{"id":1596,"date":"2006-03-20T00:00:00","date_gmt":"2006-03-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1596"},"modified":"2006-03-20T00:00:00","modified_gmt":"2006-03-20T00:00:00","slug":"ambiente-mexico-e-paraguai-trancam-acordo-sobre-biosseguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/03\/america-latina\/ambiente-mexico-e-paraguai-trancam-acordo-sobre-biosseguranca\/","title":{"rendered":"Ambiente: M\u00e9xico e Paraguai trancam acordo sobre biosseguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Curitiba, 20\/03\/2006 &ndash; M\u00e9xico e Paraguai apresentaram na sexta-feira, \u00faltimo dia da terceira Reuni\u00e3o das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Seguran\u00e7a da Biotecnologia (MOP 3), novas propostas para alterar o texto negociado desde segunda-feira, complicando e prolongando o encontro. Os mexicanos s\u00e3o os mais renitentes, pois n\u00e3o aceitam que seja obrigat\u00f3ria a identifica\u00e7\u00e3o de carregamentos com organismos vivos modificados (OVM), tamb\u00e9m chamados transg\u00eanicos. &quot;M\u00e9xico, por favor, aperte o bot\u00e3o&quot;, pediu a norueguesa Birthe Ivars, presidente do Grupo de Trabalho respons\u00e1vel pela negocia\u00e7\u00e3o mais pol\u00eamica da MOP 3, que terminou sexta-feira em Curitiba (PR). <!--more--> Os negociadores haviam discutido o texto proposto pelo Brasil durante a madrugada de sexta-feira, e reiniciaram o processo em contatos informais pela manh\u00e3. Pouco depois do meio-dia, Ivars apresentou a proposta acordada. Em um gesto inesperado, o embaixador mexicano, Marco Antonio Meraz Rios, sugeriu colocar entre colchetes &#8211; isto \u00e9, sujeito a novas negocia\u00e7\u00f5es &#8211; o ponto que obriga todos os signat\u00e1rios do Protocolo de Cartagena a identificar os produtos com OVM transportados entre pa\u00edses.<\/p>\n<p>&quot;Essa \u00e9 uma maneira s\u00e9ria de tratar as quest\u00f5es, colocando colchetes que j\u00e1 haviam sido retirados?&quot;, protestou o brasileiro Luiz Alberto Figueiredo Machado, co-presidente do grupo respons\u00e1vel pelas negocia\u00e7\u00f5es. &quot;Estamos consternados, acredit\u00e1vamos que o M\u00e9xico negociava de boa f\u00e9 durante a semana, mas decidiu manifestar sua posi\u00e7\u00e3o somente no \u00faltimo dia&quot;, criticou o delegado da Eti\u00f3pia, aplaudido pela maioria dos diplomatas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 estudos concludentes sobre e inocuidade dos transg\u00eanicos para o meio ambiente e a sa\u00fade humana. O Protocolo, em vigor desde setembro de 2003, est\u00e1 destinado a proteger a diversidade biol\u00f3gica dos riscos potenciais dos organismos vivos modificados pela moderna biotecnologia. Venezuela, Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e Jap\u00e3o se manifestaram favor\u00e1veis \u00e0 proposta que imp\u00f5e a identifica\u00e7\u00e3o, com um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de seis anos, dois a mais do que o proposto pelo Brasil. O Peru, que durante a semana se op\u00f4s \u00e0 express\u00e3o &quot;cont\u00e9m OVM&quot;, anunciou, finalmente, seu apoio ao texto negociado, sendo tamb\u00e9m aplaudido.<\/p>\n<p>O texto que seguia em discuss\u00f5es na sexta-feira \u00e0 noite assinalava que as experi\u00eancias nacionais de rotulagem de transg\u00eanicos ser\u00e3o avaliadas na MOP 5, dentro de quatro anos, j\u00e1 que a confer\u00eancia se reunir\u00e1 a cada dois anos, a partir de agora. O objetivo \u00e9 &quot;considerar uma decis\u00e3o na sexta reuni\u00e3o, para garantir que a documenta\u00e7\u00e3o que acompanhar os OVM destinados ao uso direto como alimento humano ou animal, ou para processamento, indique claramente que o carregamento cont\u00e9m transg\u00eanico e inclua a informa\u00e7\u00e3o detalhada estipulada&quot;.