{"id":15953,"date":"2013-07-11T14:50:35","date_gmt":"2013-07-11T14:50:35","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=92764"},"modified":"2013-07-11T14:50:35","modified_gmt":"2013-07-11T14:50:35","slug":"atendimento-hospitalar-gratuito-nao-convence-gravidas-no-quenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/atendimento-hospitalar-gratuito-nao-convence-gravidas-no-quenia\/","title":{"rendered":"Atendimento hospitalar gratuito n\u00e3o convence gr\u00e1vidas no Qu\u00eania"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_92765\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Beatrice.jpg\"><img class=\" wp-image-92765 \" alt=\"Beatrice Atendimento hospitalar gratuito n\u00e3o convence gr\u00e1vidas no Qu\u00eania\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Beatrice.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Atendimento hospitalar gratuito n\u00e3o convence gr\u00e1vidas no Qu\u00eania\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Beatrice Mudachi n\u00e3o gosta de dar \u00e0 luz no hospital porque, segundo disse, n\u00e3o foi bem atendida quando teve seu primeiro filho. Foto: Miriam Gathigah<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 11\/7\/2013 \u2013 H\u00e1 um m\u00eas, o governo do Qu\u00eania eliminou a cobran\u00e7a pelos servi\u00e7os de atendimento materno em centros de sa\u00fade e hospitais p\u00fablicos, mas Millicent Awino \u00e9 uma das muitas gr\u00e1vidas que preferem continuar dando \u00e0 luz em casa. \u201cDurante o parto, meu \u00fatero sai, e uma parteira sabe como recoloc\u00e1-lo na posi\u00e7\u00e3o certa, ao contr\u00e1rio do hospital\u201d, contou Awino \u00e0 IPS. Alice Anyango, uma parteira do assentamento irregular de Mathare, em Nair\u00f3bi, capital do pa\u00eds, disse \u00e0 IPS que \u201cn\u00e3o se deve tocar o \u00fatero com as m\u00e3os, com fazem no hospital, para n\u00e3o danific\u00e1-lo. Deve-se jogar uma jarra de \u00e1gua fria sobre ele para que volte \u00e0 posi\u00e7\u00e3o normal\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, o tratamento tradicional n\u00e3o tem sustento m\u00e9dico, segundo o professor Joseph Karanja, ginecologista e obstetra. \u201cH\u00e1, de fato, casos em que o \u00fatero sai do lugar, e \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito s\u00e9ria. Do ponto de vista m\u00e9dico, o \u00fatero simplesmente deve ser empurrado para sua posi\u00e7\u00e3o com as m\u00e3os\u201d, explicou. At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, as mulheres gr\u00e1vidas tinham de pagar entre o equivalente a US$ 12 nas cl\u00ednicas rurais at\u00e9 US$ 90 nos hospitais. Em caso de cesariana, o custo subia para US$ 150.<\/p>\n<p>As tarifas foram eliminadas a partir de 1\u00ba de junho, e o atendimento m\u00e9dico materno nos hospitais, centros de sa\u00fade e cl\u00ednicas do pa\u00eds passou a ser gratuito. Por\u00e9m, segundo Teresia Wangai, parteira diplomada de um hospital regional, o fim da tarifa n\u00e3o levou a um aumento de partos em hospitais. \u201cPens\u00e1vamos ter mais gr\u00e1vidas, mas recebi menos beb\u00eas este m\u00eas. Muitas mulheres parecem ter evitado os hospitais, temendo que o fim do pagamento piore o atendimento\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos como Joachim Osur acreditam que n\u00e3o cobrar o atendimento materno \u00e9 um passo na dire\u00e7\u00e3o correta. Mitos e ideias err\u00f4neas arraigadas continuam influindo na decis\u00e3o das m\u00e3es de recorrer \u00e0s parteiras e parir em casa. \u201cA Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade n\u00e3o recomenda que parteiras tradicionais fa\u00e7am os partos. Na verdade, uma mulher tem maior risco de morrer em suas m\u00e3os do que se derem \u00e0 luz sozinhas\u201d, argumentou Osur, especialista em sa\u00fade reprodutiva, em entrevista \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em torno de 92% das gr\u00e1vidas recebem assist\u00eancia pr\u00e9-natal, indicou Osur, por\u00e9m, mais da metade delas n\u00e3o d\u00e1 \u00e0 luz em hospitais. \u201cEnquanto apenas 46% das gr\u00e1vidas procurarem um hospital para parir, o risco de morte por gravidez e parto permanecer\u00e1 alto\u201d, destacou o m\u00e9dico. \u201cEm algumas regi\u00f5es, como as prov\u00edncias de Nyanza e Ocidental, cerca de 75% das mulheres gr\u00e1vidas n\u00e3o d\u00e3o \u00e0 luz em hospitais\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Karanja, por sua vez, ressaltou que todos os pa\u00edses que conseguiram reduzir a mortalidade materna o fizeram, principalmente, garantindo que as gr\u00e1vidas dessem \u00e0 luz com a assist\u00eancia de pessoal m\u00e9dico capacitado. \u201cA mortalidade materna parece aumentar. A Pesquisa de Sa\u00fade e Demografia do Qu\u00eania 2008-2009 mostra que aumentou de 414 mortes para cada cem mil nascidos vivos para 448\u201d, apontou.