{"id":15876,"date":"2013-07-09T12:14:03","date_gmt":"2013-07-09T12:14:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=92517"},"modified":"2013-07-09T12:14:03","modified_gmt":"2013-07-09T12:14:03","slug":"meninas-se-rebelam-contra-casamento-precoce-em-bangladesh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/meninas-se-rebelam-contra-casamento-precoce-em-bangladesh\/","title":{"rendered":"Meninas se rebelam contra casamento precoce em Bangladesh"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_92518\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/banga-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-92518 \" alt=\"banga 629x472 Meninas se rebelam contra casamento precoce em Bangladesh\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/banga-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Meninas se rebelam contra casamento precoce em Bangladesh\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Shirin Aktar, de Bangladesh, uma adolescente que resistiu a um casamento precoce, junto de sua m\u00e3e. Foto: Naimul Haq\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rangpur, Bangladesh, 9\/7\/2013 \u2013 Shirin Aktar tinha apenas 13 anos quando seus pais decidiram que era hora de se casar. Na \u00e9poca, eram poucas as oportunidades que se abriam diante dela, filha mais velha de uma fam\u00edlia conservadora procedente do distrito de Rangpur, no norte de Bangladesh. Como Shirin n\u00e3o tinha educa\u00e7\u00e3o formal nem perspectivas profissionais, se casar com seu primo de 31 anos pareceu \u00e0 sua fam\u00edlia o melhor para evitar uma vida de pobreza abjeta.<\/p>\n<p>Esta menina de fala suave contou \u00e0 IPS que seus pais nunca a consultaram sobre essa decis\u00e3o. Seu pai carecia de trabalho est\u00e1vel e a fam\u00edlia n\u00e3o tinha casa pr\u00f3pria. Aceitar a proposta de um empres\u00e1rio em posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica relativamente boa lhes pareceu a op\u00e7\u00e3o \u00f3bvia para sua filha. Por\u00e9m, sua fam\u00edlia ignorava que Shirin tinha outros planos. Determinada a concretizar o sonho de ir para a universidade, contou com a ajuda de seus companheiros da Crian\u00e7as Jornalistas, uma organiza\u00e7\u00e3o de meninas e meninos do lugar, que \u201cse op\u00f5e \u00e0 injusti\u00e7a social e conscientizam sobre os direitos infantis\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Sentada em sua casa na aldeia de Arajemon, 370 quil\u00f4metros a noroeste de Dhaka, ela, que acaba de completar 18 anos, confessou ter visto muitas amigas e parentes sofrerem muito em consequ\u00eancia de casamentos precoces, experimentando desde viol\u00eancia dom\u00e9stica por parte de familiares do marido at\u00e9 fortes cargas de trabalho em casa. Shirin soube que n\u00e3o poderia seguir o mesmo caminho delas, mas se negar \u00e0 vontade de seus pais n\u00e3o era f\u00e1cil: exigia valentia e um enorme apoio de seus amigos.<\/p>\n<p>Apesar de conhecer as \u201cconsequ\u00eancias de intervir nos assuntos dos adultos, sentimos que os pais de Shirin estavam cometendo uma injusti\u00e7a com ela, e t\u00ednhamos que resistir\u201d, contou \u00e0 IPS Reza, l\u00edder da Crian\u00e7as Jornalistas. Os jovens procuraram anci\u00e3es da aldeia, l\u00edderes religiosos, influentes acad\u00eamicos e empres\u00e1rios, que concordaram em conversar com os pais da menina.<\/p>\n<p>De todo modo, este apoio quase un\u00e2nime entre os membros da comunidade n\u00e3o teria ido longe sem o impulso do Kishori Abhijan, um projeto de empoderamento adolescente do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) em Bangladesh que trabalha para dar \u00e0s meninas as ferramentas que precisam para fazerem suas pr\u00f3prias escolhas de vida. Realizado primeiro em fase-piloto em 2001, o programa foi criado em resposta \u00e0 enorme quantidade de casamentos de meninas neste pa\u00eds do sudeste asi\u00e1tico de 150 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, atualmente, a necessidade desse servi\u00e7o \u00e9 muito maior do que antes. Com cerca de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o vivendo com menos de um d\u00f3lar por dia, n\u00e3o causa estranheza as fam\u00edlias recorrerem ao casamento como meio de mobilidade social e para fugir de uma vida de trabalho extenuante. Encontrar um marido para uma filha significa uma boca a menos para alimentar, e a possibilidade de conseguir complementos financeiros do c\u00f4njuge.