{"id":15822,"date":"2013-07-04T12:35:33","date_gmt":"2013-07-04T12:35:33","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=92050"},"modified":"2013-07-04T12:35:33","modified_gmt":"2013-07-04T12:35:33","slug":"sudao-arremete-contra-mulheres-ativistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/sudao-arremete-contra-mulheres-ativistas\/","title":{"rendered":"Sud\u00e3o arremete contra mulheres ativistas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_92051\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 459px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Sudao.jpg\"><img class=\" wp-image-92051  \" alt=\"Sudao Sud\u00e3o arremete contra mulheres ativistas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Sudao.jpg\" width=\"449\" height=\"333\" title=\"Sud\u00e3o arremete contra mulheres ativistas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As mulheres sudanesas tamb\u00e9m s\u00e3o alvo das t\u00e1ticas repressoras do governo, especialmente quando se manifestam contra ele. Foto: Zeinab Mohammed Salih\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cartum, Sud\u00e3o, 4\/7\/2013 \u2013 Cada vez mais mulheres militantes pol\u00edticas e ativistas pelos direitos humanos s\u00e3o detidas e presas no Sud\u00e3o, como parte da repress\u00e3o que o governo exerce contra os partidos opositores. Asma Ahmed, advogada e integrante do proibido Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular do Sud\u00e3o-Norte (SPLM-N), foi libertada em 14 de junho ap\u00f3s ficar cinco semanas detida. Ela acredita que as autoridades sudanesas se voltam cada vez mais contra as mulheres porque nos \u00faltimos anos se tornaram mais ativas na arena pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p>\u201cTomar por alvo as ativistas acontece porque continuamos enviando nossas mensagens de maneira efetiva. Se n\u00e3o o fiz\u00e9ssemos, n\u00e3o nos deteriam. No entanto, as deten\u00e7\u00f5es n\u00e3o far\u00e3o com que as mulheres fiquem menos dispostas a continuar no ativismo\u201d, declarou Ahmed \u00e0 IPS. O rebelde SPLM-N foi proibido em 2011, quando pegou em armas contra as for\u00e7as do governo nos Estados sudaneses de Kordofan do Sul e Nilo Azul.<\/p>\n<p>\u201cMinha casa j\u00e1 era vigiada alguns dias antes de minha deten\u00e7\u00e3o. Oficiais dos Servi\u00e7os Nacionais de Intelig\u00eancia e Seguran\u00e7a (Niss) disseram \u00e0 minha fam\u00edlia que eu havia sido intimada, assim, fui ao interrogat\u00f3rio no norte de Cartum e nesse dia n\u00e3o voltei para casa\u201d, contou Ahmed. Segundo a Anistia Internacional, a Lei de Seguran\u00e7a Nacional do Sud\u00e3o, de 2010, \u201cd\u00e1 aos agentes dos servi\u00e7os de seguran\u00e7a amplos poderes de pris\u00e3o e deten\u00e7\u00e3o\u201d. Torturas e outros abusos s\u00e3o pr\u00e1ticas generalizadas.<\/p>\n<p>Em abril, a Human Rights Watch informava em um comunicado que, \u201cnos \u00faltimos meses, o governo sudan\u00eas aumentou a repress\u00e3o a grupos pol\u00edticos e da sociedade civil. as autoridades fecharam quatro organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil em dezembro, acusando-as de receberem fundos estrangeiros, tamb\u00e9m fecharam organiza\u00e7\u00f5es culturais em Nuba, e ultimamente reimpuseram as restri\u00e7\u00f5es aos meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 claro quantas mulheres est\u00e3o detidas. O independente Conselho Sudan\u00eas para a Defesa dos Direitos e das Liberdades, integrado por ativistas, advogados e pol\u00edticos, declarou que o SPLM-N tem 600 integrantes na pris\u00e3o, muitos deles mulheres. Estas n\u00e3o est\u00e3o livres das t\u00e1ticas atemorizantes usadas pelos servi\u00e7os de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Os fatos que culminaram na pris\u00e3o de Entisar Al-Agali s\u00e3o quase como um filme de a\u00e7\u00e3o de Hollywood. No dia 7 de janeiro, enquanto ela se dirigia para casa, voltando de uma reuni\u00e3o, um autom\u00f3vel do Niss come\u00e7ou a segui-la at\u00e9 ela chegar \u00e0 rua \u00c1frica, em Cartum. \u201cTentaram parar meu carro, mas acelerei e procurei fugir. Eles me alcan\u00e7aram e bateram por tr\u00e1s no meu autom\u00f3vel e, como eu tentava evitar um acidente, parei o carro\u201d, contou Al-Agali \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Al-Agali retornara de Kampala, em Uganda, onde participou das conversa\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do rascunho da Carta do Novo Amanhecer, um documento assinado por partidos opositores sudaneses, bem como por grupos rebeldes e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, que aborda os m\u00e9todos para derrubar o regime sudan\u00eas e instaurar um governo de transi\u00e7\u00e3o neste pa\u00eds devastado pela guerra.