{"id":1593,"date":"2006-03-20T00:00:00","date_gmt":"2006-03-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1593"},"modified":"2006-03-20T00:00:00","modified_gmt":"2006-03-20T00:00:00","slug":"mulheres-morrer-por-um-pouco-de-lenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/03\/mundo\/mulheres-morrer-por-um-pouco-de-lenha\/","title":{"rendered":"Mulheres: Morrer por um pouco de lenha"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 20\/03\/2006 &ndash; Apenas por ir em busca da lenha necess\u00e1ria para a sobreviv\u00eancia de suas fam\u00edlias, milh\u00f5es de refugiadas arriscam suas vidas todos os dias, alerta a n\u00e3o-governamental Comiss\u00e3o Feminina para Mulheres e Crian\u00e7as Refugiadas. Obrigadas a abandonar o lar por causa de conflitos armados, persegui\u00e7\u00e3o e desastres humanit\u00e1rios, quase 35 milh\u00f5es de pessoas vivem como refugiadas dentro das fronteiras de seus pr\u00f3prios pa\u00edses ou em outras na\u00e7\u00f5es. Mas para as mulheres refugiadas a vida \u00e9 particularmente dif\u00edcil e perigosa, segundo um relat\u00f3rio divulgado em Nova York, sede da comiss\u00e3o. <!--more--> &quot;Todos os dias, milh\u00f5es de mulheres e adolescentes refugiadas devem ir em busca de lenha para suas fam\u00edlias em condi\u00e7\u00f5es muito perigosas, e correm risco de apanhar, serem violentadas, seq\u00fcestradas e assassinadas. N\u00e3o tem op\u00e7\u00e3o. \u00c9 quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia&quot;, alertou a diretora da Women?s Commision, Carolyn Makinson. Sup\u00f5e-se que os acampamentos para refugiados sejam lugares seguros, criados para proteger e ajudar as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis do mundo. Mas embora lhes d\u00eaem abrigo, \u00e1gua pot\u00e1vel, cuidados m\u00e9dicos e alimentos, &quot;muito raramente recebem combust\u00edvel para cozinhar, e t\u00eam de consegui-lo por seus pr\u00f3prios meios, sem importar os riscos&quot;, diz o documento.<\/p>\n<p>O combust\u00edvel &#8211; o mais usado \u00e9 a lenha &#8211; n\u00e3o \u00e9 vital apenas para cozinhar, mas tamb\u00e9m para a calefa\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e cuidados m\u00e9dicos. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma importante fonte de renda, pois pode ser vendido. Os perigos associados \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel entre os refugiados s\u00e3o conhecidos h\u00e1 muito tempo, mas deliberadamente desatendidos pela comunidade internacional e pelas organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias que o consideram um &quot;assunto de mulheres&quot;, critica o relat\u00f3rio. De fato, a responsabilidade de obter o combust\u00edvel recai de forma desproporcional nas mulheres e adolescentes. Os riscos variam entre os diferentes acampamentos, dependendo da gravidade dos conflitos b\u00e9licos.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o sudanesa de Darfur, onde se trava uma guerra civil desde 2003, \u00e9 o lugar mais perigoso do mundo para as refugiadas. Nos arredores do acampamento de Abu Shouk, no norte de Darfur, mulheres e adolescentes v\u00e3o buscar lenha todas as madrugadas. Saem pelo deserto em pequenos grupos, cada um em diferentes dire\u00e7\u00f5es, esperando conseguir o suficiente para esse dia e voltar ao acampamento para preparar a primeira refei\u00e7\u00e3o antes do amanhecer. Mas as poucas \u00e1rvores na regi\u00e3o que forneciam lenha para os primeiros acampamentos instalados h\u00e1 dois anos j\u00e1 n\u00e3o o fazem mais. Encontrar uma s\u00f3 \u00e1rvore requer caminhada de v\u00e1rias horas, por isso muitas mulheres preferem cavar o ch\u00e3o com as m\u00e3os em busca de restos de ra\u00edzes.