{"id":15831,"date":"2013-07-01T14:05:49","date_gmt":"2013-07-01T14:05:49","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=91523"},"modified":"2013-07-11T12:36:16","modified_gmt":"2013-07-11T12:36:16","slug":"terramerica-barreiras-ao-mercado-de-insetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/terramerica-barreiras-ao-mercado-de-insetos\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 Barreiras ao mercado de insetos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_91524\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 350px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/DegustacaoInsetos.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-91524\" alt=\"DegustacaoInsetos TERRAM\u00c9RICA   Barreiras ao mercado de insetos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/DegustacaoInsetos.jpg\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Barreiras ao mercado de insetos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O curso \u201cInvestigando a biodiversidade: presente e futuro\u201d, organizado em maio pela Universidade de Alicante, terminou com uma degusta\u00e7\u00e3o de vermes e aracn\u00eddeos. Foto: Cortesia Universidade de Alicante\/Jes\u00fas Ordo\u00f1ez<\/p><\/div>\n<p><em>\u00a0A venda e o consumo de insetos, que segundo a FAO ajudar\u00e1 a combater a fome no mundo, carecem de regulamenta\u00e7\u00e3o na Espanha e na maioria dos demais pa\u00edses da Europa.<\/em><\/p>\n<p>M\u00e1laga, Espanha, 1\u00ba de julho de 2013 (Terram\u00e9rica).- Um galp\u00e3o de 280 metros quadrados em Co\u00edn, munic\u00edpio da prov\u00edncia espanhola de M\u00e1laga, abriga uma granja que cria insetos para consumo humano e para elabora\u00e7\u00e3o de farinha para animais. Uma atividade que, apesar do apoio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), enfrenta travas para seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cDesidratamos grilos e gafanhotos, e os convertemos em uma farinha que conserva quase todas as suas prote\u00ednas e qualidades nutricionais, para agregar a bolachas, cereais ou barras energ\u00e9ticas\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a francesa Laetitia Giroud, encarregada do desenvolvimento de vendas e produto da Insagri, empresa promotora da granja.<\/p>\n<p>Na granja de Co\u00edn, que conta com um controle de qualidade para cada tipo de inseto, se reproduzem milhares de larvas de mosca-soldado e vermes da farinha para a ind\u00fastria da alimenta\u00e7\u00e3o de r\u00e9pteis, gado e peixes. Os gafanhotos e grilos processados se destinam ao consumo humano. \u201cOs vermes da farinha tamb\u00e9m podem ser comidos, desidratados como chips com um pouco de sal, e s\u00e3o um excelente tira-gosto\u201d, disse Giroud.<\/p>\n<p>A Insagri, que come\u00e7ar\u00e1 a comercializar seus produtos em agosto, j\u00e1 conta com restaurantes como clientes para sua farinha de insetos na Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a e B\u00e9lgica, onde tamb\u00e9m h\u00e1 interesse de empresas especializadas em produ\u00e7\u00e3o de molho de tomate e outros. Isto porque esses tr\u00eas pa\u00edses mais a Holanda s\u00e3o os \u00fanicos da Europa que contam com a regulamenta\u00e7\u00e3o correspondente para \u201ca comercializa\u00e7\u00e3o de insetos para a alimenta\u00e7\u00e3o humana\u201d, explicou Eduardo Galante, presidente da Sociedade Espanhola de Entomologia e diretor do Centro Ibero-Americano da Biodiversidade da Universidade de Alicante, no sudeste da Espanha.<\/p>\n<p>Na Espanha, onde a Insagri visa o mercado da alimenta\u00e7\u00e3o de gado, c\u00e3es e gatos, existe \u201cum vazio legal que permite que se coma insetos em restaurantes (que compram de fornecedores estrangeiros), mas n\u00e3o autoriza sua venda direta para consumo\u201d, apontou Galante ao Terram\u00e9rica. Este especialista recordou como em 2008 as autoridades sanit\u00e1rias vetaram uma loja de insetos comest\u00edveis no Mercado de La Boquer\u00eda, em Barcelona.<\/p>\n<p>Essas travas v\u00e3o na contram\u00e3o da recomenda\u00e7\u00e3o da FAO de apelar a insetos e derivados para combater a fome no mundo. Em seu informe, divulgado no dia 13 de maio, <i>Edible Insects: Future Prospects for Food and Feed Security<\/i> (Insetos Comest\u00edveis: Perspectivas de Futuro para a Seguran\u00e7a Alimentar e Alimenta\u00e7\u00e3o), aconselha seu consumo pelo grande valor \u201cnutritivo\u201d, determinado por \u201cseu alto conte\u00fado de prote\u00ednas, vitaminas, fibras e minerais\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Giroud, al\u00e9m da falta de regulamenta\u00e7\u00e3o, existe uma \u201cbarreira cultural\u201d \u00e0 ingest\u00e3o de insetos, uma pr\u00e1tica que ocorre mais em alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia. \u201c\u00c9 repugnante comer insetos\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Marisa, de M\u00e1laga, m\u00e3e de uma menina de oito anos, embora considere \u201cinteressante\u201d a ideia de consumi-los processados em forma de farinha, \u201cporque pelo menos n\u00e3o os vemos\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>A FAO calcula que estes animais fazem parte da dieta de pelo menos dois bilh\u00f5es de pessoas no mundo e que h\u00e1 mais de 1.900 esp\u00e9cies comest\u00edveis. Entre as mais consumidas est\u00e3o besouros, lagartas, abelhas, vespas, formigas, gafanhotos