<\/p>\n<p>Apesar do avan\u00e7o nas matr\u00edculas femininas nas escolas, a uma substancial redu\u00e7\u00e3o da natalidade e maior liberdade para que as mulheres jovens reclamem seus direitos, muitas ainda vivem suas vidas limitadas pela tradi\u00e7\u00e3o do casamento precoce. Segundo uma pesquisa, 68% das mulheres entre 20 e 24 anos se casaram antes de chegarem \u00e0 idade legal m\u00ednima de 18 anos, enquanto outros estudos indicam que a vasta maioria destas se casa antes de completar 16 anos. Dados do governo sugerem que aproximadamente 50% das adolescentes de Bangladesh, cuja quantidade \u00e9 estimada em 13,7 milh\u00f5es, ser\u00e3o m\u00e3es quando tiverem 19 anos.<\/p>\n<p>Na Bangladesh rural, onde a pobreza est\u00e1 mais generalizada do que nas cidades, as filhas de fam\u00edlias pobres s\u00e3o consideradas aptas para o casamento no come\u00e7o da puberdade, o que significa que inclusive meninas de 13 e 14 anos podem se transformar em esposas. Em parte como um esfor\u00e7o para negociar dotes mais baixos, em parte para \u201cproteger\u201d suas filhas do ass\u00e9dio sexual, as fam\u00edlias pobres raramente pensam duas vezes antes de entregar suas meninas a maridos que costumam ser muito mais velhos.<\/p>\n<p>Segundo ativistas pelos direitos infantis, esta pr\u00e1tica \u00e9 socialmente prejudicial e tamb\u00e9m perigosa para a sa\u00fade das meninas. Em um pa\u00eds onde 80% de todos os nascimentos acontecem em casa, sem a presen\u00e7a de um assistente m\u00e9dico qualificado, as jovens m\u00e3es e seus filhos s\u00e3o vulner\u00e1veis a complica\u00e7\u00f5es durante a gravidez e a uma s\u00e9rie de doen\u00e7as associadas, como pneumonia e baixo peso ao nascer. Os casamentos precoces, sem d\u00favida, contribuem para a alta mortalidade materna em Bangladesh, de 329 mortes para cada cem mil nascimentos vivos, em compara\u00e7\u00e3o com 21 mortes para cem mil nascimentos vivos registrados em pa\u00edses como os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Agora, uma importante campanha de moradores locais junto com organiza\u00e7\u00f5es internacionais parece estar dando frutos. Grupos de autoajuda, conhecidos como <i>clubs kishori<\/i> re\u00fanem a cada 15 dias cerca de 30 adolescentes para debater sobre tudo, desde sa\u00fade reprodutiva e nutri\u00e7\u00e3o at\u00e9 pap\u00e9is de g\u00eanero e viol\u00eancia contra as mulheres. Os l\u00edderes do grupo, capacitados pelo Unicef, ajudam a que adquiram habilidades como costurar, fazer pe\u00e7as de cer\u00e2mica ou criar aves, o que melhora as possibilidades de as jovens ganharem seu sustento.<\/p>\n<p>Os <i>clubs kishori<\/i> trabalham com organiza\u00e7\u00f5es associadas da sociedades civil, como o Centro para a Educa\u00e7\u00e3o em Massa e a Ci\u00eancia, que funciona em centenas de subdistritos em todo o pa\u00eds e que demonstram ser muito valiosos na hora de dar capacita\u00e7\u00e3o em inform\u00e1tica e carpintaria, entre outras \u00e1reas. Os grupos de jovens tamb\u00e9m atuam coordenando campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o que incluem divulgar informa\u00e7\u00e3o sobre os casamentos infantis entre seus colegas e na comunidade mais ampla.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Shirin Aktar \u00e9 um testemunho do poder destes grupos locais. Quando seu pai procurou pela primeira vez o funcion\u00e1rio do cart\u00f3rio local, este se negou a registrar a uni\u00e3o antes de chegar a certid\u00e3o de nascimento da jovem, marcando um ponto de inflex\u00e3o desde os dias em que ningu\u00e9m movia uma palha diante de uma noiva-menina. Os que promovem esta campanha est\u00e3o conscientes de que a educa\u00e7\u00e3o sozinha n\u00e3o mudar\u00e1 a mentalidade que perpetua esta pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Para acabar com os casamentos infantis ser\u00e1 necess\u00e1rio mudar as circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas das fam\u00edlias pobres. Rose-Anne Papavero, diretora de prote\u00e7\u00e3o infantil do Unicef em Bangladesh, explicou \u00e0 IPS que a ag\u00eancia trabalha com o governo para \u201cproporcionar transfer\u00eancias de dinheiro condicional (de US$ 472 por ano) \u00e0s fam\u00edlias pobres, desde que concordem em n\u00e3o casar suas filhas menores de idade, n\u00e3o usarem trabalho infantil e n\u00e3o aplicarem castigos corporais\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rangpur, Bangladesh, 9\/7\/2013 &ndash; Shirin Aktar tinha apenas 13 anos quando seus pais decidiram que era hora de se casar. Na &eacute;poca, eram poucas as oportunidades que se abriam diante dela, filha mais velha de uma fam&iacute;lia conservadora procedente do distrito de Rangpur, no norte de Bangladesh. 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