<\/p>\n<p>\u201cPassei 87 dias na Pris\u00e3o de Mulheres de Omdurman, dos quais 75 na solit\u00e1ria\u201d, disse Al-Agali, integrante da dire\u00e7\u00e3o do opositor Partido Socialista Unionista Nasserista. Ela foi a \u00fanica mulher detida ap\u00f3s a assinatura da Carta do Novo Amanhecer em 6 de janeiro, ocasi\u00e3o em que houve uma onda de deten\u00e7\u00f5es de l\u00edderes pol\u00edticos. Por\u00e9m, ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica mulher que nos \u00faltimos dois anos passou semanas ou meses detida.<\/p>\n<p>Em novembro de 2012, 34 supostos membros do SPLM-N, a maioria deles funcion\u00e1rios governamentais, foram detidos em Kadugli, capital do Estado de Kordof\u00e3 do Sul. No dia 26 de abril, foram libertados 14 deles, e os outros continuam detidos na pris\u00e3o dessa cidade.<\/p>\n<p>Jadiya Mohammad Badr foi uma das detidas e libertadas, e agora permanece com a fam\u00edlia em Cartum. \u201cEla sofreu ferimentos graves e fraturou dois discos da coluna vertebral ao escorregar enquanto estava presa. Agora, precisa pagar o tratamento de seu pr\u00f3prio bolso\u201d, disse \u00e0 IPS uma ativista que arrecada fundos para ajudar Badr, e que pediu para n\u00e3o ser identificada, pois teme por sua seguran\u00e7a. Por\u00e9m, a governamental Comiss\u00e3o Nacional de Direitos Humanos tenta colocar-se como \u00f3rg\u00e3o de defesa dos presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Abdelmoniem Mohammad, advogado de direitos humanos que vigiou a Comiss\u00e3o em outros casos, disse \u00e0 IPS que esta n\u00e3o \u00e9 receptiva aos de opress\u00e3o pol\u00edtica, como o de Yalila Jamis. \u201cA Comiss\u00e3o pediu que apresent\u00e1ssemos casos de presos pol\u00edticos. Mas sou c\u00e9tico, pois foram lentos para agirem no caso de Jamis\u201d, acrescentou. Jamis, professora e ativista pelos direitos humanos, foi detida em mar\u00e7o de 2012 por causa de um v\u00eddeo que gravou sobre a guerra em sua terra natal, as montanhas de Nuba, em Kordof\u00e3 do Sul.<\/p>\n<p>Os combates entre o ex\u00e9rcito sudan\u00eas e o rebelde SPLM-N acontecem nessa regi\u00e3o desde junho de 2011. Jamis foi condenada a pris\u00e3o perp\u00e9tua, mas acabou solta em janeiro, ap\u00f3s um longo julgamento. \u201cFui submetida a longos interrogat\u00f3rios. O pior foi quando me disseram que matariam meu filho. Naquela \u00e9poca, fui diagnosticada com hipertens\u00e3o arterial \u201d, disse Jamis \u00e0 IPS. Apesar de ter sido libertada, continua sob controle da seguran\u00e7a estatal.<\/p>\n<p>Embora seja dif\u00edcil dizer quantas mulheres militantes h\u00e1 na pris\u00e3o, uma, que pediu para n\u00e3o ser identificada, disse \u00e0 IPS que, \u201cquando os familiares de uma detida em Kosti (cidade ao sul de Cartum) a visitaram na pris\u00e3o, lhes deram uma longa lista de nomes para que escolhesse. Isto significa que h\u00e1 muitas outras presas sobre as quais nada sabemos\u201d. Fatima Ghazzali, ativista pela democracia e jornalista que trabalha para a editoria de pol\u00edtica do jornal <i>Al-Jareeda<\/i>, informou que as mulheres est\u00e3o na primeira linha dos que reclamam democracia e liberdade no Sud\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 de mulheres a maioria dos refugiados deste pa\u00eds. Elas ficam com a pior parte da guerra. S\u00e3o as que mais sofrem sob regimes autorit\u00e1rios, por isso n\u00e3o me surpreende ver que s\u00e3o as mais ansiosas para ter democracia no Sud\u00e3o\u201d, observou Ghazzali \u00e0 IPS, acrescentando que s\u00f3 a democracia dar\u00e1 \u00e0s mulheres seus plenos direitos e as proteger\u00e1 das for\u00e7as de seguran\u00e7a. A participa\u00e7\u00e3o cada vez maior de mulheres ativistas nos recentes protestos e campanhas fez com que inclusive a pol\u00edcia notasse a presen\u00e7a feminina nas reclama\u00e7\u00f5es por democracia, contou Ghazzali, que em 2011 foi detida por escrever um artigo sobre a viola\u00e7\u00e3o de uma manifestante nas m\u00e3os de uma gangue. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cartum, Sud&atilde;o, 4\/7\/2013 &ndash; Cada vez mais mulheres militantes pol&iacute;ticas e ativistas pelos direitos humanos s&atilde;o detidas e presas no Sud&atilde;o, como parte da repress&atilde;o que o governo exerce contra os partidos opositores. 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