{"id":15827,"date":"2013-07-05T12:47:11","date_gmt":"2013-07-05T12:47:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=92243"},"modified":"2013-07-05T12:47:11","modified_gmt":"2013-07-05T12:47:11","slug":"e-urgente-um-sistema-integrado-de-transporte-urbano-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/e-urgente-um-sistema-integrado-de-transporte-urbano-no-brasil\/","title":{"rendered":"\u00c9 urgente um sistema integrado de transporte urbano no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_92244\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/corredores.jpg\"><img class=\" wp-image-92244 \" alt=\"corredores \u00c9 urgente um sistema integrado de transporte urbano no Brasil\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/corredores.jpg\" width=\"529\" height=\"274\" title=\"\u00c9 urgente um sistema integrado de transporte urbano no Brasil\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os corredores de \u00f4nibus, como o instalado na zona oeste do Rio de Janeiro, t\u00eam baixo custo comparativo e f\u00e1cil implanta\u00e7\u00e3o. Foto: ITDP\/Leonardo Miguel Silva Martins<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 5\/7\/2013 \u2013 Corredores para \u00f4nibus, ciclovias e \u00e1reas para pedestres s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es fact\u00edveis para enfrentar o colapso do transporte nas grandes cidades do Brasil. Por\u00e9m, interesses econ\u00f4micos, burocracia e falta de estrat\u00e9gias para um sistema integrado retardam um processo que agora os protestos tornam urgente. \u201cO tr\u00e1fego \u00e9 terr\u00edvel no Rio de Janeiro, e a bicicleta \u00e9 mais r\u00e1pida e, al\u00e9m disso, fa\u00e7o exerc\u00edcio\u201d, disse \u00e0 IPS a produtora cinematogr\u00e1fica Miriam Gerber, que utiliza este ve\u00edculo para ir e voltar do trabalho, fazer compras ou apenas passear.<\/p>\n<p>No entanto, o tr\u00e2nsito e a insufici\u00eancia de ciclovias acabam muitas vezes convertendo o agrad\u00e1vel em um inferno. \u201cO tr\u00e2nsito \u00e9 horr\u00edvel. Os carros andam muito juntos e n\u00e3o param quando veem um ciclista. Muitas pessoas se acidentam porque os ve\u00edculos v\u00e3o para cima delas. Como o corpo \u00e9 o para-choque, n\u00e3o d\u00e1&#8230;\u201d, reclamou Gerber.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de transporte urbano no Brasil, hoje com mais de 198 milh\u00f5es de habitantes, priorizou, desde a d\u00e9cada de 1960, o uso do autom\u00f3vel, construindo mais vias urbanas e tirando espa\u00e7o de pedestres e ciclistas. Recentes isen\u00e7\u00f5es de impostos para estimular a venda de carros tiveram um efeito positivo no crescimento econ\u00f4mico, tanto pela renda quanto pela gera\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, criou-se um fantasma imprevisto: um aumento vertiginoso do parque automotivo. A quantidade de autom\u00f3veis nas 12 regi\u00f5es metropolitanas brasileiras aumentou mais de 8,9 milh\u00f5es entre 2001 e 2011, segundo o Observat\u00f3rio de Metr\u00f3poles. Em m\u00e9dia, foram incorporados 890 mil ve\u00edculos por ano nas cidades, enquanto a popula\u00e7\u00e3o cresceu pouco mais de 11%.<\/p>\n<p>\u201cEm um colapso como o que j\u00e1 sofremos, as cidades perdem muito em termos econ\u00f4micos, produtivos, ambientais e sociais\u201d, disse \u00e0 IPS a diretora do Instituto de Pol\u00edticas para o Transporte e o Desenvolvimento (IPTD), Clarisse Linke. \u201cO transporte \u00e9 um eixo important\u00edssimo para fazer das cidades espa\u00e7os socialmente justos e equitativos. Toda esta onda de manifesta\u00e7\u00f5es come\u00e7ou precisamente pela discuss\u00e3o sobre transporte e justi\u00e7a social. Nosso pa\u00eds cresce economicamente, mas nossas cidades s\u00e3o cada vez mais injustas\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff anunciou, no ano passado, que priorizar\u00e1 o transporte coletivo para grandes cidades, com investimento conjunto com os governos estaduais e municipais de US$ 16 bilh\u00f5es. O plano contemplava 600 quil\u00f4metros de vias, 200 quil\u00f4metros de ferrovias, 381 esta\u00e7\u00f5es e terminais, e a compra de ve\u00edculos para sistemas sobre trilhos. Tamb\u00e9m em 2012 foi aprovada uma lei sobre mobilidade urbana com diretrizes de sustentabilidade e de democratiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A lei, que prioriza o transporte coletivo, estabelece que todas as cidades com mais de 20 mil habitantes precisam elaborar um plano at\u00e9 2015. Por\u00e9m, poucas come\u00e7aram a se organizar. \u201cO problema est\u00e1 enraizado no Brasil, como em outros pa\u00edses latino-americanos: corrup\u00e7\u00e3o, m\u00e1quina burocr\u00e1tica que retarda os processos, falta de clareza e vis\u00e3o sobre o papel da mobilidade para o futuro das cidades\u201d, explicou Linke.