{"id":159,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=159"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"mulheres-grande-passo-para-a-igualdade-entre-os-sexos-na-ndia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mulheres-grande-passo-para-a-igualdade-entre-os-sexos-na-ndia\/","title":{"rendered":"Mulheres: Grande passo para a igualdade entre os sexos na &Iacute;ndia"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 23\/01\/2005 &ndash; A &Iacute;ndia est&aacute; prestes a dar um passo transcendente rumo &agrave; igualdade entre os sexos, com a ado&ccedil;&atilde;o de uma lei para conceder &agrave;s mulheres hindus os mesmos direitos que t&ecirc;m os homens sobre a propriedade familiar. A emenda &agrave; Lei de Sucess&atilde;o Hindu, que ser&aacute; discutida no parlamento durante a atual sess&atilde;o de inverno boreal, elimina estatutos discriminat&oacute;rios vigentes desde 1956, que garantem aos homens herdar todas as propriedades familiares. &quot;Estudos demonstram claramente que quando as mulheres t&ecirc;m acesso a recursos melhora sua capacidade de tomar decis&otilde;es&quot;, disse Saroj Pachauri, diretora do escrit&oacute;rio para o sudeste da &Aacute;sia da organiza&ccedil;&atilde;o internacional Population Council.<br \/> <!--more--> <br \/> Pachauri disse &agrave; IPS que algumas das piores manifesta&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero na &Iacute;ndia, como o aborto feminino, muito comum no norte do pa&iacute;s, est&atilde;o vinculadas com leis de sucess&atilde;o arbitr&aacute;rias que tornam as mulheres mais vulner&aacute;veis. &quot;A discrimina&ccedil;&atilde;o acompanha as mulheres ao longo de toda a vida, desde o ventre da m&atilde;e at&eacute; o t&uacute;mulo e, em definitivo, isto afeta o desenvolvimento de todo o pa&iacute;s&quot;, acrescentou. Pachauri destacou com exemplo para o sistema federal indiano as leis vigentes no Estado de Kerala at&eacute; meados dos anos 70, que estabeleciam a sucess&atilde;o de propriedades familiares atrav&eacute;s da linha materna.<\/p>\n<p> Apesar de n&atilde;o fugir &agrave; realidade do pa&iacute;s quanto a n&iacute;veis de pobreza, Kerala agora goza de um &iacute;ndice de alfabetiza&ccedil;&atilde;o de quase 100%, e &eacute; o &uacute;nico grande Estado do pa&iacute;s com maior porcentagem de mulheres do que homens. Segundo o sistema de Kerala, chamado &quot;marumakkatayam&quot; em l&iacute;ngua malayalam, os filhos recebiam direitos de heran&ccedil;a inalien&aacute;veis atrav&eacute;s da linha materna. Al&eacute;m disso, permitia-se &agrave; mulher se divorciar a qualquer momento. A rela&ccedil;&atilde;o entre irm&atilde;o da mesma &quot;taward&quot;, ou fam&iacute;lia, da mesma linha materna era muito mais importante do que os v&iacute;nculos conjugais, por isso os tios maternos tinham um peso muito maior na vida de uma crian&ccedil;a do que o pr&oacute;prio pai.<\/p>\n<p> Para Nirmala Seetharaman, da governamental Comiss&atilde;o Nacional para as Mulheres, a emenda ajudar &aacute; acabar com o dote, considerada por muitos uma das piores pr&aacute;ticas sociais do pa&iacute;s. Grande parte dos casamentos em todos os setores sociais da &Iacute;ndia &eacute; acertada pelo pai da noiva, que realiza um grande pagamento em dinheiro, vestidos ou j&oacute;ias &agrave; fam&iacute;lia do noivo para que aceite sua filha. Este sistema n&atilde;o s&oacute; reduz a mulher a um bem que pode ser comercializado como, tamb&eacute;m, freq&uuml;entemente provoca atos de viol&ecirc;ncia. Quando o pai da noiva n&atilde;o pode pagar todo o dote depois de concretizado o casamento, o marido investe contra sua mulher e, muitas vezes, acaba por assassin&aacute;-la para se casar com outra e, assim, obter um dote. &quot;Quando as jovens tiverem direitos iguais para herdar propriedades familiares, j&aacute; n&atilde;o haver&aacute; nenhuma raz&atilde;o para se pedir ou aceitar dotes&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Outras ativistas dizem que a lei s&oacute; pode ser considerada um come&ccedil;o. Algumas ressaltam que a emenda pode ter importantes conseq&uuml;&ecirc;ncias para o mundo empresarial, que na &Iacute;ndia &eacute; controlado, em sua maioria, por grandes fam&iacute;lias. Os filhos homens sempre herdam os neg&oacute;cios de seus pais, e as filhas ficam exclu&iacute;das. O multimilion&aacute;rio imp&eacute;rio das telecomunica&ccedil;&otilde;es Reliance &Iacute;ndia est&aacute; atualmente me meio a uma batalha entre os filhos homens do fundador da companhia, Dhirubhai Ambani. Na &Iacute;ndia, pa&iacute;s constitucionalmente secular, existe um c&oacute;digo de leis civis e criminais uniforme, mas com disposi&ccedil;&otilde;es sobre casamento, div&oacute;rcio e heran&ccedil;a diferenciadas para cada uma das religi&otilde;es.