{"id":15839,"date":"2013-07-08T12:44:57","date_gmt":"2013-07-08T12:44:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=92383"},"modified":"2013-07-08T12:44:57","modified_gmt":"2013-07-08T12:44:57","slug":"a-esquerda-quer-orientar-enxame-das-redes-sociais-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/a-esquerda-quer-orientar-enxame-das-redes-sociais-brasileiras\/","title":{"rendered":"A esquerda quer orientar enxame das redes sociais brasileiras"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_92384\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/protestos4.jpg\"><img class=\" wp-image-92384 \" alt=\"protestos4 A esquerda quer orientar enxame das redes sociais brasileiras\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/protestos4.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"A esquerda quer orientar enxame das redes sociais brasileiras\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>O protesto dos jovens, que se declaram afastados dos partidos, acontece em meio a uma luta ideol\u00f3gica. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 8\/7\/2013 \u2013 As manifesta\u00e7\u00f5es de rua no Brasil, inicialmente apartid\u00e1rias, come\u00e7aram a ganhar as cores de bandeiras de agrupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais de esquerda, que agora tentam orientar a for\u00e7a de um movimento que nasceu como um \u201cenxame\u201d nas redes sociais. Augusto Franco, Fundador da Escola de Redes, definiu o motor que impulsionou o movimento, inicialmente em grandes cidades como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, como um enxame, que explicou como uma \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o que s\u00f3 pode ocorrer em sociedades altamente conectadas\u201d, com as de Madri e outras cidades espanholas ou na eg\u00edpcia Pra\u00e7a Tahrir.<\/p>\n<p>Nascidas sob um objetivo pontual, reduzir a tarifa do transporte p\u00fablico, se constitu\u00edram nos maiores protestos depois dos registrados em 1992, que culminaram com a ren\u00fancia do presidente Fernando Collor. Desta vez come\u00e7aram com cinco mil jovens e chegaram a mobilizar mais de 1,5 milh\u00e3o em dez dias. Por\u00e9m, com caracter\u00edsticas inovadoras, segundo Franco. \u201cN\u00e3o foram convocadas centralizadamente, n\u00e3o havia lideran\u00e7a, e sim m\u00faltiplos l\u00edderes emergentes e eventuais. N\u00e3o se trata de massas convocadas por organiza\u00e7\u00f5es centralizadas, mas por multid\u00f5es de pessoas agrupadas de modo distributivo\u201d, pontuou Franco \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Um enxame sem abelha rainha que agora est\u00e1 em meio a uma \u201cdisputa ideol\u00f3gica\u201d, segundo Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, hist\u00f3rico dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que aderiu aos protestos. \u201cComo essa juventude n\u00e3o tem uma organiza\u00e7\u00e3o de massas, as classes sociais come\u00e7aram um debate ideol\u00f3gico. Disputam as ideias dos jovens para influenci\u00e1-los\u201d, afirmou o dirigente em entrevista \u00e0 IPS. \u201cPor um lado est\u00e1 a burguesia que utilizou o Sistema Globo (multim\u00eddia) e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o para colocar na boca e nos cartazes dos jovens a demanda da direita. E, por outro, a esquerda e a classe trabalhadora, que tentam ir \u00e0s ruas para colocar suas pr\u00f3prias propostas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>St\u00e9dile considera que os protestos come\u00e7aram por uma crise urbana desta etapa do \u201ccapitalismo financeiro\u201d. Enumera fatores com a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, que nos \u00faltimos tr\u00eas anos elevou em 150% o pre\u00e7o dos alugu\u00e9is e das propriedades, e o est\u00edmulo \u00e0 venda de autom\u00f3veis, que gerou um tr\u00e2nsito \u201cca\u00f3tico\u201d, sem investimentos paralelos efetivos em transporte p\u00fablico. \u201cOs jovens n\u00e3o s\u00e3o apol\u00edticos. Est\u00e3o fazendo a melhor pol\u00edtica, que \u00e9 nas ruas. Mas n\u00e3o est\u00e3o vinculados a partidos. Sua rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a ideologia dos partidos, mas seus m\u00e9todos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Emir Sader apresentou explica\u00e7\u00f5es mais subjetivas, como a utopia, a rebeldia e a \u201csaud\u00e1vel falta de respeito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades\u201d, pr\u00f3prias da juventude, e que o adolescente manifestante Rafael Farias definiu para a IPS como \u201co calor, a intui\u00e7\u00e3o, o chamado\u201d, ressaltando que \u201csomos jovens e queremos chamar a aten\u00e7\u00e3o\u201d. E foram ouvidos pelos poderes Executivo, Legislativo e Judicial, que j\u00e1 lhes deram respostas conjunturais, como baixar o pre\u00e7o do transporte, criar mecanismos contra a corrup\u00e7\u00e3o, destinar mais recursos \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o e debater uma adiada reforma pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No entanto, as vozes dos jovens chegaram tamb\u00e9m aos ouvidos das organiza\u00e7\u00f5es sociais e do amplo leque de