<\/p>\n<p>Orlando dos Santos J\u00fanior, especialista em planejamento urbano do Observat\u00f3rio de Metr\u00f3poles, acrescentou outras raz\u00f5es em entrevista \u00e0 IPS. Por exemplo, no Rio de Janeiro, com 6,3 milh\u00f5es de habitantes, \u201cse constr\u00f3i grandes sistemas que n\u00e3o consideram a integra\u00e7\u00e3o com sua \u00e1rea metropolitana. Claro que teremos efeitos perversos, pois \u00e9 um plano equivocado e irracional que desperdi\u00e7a dinheiro p\u00fablico, refletindo a subordina\u00e7\u00e3o do governo municipal aos grandes interesses econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>O IPTD considera importante investir em corredores r\u00e1pidos de \u00f4nibus, que t\u00eam baixo custo comparativo e r\u00e1pida implanta\u00e7\u00e3o. A cidade de Curitiba foi pioneira neste sistema, que combina esta\u00e7\u00f5es de qualidade, transporte de n\u00edvel e ve\u00edculos de alta capacidade. Limpos e confort\u00e1veis, os passageiros pagam antes de embarcar, reduzindo o tempo de espera entre cada sa\u00edda, destacou Linke.<\/p>\n<p>Cerca de 20 cidades brasileiras t\u00eam planos de construir esses corredores. S\u00e3o Paulo tem seu Expresso Tiradentes, Belo Horizonte est\u00e1 construindo dois, Rio de Janeiro inaugurou o primeiro em 2012 e mais tr\u00eas est\u00e3o em processo. Por\u00e9m, as prioridades da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o foram atendidas, afirmou Santos. \u201cVemos as grandes cidades se preparando para receber o Mundial de 2014 e as Olimp\u00edadas de 2016\u201d, observou.<\/p>\n<p>O IPTD tamb\u00e9m defende a necessidade de integra\u00e7\u00e3o de grandes sistemas de transporte, como metr\u00f4 e de longa dist\u00e2ncia, junto a corredores r\u00e1pidos, o est\u00edmulo ao uso de bicicletas e at\u00e9 de andar a p\u00e9. Z\u00e9 Lobo, presidente da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Transporte Ativo, destacou que as bicicletas s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o imediata para os problemas de transporte em dist\u00e2ncias at\u00e9 cinco ou sete quil\u00f4metros. \u201cQuanto mais as usarmos mais r\u00e1pido o poder p\u00fablico ter\u00e1 de implantar infraestrutura para bicicletas\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Lobo acrescentou que \u201co grande problema ainda est\u00e1 na falta de compreens\u00e3o por parte das engenharias de tr\u00e2nsito e de outras autoridades quanto \u00e0 import\u00e2ncia da bicicleta\u201d. Al\u00e9m de ciclovias, teria que se investir em acessos e lugares para deixar estes ve\u00edculos em esta\u00e7\u00f5es de trens. Por\u00e9m, o problema n\u00e3o se restringe ao transporte, e se estende ao planejamento urbano. \u201cDevem coexistir no mesmo espa\u00e7o trabalho e moradia, para evitar viagens desnecess\u00e1rias. O aumento do solo misto pode reduzir em 30%, a m\u00e9dia de quil\u00f4metros\/dia de viagens de autom\u00f3vel por pessoa\u201d, segundo Linke.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o do sistema de trens \u00e9 outro desafio. Segundo um balan\u00e7o do setor metro-ferrovi\u00e1rio, o aumento do n\u00famero de passageiros n\u00e3o \u00e9 proporcional ao crescimento da rede, o que provoca superlota\u00e7\u00f5es. Trens e metr\u00f4s transportaram em 2012 cerca de nove milh\u00f5es de passageiros por dia, 3,8% mais do que em 2011. Para este ano, calcula-se que o aumento ser\u00e1 de 10%, o que implica maior necessidade de investimento, superior \u00e0s obras em marcha ou planejadas.<\/p>\n<p>Paralelamente, segundo Linke e Lobo, \u00e9 necess\u00e1rio desestimular o uso do autom\u00f3vel, por exemplo, limitando estacionamentos ou restringindo sua circula\u00e7\u00e3o em hor\u00e1rios de maior movimento de pessoas. De outra forma, brinca Lobo, a seguran\u00e7a do tr\u00e2nsito n\u00e3o ser\u00e1 mais um problema para os ciclistas. \u201cSe nada for feito, em poucos anos ser\u00e1 superseguro pedalar entre autom\u00f3veis completamente parados em engarrafamentos\u201d, previu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 5\/7\/2013 &ndash; Corredores para &ocirc;nibus, ciclovias e &aacute;reas para pedestres s&atilde;o solu&ccedil;&otilde;es fact&iacute;veis para enfrentar o colapso do transporte nas grandes cidades do Brasil. 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