<\/p>\n<p>Com freq\u00fc\u00eancia acabam v\u00edtimas das mil\u00edcias \u00e1rabes Janjaweed, apoiadas pelo regime isl\u00e2mico de Cartum, ou dos movimentos armados de ind\u00edgenas negros que lutam contra o governo. Os dois grupos conhecem o costume das mulheres de sair de madrugada e &quot;se aproveitam da falta de imp\u00e9rio da lei para cometer viola\u00e7\u00f5es em massa&quot;, diz o relat\u00f3rio. &quot;Os atacantes sabem que n\u00e3o ser\u00e3o pegos, mas pior ainda, as mulheres e adolescentes sabem muito bem o que lhes acontecer\u00e1 se sa\u00edrem em busca de lenha&quot;, mas n\u00e3o t\u00eam escolha, disse Makinson. A situa\u00e7\u00e3o fica mais dif\u00edcil a cada dia, &quot;pois as amea\u00e7as persistem e as \u00e1rvores ficam escassas, for\u00e7ando as mulheres a caminharem maiores dist\u00e2ncias para conseguir madeira&quot;, acrescenta o informe.<\/p>\n<p>Em outros cen\u00e1rios, como o dos cerca de 105 mil refugiados butaneses no leste do Nepal, os ataques sexuais contra mulheres e adolescentes nos arredores dos acampamentos s\u00e3o um pouco menos freq\u00fcentes. Entretanto, os guardas florestais nepaleses continuam sendo uma amea\u00e7a constante. Muitas mulheres foram violadas e assassinadas por eles, diz o relat\u00f3rio. Ali &quot;a situa\u00e7\u00e3o se torna mais problem\u00e1tica, pois a lei nepalesa pro\u00edbe os refugiados de participarem de qualquer atividade que gere renda&quot;, disse \u00e0 IPS a presidente da organiza\u00e7\u00e3o de defesa das mulheres e da inf\u00e2ncia Himalayan Human Rights Monitors, Anjana Shakya. &quot;As mulheres n\u00e3o t\u00eam autoriza\u00e7\u00e3o para sa\u00edrem sozinhas em busca de lenha, e por isso n\u00e3o podem ir \u00e0 pol\u00edcia denunciar os crimes&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Apesar das diferen\u00e7as nos riscos que correm as refugiadas nos diferentes cen\u00e1rios, trata-se de um problema mundial sobre o qual &quot;a comunidade internacional tem de fazer alguma coisa&quot;, destacou Makinson. O representante permanente da Alemanha na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Wolfgang Trautwein, disse que somente compreendendo a realidade di\u00e1ria dessas mulheres se poder\u00e1 tomar medias para proteg\u00ea-las de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia em conflitos armados. &quot;A busca por lenha e combust\u00edveis alternativos \u00e9 um aspecto importante que deve ser atendido com urg\u00eancia&quot;, afirmou a diretora-executiva do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Thoraya Ahmed Obaid, ao comentar o informe da Women?s Commission. A organiza\u00e7\u00e3o prop\u00f5e, entre outras coisas a distribui\u00e7\u00e3o de utens\u00edlios de cozinha que funcionem com luz solar e alimentos que necessitem menos tempo de prepara\u00e7\u00e3o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 20\/03\/2006 &ndash; Apenas por ir em busca da lenha necess\u00e1ria para a sobreviv\u00eancia de suas fam\u00edlias, milh\u00f5es de refugiadas arriscam suas vidas todos os dias, alerta a n\u00e3o-governamental Comiss\u00e3o Feminina para Mulheres e Crian\u00e7as Refugiadas. Obrigadas a abandonar o lar por causa de conflitos armados, persegui\u00e7\u00e3o e desastres humanit\u00e1rios, quase 35 milh\u00f5es de pessoas vivem como refugiadas dentro das fronteiras de seus pr\u00f3prios pa\u00edses ou em outras na\u00e7\u00f5es. 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