regi\u00e3o em 2012. Espera-se que esses n\u00fameros dupliquem at\u00e9 2017, enquanto o Estado se prepara para dar as boas-vindas a 77,7 milh\u00f5es de viajantes do pa\u00eds e a quase 400 mil do exterior.<\/p>\n<p>Estas visitas n\u00e3o estar\u00e3o acompanhadas apenas por dejetos humanos e pela contamina\u00e7\u00e3o causada pelo transporte, mas tamb\u00e9m pela infinita constru\u00e7\u00e3o de hot\u00e9is e pela justificativa de mais megaprojetos do que nunca. Especialistas como Thakkar insistem que o setor seja regulado com base em uma adequada avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da regi\u00e3o. Isso n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, j\u00e1 que o turismo atrai renda muita necess\u00e1ria ao Estado. O governo estima que cada turista gasta, em m\u00e9dia, US$ 38 por dia, boa parte dos quais vai diretamente para os cofres p\u00fablicos por meio do pagamento de entradas em locais religiosos.<\/p>\n<p>Embora esta entrada de dinheiro em raz\u00e3o do \u201cturismo religioso e cultural seja uma salva\u00e7\u00e3o para muitos, n\u00e3o ser\u00e1 sustent\u00e1vel, a menos que todas as atividades de desenvolvimento tenham em conta a vulnerabilidade da \u00e1rea\u201d, advertiu Thakkar. O Himalaia, a cordilheira mais jovem do mundo, j\u00e1 \u00e9 propensa a eros\u00e3o, deslizamento de terra e atividades s\u00edsmicas. \u201cO desenvolvimento n\u00e3o pode acontecer \u00e0 custa do meio ambiente em nenhuma regi\u00e3o do pa\u00eds, muito menos no Himalaia\u201d, concluiu Narain. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 3\/7\/2013 &ndash; Nos sub&uacute;rbios de Rudraprayag, localidade do Estado indiano de Uttarakhand cujos muitos templos exercem particular magnetismo sobre turistas e peregrinos hindus, os visitantes costumam parar para comer em um popular hotel constru&iacute;do junto ao rio Alakananda. 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