<\/p>\n<p>A presidente do Grupo de Trabalho solicitou aos mexicanos que revisassem sua posi\u00e7\u00e3o e lhes passou a palavra. O sil\u00eancio aumento as expectativas. &quot;M\u00e9xico, por favor, aperte o bot\u00e3o&quot;, reiterou a diplomata norueguesa diante de risadas generalizadas, amplificadas por defeitos nos microfones. Depois de conseguir que funcionasse seu microfone, o embaixador mexicano disse que n\u00e3o havia motivos para surpresa com sua proposta, j\u00e1 que desde o in\u00edcio seu pa\u00eds questionou a obrigatoriedade de identificar os carregamentos. O Paraguai, ent\u00e3o, afirmou seu apoio ao M\u00e9xico e pediu o rein\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma hora e meia, diante de um novo documento apresentado por Ivars, j\u00e1 sem colchetes, o M\u00e9xico voltou a condicionar sua aprova\u00e7\u00e3o a modifica\u00e7\u00f5es em outra parte do texto, que pede aos governos medidas para garantir a documenta\u00e7\u00e3o que acompanhar\u00e3o produtos com OVM. A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia recha\u00e7ou as altera\u00e7\u00f5es, qualificando-as de &quot;retrocesso&quot;. Para Rubens Nodari, do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente do Brasil, &quot;na pr\u00e1tica, as proposta mexicanas buscam eliminar a obrigatoriedade da identifica\u00e7\u00e3o&quot;. As negocia\u00e7\u00f5es retomadas a portas fechadas n\u00e3o haviam produzido um acordo at\u00e9 a noite de sexta-feira.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-executivo da Conven\u00e7\u00e3o de Diversidade Biol\u00f3gica, o argelino Ahmed Djoghlaf, justificou as dificuldades pelos muitos interesses em jogo, mas disse acreditar em um acordo final. O Greenpeace atribuiu a dificuldade de um acordo a press\u00f5es de grandes empresas do agroneg\u00f3cio e dos pa\u00edses que mais exportam transg\u00eanicos, como Estados Unidos e Argentina, que n\u00e3o s\u00e3o partes do Protocolo de Cartagena. Como uma decis\u00e3o exige &quot;consenso absoluto&quot;, \u00e9 f\u00e1cil contar com um ou v\u00e1rios pa\u00edses para impedir que prevale\u00e7a a vontade da grande maioria, comentou S\u00e9rgio Leit\u00e3o, diretor de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Greenpeace.<\/p>\n<p>Seu medo \u00e9 que a reuni\u00e3o n\u00e3o leve a nenhum avan\u00e7o ou resulte em um texto t\u00edmido, sem estabelecer um sistema seguro de identifica\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos. &quot;Somente um telefonema do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ao seu colega mexicano, Vicente Fox, poderia salvar MOP 3 de um fracasso&quot;, concluiu. &quot;A proposta brasileira foi muito importante para tentar superar os obst\u00e1culos do Protocolo de Cartagena&quot;, considerou Djoghlaf, agradecendo a decis\u00e3o do presidente Lula de aceitar a rotulagem &quot;cont\u00e9m OVM&quot; com prazo de quatro anos para sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As 22 decis\u00f5es adotadas na semana passada permitir\u00e3o iniciar a implanta\u00e7\u00e3o do Protocolo, disse Djoghlaf, destacando que durante os pr\u00f3ximos 15 dias, tamb\u00e9m na capital paranaense, acontecer\u00e1 o maior encontro sobre biodiversidade do planeta. Inscreveram-se 2.669 participantes para a oitava Reuni\u00e3o das Partes da Conven\u00e7\u00e3o de Diversidade Biol\u00f3gica (COP 8), incluindo 96 ministros de Estado. Da COP 7 participaram 2.300 delegados e 16 ministros. At\u00e9 agora, foram realizadas 2.086 reuni\u00f5es oficiais da Conven\u00e7\u00e3o. As 192 decis\u00f5es adotadas comp\u00f5em um livro de 1.039 p\u00e1ginas. &quot;Agora, vem a implementa\u00e7\u00e3o&quot;, afirmou Djoghlaf. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curitiba, 20\/03\/2006 &ndash; M\u00e9xico e Paraguai apresentaram na sexta-feira, \u00faltimo dia da terceira Reuni\u00e3o das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Seguran\u00e7a da Biotecnologia (MOP 3), novas propostas para alterar o texto negociado desde segunda-feira, complicando e prolongando o encontro. 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