partidos de esquerda, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT), base do governo de Dilma Rousseff. O pr\u00f3prio l\u00edder partid\u00e1rio, o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011), os exortou a se somarem aos protestos. Segundo Lula, \u00e9 preciso evitar que a direita se \u201caproprie\u201d do movimento e \u201cempurrar\u201d o governo para a esquerda, a fim de \u201caprofundar as mudan\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata de colocar palavras de ordem nas bocas dos jovens. Eles t\u00eam as suas e o simples fato de sa\u00edrem \u00e0s ruas e mostrarem sua indigna\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para toda a sociedade\u201d, opinou St\u00e9dile. \u201cO problema \u00e9 como mobilizar a classe trabalhadora, porque, quando esta se mover, poder\u00e1 haver mudan\u00e7as estruturais e afetar os interesses do capital e dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou. A estrat\u00e9gia j\u00e1 se refletiu nas \u00faltimas manifesta\u00e7\u00f5es com lemas e atores mais diversificados. Desde sindicatos, movimentos pelos direitos da mulher e homossexuais, at\u00e9 camponeses e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cEstamos tentando mobilizar a classe trabalhadora e incluir temas que interessam a essa classe e a todo o povo\u201d, explicou o dirigente do MST. S\u00e3o propostos temas adicionais ao fortalecimento do investimento p\u00fablico em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, como a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas, uma reforma tribut\u00e1ria que onere os mais ricos e alivie os impostos dos mais pobres, bem como campanhas eleitorais apenas com financiamento p\u00fablico.<\/p>\n<p>Querem reivindica\u00e7\u00f5es menos urbanas, como a acelera\u00e7\u00e3o da demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas e uma reforma agr\u00e1ria. Na agenda dos movimentos sociais h\u00e1 outras pautas, como a suspens\u00e3o das concess\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o e de leil\u00f5es na \u00e1rea do petr\u00f3leo. \u201cEm minha opini\u00e3o, as revoltas t\u00eam bases econ\u00f4micas e sociais\u201d, afirmou St\u00e9dile. \u201cMais do que dar aos jovens uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, \u00e9 preciso p\u00f4r a classe trabalhadora em movimento, ou seja, levar tamb\u00e9m os pobres e os trabalhadores para as ruas. Este \u00e9 o desafio\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Um espa\u00e7o representativo nas ruas, que perderam na \u00faltima d\u00e9cada de governo de um partido liderado por um dirigente sindical de longa trajet\u00f3ria e prest\u00edgio, como Lula, com o qual se identificavam e de quem foram se distanciado. \u201cA esquerda, em geral, tamb\u00e9m se burocratizou em seus m\u00e9todos, embora grupos desta tend\u00eancia da juventude tenham apresentado, em muitas cidades, bastante incid\u00eancia e conduzido de forma organizada os protestos, pontuou St\u00e9dile.<\/p>\n<p>No entanto, Sader, militante do PT, entende que \u201ca esquerda tem que disputar a dire\u00e7\u00e3o e o sentido deste movimento com orienta\u00e7\u00f5es claramente populares e democr\u00e1ticas\u201d. \u00c9 uma estrat\u00e9gia j\u00e1 conhecida na hist\u00f3ria latino-americana, cuja efetividade \u00e9 duvidosa para alguns analistas e tem a aposta de outros.<\/p>\n<p>\u201cEste movimento tem uma agenda crescentemente plural. \u00c9 um grito de basta. Embora grupos pol\u00edticos espec\u00edficos tentem capitalizar o movimento, ainda falta ver o resultado\u201d, disse \u00e0 IPS o historiador Marcelo Carreiro. Por sua vez, o economista Adhemar Mineiro afirmou \u201cque o governo estar\u00e1 em bom caminho se sair dos trilhos aos quais retornou com o velho discurso de ajuste e competitividade e se dirigir \u00e0s massas que est\u00e3o nas ruas para debater um novo modelo de desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>O poder de convoca\u00e7\u00e3o dos sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es sociais ser\u00e1 sentido no dia 11em sua \u201cjornada nacional de luta e paralisa\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cConstatamos que os meios de comunica\u00e7\u00e3o e setores conservadores e de direita tentam influenciar as mobiliza\u00e7\u00f5es com objetivos alheios aos interesses da maioria do povo brasileiro\u201d, afirmou a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), uma das 77 organiza\u00e7\u00f5es que convocam a manifesta\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 \u201cde fundamental import\u00e2ncia a participa\u00e7\u00e3o organizada da classe trabalhadora neste novo cen\u00e1rio, para encontrar uma sa\u00edda positiva para essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 8\/7\/2013 &ndash; As manifesta&ccedil;&otilde;es de rua no Brasil, inicialmente apartid&aacute;rias, come&ccedil;aram a ganhar as cores de bandeiras de agrupa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais de esquerda, que agora tentam orientar a for&ccedil;a de um movimento que nasceu como um &ldquo;enxame&rdquo; nas redes sociais. 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