<\/p>\n<p>O diretor de servi\u00e7os m\u00e9dicos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Simon Mueke, afirmou que a mortalidade materna est\u00e1 atualmente em torno de 500 mortes para cada cem mil nascidos vivos. Na verdade, o indicador \u00e9 maior no Qu\u00eania e no Afeganist\u00e3o, um dos pa\u00edses mais problem\u00e1ticos do mundo. Segundo o Banco Mundial, o Afeganist\u00e3o registrou 460 mortes por cem mil nascidos vivos em 2010.<\/p>\n<p>\u201cAgora o atendimento materno \u00e9 gratuito, mas o Qu\u00eania reduziu para 2,5% o or\u00e7amento nacional da sa\u00fade. Isto est\u00e1 bem abaixo dos 15% recomendados na declara\u00e7\u00e3o de Abuja, da Uni\u00e3o Africana\u201d, disse Mueke. Em 2001, chefes de Estado africanos se reuniram nessa cidade da Nig\u00e9ria, onde se comprometeram a destinar 15% do or\u00e7amento nacional \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>O Qu\u00eania tampouco conseguiu reduzir pela metade as novas infec\u00e7\u00f5es do v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana (HIV) em menores desde 2009, segundo relat\u00f3rio divulgado em junho pelo norte-americano Plano de Emerg\u00eancia do Presidente para Al\u00edvio da Aids, pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) e pelo Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids. Estat\u00edsticas oficiais mostram que no Qu\u00eania pelo menos um em cada cinco beb\u00eas que nascem de m\u00e3es com HIV\/aids \u00e9 portador do v\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cParir em hospitais \u00e9 muito significativo, pode-se tomar precau\u00e7\u00f5es para evitar a transmiss\u00e3o do HIV de m\u00e3e para filho\u201d, destacou Karanja. As parteiras tamb\u00e9m se exp\u00f5em a riscos, acrescentou o obstetra, \u201cpois n\u00e3o costumam ter os implementos necess\u00e1rios para o parto, nem mesmo luvas\u201d. Por\u00e9m, a parteira tradicional Angelas Munani n\u00e3o ignora o risco. \u201cUsamos sacos de polietileno e amarramos uma corda ao redor do pulso para evitar o contato com o sangue da m\u00e3e durante o parto\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>No entanto, mitos e ideias err\u00f4neas, bem como o prest\u00edgio que as parteiras t\u00eam nas comunidades, n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas raz\u00f5es pelas quais as mulheres preferem parir em casa. \u201cCostumamos ter tr\u00eas beb\u00eas na mesma cama na maternidade. As m\u00e3es os colocam em suas camas e elas se sentam ou dormem no ch\u00e3o. \u00c9 um pesadelo para a mulher que acaba de dar \u00e0 luz\u201d, explicou Wangai.<\/p>\n<p>A m\u00e3e Evelyn Bosibori acrescentou que as enfermeiras descuidam das mulheres ou as deixam em m\u00e3os de pessoal n\u00e3o qualificado. \u201cCom 5,4 quilos, meu beb\u00ea era muito grande para um parto normal, e tamb\u00e9m estava virado\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cPari em um hospital assistida por um aprendiz que era incapaz de se dar conta de que o beb\u00ea n\u00e3o estava na posi\u00e7\u00e3o correta para o parto. Tive que fazer cesariana, meu beb\u00ea era quase o dobro de um rec\u00e9m-nascido\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 in\u00fameras den\u00fancias de abuso e at\u00e9 de agress\u00e3o f\u00edsica das enfermeiras nas gr\u00e1vidas. Osur confirmou que houve casos de m\u00e3es que sofreram maus tratos e at\u00e9 golpes em centros de sa\u00fade. \u201cTodo o sistema de sa\u00fade precisa de reforma. H\u00e1 numerosas greves dos trabalhadores da sa\u00fade reclamando melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, afirmou. \u201cOs centros de sa\u00fade costumam carecer de pessoal e em algumas \u00e1reas, especialmente as rurais, pode-se encontrar tr\u00eas ou quatro enfermeiras atendendo os beb\u00eas e o p\u00fablico, enquanto ajudam no parto\u201d, ressaltou Osur. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 11\/7\/2013 &ndash; H&aacute; um m&ecirc;s, o governo do Qu&ecirc;nia eliminou a cobran&ccedil;a pelos servi&ccedil;os de atendimento materno em centros de sa&uacute;de e hospitais p&uacute;blicos, mas Millicent Awino &eacute; uma das muitas gr&aacute;vidas que preferem continuar dando &agrave; luz em casa. &ldquo;Durante o parto, meu &uacute;tero sai, e uma parteira sabe como recoloc&aacute;-lo [&#8230;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/atendimento-hospitalar-gratuito-nao-convence-gravidas-no-quenia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":142,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,1],"tags":[1130,989,3178,1131,1132],"class_list":["post-15953","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","category-ultimas-noticias","tag-gravidas","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-quenia","tag-saude-materna"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/142"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15953"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15953\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15956,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15953\/revisions\/15956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}