e grilos. O sul espanhol re\u00fane \u201ccondi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adequadas para a cria\u00e7\u00e3o de insetos, que precisam de temperaturas entre 28 e 35 graus\u201d, pontuou Giroud, ressaltando que \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o \u201cmais barata e ecol\u00f3gica\u201d do que a pecu\u00e1ria, por sua maior concentra\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas em menos espa\u00e7o, com uma alimenta\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel e que requer menos \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cPara obter um quilo de prote\u00edna bovina s\u00e3o necess\u00e1rios 13 quilos de verduras, j\u00e1 para conseguir a mesma quantidade de prote\u00ednas dos grilos precisamos de apenas 1,5 quilo de vegetais\u201d, afirmou a representante da Insagri, destacando que a empresa \u201c\u00e9 a \u00fanica na Europa que usa alimenta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica para os insetos\u201d. Por exemplo, nutre vermes com uma farinha ecol\u00f3gica entregue por um fornecedor pr\u00f3ximo. Giroud acrescentou que \u201cos insetos s\u00e3o mais saud\u00e1veis porque seu consumo implica um risco m\u00ednimo de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as\u201d, atribuindo isso \u00e0 sua morfologia diferente, pois s\u00e3o de sangue frio, ao contr\u00e1rio de bovinos e su\u00ednos.<\/p>\n<p>O conceito de cria\u00e7\u00e3o de insetos em grande escala para consumo humano \u00e9 relativamente novo, embora haja exemplos de granjas de grilos no Laos, Vietn\u00e3 e Tail\u00e2ndia, afirma a FAO em seu estudo, que despertou opini\u00f5es contr\u00e1rias. \u201cA proposta da FAO, de combater a fome no mundo com a ingest\u00e3o de insetos, n\u00e3o ataca a raiz do problema\u201d, afirmou Esther Vivas, pesquisadora em pol\u00edticas alimentares e agr\u00edcolas, convencida de que a quest\u00e3o \u201cn\u00e3o \u00e9 encontrar novos insumos, mas abordar as causas da fome\u201d.<\/p>\n<p>Vivas, licenciada em jornalismo, com mestrado em sociologia e integrante do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, afirmou ao Terram\u00e9rica que se deve \u201ctornar mais acess\u00edvel a comida para a popula\u00e7\u00e3o mundial, porque existe produ\u00e7\u00e3o suficiente para aliment\u00e1-la\u201d. Dados da FAO indicam que a cada dia se produz comida para 12 bilh\u00f5es de pessoas, quando no planeta habitam sete bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Entretanto, esta ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) indica, em seu informe, que a sobrepesca, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e os decrescentes recursos de \u00e1gua constituir\u00e3o um desafio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos para os nove bilh\u00f5es de habitantes da Terra em 2050. \u201cPrecisamente, \u00e9 nestes tempos de crise, quando \u00e9 necess\u00e1rio o consumo respons\u00e1vel e o cuidado com o meio ambiente, que fica mais f\u00e1cil romper as barreiras culturais do consumo de insetos\u201d, destacou Giroud.<\/p>\n<p>\u201cEstes s\u00e3o a melhor alternativa para encarar a mudan\u00e7a de dieta\u201d, acrescentou a empres\u00e1ria, que embarcou com o tamb\u00e9m franc\u00eas Julien Foucher neste projeto, cujo investimento inicial foi de 24 mil euros (US$ 31.494), dos quais cinco mil euros (US$ 6.561) entregues pela organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Valle del Guadalhorce Grupo de Desenvolvimento Rural, que gerencia o Fundo Europeu Agr\u00edcola de Desenvolvimento Rural (Feader).<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s comemos crust\u00e1ceos e os insetos s\u00e3o um grupo aparentado com eles. Comemos camar\u00f5es, que s\u00e3o parecidos com os gafanhotos, al\u00e9m de mexilh\u00f5es, polvos e carac\u00f3is\u201d, detalhou Galante. Este entomologista espanhol observou que h\u00e1 insetos que est\u00e3o presentes h\u00e1 muito tempo em nossa vida cotidiana, talvez sem sabermos, como a cochonilha-do-carmim, um aditivo natural que d\u00e1 a cor vermelha aos batons, doces e embutidos, e que aparece nos r\u00f3tulos sob o nome de carmim ou E-120.<\/p>\n<p>Catedr\u00e1tico de zoologia na Universidade de Alicante, Galante assegura que j\u00e1 comeu \u201ctodo tipo de inseto, alguns com sabor rico para o paladar\u201d, embora reconhe\u00e7a a grande rejei\u00e7\u00e3o que gera na cultura anglo-sax\u00e3. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o acredita que seu uso na alimenta\u00e7\u00e3o humana ajude a acabar com a fome, mas opina que \u00e9 \u201cum caminho que abre novos mercados\u201d. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LINKS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/insetos-entre-a-moda-gastronomica-e-a-fome\/\" >Insetos entre a moda gastron\u00f4mica e a fome<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/noticias\/tematicas\/desarrollo-y-ayuda\/alimentacion-y-agricultura\/\" >Alimenta\u00e7\u00e3o e agricultura \u2013 Cobertura especial da IPS, em espanhol<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;A venda e o consumo de insetos, que segundo a FAO ajudar&aacute; a combater a fome no mundo, carecem de regulamenta&ccedil;&atilde;o na Espanha e na maioria dos demais pa&iacute;ses da Europa. 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