<\/p>\n<p> Da popula&ccedil;&atilde;o de um bilh&atilde;o de indianos, 83% s&atilde;o da religi&atilde;o hindu, 11% mu&ccedil;ulmanos, 2,5% sikhs, 2% crist&atilde;os, 1% budistas e o restante segue religi&otilde;es minorit&aacute;rias. A emenda em discuss&atilde;o afeta somente os hindus, os sikhs e os budistas. &quot;Se o governo incluir a mesma medida em leis pessoais de outras religi&otilde;es ou aplicar as normas j&aacute; existentes que ap&oacute;iam a igualdade entre os sexos mudar&aacute; drasticamente a condi&ccedil;&atilde;o da mulher neste pa&iacute;s&quot;, disse Seetharaman. Mas, isto &eacute; mais f&aacute;cil de falar do que de fazer, mesmo tendo a Suprema Corte de Justi&ccedil;a pedido ao governo que cumpra sua obriga&ccedil;&atilde;o constitucional de &quot;eliminar toda diferen&ccedil;a baseada na religi&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> A distin&ccedil;&atilde;o religiosa nas leis civis indianas existia mesmo antes da independ&ecirc;ncia do poder colonial brit&acirc;nico em 1948. Por exemplo, as leis de sucess&atilde;o que datam de 1865 impedem que um homem crist&atilde;o ou uma mulher crist&atilde; doem propriedades a institui&ccedil;&otilde;es religiosas no leito de morte. As leis permitem que os homens mu&ccedil;ulmanos tenham quatro esposas, o que sempre foi criticado por grupos e for&ccedil;as pol&iacute;ticas pr&oacute;-hindus, como o Partido Bharatiya Janata. &quot;O que pedimos &eacute; um c&oacute;digo que inclua o melhor de todas as religi&otilde;es, seja o Isl&atilde; ou o cristianismo, como fizeram outros pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos&quot;, disse o porta-voz desse partido, Janada, V. K. Malhotra.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, todos os governos que a &Iacute;ndia teve preferiram n&atilde;o intervir nas leis de cada religi&atilde;o e deixar para os tribunais resolverem os assuntos complexos como o div&oacute;rcio segundo a lei isl&acirc;mica, que permite ao homem abandonar sua mulher ap&oacute;s proferir a palavra &quot;talaq&quot; por tr&ecirc;s vezes. Em maio de 2002, a justi&ccedil;a da cidade de Mumbai restringiu o emprego do &quot;triplo talaq&quot;, mas apenas depois de o mesmo ter sido feito na Arg&eacute;lia, Indon&eacute;sia, no Ir&atilde;, Iraque e na Turquia. Em 1986, a Suprema Corte de Justi&ccedil;a permitiu &agrave;s mulheres crist&atilde;s de Kerala terem direito igual ao dos homens na heran&ccedil;a paterna, embora at&eacute; agora pouqu&iacute;ssimas tenham lan&ccedil;ado m&atilde;o desse benef&iacute;cio. Comparado como o que foi feito nos tribunais, o governo e o parlamento est&atilde;o muito atr&aacute;s.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m em 1986, quando a Suprema Corte reconheceu o direito das mulheres mu&ccedil;ulmanas divorciadas a receber pens&atilde;o aliment&iacute;cia, os l&iacute;deres religiosos criticaram a Justi&ccedil;a por &quot;interferir&quot; em seus assuntos e pressionaram o, na &eacute;poca governante, Partido do Congresso, de perfil secular, a deixar sem efeito a senten&ccedil;a introduzindo uma legisla&ccedil;&atilde;o no parlamento. Em 1950, o governo resolveu que os d&aacute;lits (os exclu&iacute;dos no sistema de castas hindu) que haviam se convertido ao cristianismo perderam o direito a compensa&ccedil;&otilde;es e privil&eacute;gios estatais. Um recente editorial do jornal The Hindustan Times resumiu o clima que cerca o debate sobre a emenda &agrave; Lei de Sucess&atilde;o Hindu. &quot;Talvez, o momento mais vergonhoso na hist&oacute;ria do parlamento da &Iacute;ndia tenha sido quando, durante o debate sobre o C&oacute;digo Civil Hindu, a maioria dos legisladores apoiou a norma que pro&iacute;be &agrave;s mulheres herdar a propriedade de suas fam&iacute;lias&quot;, disse o jornal. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 23\/01\/2005 &ndash; A &Iacute;ndia est&aacute; prestes a dar um passo transcendente rumo &agrave; igualdade entre os sexos, com a ado&ccedil;&atilde;o de uma lei para conceder &agrave;s mulheres hindus os mesmos direitos que t&ecirc;m os homens sobre a propriedade familiar. A emenda &agrave; Lei de Sucess&atilde;o Hindu, que ser&aacute; discutida no parlamento durante a atual sess&atilde;o de inverno boreal, elimina estatutos discriminat&oacute;rios vigentes desde 1956, que garantem aos homens herdar todas as propriedades familiares. &quot;Estudos demonstram claramente que quando as mulheres t&ecirc;m acesso a recursos melhora sua capacidade de tomar decis&otilde;es&quot;, disse Saroj Pachauri, diretora do escrit&oacute;rio para o sudeste da &Aacute;sia da organiza&ccedil;&atilde;o internacional Population Council.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mulheres-grande-passo-para-a-igualdade-entre-os-sexos-na-ndia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":178,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-159","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/178"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}